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Como fazer a adoração que o reino direcionou aos nobres se voltassem para ela foi a pergunta que Moon se fez assim que descobriu sobre sua situação atual.

Seis dias estavam longe de ser o suficiente para trazer mudanças significativas o suficiente para fazer com que a adoração do povo sobre ela superasse a dos nobres.  

Por que Moon precisava dessa adoração? Simples, porque se ela decidisse eliminar seus inimigos abertamente enquanto fosse o alvo desta admiração, não haveria ninguém disposto a começar uma rebelião e atrapalhar seu progresso.

A única saída que a matriarca, ou melhor, a rainha encontrou para resolver esse problema foi criar uma ilusão. Fazer parecer que ela havia feito neste curto período de regência, muito mais do que os nobres conseguiram em todos esses anos de manipulação sutil.

E como ela faria isso? Ainda mais simples.

— Vossa majestade! Eu imploro para que você reconsidere isso. Esse decreto é uma afronta a todos os nobres! — gritou um homem, completamente ultrajado pelo conteúdo do decreto liberado algumas horas atrás.

Ele tinha cabelos castanhos e bem penteados usando roupas de mordomo que, se fosse o objetivo, não escondiam o fato dele ser um nobre.

‘Ele estava certo. Ela ficou totalmente maluca!’

O motivo dos seus pensamentos foi o conteúdo do decreto, que abriu a possibilidade de plebeus se tornarem nobres por dois meios: Compra ou mérito.

O método de compra trazia os comerciantes para o lado de Moon, enquanto o mérito aumentava o número de soldados dispostos a entregar sua vida ao reino em prol de honrar sua família através de sua morte ou se tornarem heróis no caminho.

‘É meio vergonhoso usar a ideia de Mia quando eu julgo tanto ela mas… Meh, quem se importa?’

A diferença das duas foi que a fênix cobrou alguns favores aqui e ali para fazer isso, além de seu objetivo ser criar uma chance para Seiji se tornar rei e não facilitar um caminho para si. 

Moon não via necessidade de fazer tal coisa por Silver. Não que seu ‘amor’ pelo dragão prateado não houvesse chego a esse nível, como as ações de Mia foram justificadas na novel, e sim por ser uma enorme perda de tempo.

Prova disso foi que na história original, a dupla Seiji e Mia só conseguiram dominar o reino no último instante, sendo salvos basicamente pelo protagonismo do vaga-lume.

— Você está falando isso como Lester Roman, meu subordinado ou como o nobre Lester Roman? — A jovem perguntou friamente para o homem.

Ele era o primeiro, mas com certeza não o único a levantar objeções sobre as decisões que ela faria daqui em diante. 

O mais interessante era ele tecnicamente ser um dos seus subordinados e, embora seu ‘pai’ não tivesse requisitos muito grandes para os servos que contratava, mas aqueles mais próximos dele eram nobres.

‘Não me admira que ele tenha morrido “naturalmente”…’ 

— Fazendo isso você está provocando as pessoas erradas… — disse o homem em uma clara ameaça não dita.

‘Eu deveria matá-lo?’

Falando objetivamente, os nobres já eram o inimigo então essa ameaça não servia em nada para ela. A única coisa que impediu ela de decidir imediatamente foram os demais servos do castelo.

‘Não tenho tempo para substituir todos eles, e também não sei quantos deles conheceram a “original” desde criança…’

Seria difícil dizer quantos deles se voltariam para o inimigo ao saber que Moon matou um deles por ele ter se oposto a uma de suas decisões.

Vendo a jovem ponderar profundamente sobre matar ou não ele, Lester deduziu que ela ficou com medo por suas palavras e decidiu pressionar ainda mais.

— Isso mesmo, então você deveria… eh? — Suas palavras travaram na sua garganta quando ele sentiu um objeto desconhecido grudar entre suas sobrancelhas.

Seu corpo se moveu ou, ao menos, tentou fazê-lo sem sucesso e sua visão se desfocou enquanto se voltava para o teto do escritório.

‘Não gostei desse olhar condescendente. Me lembra Ludewig’

Antes dela esmagá-los é claro, depois disso eles ficaram incrivelmente mansos.

— Acho melhor eu dar uma olhada em como está indo o treinamento de Silver — Se levantando da cadeira, Moon caminhou até a porta antes de se lembrar de algo.

— E arranjar alguém para se livrar do corpo.

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Voltando para três dias atrás, Silver vestiu calças um pouco mais largas, algo semelhante a uma corda amarrada em sua cintura enquanto ainda sem camisa mas, desta vez, por um bom motivo.

O lugar onde ele e todos os soldados que estavam no salão foram direcionados era um ponto do jardim onde dois ambientes diferentes se fizeram presentes, sem colidirem um com o outro.

Todos soldados estavam alinhados em um campo aberto e gramado, com alguns aglomerados de flores que criavam um caminho para os visitantes. 

