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O processo do grupo de chegar até a aldeia, conversar com o chefe e cozinhar levou ao horário em que o sol estava prestes a se pôr. Com isso em mente, os guardas orcs estavam montando uma fogueira no centro da vila, porque ali seria o local onde iriam comer. Além disso, outros acendiam tochas ao redor, como se fossem postes de luz.

Dois guardas estavam carregando uma mesa de argila, outros pegavam troncos de árvores e colocavam em volta como se fossem bancos, enquanto outros dois carregavam, com cuidado, a grande panela de sopa feita por Dante. Eles estavam se esforçando ao máximo para não derrubar uma gotinha se quer da comida, já que não queriam perder a chance de comer algo gostoso, como foi dito por Grond.

Inclusive, o orc elogiou bastante a sopa, dizendo coisas absurdamente boas sobre elas, que deixaram todos, incluindo seu pai, ansiosos. O garoto na hora imaginou que suas palavras eram muito exageradas, mas lembrou que esse povo não comia algo bom há um tempo, então, fazia sentido.

O Gradel também havia ordenado que seus guardas avisassem aos cidadãos a seguinte notícia: “um humano bonzinho, que mesmo parecendo uma garota era um jovem rapaz, cozinhou uma maravilhosa refeição para gente. Venham se servir”.

Aquela noite estava ventando de forma suave, o que era um clima bem diferente de Schavalt, onde estava nevando, e as Terras de Laplace, onde o dia era bem quente.

Por fim, tudo já estava pronto. A mesa posicionada na posição certa, a fogueira acesa, os troncos de árvores como acentos, e alguns orcs acabaram de trazer tigelas e colheres.

Os cidadãos da aldeia aos poucos chegavam. Eles estavam desnutridos e com aparência cansada. Não eram muitos orcs, era realmente um lugar pequeno. E, aos poucos, também chegava fadas no local. Suas situações eram consideravelmente melhores do que as dos orcs. Como seres pequenos, podiam se encher facilmente com frutas que tinham na floresta, porém, comer a mesma coisa repetidamente as deixava enjoadas.

Por fim, com todos reunidos em um lugar só, o jantar daquela noite já seria servido, mas, antes disso, o garoto foi surpreendido com o seu corpo sendo levantado no ar, e sendo colocado em cima do ombro do chefe, como se fosse uma criança.

— Meus cidadãos! Este é Dante Katanabe, o humano que cozinhou para a gente! Ele ficará conosco por um tempo, então, sejam gentis com ele.

O garoto acenou timidamente para as pessoas à sua frente. Elas estavam confusas e com certo receio, porém…

— Abram a panela!

…Isso acabou quando sentiram o delicioso cheiro daquela sopa. O aroma impregnou suas narinas. Suas barrigas roncavam e estavam com água na boca. Eles sabiam que hoje iriam fazer uma coisa que não faziam há um tempo: comer comida boa. Com esse pensamento, um povo que antes estava desanimado e receoso levantaram seus braços e começaram a gritar com todas as forças;

— Dante Katanabe! Dante Katanabe! Dante Katanabe!

É como se estivessem em um show musical, e o garoto fosse a estrela do show. E depois disso, a frase que se seguiu foi:

— Bem-vindo ao nosso lar!

Isso deixou o jovem extremamente feliz. Era a primeira vez que era saudado desse jeito, e a sensação que estava sentindo naquele momento era muito boa.

Entretanto, alguém não estava feliz, e esse alguém era Sullivan, que o olhava com desgosto.


— Muito obrigada.

— De nada.

Dante entregou mais uma tigela de sopa para uma orc. Provavelmente, a última. Todos já tinham sido servidos, e ainda havia sobrado muita comida para repetir.

— Acho que já foram todos. Só falta eu — disse, dando uma boa olhada no local.

Todos pareciam felizes comendo, se saciando de suas fomes.

Enquanto observava o lugar, uma coisa atrás de uma das casas lhe chamou a atenção. Uma figura que já tinha visto antes, escondida e o olhando, enquanto fazia o sinal de silêncio com o dedo na frente dos lábios.

— Cei… fador?

Estava vendo a criatura que lhe causou várias mortes quando chegou nesse mundo. Um esqueleto que usava um manto negro e atacava suas vitimas com uma foice. O jovem ficou incrédulo com aquela visão. Quando piscou os olhos já não o via mais. Ele desapareceu.

“Sophie, você viu o que eu vi?”

[O quê?]

“Será que… era só imaginação minha?”

[Mestre, o que houve?]

De forma repentina, o jovem sentiu alguns toques em seu ombro, o assustando e fazendo virar para o lado.

— Wow! Que cara assustada.

— S-senhor Gradel? Quer alguma coisa?

— Sim. Por favor, coloque mais sopa em uma tigela.

— O senhor quer repetir?

— Não é para mim.

O homem apontou para Sullivan, que estava sentado. Ouviu a conversa dos dois, e disse:

— Eu não quero comida nenhuma de um humano desgraçado. Com licença.

