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Já não sentia mais nada, não via mais nada, e não ouvia mais nada. Ele morreu pela terceira vez, uma morte horrível onde foi criado um buraco em sua barriga. A perda de sangue foi tanta que perdeu a vida em poucos minutos. A queimação foi tão intensa que não conseguia se mover direito.

No momento em que pôde sentir sentir seus sapatos atingirem o chão e o vento bater em seus dedos, sua primeira reação instintiva foi se jogar no chão, e levar sua mão à região que foi dilacerada. Não estava doendo, apenas foi o choque da realidade pós morte falando mais alto. Uma hora estava morrendo, com uma intensa dor em sua barriga, e outra estava vivo, sem sentir mais nenhuma dor.

Com isso, forçadamente, abriu seus olhos, que se arregalaram: a primeira coisa que viu foi grama.

— Se acalme.

Ouviu uma voz gentil e familiar. A dona dessa voz massageou suas costas, tentando fazê-lo ficar mais calmo.

Ainda não conseguia acreditar no que aconteceu. O terror que foi ver um buraco em seu corpo, junto de sua carne avermelhada por causa do sangue, que poderia fazer qualquer pessoa passar mal. A dor intensa que sentiu, sua barriga inteira queimando, ao ponto de chorar e não conseguir falar com clareza. E, em um piscar de olhos, não sentia mais nada.

— O que… houve?

Agarrou a grama com força.

— Não é óbvio? Você morreu… de novo.

— M-mas como? Como isso aconteceu?

— Eu não sei.

Dante tentou ficar mais calmo. Fechou seus olhos e inspirou e respirou três vezes. Levantou-se do chão com facilidade, bem diferente de quando estava no chão na hora da sua morte.

Quando ficou de pé, pôde ver a Deusa da Cura em frente à ele, o encarando com um olhar de preocupação.

O jovem ainda estava meio zonzo e confuso, e, ao olhar para o ambiente ao seu redor, tudo piorou. Estava em um lugar bem diferente de antes. Aquele lugar era um campo verde, rodadado de flores, onde o céu era azul com algumas nuvens, fazia um calor em uma ótima temperatura, e um vento agradável batia nos cabelos deles. Mais avante, não se via mais nada além de flores no chão. Um lugar calmo e bonito.

— Que lugar é este?

Olhou para a deusa, que levantava a cadeira que o jovem derrubou no momento em que se jogou no chão, e a colocava na mesma posição de antes.

— Você disse para eu dar uma reformulada no meu quarto, e ouvi seu conselho.

A mulher andou até sua cadeira, sentando-se logo em seguida.

— E aqui estamos.

Jogou sua perna em cima da outra, apoiu seu braço em cima da perna, apoiando o queiro em cima do pulso.

— Então, bem-vindo novamente ao meu quarto, Dante Katanabe, mas, desta vez, reformulado.

O jovem olhou sem palavras para ela, enquanto Himawari estava com um largo sorrisso que, logo depois, se fechou, mostrando uma expressão de confusão por parte da garota. Dante passou um bons segundos olhando para a mulher, sem dizer uma palavra.

— O que foi?

— É que, se sua saia fosse curta, daria pra ver sua calcinha.

— Pervetido!

— Oi?! Não! Não! Isso foi apenas um aviso!

O jovem recuou, caindo na cadeira atrás dele. Antes não havia uma cadeira para se sentar. Além do lugar mais bonito, a deusa também pensou em deixar as pessoas que morressem mais confortáveis, e não acordar no meio do chão como anteriormente. Ele adorou essa atitude dela.

O garoto observou mais o local. Além do que já tinha visto, não havia mais nada ao alcance do seu campo de visão. Duvidava que haveria mais coisas há alguns quilómetros daqui, e isso se existisse mais distância a ser andada.

Aquele lugar, apesar de vazio, trazia um sentimento de solidão. Havia duas pessoas ali, Dante e Himawari. Mas, depois que o garoto fosse embora, a mulher iria ficar com quem? Provavelmente, mais prssoas apareciam naquele lugar, o que a fazia não se sentir tão zonhinha. Mas, e depois? Se ela gostava de ficar sozinha as vezes, tudo bem, mas e alguém que não gostava? Como ele se sentiria em estar em uma área onde era o único residente? Certamente, solitário.

Dante olhou para baixo e percebeu que suas pernas estavam vestidas por calça preta. Para poder confirmar, olhou para suas mãos, que estavam sendo vestidas por luvas brancas.

— Ô, deusa, por que eu estou com a roupa de trabalho?

Das últimas vezes que foi parar ali, apareceu com seu conjunto de moletom. Ele não havia percebido a troca repentina de roupas quando chegou ao quarto de Himawari, muito provavelmente por causa do desespero pós morte que sentiu.

— Justamente porque você estava usando uma roupa de trabalho na hora da sua morte.

— Hã?

— Caso você morresse pelado, você apareceria aqui com seu “pênis.png” de fora, tá entendendo?

— P-para! Isso é assustador!

Dante ficou envergonhado ao imaginar uma situação em que morresse tomando banho, e aparecesse na frente da Deusa da Cura, completamente nú, e não achou muito legal imaginar isso. No entanto, entendeu o que ela quis dizer. Aparentemente, independente de como você estivesse vestido, caso morresse, apareceria com a roupa que estava usando antes de morrer.

— Vem cá, isso já aconteceu antes?

— Sim, mas não constantemente, felizmente.

O jovem teve pena do garoto ou da garota que apareceu ali mostrando tudo que lhe dava direito.