A partir da metade do caminho, este aglomerado de flores diminuiu em altura até desaparecer completamente enquanto uma lagoa bem rasa se formava, repleta de pedras que eram visíveis mesmo na água. 

O cenário era realmente belo, e poderia ser aproveitável para os soldados se eles não estivessem se matando de treinar por conta de certo dragão, que estava parado no centro da lagoa parecendo bastante relaxado.

Eles estavam executando exercícios simples como flexões, mas, de acordo com Silver, quem não completasse 150 de cada um destes teria que lutar com ele logo após. Já aqueles que conseguissem, iriam ter alguns minutos de descanso antes de ter que fazer o mesmo.

Haviam em torno de cem soldados, e grande parte deles se arrependeu de não aceitarem quando Silver ofereceu uma chance. Suas palavras foram exatamente ‘Esse treino pode te matar, então se você quer sair a hora é agora. Se qualquer um de vocês recusar agora e então tentar sair no meio, você com certeza vai morrer’.

Com exceção de Karlan e dos outros dois soldados os quais sabiam que não era só uma ameaça, os demais pensaram que ele só estava exagerando.

No meio do primeiro exercício, uma alma infeliz decidiu que não queria mais o treinamento.

‘Eu não sou pago o suficiente para essa merda!’

— Para mim já chega. Eu não vou continuar escutando esse lunático mais! — O homem gritou, se levantando e virando para voltar pelo mesmo caminho que veio. 

Os demais soldados também pararam. Não por querer desafiar Silver também, mas para ver a reação dele e decidir o que fariam. Se o jovem mostrasse qualquer fraqueza eles não hesitariam antes de desistir também.

O tagarela, junto aos outros dois chacoalharam a cabeça reprovando as ações de seu ‘companheiro’. 

Karlan se recusava a chamar qualquer soldado de amigo ou mesmo companheiro após a traição que sofreu. Enquanto os outros dois, mesmo que não adorassem a ideia de estar muito perto de Silver, não tinham muita escolha após o tagarela explicar a razão dele ter liberado o dragão para massacrar os soldados na prisão.

Nunca se sabe quando alguém tentaria os silenciar agora que eles sabiam mais do que deviam, então a dupla só poderia se tornar forte o suficiente para sobreviver a qualquer possível tentativa e o monstro que eles encontraram era a melhor chance deles.

Voltando a atual situação, o soldado que desistiu se virou rapidamente tentando ir embora o quanto antes. Ele poderia não acreditar muito nas histórias que contaram sobre o jovem de cabelos prateados no caminho para cá, mas não seria burro o suficiente de pagar para ver.

— Vem aqui — Silver disse friamente, apontando para um lugar na frente dele.

— E por quê eu faria isso? — O homem travou um pouco, mas logo tentou sair outra vez.

— Porque vai ser pior se eu for até você.

E ele não precisou falar mais do que isso. Os outros soldados abriram um caminho que levava o homem até Silver, e Karlan por algum motivo se posicionou na rota de saída do desistente.

Múltiplos pensamentos passaram pela mente do soldado, e o homem viu seus ‘companheiros’ assistindo a situação sem planejarem intervir.

‘Um dos idiotas até mesmo bloqueou meu caminho!’

Mesmo que ele tentasse forçar sua saída por ter apenas um deles no caminho, isso poderia dar tempo o suficiente para Silver alcançá-lo e então seriam dois contra um. Sem escolha, o homem decidiu tentar a sorte contra um único oponente.

Todos soldados usavam suas armaduras por ordem do jovem de cabelos prateados, o qual disse que serviria para eles se acostumarem completamente com o peso, fazendo a armadura parecer nada mais que uma roupa qualquer para eles.

Com um grito de guerra, o soldado deu meia volta carregando furiosamente contra Silver. 

‘Ele está totalmente desprotegido’

Contando com a falta de armadura do inimigo, o homem decidiu ir para o torso ao invés do rosto, com um soco que seria capaz de derrubar um homem adulto sem problemas.

Mas ele falhou, com Silver movendo minimamente o corpo e esquivando sem esforço. 

‘Sério?’

Com toda coragem que o soldado mostrou, o jovem pensou que ele era muito mais capaz do que isso e, para fechar com chave de ouro, o homem tropeçou em uma das pedras da lagoa ficando completamente vulnerável.

No meio da queda ele recebeu um golpe de Silver com as costas da mão, forte o suficiente para arrancar sangue dele mas não para nocauteá-lo. Sem deixar que o soldado caísse, o jovem segurou uma fresta da armadura próxima ao pescoço e o puxou para cima antes de golpeá-lo outra vez. 

Cada soldado presente assistiu Silver socando o homem de novo e de novo, manchando as águas antes límpidas da lagoa com sangue.

Olá, eu sou o Kail!

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