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Oh! Subjaz nesta narrativa arcana, uma odisseia transcorrida nas mais insondáveis e anciãs eras, erigidas sobre o esquecimento dos tempos, onde minha existência, vagava por domínios cuja substância se encontra agora tão irremediavelmente alienada deste continuum que se desdobra ante a minha essência atual, inexoravelmente entrelaçada ao tecido desta realidade contemporânea.

Através de éons de uma marcha interminável, uma procissão através do véu imemorial do tempo, tenho sido assolado por um destino implacável, testemunha da dissolução de entes queridos que, com seus laços afetivos, outrora teceram o santuário íntimo do meu ser 

O crepúsculo lamentável de minha amada consorte, arrebatada pelo cruel avanço da senectude; o fenecer melancólico de minha linhagem, e a desintegração autera dos vínculos sanguíneos mais sagrados. Frente a tais elegias de desventura, vejo-me despossuído da capacidade de relegar as sombras do passado ao abismo do esquecimento.

Eterno, o legado que eu represento desafia a devoradora correnteza das eras. Portanto, emerge a indagação, em qual recôndito abissal e primordial se encontram as sementes originárias de tal existência?

Quê? Está muito confuso? A leitura está difícil? Calma, então escreva assim, Mir, por favor:

Inúmeras décadas se passaram desde o início dessa longa história. Remeto-me a uma época distante quando eu tinha apenas 20 anos, um tempo que parece tão longe da realidade em que vivo agora.

Durante séculos, testemunhei a partida de pessoas queridas — familiares, esposa, minha  amada filha —, todos perdidos para a inexorabilidade do tempo. Amigos foram tirados de mim por mãos cruéis ou sucumbiram gradualmente à passagem implacável dos anos.

Essas perdas dolorosas continuam a ecoar em minha existência, impedindo-me de deixar o passado para trás. Porém, meu legado persiste, uma lembrança viva do que fui e do que ainda posso conquistar. Em meio a essas reflexões, uma pergunta persiste: Onde exatamente tudo começou?

Ficou melhor? Ótimo, então continuemos.

Depois de quatro longas horas na estrada, fiquei tão cansado que acabei adormecendo no banco do carro. A paisagem monótona deslizava à minha vista enquanto o sol ia desaparecendo no horizonte, tingindo o céu de um laranja vibrante.

As árvores nas margens da estrada ondulavam suavemente com a brisa. O cheiro de terra molhada pela chuva recente envolvia o ar, trazendo uma sensação de renovação.

Quando finalmente abri os olhos, um questionamento tomou conta de minha mente: Onde estou?

“É o meu quarto? Não, definitivamente não”. 

Eu me deparava com uma cena intrigante: uma metade do ambiente permanecia em um caos, exatamente como eu havia deixado, enquanto a outra metade brilhava com uma organização meticulosa e impecável. As atmosferas contrastantes disputavam minha atenção.

Na parte bagunçada, roupas amassadas e espalhadas pelo chão, pilhas de livros desorganizados e objetos diversos fora de lugar criavam uma sensação de caos. O ar ali era pesado, como se cada item carregasse consigo a história de seu uso e fosse incapaz de retornar ao seu lugar apropriado. A confusão reinava, uma manifestação tangível de minha própria desordem.

Por outro lado, a metade organizada era um oásis de perfeição. Cada objeto encontrava-se meticulosamente posicionado em seu devido lugar, criando um cenário de harmonia e equilíbrio. As roupas estavam cuidadosamente penduradas no armário, as prateleiras alinhadas exibindo livros e objetos simetricamente dispostos.

Tudo emanava uma aura de ordem e serenidade, como se cada elemento estivesse em seu devido lugar há séculos, com exceção de um espelho, oval e grande o suficiente para ver o corpo todo. Estava trincado e enferrujado. Notei que meu reflexo sorria macabramente para mim.

— Boa tarde, Belchior Belshazzar — disse a imagem no espelho.

“Devo estar ficando louco, estou sonhando?”

— Você não está louco, tenha calma, — tranquilizou-me o reflexo — porém, o tempo é curto, pode me chamar de O Fragmentado.

Conseguia sentir o peso que esse título carregava.

o reflexo continuou: — Precisa atravessar aquela porta, isto é uma ordem. 

 De certo modo me senti compelido a obedecê-lo, quase como se ele realmente pudesse definir o curso de minhas ações. O som das suaves rachaduras na superfície do espelho ecoava no silêncio perturbador do ambiente, como um aviso sutil de perigo iminente.

