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Martim se levantou em um salto, empunhando sua espada. Maria fez o mesmo. Lado a lado, ficaram estudando os movimentos dos inimigos. Alvar disse:

— Mas que excelente coincidência. De uma só vez eu vou poder acabar com dois traidores.

— Pode tentar — disse Martim.

— Estamos em maior número.

— Por enquanto — desafiou Maria, erguendo sua espada.

Por uns instantes, nada aconteceu. Alvar e seus soldados não se moviam. Martim sentia o ombro de Maria tocando o seu.

Ela está ao meu lado.

Alvar disse:

— Martim, por muito tempo eu fiquei imaginando por que você resolveu seguir essa daí. Eu o coloquei acima de todos os outros, era meu braço direito. Não fazia sentido abrir mão de tudo. Mas agora eu entendo. Ela já tinha te enfeitiçado.

— Está enganado. Não só eu, mas todos os outros que escolheram segui-la, foi por vontade própria. Eles viram nela o que falta a você, Alvar! Caráter, coragem, e outras coisas que você sequer consegue imaginar.

O rosto de Alvar se encheu de desprezo. Ele disse:

— Quanta bobagem! Agora, AVANCEM! — gritou.

Os cinco homens dispararam na direção deles. Dois deles vieram pelo lado de Martim, enquanto três seguiram pelo lado de Maria. Instintivamente, Martim deu um passo para trás e para o lado, ficando atrás de Maria. Entendendo sua ideia, ela fez o movimento para o lado oposto. A breve troca confundiu os atacantes momentaneamente.

Martim deu um golpe com sua espada que obrigou um de seus atacantes a se defender. Rapidamente, encaixou uma sequência de golpes que acabou derrubando o homem à sua frente. Antes que ele pudesse se levantar, Martim avançou para o segundo. Trocaram golpes sem conseguir atingir um ao outro. De repente, Martim sentiu que estava perto do homem caído ao chão. Assim que teve uma oportunidade, enfiou sua espada em seu peito. O sangue espirrou e o homem gritou de dor, antes de ficar quieto.

Um já foi!

Ao seu lado, Maria duelava com três ao mesmo tempo. Alvar estava mais defensivo, mas de vez em quando tentava golpear Maria. Ela se desviava dos golpes, mas não conseguia encaixar um contra-ataque.

Voltando a atenção à sua frente, Martim percebeu que o soldado estava com medo de atacá-lo. Querendo tirar vantagem disso, Martim avançou com golpes de estocada, o que obrigou o seu inimigo a se afastar de costas. Em um passo falso, o soldado caiu, e Martim enfiou a espada em seu pescoço, matando-o imediatamente.

Maria!

Virou o corpo e disparou em seu auxílio. Conseguiu acertar um golpe de espada nas costas de um soldado, mas ele usava uma proteção de aço, o que fez o braço de Martim doer com o impacto. Isso serviu para que o inimigo se voltasse contra ele, deixando Maria com um oponente a menos para duelar.

Até aquele momento, Martim mal estava se lembrando que lutava sem armadura. Quando seu oponente começou a golpeá-lo, recuou, temendo sofrer um ataque fatal. Concentrou-se em defender-se com a espada da melhor forma que conseguia.

O homem era rápido, e Martim estava ficando cansado. Não conseguia atacar. Temia que cada novo golpe do inimigo fosse o derradeiro. A luta permaneceu tensa, com Martim alternando entre defender-se e espiar Maria duelando. Ela também não parecia estar conseguindo nenhum avanço. Em breve Alvar faria valer sua vantagem numérica.

Foi o que aconteceu.

Martim viu Maria abrir a guarda momentaneamente, deixando a ponta de sua espada cair perigosamente para baixo. O soldado à sua frente percebeu e levantou o braço para golpeá-la no rosto.

Foi um lance muito rápido, mas Martim conseguiu agir a tempo. Em um movimento preciso, cortou a garganta do oponente de Maria, mas assim que fez isso, deixou suas costas desprotegidas. Percebendo o que tinha acontecido, ela também atacou, esticando seu braço sobre o ombro de Martim e atingindo o soldado atrás dele no rosto.