— Você está reagindo muito melhor do que das últimas duas vezes que esteve aqui.

— Hã?

— Digo, depois de morrer.

— Espera, reagir como um desesperado é agir melhor na sua mente?

— Se encontrar em um cenário do pós morte, e saber como morreu porque, alguém lhe disse, ou você sentiu isso na pele, o mais normal seria agir desesperadamente, não é mesmo? Quero dizer, você está morto, e isso não é algo legal.

O garoto se calou, não soube como responder aquilo, e apenas concordou.

— …Foi pertubador…

— Hã?

— P-pude ver, minhas entranhas e muito do meu sangue escorrendo pelo chão…

— Oh.

Quanto mais pensava naquilo, não conseguia tirar a imagem da cena da sua cabeça, e da dor que sentiu. Estava pertubado.

— P-por que eu morri, desta vez?

Ela olhou seriamente para ele.

— Como disse, não sei. O que te matou te atacou na hora que estava tudo escuro, não conseguir ver tão bem quanto você.

— …Entendo… mas, quem me matou…?

O garoto tentou achar uma razão lógica para aquilo.

— Será que foi algum demônio?

— Acho improvável. Há poucos demônios no continente que você está.

Se isso era verdade ou não, o garoto não sabia, apenas a deusa, então, decidiu acreditar nela.

— Será que… existe algum assassino na mansão?

Essa hipótese o deixou bem preocupado. Se existisse um assassino dentro daquela mansão, teria que voltar imediatamente à vida, e avisar ao seu chefe, para que ficassem alertas.

Pensando nisso, acabou surgindo uma outra hipótese em sua mente, uma que ele certamente não gostou de ter pensado.

— E se for algum dos funcionários.

Mas quem? E por quê? Essas eram as questões. Por que algum funcionário estaria disposto a matar as pessoas naquele casarão? E por que o matariam um completo novato? Para não deixar testemunhas? Talvez, mas isso só seria útil se o garoto não pudesse voltar à vida.

E se quisessem matar só ele? Por que matariam Dante? Alfrey o enviou para um lugar com um psicopata sem saber? E quem poderia ser? Seus novos amigos? O velho mordomo e ex-cavaleiro? O seu chefe? A garota que o ignorou noite passada? Quanto mais ideias surgiam na sua cabeça, mais o jovem sentia um frio na barriga.

— Bem, nas histórias o mordomo não é sempre o assassino? Mas, além de você, há dois naquela casa. Um ex-cavaleiro e um preguiçoso, quem poderia ser? Haha!

— Você está rindo?

— Hahahaha!

A reação do garoto fez ela cair na risada por alguns segundos.

— D-desculpa, desculpa, haha! M-mas não se preocupe, com certeza não foi nenhuma pessoa que convive com você lá.

— Hã?

— Não faz muito sentido. Aquilo estava mais para algo sobrenatural do que um assasinato por parte de um ser humano.

— Sério?

— Sim! Se não você teria visto alguma pessoa lá, né? E mesmo se ela estivesse escondida no closet. Aquilo foi um ataque muito direto, e não algo furtivo.

Aquilo o deixou mais aliviado, mesmo que não fosse 100%. Entretanto, aquela questão ainda não havia sido concluída.

— Mas, desculpa, realmente não sei o que poderia ter sido… se bem que… Ceifador…

— Uh?

— Nada, só um nome que me veio à mente… Mas, não é improvável.

— E que é esse tal de Ceifador?

A garota jogou sua perna para cima da outra de novo, e colocou sua mão no queixo. Pensou profundamente e ficou com um olhar sério estampado no rosto.

— Eu não conheço muito sobre essa criatura, além de que ela, há muito tempo, tem um contrato com as deusas.

— Um contrato?

— Algo envolvendo almas… Não sou perita nesse assunto, mas conheço alguém que é.

— Hum? Quem?

— A Deusa do Tempo. Em comparação comigo, ela sabe bem mais coisas sobre o Ceifador. Posso pedir para ela entrar em contato com você, pode ser?

— Mas para isso eu teria que morrer de novo?

Se essa fosse a condição, o jovem não estaria muito disposto a isso só para conversar com outra mulher.

— Não se preocupe. Não necessariamente você precisa morrer para conversarmos com você, entende?

— Se você tá falando.

Aquela informação o deixou mais contente.

— Na verdade, pediria à outra pessoa para falar com você sobre isso, a Deusa da Sabedoria, porém, ela é muito reservada… Acho que isso seria difícil.

— Entendo… Então, além da Deusa da Cura, existe uma do tempo e outra da sabedoria, né…? Entendi…

Imaginou que tipo de outras deusas poderia existir.

Enquanto pensava nisso, um brilho sob a cadeira que ele estava sentado o iluminou. Olhou para baixo e viu novamente aquele círculo com vários símbolos no chão.

“Nem precisei pedir desta vez.”

A deusa já sabia o que, no final, ele queria, de qualquer forma.

— Vou deixar isso bem claro novamente. Não volte aqui. A não ser que eu tenha te chamado, por algum motivo.

Voltar lá sem aquele ser divino ter lhe chamado significava, obviamente, morte, e isso era tudo que os dois menos queriam. Dante entendeu o que ela quis dizer, e apenas sorriu.

— Sabe, senhorita Himawari, você é uma pessoa muito legal. Obrigado por tudo.

Ela sorriu.

— Eu que agradeço pelo elogio.

E, assim, o jovem voltou à vida pela terceira vez.

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