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Mate mais uns animaizinhos, te deixará melhor. 

As ordens de Er’Ika vieram com a clareza de um relâmpago. Liane havia saído daquele quarto e retornado a floresta, onde mesmo com o perigo espreitando, sentia-se seguro o bastante para uma simples caminhada ao ar livre. Seus olhos estavam pesados e queimando por causa do choro, até queria entender como era possível sair tanta água de seu corpo de uma vez. 

O pedido inconveniente da entidade acabou tomando boa parte de sua atenção. Ele pegou uma pedrinha no chão e arremessou com toda força num esquilo, o projétil voou como se tivesse sido impulsionado por um estilingue. O dano foi imediato, a carcaça do pobre bichinho despencou imóvel.

Liane abriu a mão, uma corrente energética voou de seu dedo e se conectou à criatura, cobrindo ainda mais lacunas em suas memórias. A experiência de ter parte de seus pensamentos preenchidos era satisfatória, mas não negava a existência dos demais acontecimentos e eventos.

— Erika, eu estou confuso…

Confuso pelo que, pequenino?

— Eu não sei o que sinto. Eu reparei que estou mal com alguma coisa, mas não sei o que é.

Hmmm… tenho um palpite: você tem um grau de inferioridade em relação a Zana e está se culpando pelo que ela tem passado, ou seja, se acha um estorvo por tê-la causado tanta dor

— Talvez, e eu não paro de pensar se devia ter feito outra coisa.

Largue esse pensamento. Há muitas situações em que só se pode resolver o problema por um caminho… ou você preferiria causar um dano permanente ao moleque e deixá-lo viver sem andar direito pelo resto dos seus tempos? Melhor ainda, e se o deixasse preso no topo de uma árvore durante dias para traumatizá-lo permanentemente?

Todas as sugestões pareciam horríveis, não importando por qual ângulo visse. Liane percebeu nesse padrão de seu colega espírito, de buscar maneiras de piorar o dano infligido por alguma coisa que fizeram ou fariam. Eram diversas teorias e pensamentos intrusivos sobre os mais variados tipos de tortura, ou seja, um sadismo natural e constante.

O garoto apanhou outra pedra e jogou num inseto que passou por sua linha de visão no meio da grama, acertando o alvo com maestria. Mesmo com esse lado ruim, era inegável os benefícios de sua presença, pois sua força e percepção estavam muito melhores que antes. Seria impossível reparar no inseto passando para os padrões de uma criança comum, especialmente com uma lagarta pequena.

— Por que eu deveria aceitar o que a Silva estava dizendo, Erika?

Ela é uma nobre, ou mais especificamente, uma marquesa. De acordo com nossas leituras, os marqueses compõem a elite dessa classe social, o que quer dizer que seus níveis de recursos estão em outro patamar, coisa que nós temos em grande falta. Se tivéssemos aceitado, muitas coisas facilitariam para nós, tal como meu acesso a mais dados e também descobrir uma forma de sair do seu corpo.

— Entendo, então era para só ficarmos confortáveis e meio que fazer o que te interessa como sempre fazemos — comentou, sem se esquecer da natureza extremamente interesseira da entidade. — O que você quer dizer com sair do meu corpo? Isso é até mesmo possível?

Não tenho certeza. Somos ignorantes em relação ao mundo que nos rodeia, por isso era absolutamente necessário irmos com a garota para a propriedade principal. Se descobríssemos mais coisas com o conteúdo disponível, talvez eu pudesse encontrar uma forma de nos separar e seguirmos nossos próprios caminhos. Pra mim, seria perfeito, pois não aguento ficar aqui dentro só observando tudo.

Liane concordou ao pensar como deveria ser péssimo a sensação de estar na cabeça do outro e apenas ver o que a pessoa via, sem nunca interagir com o mundo externo. Era semelhante à função de um observador, em que só estaria ali para contar os fatos que viu e nunca interagir diretamente com o ocorrido. Tentou imaginar a agonia, mas por ser meio bobinho, ficou difícil de assimilar.

Ele apoiou as costas contra um tronco e se atentou aos pios dos pássaros, pensando se devia dar um passo atrás e aceitar. Realmente era uma boa escolha, seus maiores medos eram como isso afetava Zana e como evitaria se casar com uma completa desconhecida. O segundo ponto dava calafrios na espinha, nem queria se aproximar daquela garota violenta e que não possuía senso de espaço pessoal.

Em meio aos seus devaneios, escutou uma voz lhe chamar na distância. Por estarem longe, era difícil especificar quem falou, mas a loucura ainda não havia se apossado de seus sentidos para lhe dar alucinações numa idade tão jovem.

Liane acelerou o passo na direção do som, progressivamente ouvindo aumentar conforme se aproximava. No final, avistou o cavaleiro Aymeric girando seus olhos de lá pra cá em busca de uma criança perdida, e ao encontrá-la parada no meio do caminho, decidiu tirá-la dali o mais depressa possível.

— Sua irmã estava muito preocupada e eu também. — Ele pegou-o no colo por ser leve demais. — Me desculpe o jeito, é só que ela exigiu levá-lo assim caso encontrasse para que não fugisse.

— Tudo bem… — Liane acenou positivamente e se agarrou a capa branca do homem, observando o mar de flocos de neve do alto. — Parece até outro lugar vendo daqui de cima.

— Haha, se você acha, tudo bem. Só não faça novamente um ato desesperado assim, é fácil se machucar e se perder nessa floresta traiçoeira.

— Eu estou bem, não me perderia nem se quisesse. Conheço o mapa de cabeça. — Ele mostrou a língua e cutucou seu crânio. 

Aymeric não acreditou tanto, talvez fosse só um garotinho querendo impressionar alguém mais velho. De qualquer forma, evitou se importar e o carregou de volta ao orfanato, onde foi recebido por uma Zana furiosa pronta para lhe dar um esporro por causa de suas escapadas e atitudes precoces.

O cavaleiro teve pena e saiu antes que as coisas piorassem, o que Liane agradeceu, pois não queria que ninguém olhasse para sua bunda queimada depois de tantas batidas com um rolo de massa.

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Olá, eu sou o Zunnichi!

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