Maria e Martim estavam com os rostos quase colados agora. Tinham acabado de salvar a vida um do outro. Martim sorriu, e Maria retribuiu com os olhos.

Mas uma dor lancinante atingiu o ombro de Martim. Alvar enfiou sua espada ali, fazendo jorrar uma grande quantidade de sangue.

Ele cambaleou e deu alguns passos para trás, caindo sentado no chão. Maria colocou-se entre os dois e retomou seu duelo com Alvar, que agora estava bem mais agressivo. Seus golpes passavam perigosamente perto de Maria, de seus braços, pernas e pescoço. Ela ainda estava lutando com vigor, esquivando-se e defendendo-se com maestria.

Martim colocou a mão no ombro e sentiu uma grande quantidade de sangue ali. Tentou mexê-lo, mas a dor era muito grande. Por sorte, foi seu ombro esquerdo, que não era o seu lado mais forte.

Levantando-se, aproximou-se dos outros dois combatentes. Alvar estava em desvantagem numérica agora, mas com Martim ferido, isso não se traduzia em uma luta desigual. Pelo contrário, ele tirava proveito do ombro machucado de Martim, atacando-o sempre que via uma brecha, o que obrigava Maria a sair de sua posição para defendê-lo. Alvar parecia estar sempre um passo à frente.

Maria conseguiu fazer um corte no braço de Alvar, mas este não acusou o ferimento e continuou a lutar com a mesma destreza. Em um movimento rápido, ele conseguiu atingir Maria no peito, empurrando-a para trás. Não chegou a machucá-la, pois tinha acertado apenas no metal, mas fez um movimento contrário imediatamente, acertando o rosto de Martim com o pomo de sua espada.

Martim mais uma vez caiu no chão e ficou atordoado por alguns segundos, e só pôde acompanhar quando Alvar golpeava Maria com força, até que ela caiu de bruços no chão. Com seus dois oponentes no chão, Alvar riu e disse:

— Dois pombinhos caídos, que peninha. Quem eu vou depenar primeiro? Acho que essa aqui.

Ele golpeou Maria impiedosamente, forçando-a a se desviar como podia. Para o horror de Martim, um de seus golpes foi forte o suficiente para que ela deixasse cair sua espada. Alvar chutou a arma para longe, deixando-a indefesa.

— Maria! Não!

Martim se levantou, ainda sentindo muita tontura. Brandindo sua espada, ele tentou golpear Alvar, mas não estava conseguindo ser preciso. Foi atingido na perna por mais um corte e caiu de novo, sentindo mais uma pontada de dor.

Alvar voltou-se para Maria mais uma vez. Levantou sua espada e fez um movimento vertical, mirando diretamente em seu peito. Ela tentou desviar, levantando seu pé metálico para se defender. Conseguiu evitar que fosse atingida, mas a lâmina penetrou exatamente no local onde o pé artificial se prendia na perna dela, soltando-o.

— Oh, você perdeu seu pé, capitã — riu Alvar, antes de chutar a peça metálica para longe.

Arrastando-se desesperadamente, Maria lutou para se afastar de Alvar, mas ele não deixava. Sem um de seus pés, ela apenas escorregava aos poucos para trás. Alvar golpeava agressivamente, e Maria se defendia colocando os braços e o pé que ainda restava na frente, usando sua armadura como escudo. Em um dos golpes, Alvar atingiu o braço dela, produzindo um corte e fazendo o sangue escorrer. Ela gritou de dor.

Martim se esforçou para conseguir levantar-se mais uma vez. Correndo para a frente, ele viu quando Alvar mirou sua espada para dar um golpe fatal em Maria. Conseguiu interpor sua espada no local exato para salvá-la, mas sofreu mais um contra-ataque.

A primeira coisa que sentiu foi uma dor lancinante. Em um reflexo instintivo, largou a espada e colocou as mãos na barriga para tentar aliviar a dor. Olhou para baixo e viu uma grande quantidade de sangue escorrendo entre seus dedos, molhando sua camisa e as calças.

Havia muito sangue.

Martim olhou para a frente. Viu o olhar triunfante e um sorriso satisfeito estampado no rosto de seu inimigo. A visão foi escurecendo e o mundo começou a girar.

Olá, eu sou o Daniel.Lucredio!

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