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Raios solares tímidos de uma manhã prestes a despertar acariciavam os cabelos de Ayasaka, que tremulavam com a brisa leve causada pelo trote calmo dos cavalos. Ela seguia atrás de Tuphi em sua montaria, tendo partido antes do sol nascer para cobrir uma área maior em sua jornada.

— Tudo bem? — Ayasaka perguntou ao notar a marca no pescoço de Tuphi, agora sem capuz.

— Ah… acho que sim, só foi inesperado, Mestre… Foi bom. — Tuphi respondeu, sorrindo enquanto mantinha os olhos no caminho à sua frente.

A cena fez Ayasaka corar levemente, e ela desviou o olhar, sem responder. Observou o sol nascer no horizonte, tingindo sua visão com tons perolados.

— Para onde vamos agora? — Ayasaka perguntou ao respirar o ar puro da manhã.

— Se tivermos sorte, cruzaremos Uevyat em algumas horas. — Tuphi respondeu sem desviar o olhar dos campos. — Uevyat é um vilarejo sem Divindades, uma das cidades que sucumbiu à Era sem Deuses. Não pretendemos parar lá. Infelizmente, desviar custaria dias. Teremos que atravessá-la.

— Espero que tudo corra bem. — Beatrice complementou o comentário de Tuphi.

Ayasaka não respondeu, apenas refletiu enquanto via o cenário distorcido pela velocidade dos cavalos.

Algumas horas se passaram enquanto se dirigiam a Uevyat. Ayasaka estava quieta, observando a paisagem como de costume. O cenário começou a mudar, com montanhas surgindo a leste e sudeste. Ayasaka olhou para seus companheiros, como alguém que queria puxar assunto. Sannire percebeu a expressão dela e perguntou:

— Algo a incomoda, Cavaleira?

— Não muito… — Ayasaka respondeu, olhando fixamente para as montanhas ao redor. — Onde estamos?

Sannire olhou levemente para a expressão dela, que admirava o horizonte, e comentou:

— Já estamos no território de Uevyat. Ao fundo, essas montanhas são parte do Vale da Calamidade, o domínio de Lyuv, Divindade da Razão.

— Lyuv… Tuphi já comentou comigo, acho.

— Ela era implacável e certa. Alma que penavam pela maldição da dúvida escalavam os cumes do Vale da Calamidade em busca de respostas. Dizem que as baixas temperaturas e o clima impiedoso fazem parte de seu julgamento.

— Ela era de gelo? — Ayasaka perguntou com dúvidas.

— Se quis dizer “ter afinidade com gelo”, sim. — Beatrice respondeu à pergunta mal construída de Ayasaka. — Lyuv possuía uma lança translúcida que transmutava de forma ao seu desejo, feita do gelo mais resistente do Vale da Calamidade. Longos cabelos brancos com um coque entrelaçado em uma grande coroa de gelo que cintilava um belo azul turquesa, trajada por um vestido branco ornamentado com fragmentos de cristais gélidos, que se arrastava pelo solo congelando tudo e todos que tocava.

— Parecia gente boa — Ayasaka comentou ironicamente. Sannire não conseguiu segurar e deu uma leve risada em resposta a reação de Ayasaka.

— Tudo depende da sua interpretação. Afinal, estamos falando de uma divindade. Nenhuma delas é má. Apenas têm um senso diferente de bondade. — Sannire comentou, olhando para os céus e sorrindo levemente. — Todos temos senso de justiça, liberdade e bondade diferentes entre nós. Claro, existe o senso comum, e é isso que todos deveríamos almejar.

— O senso comum era algo muito divergente entre as Divindades. Quem estabeleceu um padrão foi Gale. Antes disso, qualquer concordância entre eles era bastante rara — Beatrice complementou o comentário de Sannire, que olhou para ela em concordância.

— Sim, depois veio o contrato feito por Zytlhon com os celestes, e assim foi aberta a Ordem dos Cavaleiros de Dragões para proteger as quatro raças — disse Sannire, olhando para Beatrice.