Ele se retirou do local.

“Se não queria comer, por que estava aqui?”, pensou o garoto.

Ele ouviu Gradel dando uma risada sem graça.

— Me desculpe por isso. Sullivan odeia humanos desde que seus pais morreram por uns aventureiros quando criança. Não sabemos quem naquela briga estava errado ou certo. Ele acha que são os humanos. Mesmo assim, não é justificativa para tratar você mal. 

Ouvindo isso, Dante até entendia como ele se sentia, até porque seus pais também morreram. Ele sabia como Sullivan sentia saudades dos pais.

— Por falar nisso, estou agradecido. Eu posso acabar morrendo a qualquer hora, e hoje, graças a você, garoto, eu pude comer uma boa refeição antes que isso acontecesse. — Abriu um sorriso.

— Agradeço a você por ter gostado da minha comida. E sei da sua situação. Sinto muito.

— Ha! Não se preocupe, essa hora chega pra todo mundo. — Começou a rir histericamente.

“É… sei como é…”, as mortes que sofreu passaram pela sua cabeça, enquanto fazia uma cara boba.

— E também, quando eu for morrer, quero morrer lutando e protegendo meu povo, como um verdadeiro guerreiro.

De forma repentina, vários sons estrondosos ecoaram pela floresta. Os pássaros saíram voando para longe. O som ficou mais alto e acabou parando.

Quando olharam para cima, puderam ver um rosto gigante naquela floresta. Era o rosto de um louva-deus, que ocupava boa parte daquela área.

Esse monstro era um louva-deus de cristal. Um monstro raro e com olhos cristalinos, que valeriam uma grande quantia de dinheiro.

O monstro direcionou um golpe onde Dante e Gradel estavam. Antes de serem atingidos, o orc pegou o garoto e pulou para fora da sua área de alcance. Mas, infelizmente, a sopa foi completamente derramada no chão.

Quando o chefe viu isso, se encheu de raiva.

— Maldito… e eu nem consegui repitir essa delícia…!

A raiva por não ter apreciado aquela sopa mais vezes o fez querer matar aquele louva-deus. Vê aquela comida derramada no chão o fazia querer chorar de frustração.

— Jovem, se afaste. — Colocou Dante no chão, e ele obedeceu sem hesitar.

— Senhor Gradel! — Alguns guardas correram até o chefe, e um deles começou a falar — Por favor, se afaste e deixe que nós…

— Vocês, fiquem aí! Eu mesmo vou matar essa criatura desrespeitosa! Nem que eu precise morrer pra isso.

— Pai! — Grond disse — Não posso deixar que o senhor…

— É uma ordem!

— Mas…

— Afinal, estou morrendo mesmo. Por causa da minha maldição, posso ter enfraquecido, mas não o bastante pra morrer pra esse monstro fraco.

Pegou um bastão de seu bolso. Apertando o botão em seu centro, virou uma lança.

O orc correu até o louva-deus, que cuspiu saliva ácida em sua direção, queimando a grama no chão. Gradel desviou de todos esses ataques, subindo em cima das patas do monstro.

Pulou em sua traseira, que era uma parte revestida de cristal, que subia até seus ombros, onde ficava sobre sua carne. Girou sua lâmina e fincou nas suas costas, quebrando a durabilidade do cristal.

O monstro gritou de dor, enquanto o homem atacava ainda mais a sua traseira. Seu corpo se manchava de sangue, quanto mais atacava.

Depois disso, pulou mais para cima, cravando a lança em uma parte do cristal para se apoiar, e depois pular em seu ombro.

— Você não devia ter destruído a janta do meu povo.

Perfurou seu pescoço, o atravessando completamente, o dando uma morte dolorida.

Quando a cabeça do monstro caiu no chão, o orc pulou em cima dela, fazendo uma tranquila aterrissagem.

— Sinceramente, vocês se preocupam demais. Esse monstro é uma criatura patética.

A batalha havia terminado de forma rápida e o louva-deus nem conseguiu atacá-lo.

“Uau!”, foi aí que Dante viu a força dos orcs de perto. Ficou admirado.

— Cuidado! — Crim, que estava afastada junta com o restante dos aldeões gritou.

Quando Gradel ouviu, virou-se rapidamente para trás, vendo vários espinhos de cristal sendo arremessados contra ele. Ele conseguiu quebrar boa parte dos cristais com rapidez. Os guardas que estavam perto também estavam na área de alcance desses espinhos, e também se defenderam.

Quando louva-deus de cristal morriam, seus corpos expeliam espinhos para fora. Eles podiam fazer isso normalmente. Mas seus corpos cumprem com essa função pós morte.

Todavia…

— Pai!

…Gradel não conseguiu bloquear todos os ataques que vinham em grande velocidade. Vários espinhos o acertaram, levando seu corpo violentamente para trás, até levá-lo ao chão.

“…Fui… descuidado…”

Olá, eu sou o Master!

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