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Desceram a colina até o vilarejo, onde se depararam com um grande portão de madeira, onde também havia dois guardas preparados para protegerem o vilarejo de quaisquer ameaças que estariam em seus alcances. Os orcs estavam equipados com armaduras de ferro, que não pareciam ser muito resistentes, na verdade, mal feitas. Também seguravam lanças, parecidas com a que Grond tinha.

Com a aproximação do quarteto — considerando Joe —, os guardas ficaram levemente confusos. Ficaram felizes com a volta do filho do chefe, mas franziram as testas com as duas pessoas que estavam juntas dele, em cima de um lagarto gigante.


Eles andaram em frente e apontaram suas armas.

— Paradinhos aí — disse o primeiro guarda, com calma e firmeza, concentrando sua visão apenas neles — Senhor Grond, temo que não poderemos deixar o senhor passar sem uma explicação.

O orc já esperava por isso, então, não ficou surpreso. Além do mais, nessa viagem de três dias, ele já estava pensando em uma resposta apropriada para isso. Não só para essa pergunta, mas para possíveis outras perguntas.

— Esse humano se chama Dante, e ele irá cozinhar para o nosso pessoal. Não se preocupe, ele é inofensivo.

— Quero arrumar briga não, ô! — completou o garoto, tentando favorecer a situação.

Entretanto, apenas um curto diálogo não bastava, mesmo para o filho do chefe.

— E essa humana? — disse o segundo guarda.

— Ela não é humana. É uma sereia — respondeu o homem.

— Deixe-me verificar.

O segundo guarda andou até a garota, levantando o cabelo na parte se sua orelha. Foi quando teve sua confirmação.

— Entendo… é mesmo uma sereia.

“O quê?!”, o que Dante viu foi orelhas bem diferentes de um humano comum em Crim. Eram orelhas de sereias, que ainda lembravam a de humanos, mas era óbvio a diferença. Como se fossem nadadeiras. Isso assustou o garoto por um momento, todavia, não era algo que o deixava pertubado.

Todavia, a situação ainda não havia sido resolvida.

— Senhor Grond, pode garantir que esse humano não fará nenhum mal?

— Posso. Ele é fraco e magro. Com um soco meu, o derrubo no chão.

Isso era a mais pura verdade. Diferente daquele humano, o orc tinha mais força e experiência de combate. Já lutou com vários monstros como os ursos rasteiros, mamíferos peçonhentos. Alguns até sem receber ferimentos, nem mesmo os mínimos.

Dante não pretendia fazer nada que causasse problemas, até porque o jovem não estava ali à procura de briga. Mas imaginou como seria a situação que Ground disse, e ficou com frio na barriga.

Mesmo com a confirmação dele, aqueles dois guardas estavam indecisos quanto a isso. Se afastaram um pouco e conversaram entre si. Um deles havia seguido caminho para dentro da vila, e o outro voltou até eles, com sua resposta já decidida.

— Para o melhor dos casos, o chefe orc será notificado da situação atual. Enquanto isso, vocês ainda terão que esperar aqui.

Com a resposta final, o orc se sentou no chão com as pernas cruzadas, esperando pacientemente pela chegada do chefe da aldeia. Dante e Crim se sentaram também.

— Será que isso vai demorar muito? — o garoto perguntou.

— Provavelmente não. E se ocorrer, acredito que tudo sairá bem depois.

— Por quê?

— Conheço meu pai.

— Ah.

Joe se deitou ao lado deles, dando suas costas como apoio às deles.


Depois de alguns minutos, puderam ouvir passos que ressoavam em sons metálicos. Aquele guarda orc havia voltado, não só ele, como outros quatro, que cercavam um grande homem.

Era alto, musculoso e possuía uma cara séria em seu rosto.

— Vejo que retornou de sua viagem, meu filho — disse, olhando-os no chão.

Rapidamente se levantaram, acordando o lagarto que havia caído no sono.

— Já fui informado da situação. É um prazer conhecê-lo, humano.

Estendeu sua mão até Dante, que o cumprimentou de volta, com certa surpresa no rosto. O jovem não esperava isso, e sim mais cautela por parte do monstro, mas, gostou que isso ocorreu. Pensou que isso significasse que o orc estava tentando criar alguma confiança nele.

— Você também, senhorita. — Também cumprimentou a sereia.

— Eu sou Gradel, o chefe da aldeia. Peço desculpas por essa intromissão, mas espero que entenda.

— Não tem problema. — O garoto realmente entendia o motivo por trás, e Gradel esperava isso.

— Por favor, me sigam.

Ele começou a andar de volta à entrada do vilarejo. Os guardas, que estavam atrás, abriram caminho para eles passarem. Os quatro o seguiram, e os guardas foram seguindo por trás.

Por dentro do local, muitas pessoas estavam observando a passagem deles, dentro de suas casas feitas de pedras ou argila. Algumas com certo medo. Mas, uma peculiaridade que dava para ver de longe, é que todos ali eram bem magros, em um nível preocupante.

Além do mais, a aldeia parecia ser sem cor, e se tinha, eram sem graças e mórbidas. Não parecia ter diversão, apenas sofrimento por fome. Bem diferente do vilarejo perto da mansão.

— Essa aldeia realmente está passando por problemas… — o garoto disse inconscientemente.

— Sim. Os cidadãos começaram a se recusar a comer comidas estragadas. Estão vivendo apenas de frutas, mas não é o suficiente.

Crim reparou melhor no físico do Chefe e dos cavaleiros em sua volta. Eles pareciam ter bastante energia, e não estavam nenhum pouquinho desnutridos.

— Vocês parecem bem. Comem a comida estragada?

— Nós temos que fazer isso, principalmente eu. Alguns desistiram e ficaram fracos demais, por isso, foram afastados do cargo de guardas. Depois de comer tanta comida queimada, com gosto péssimo ou mal preparada, passa a se acostumar, e esquecer o sabor das coisas boas.

— Bom, espero que vocês se recuperem disso o mais cedo possível.

— Também, jovenzinha.

Eles estavam chegando a um pequeno palácio feito de argila.

[Pessoal burro, não sabem cozinhar.]

“Não precisa falar assim.”

[Estou mentindo?]

Sophie apareceu, parecendo meio indignada com as habilidades na cozinha de uma aldeia inteira.

“Cortando esse assunto… Estou muito longe de Schavalt.”

[Sim. E isso é um problema. Enquanto você dormia, eu observei o vilarejo. A situação lá não está legal.]

Isso o deixou preocupado, mas também acendeu uma lâmpada em sua mente.

“Você não se limita apenas a me ver, não é?”

[É.]

“Pode ver onde as outras estão?”

[Para isso, eu precisaria saber onde elas estão. Só consigo mudar minha visão de você para o vilarejo porque sei onde você está, e onde vilarejo também está. Eu poderia procurá-las, mas o mundo é enorme.]

“Você me encontrou, não?”

[Pedi ajuda da Iwashi para isso.]

O jovem suspirou. Ao fim dessa conversa, eles chegaram na entrada daquele pequeno palácio.

Olá, eu sou o Master!

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