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Uma mulher caminhava tranquilamente por um caminho de pedras lapidadas. Sua postura era relaxada, com os braços juntos atrás das costas. 

Alguns fios brancos faziam presença em seu cabelo preto, atestando seus anos de experiência. Seu rosto pálido estava vazio em expressão, destacando a também falta de marcas ou cicatrizes em sua face.

Era como se o ser caminhando não fosse uma pessoa, e sim a casca vazia do que um dia fora alguém com sonhos e aspirações.

— Quem é essa? — As sobrancelhas de Freud se contorceram em confusão.

— O Yoru. — respondeu Hikari com os olhos grudados em seu ex-líder.

— Achou mesmo que aquela era sua aparência real? — questionou Silver, sem tirar os olhos do recém-chegado.

O Yoru era o símbolo de proteção do vilarejo que, assim como o homem referenciado no conto, abandonou a própria identidade em prol de viver uma vida de paz. 

Manter a aparência de sua ‘vida anterior’ ou qualquer lembrança desta, destruiria todo o significado de seu título.

— A tia me disse que o antecessor desse Yoru usava só uma máscara simples e um manto igual a você para esconder a identidade dele. — Nikkō comentou, apontando levemente para a vestimenta de Freud. — Também ouvi falar que um Yoru se cobria de névoa! Não é incrível!

Assimilando os comentários, o raiju voltou ao silêncio, assistindo a marcha lenta do protetor da vila até o palanque no fim da trilha.

— Boa noite a todos! — Sua voz ressoou com um tom neutro, quebrando a calmaria do lugar — Estamos reunidos novamente para agradecer ao nosso ancestral, que desistiu de sua identidade em busca da paz.

A expressão dos habitantes do vilarejo era uma de gratidão e reverência, alguns até mesmo levaram as mãos ao peito como se estivessem tentando alcançar algo. 

O Yoru esticou o braço, agarrando e levantando uma taça com algum líquido desconhecido. Em seguida, ela entornou o copo, esvaziando todo seu conteúdo.

— Que a nossa vila permaneça em paz até o fim de nossos dias! — Ao dizer isso, seu olhar travou diretamente no grupo de Silver, antes de sobrevoar os convidados.

Uma fagulha de culpa cruzou os olhos de Hikari, mas logo desapareceu, enquanto o dragão prateado permaneceu inafetado.

Após o término do breve discurso, diversas pessoas atravessaram o jardim, colorindo as mesas com pratos apetitosos e deixando algumas de vinho e de suco. Se algum deles estava insatisfeito por servir o grupo, eles não expressaram isso, fazendo com perfeição o trabalho que lhes foi confiado.

❂❂❂

Contrário ao seu objetivo de instigar o caos no banquete, o grupo genuinamente aproveitou o evento. 

Iris pôde aprofundar sua nova amizade com Nikkō, aprendendo mais sobre a dinâmica de se ter um amigo. A jovem também tomou a oportunidade de fazer perguntas em relação à família da pequena kunoichi.

‘Se famílias funcionam assim… Todos ‘nós’ não seríamos considerados uma família?’

Enquanto ela se questionava sobre sua relação com seus iguais, Freud se esforçou um pouco na comunicação com Silver e Hikari, percebendo que ele havia se equivocado nos seus pensamentos em relação ao duo.

Anteriormente ele julgou que eles o estavam excluindo de propósito, mas após conversar por um tempo, o raiju percebeu que não era exatamente verdade. O cerne do problema foi a personalidade da dupla.

Ambos simplesmente não davam o braço a torcer para pessoas com as quais não se importavam, o que levava os outros a se afastarem.

‘Sem falar na atitude de Silver’

Em suma, Freud cruzou uma distância que achava ser impossível e deixou de ser um simples estranho para os dois, ou então, no mínimo não era mais um qualquer aos seus olhos.

Mas tudo foi sujeito ao fim e, da mesma forma, a harmonia e calma no lugar estavam prestes a acabar.

[01:00]

— Sei o quão frágil você é então não precisa se preocupar em matar todos inimigos, mas também não morra. — Olhando diretamente nos olhos de Freud, Silver deu um último conselho.

