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Na sala pessoal da academia Blue Roses, Kōri ignorou a morte patética mostrada na tela principal focando em um holograma em específico. O de Silver.

— Ele é aluno dela? — perguntou a diretora, com um tom mais frio que o normal.

O cenário sangrento deixado pelo jovem no corredor, somado a mesma postura e expressão quase que entediada a lembrou de Yuki.

Tendo escutado sobre sua mais odiada ter aceito um aluno, deixou a diretora duvidosa. Afinal, quem teria pensado que a bruxa sangrenta aceitaria treinar alguém?

Era completamente impossível de imaginar algo assim acontecendo considerando a personalidade da mulher, no entanto, a prova disso estava à mostra para todos os espectadores 

— Ao que parece… — Uma professora loira, que estava mais próxima de Kōri respondeu. 

A mulher tinha um rosto pálido, por motivos que só ela sabia. Ignorando isso, a diretora franziu um pouco antes de esboçar um leve sorriso.

‘Se a pequena Shizu acabar com ele, eu imagino como ela ficaria’ 

Kōro não tinha dúvidas de que sua sobrinha poderia derrotar Silver, e ela realmente gostaria de ver a cara de Yuki quando isso acontecer.

Após pensar nisso, a mulher voltou a olhar para o holograma de sua sobrinha e da outra aluna que foi com ela.

Cenas semelhantes aconteceram nas salas dos outros dois diretores das três grandes academias, e até mesmo com as demais. Porém, aqueles das academias ‘comuns’ pensaram mais em vencer as quatro maiores.

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Enquanto os diretores tinham seus delírios de vitória, Silver esperava uma decisão dos dois soldados recém-chegados.

Graças a falta de hostilidade ou excesso de medo da dupla, o jovem pôde observar mais calmamente a armadura que eles usavam.

Ela foi aparentemente feita para ser leve, mas o ferreiro pode ter exagerado na leveza e isso deixou muitas aberturas que levariam a morte certa numa batalha de verdade.

Deixando a armadura de lado, ele olhou para os soldados que a vestiam sendo eles um jovem de cabelos pretos e um homem de meia idade. Ambos pareciam amedrontados, estando incrivelmente pálidos e, bem, ninguém poderia culpá-los já que a situação do corredor não era das melhores.

‘Medrosos demais para soldados’

— S-s-senhor v-vossa m-majestade s-solicitou s-sua p-p-presença — O desdém de Silver se aprofundou pela quantidade de vezes que o homem gaguejou, mas ele não comentou nada.

— Pode sair agora medroso — disse o jovem olhando para a cela.

— Sim senhor! — O soldado saiu com uma expressão animada e mesmo um brilho estranho nos olhos quando olhava para Silver.

— O que vocês estão esperando? Um convite? — disse o jovem para os guardas ainda parados, ignorando propositalmente os olhares estranhos que recebeu.

Acordando do choque, a dupla se virou rapidamente, sem nem mesmo pedir para que o jovem os seguisse. E eles não precisavam fazer.

— Agora você entende o por quê eu não queria vir moleque?! — O homem de meia idade tentou gritar o mais baixo possível, rezando para que o monstro logo atrás não escutasse.

O seu companheiro só assentiu silenciosamente, claramente ainda atordoado pelo que viu, fazendo a raiva do homem aumentar.

O grupo seguiu o corredor em silêncio até Silver decidir escutar o que o soldado que tentou soltá-lo tinha a falar.

— Para de me olhar assim, e fala logo.

— Karlan Hendricks ao seu dispor meu senhor, eu qualquer coisa que você quiser saber sobre esse reino ou os outros. Bem, nem tanto sobre os outros, mas…

— Certo, me explique o status atual do reino — Percebendo que Karlan não iria parar de falar, Silver perguntou algo útil para si.

Um olhar iluminado surgiu no rosto do soldado ao ouvir a pergunta, quando ele se lembrou de estar falando com alguém que estava preso até pouco tempo atrás.

— Para começar, nosso rei morreu a três dias atrás. Espera, você conhece ele? Acho que era o XIII? Teve o… — E então ele começou a contar nos dedos todos os reis do qual se lembrava. 

Silver não impediu, pois haviam algumas informações interessantes entre toda a asneira que ele disse. As descrições que Karlan fez deveriam ser sobre os reis e foi desta forma no início, mas, desde o sexto reinado, os nobres ganharam mais destaque que o próprio rei.

Ao passar das histórias ficou claro a razão do soldado tratar a morte do rei de forma tão banal, isso foi porque ao ver da população os nobres fizeram muito mais por eles do que o próprio regente.

— … E aí vem a princesa que se tornou rainha três dias atrás. Ouvi falar que ela é uma belezura gentil de cabelo roxo — Karlan parecia estar imaginando como seria a aparência da mulher, antes da sua expressão cair um pouco — Mas o cara que me disse isso não era lá o mais confiável. Ela pode ser uma esnobe qualquer.

Quando ele terminou toda sua história, o grupo já havia cruzado todo o caminho até a saída e Silver semicerrou os olhos para se acostumar com toda a luz que atingiu seu rosto. 