Após as interações surreais com o espelho, decidi que ou eu havia enlouquecido de vez ou estava preso em um pesadelo.A frieza gélida da superfície refletora enviava arrepios por todo o meu corpo, enquanto minhas mãos tremiam ao tocar o vidro trincado. Um odor peculiar — algo indescritível e sombrio — permeou o ar, envolvendo-me em uma atmosfera ainda mais sufocante.

Diante dessa situação aterradora, as emoções se agitavam dentro de mim como um turbilhão. O medo se apoderava do meu ser, envolvendo-me em uma escuridão opressora.

A confusão invadia meus pensamentos, deixando-me incapaz de distinguir entre realidade e ilusão. Uma curiosidade angustiante se misturava ao meu desconforto, impulsionando-me a buscar respostas em meio a esse cenário desconhecido e perturbador.

A cada momento, a tensão aumentava. Era como se o tempo estivesse suspenso, aguardando o desenrolar de um evento iminente e catastrófico. A incerteza pairava no ar, deixando-me inquieto e ansioso com o que poderia acontecer se eu não conseguisse despertar desse ‘sonho’ sinistro.

Meus olhos se fixaram no reflexo diante de mim, uma imagem distorcida que parecia ocultar segredos sombrios e perigosos. Em meio a essa atmosfera opressora, uma voz ecoou no ar, interrompendo meu turbilhão de pensamentos.

— Pode-se dizer que sou um comerciante. E como todo bom vendedor, a satisfação dos clientes é minha prioridade — proferiu o reflexo com um sorriso diabólico.

Sinceramente, não confiava na aparente bondade de O Fragmentado. Ninguém é tão generoso sem segundas intenções. No entanto, a situação em que me encontrava era tão surreal que pensei em escrever um livro sobre esse sonho tão realista.

Mal conseguia acreditar na intensidade dos detalhes. E ainda havia a porta a ser atravessada…

Curioso, decidi questionar: — Para onde essa porta me leva? — até porque ela SIMPLESMENTE NÃO EXISTE no meu quarto.

O Fragmentado avaliou-me atentamente e respondeu com calma: “Uma grandiosa história de aventura aguarda, tão épica quanto ‘Os Lusíadas‘, tão magnífica quanto ‘O Senhor dos Aneis‘, com reviravoltas surpreendentes como em ‘Clube da Luta’ e um final maravilhoso, digno de ‘Bastardos Inglórios‘”.

Curioso, perguntei: — isso é absolutamente verdadeiro? Eu vou sonhar com uma história completa?  — “isso não deve passar de um daqueles tais sonhos lúcidos, melhor aproveitar esse momento para usufruir do meu subconsciente”.

O Fragmentado, quase não conseguindo conter o riso, respondeu: — Claro que sim! Como um bom negociador, jamais venderia informações falsas. — Uma confusão tomou conta de mim. O que ele queria dizer com ‘vender’? Sinceramente, não me importei; apesar da desconfiança repentina, avancei em direção à porta.”

— Boa sorte — desejou o comerciante.

“Mermão, se tudo continuar assim, nem vou precisar dela”, pensei, esperançoso, vislumbrando as possibilidades que se abriam à minha frente.

Segurei a maçaneta do quarto. Ela estava mais gelada do que o ambiente ao redor. Uma sensação de frio percorreu minha mão, ameaçando congelá-la. Com medo no coração, reuni coragem e atravessei a porta, adentrando uma escuridão que me envolveu por completo. O mundo girava ao meu redor, meu senso de direção desapareceu. E então, percebi…

Cometi o erro de olhar à minha volta, e minha visão foi invadida por uma cena aterradora. Diante de mim, estavam dois corpos ensanguentados, inertes no chão, testemunhas mudas de um acontecimento trágico.

 As poças de sangue se espalharam pelo piso, refletindo a luz fraca da lua e criando uma atmosfera sinistra. O odor metálico e sufocante impregnava o ar, misturando-se ao cheiro de morte, provocando náuseas e revirando o meu estômago.

Ao observar a faca ensanguentada que eu segurava, um misto de horror e incredulidade tomou conta de mim. Meu coração batia descompassadamente no peito, como se quisesse escapar dessa terrível realidade. 

A sensação de pavor se espalhava por cada célula do meu corpo, fazendo com que minhas pernas tremessem e meus dedos ficassem trêmulos. Eu estava em choque, incapaz de compreender como me vi envolvido em uma situação tão temerosa.


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Olá, eu sou o Ricardo Augusto!

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