Ao mesmo tempo, tanto o Yoru quanto Natsumi se levantaram lentamente de seus assentos, iniciando uma marcha na direção do grupo.

Sentindo seu coração pulsando fortemente, o raiju assentiu em confirmação. Seria sua primeira luta em grupo, a única chance que ele teve de fazer algo assim foi durante a rebelião no coliseu, mas a oportunidade foi perdida por ordem do patriarca.

[00:40]

As mãos de Hikari alcançaram o solo, e ela começou a despejar seu [Poder espiritual] em prol de cumprir sua parte.

Nikkō por sua vez, completamente alheia aos planos do grupo, estranhou o silêncio súbito da mesa. Porém, quando entendeu o que estava acontecendo já era tarde demais.

[00:20]

A vinte segundos da meia-noite, todos os demais convidados tinham suas armas em punho, criando uma tensão palpável no antes harmonioso jardim.

Percebendo a movimentação estranha das sombras a sua volta, Natsumi tornou sua marcha em uma corrida. A figura da mulher se aproximou da kunoichi em uma velocidade vertiginosa, no entanto, a silhueta de um objeto estranho surgiu no seu campo de visão, forçando-a a parti-lo ao meio gastando alguns segundos nisso.

Seu esforço foi dobrado na corrida e sua mão se esticou na direção de seu alvo. Ela já poderia se ver agarrando Hikari entretanto, seu sucesso permaneceu apenas no pensamento.

[00:00]

No momento em que seus dedos se aproximaram, o alvo da mulher afundou nas sombras, levando todos os convidados e deixando apenas três pessoas presentes no jardim.

Embora estivesse ciente de sua falha, o braço de Natsumi permaneceu no ar, pendendo na posição anterior de Hikari. Não estava claro se era por conta da falha, mas a expressão da mulher se contorceu em frustração com um tinge de preocupação vagando pelos seus olhos.

— Acha mesmo que pode segurar nós dois por tempo o suficiente para Hikari achar Mutsuri? — A mulher questionou, ajustando sua postura para olhar na direção daquele que restou.

— Estamos prestes a descobrir. — Silver se levantou parecendo tranquilo, porém seus olhos nunca saíram do Yoru, aguardando por qualquer sinal de fuga. — Aliás, quem disse que ela precisa procurá-lo?

A pergunta pareceu desestabilizar a mulher por um instante, e suas sobrancelhas afundaram ao perceber a insinuação desta pergunta.

— Pois é, como eu pude não falar a verdade em voz alta dentro de uma vila de ninjas? Erro meu. — Fazendo um gesto exagerado de arrependimento, o jovem chacoalhou a cabeça levemente.

O silêncio pesou no local, aquele clima leve de minutos atrás parecia nada mais do que uma ilusão, uma utopia que colidiu com seu oposto natural.

Um suspiro escapou dos lábios de Natsumi e ela rasgou seu próprio kimono, revelando um traje de combate preto e uma espada presente em sua cintura.

Do lado oposto, o Yoru empunhou duas kunais e sua figura se curvou na direção do dragão prateado.

Chamas prateadas contornaram o corpo de Silver, o encobrindo com a familiar [Armadura real] e a shinai sobre sua palma.

Com o trio preparado para o combate, o ar vibrou em antecipação do embate que iria se desenrolar.

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Clang!

O som da colisão de aço soou com o balançar das lâminas de Iris, bloqueando os projéteis atirados em sua direção. Se impulsionando contra um dos atiradores, a jovem foi interceptada por outro inimigo.

As espadas se encontraram, pausando completamente o ímpeto da garota. Julgando que uma disputa de força seria inútil, ela soprou uma quantidade de ar puro no rosto do inimigo, recuando logo após para evitar outras shurikens.

As sobrancelhas do oponente dela se levantaram em dúvida, receber um sopro na face nunca foi algo que ele havia esperado em uma batalha. No entanto, sua expressão mudou no próximo instante, quando uma sensação de queimação insuportável tomou cada centímetro do seu corpo.

Seus joelhos se dobraram, e ele rolou desesperadamente na grama tentando apagar o fogo que nunca tocou sua pele.