Não é como se não houvesse luz alguma após ele ter saído da cela, haviam algumas tochas iluminando o local mas elas não se comparavam ao sol.

A saída deu passagem para um corredor cercado por grades e com alguns postos de vigilância no fim. Sem surpresa, nenhum guarda estava presente e, curiosamente, não havia nenhuma gota de sangue no chão ou paredes.

— Parece que seus companheiros realmente não são confiáveis — disse Silver.

O soldado tagarela simplesmente cerrou os punhos, com olhos cheios de ressentimento contra aqueles com que o acompanharam por dias e noites de bebedeira, completamente ciente da sua traição.

Quando finalmente atravessaram o portão principal da prisão, Silver viu uma larga floresta rodeando o local, servindo como uma cobertura natural. 

Do lado de fora havia dois cavalos parados esperando sem nenhuma carruagem atrás. A dupla deveria estar com pressa ao vir aqui, e não trouxeram um transporte extra para aquele que vieram buscar. 

O dragão prateado simplesmente olhou para o trio, e por algum motivo eles entenderam o significado deste olhar.

Logo, a figura de três homens correndo no mesmo cavalo pôde ser vista através das árvores, com um jovem sozinho em outro cavalo ao lado.

Esta viagem em particular e a entrada sob os olhares estranhos do povo e dos próprios colegas foram, de longe, a experiência mais vergonha em toda a vida do trio de soldados.

❂❂❂

Chegando no palácio, Silver e o grupo atravessaram o portão sem muitos problemas, pois o porteiro parecia os estar esperando. 

O jardim após a entrada era magnífico, com dezenas de tipos diferentes de plantas e todas elas claramente bem cuidadas. A cor branca era dominante na paleta de cores da mansão, e dada a aparente diferença de épocas neste mundo virtual era difícil dizer se havia algo simbólico na escolha.

O exterior era inegavelmente luxuoso e abrindo a porta que levava a um salão, Silver foi recebido com uma legião de soldados que apresentaram suas lâminas cerimonialmente reconhecendo sua chegada.

Mais ao fundo, uma jovem de vestido branco e cabelos roxos sorriu olhando para o dragão prateado, que se aproximou sem hesitação enquanto ignorava as reações do trio que o acompanhava.

— Você não perdeu tempo — o jovem disse para Moon, que estufou o peito pelo elogio.

Sem dúvidas juntar todos estes soldados e treiná-los para fazer esses movimentos sincronizados não foi fácil. Embora pareça uma ação um pouco fútil, era uma demonstração de disciplina dos soldados presentes.

— Claro que não. E eu digo o mesmo para você — Ainda havia algum sangue em seus punhos e nos seus pés descalços, então ela poderia deduzir o que aconteceu.

— Você também precisa de roupas novas — Moon disse com um rosto avermelhado.

‘Não que eu odeie essa aparência atual’

Como Silver estava na prisão não muito tempo atrás, ele não era o mais bem vestido no local. O jovem estava sem camisa e descalço, usando calças rasgadas em várias partes. Após três dias assim, Silver já se acostumou e ignorou esse detalhe.

— Qual a razão dessa demonstração? 

Ele imaginou que ela não reuniria tantos soldados aqui por nada, afinal, Moon havia acabado de subir ao trono e convocá-los por algo assim sem um bom motivo não daria uma boa impressão.

— Na verdade, eu preciso que você treine eles.

Não havia mais vermelhidão alguma em seu rosto, somente uma expressão séria. Para seguir com seus planos e ter controle total do reino, ela precisava de soldados bons e leais e com Silver os ensinando, estas duas condições com certeza seriam alcançadas.

— Quanto tempo nós temos?

— Eu posso arrastar por seis dias no máximo — Embora ela já fosse considerada a rainha deste reino, era tradição uma cerimônia de coração ser realizada para solidificar sua posição no trono.

Três dias de descanso foram entregues a Moon como luto pela morte do seu ‘pai’, e os próximos seis seriam usados apenas para as ‘preparações’ da cerimônia.

— Seu desejo é uma ordem, minha rainha — Com a mão direita apoiada no peito, Silver fez uma reverência cavalheiresca sorrindo levemente.

Esse sorriso balançou um pouco a expressão séria de Moon, mas ela deu seu melhor para que ninguém percebesse.

Olhando para cada um dos soldados reunidos, incluindo aqueles que vieram com ele, o jovem balançou a cabeça com um pouco de decepção. 

A maioria, assim como a dupla que foi buscá-lo congelaram e tremeram sob seu olhar, provavelmente tendo escutado histórias sobre seu ‘eu’ quem foi condenado à prisão. Surpreendentemente o único que não o fez foi Karlan, talvez fosse por ignorância ou o soldado tagarela não se importou o suficiente com os rumores que ouviu.

— Seis dias isso é — Seria um bom passatempo, além dele poder testar alguns métodos de ensino neles — Onde tem algum lugar aberto por aqui?

Moon sorriu, dando uma última boa olhada para Silver antes de pedir para um servo mostrar o caminho para uma área que descobrira ser um ótimo lugar para treino nos arredores do castelo.

A jovem matriarca também tinha muito o que fazer entre estes seis dias, e não era somente a cerimônia de coração.

Olá, eu sou o Kail!

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