— Ordem dos Cavaleiros de Dragões…? — Ayasaka comentou pensativa.

— Sim. Na Era das Divindades, Cavaleiros de Dragões eram honrarias gigantescas e únicas, porém, eram muitos. Geralmente, um por reino. Mas, existiam os Quatro Maiores e seus dragões, sendo os principais da Ordem atrás dos Anciões, lendários Cavaleiros de Dragões com os dragões celestiais. Os Quatro Maiores, cada um deles representando uma das quatro raças mortais, espalhados pelos quatro cantos de Ataraxia, eram destinados a serem detentores dos Instrumentos Celestiais, eles eram considerados a força entre a força dos Cavaleiros. Enquanto um Cavaleiro de Dragão normalmente possuía o poder ostensivo de dez homens, os Quatro Maiores, segundo as lendas, possuíam força para derrotar exércitos inteiros sozinhos. — Sannire respondeu.

— Quatro Maiores… — Ayasaka olhou para baixo, onde estava o pano que servia de sela.

— Sim. Yult, O Relâmpago Virtuoso, representando os Xodiks. Varett, A Beduína das Mil Adagas, representando os Cadis. Akumu dos Sonhos Mundanos, representando os Lobians. Emiko, das Seis Melodias da Liberdade, representando os Sens.

— E… Emiko? — Ayasaka sentiu um arrepio diante do último nome.

— Emiko, dos Sens. A primeira companheira de Kazewokiru. — Sannire completou.

Após ouvir a fala de Sannire, Ayasaka começou a sentir um desconforto repentino junto com uma tontura superficial, o que a fez levar as mãos à cabeça e fechar os olhos.

— Cavaleira…? — Sannire indagou ao ver Ayasaka com as mãos na cabeça. Todos olharam para ela, que parecia sofrer com os olhos fechados.

Ayasaka, com as mãos na cabeça, parecia estar lutando contra uma onda de emoções e memórias que a atingiram com força. Sannire e os outros observavam com preocupação enquanto Ayasaka tentava se recompor.

— Ayasaka, você está bem? — Tuphi perguntou, aproximando-se dela com um olhar de apreensão.

A garota japonesa respirou fundo e, lentamente, abriu os olhos. Seu olhar estava distante, como se estivesse perdida em pensamentos.

— Emiko… eu sinto algo forte quando ouço esse nome. Uma conexão profunda, mas também uma dor… — Ayasaka murmurou, como se estivesse compartilhando uma descoberta consigo mesma.

Sannire e Beatrice trocaram olhares significativos, cientes de que o passado de Ayasaka estava entrelaçado com algo maior e mais complexo do que podiam compreender completamente.

— A presença de Emiko é sentida por você de alguma forma, Ayasaka. Essa conexão pode estar além do que a superfície mostra — Beatrice sugeriu, buscando oferecer alguma explicação.

Sannire assentiu, ponderando sobre a situação.

— Sabe, o destino nos guia de maneiras misteriosas. Pode ser que a história de Kazewokiru e Emiko esteja mais próxima de você do que imagina. — Sannire comentou, tentando trazer clareza ao enigma que se desdobrava diante deles.

Ayasaka permaneceu em silêncio por um momento, absorvendo as palavras de Sannire. Ela sentiu uma mistura de curiosidade e apreensão em relação ao seu próprio passado e ao papel que Emiko desempenhava nele.

— Eu preciso descobrir mais sobre isso. Sobre Emiko, sobre Kazewokiru, sobre tudo. — Ayasaka declarou, decidida.

Sannire assentiu, compreendendo a importância desse momento para Ayasaka. A busca por respostas era uma jornada que todos eles estavam dispostos a enfrentar juntos, pois o destino de Ataraxia parecia mais entrelaçado com o passado do que qualquer um poderia ter imaginado.

Olá, eu sou o Flugelu!

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