— Ela usa veneno! — A situação de seu companheiro alertou rapidamente seus iguais, que rapidamente cobriram a boca e nariz com suas roupas.

Um relâmpago roxo iluminou brevemente os arredores, atingindo os objetos de metal em pleno ar e desabilitando-os completamente.

Balançando sua espada larga, Freud empurrou um inimigo diversos metros atrás, se curvando para esquivar de outros projéteis antes de mover sua lâmina novamente, bloqueando outros ataques.

— Nenhum ‘ele usa raios’? Isso me entristece. — Por nervosismo, o raiju espelhou o jeito provocador de Silver, sorrindo debaixo da máscara.

Não era todo dia que ele tinha algumas centenas de pessoas querendo seu sangue, pelo menos não na sua frente então a aflição do jovem era compreensível.

Seus adversários, no entanto, não foram os maiores fãs dessa tentativa de humor e isso ficou aparente no esforço dobrado que eles colocaram nos ataques.

Um corte na vertical foi bloqueado pelo inimigo, o qual teve que dobrar os joelhos dada a força bruta posta no golpe. Por mais que quisesse pressionar o oponente, Freud liberou outra descarga elétrica impedindo outros projéteis de alcançá-lo.

Golpes foram trocados e o som de metais se encontrando perdurou na floresta. Como se a diferença de números não fossem o suficiente, o raiju descobriu que os adversários eram muito mais habilidosos do que o esperado. 

Abaixando o corpo, o jovem balançou sua espada em uma meia lua. Seu inimigo deslizou por alguns metros após bloquear, mas ele não era o único presente. 

Desprendendo uma de suas mãos do cabo da espada, ele agarrou o punho de uma nova figura, despejando outra carga elétrica no oponente e desabilitando o mesmo.

Espelhando a queda do derrotado, Freud alcançou o solo com sua palma, espalhando uma onda ainda maior de eletricidade buscando atingir mais inimigos.

‘O elemento surpresa já foi embora… Há esse é um bom trocadilho’

O esforço foi em vão, pois seus oponentes estavam preparados para isso, saltando antes do ataque alcançar qualquer um deles. Fazendo mais alguns disparos, o raiju conseguiu incapacitar outros adversários.

Vocês são fracos. Então se agarrem a cada gota de habilidade que têm e usem-nas ao máximo.

A voz de Silver ressoou nas orelhas do jovem, enquanto seus olhos atravessavam o campo de batalha. Um cheiro de queimado invadiu suas narinas, vindo tanto da grama queimada quanto dos oponentes os quais ainda tinham alguns espasmos musculares graças ao choque que receberam.

‘Acho que eu deveria escutá-lo e usar tudo que tenho’

Logo, seu corpo foi coberto por raios roxos, iluminando a floresta escura e o fazendo parecer com um farol.

Talvez assim consigam me arranhar.

‘Não tudo que ele diz’

O jovem escolheu conscientemente ignorar o segundo comentário que acabara de se lembrar.

— Então, vamos para o round dois?

Do outro lado, uma grande quantidade de corpos rodeou Iris enquanto ela balançava suas espadas para bloquear os projéteis lançados em sua direção.

‘Eu… acabei pegando bem leve com eles…’

Por mais que eles tivessem diversos cortes no corpo e alguns atualmente estivessem implorando para morrer, a garota ponderou seriamente o quão ‘leniente’ havia sido com seus oponentes.

Os venenos utilizados por ela deram a eles dores insuportáveis e talvez um certo tempo de cama, mas todos estavam vivos e isso era uma grande vitória.

‘Seria por causa de Nikkō?’ 

Ela então franziu, não só por conta dos seus pensamentos mas também pela luz roxa que surgiu subitamente em seu campo de visão. Olhando para o lado, a jovem viu Freud disparando na direção dos seus inimigos, pretendendo finalizar logo a luta.

Colocando seus pensamentos de lado por enquanto, Iris se voltou na direção dos oponentes que restaram, com seus olhos multicoloridos apresentando um brilho gélido.

Olá, eu sou o Kail!

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