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Seus pés doíam. Carmen nunca caminhou tanto em sua vida até aquele momento. Lembrou-se do carro de seu pai, um velho corsa que fedia a óleo, a qual se podia ouvir de longe pelo barulho do motor. Ela sentia falta dele, ou de pelo menos poder reclamar dele. Também sentia falta dos perfumes que sua mãe, e tias, lhe davam, dos ursos de pelúcia em sua estante, da penteadeira repleta de fotos de seus cantores favoritos, das pizzas que seu pai pedia sexta à noite. Sentia falta de muitas coisas de seu antigo mundo. 

Porém, também havia coisas de que não sentia a menor falta, como o barulho. Aquele mundo era silencioso, sem buzinas a apitar o tempo todo, sem alarmes e vozes ridiculamente altas a atravessar paredes, sem paredões de som acordando toda a vizinhança de madrugada. Havia apenas a quietude que só conhecera nas poucas vezes que visitara o interior. 

Além disso, era amplo, Deus como era amplo. Podia ver além do horizonte sem um labirinto de casas, prédios e arranha-céus a sufocá-la. Podia respirar o ar limpo, sem se incomodar em dividi-lo com outra centena de pessoas enquanto caminhava pela rua. Não sentia mais o cheiro dos esgotos, nem o calor do sol sobre o asfalto negro das ruas. Dessas coisas, ao menos, Carmen não sentia falta. 

Ela parou em frente a uma casa no alto de uma colina, ao pé da estrada. Era pequena se comparada à de Thierry, mesmo que o mesmo pudesse ser dito de quase todas as outras casas que vira por ali. Seu formato triangular lembrava os desenhos que Carmen fazia no jardim de infância. Caminhou até porta, batendo na madeira dura. Perguntava-se o nome da mulher. A senhora Marjorie havia lhe dito, mas não tinha prestado atenção. 

Bateu novamente, com mais força, massageando sua mão dolorida logo depois. Aguardou por um tempo, sem notar qualquer reação. Quando ergueu a mão para bater uma terceira vez, ouviu um rangido, e a porta se abriu alguns centímetros. Carmen espiou o lado de dentro, sem notar nada além do que dois olhos desconfiados apertados entre uma face enrugada, franzida e descorada. 

— Quem é? — A mulher do outro lado perguntou com uma voz rouca. 

— Eu, é… Jackelin, não, quero dizer… a senhora Jackelin me mandou. 

— É uma de suas aprendizes? 

— Não sei se posso dizer isso, mas… — Antes de Carmen terminar de falar, a mulher fechou a porta. 

Carmen assustou-se com o movimento repentino. Tentou escutar através da porta, porém não conseguia ouvir nenhum som vindo de dentro da casa. Ela permaneceu imóvel, sem esboçar qualquer reação. Olhou para os lados desconsertada, limpando as unhas irrequietas. Apôs o que pareceu ser um longo tempo, a porta se abriu e uma mão enrugada se estendeu contra o rosto de Carmen segurando uma pequena caixa cor de vinho. Carmen pôde ter uma visão melhor de sua aparência. 

A mulher tinha uma pele descorada, com várias manchas marrons espalhadas em seu rosto pálido. Um colar com uma gema cor de âmbar pendia em seu pescoço encurvado para a frente. Seus olhos entreabertos fitaram os de Carmen. Eram dourados no centro e negros nas extremidades da íris. 

— Cuidado com isso garota, e diga a Jackelin que se apresse logo com meus vestidos — resmungou a velha mulher, antes de fechar a porta. 

Carmen permaneceu lá, parada em frente a porta por algum tempo, antes de perceber que já podia ir embora. Ela então seguiu a estrada em direção ao vilarejo, deixando tanto a casa, quanto a mulher enrugada, para trás. A pequena caixa cor de vinho pendia leve em suas mãos. A curiosidade de saber o que tinha dentro a corroía, mas ela não abriu. Uma pequena tranca a impediu. 

Sacudiu a caixa, tentando saber seu conteúdo pelo som. Infelizmente não funcionou. Decidiu desistir. Saberia assim que a senhora Jackelin a abrisse. Sentia o vento bater contra seu corpo, sacudindo o vestido, e fazendo com que sua trança serpenteasse no ar. Olhou na direção em que o sol ainda se levantava, indicando que o meio-dia ainda estava longe. 

Podia ver os campos ao longe. As vezes parecia que eles eram a única coisa que existia naquele lugar. Sentiu um incômodo próximo a cintura e tateou sua roupa tentando ajeitar o que o gerara. Era difícil enfiar a adaga dentro da roupa íntima que usava por baixo do vestido. Mesmo com a bainha, ainda era incômoda. Carmen a carregara desde o rio. “Não vou terminar assim”, tinha dito a si mesma ao ver Júlia sendo levada. Iria lutar, iria escapar. 

Ela deixaria Júlia naquele estado? Perguntou-se, sem querer saber a resposta. Felizmente, não precisou descobrir, e era o que importava. 

“Por que não faria? Lembre-se da quadra, lembre-se do que fez”, uma voz dentro de si sussurrou. “Não”, respondeu para si mesma, “decidimos não lembrar”, pensou, relembrando o acordo que ela e os outros haviam feito, não pensariam mais na quadra. 

Ela atravessou a entrada do vilarejo, passando por um par de guardas postados no local. Sorriu para ambos antes de entrar, torcendo para que isso os fizesse mais amigáveis. Lá dentro, ela caminhou pelas ruas irregulares de terra que separavam as dezenas de casas de tamanhos diferentes. Era um lugar consideravelmente grande, embora pensasse que seu bairro fosse maior. Viu crianças brincando com pedaços de madeira, em uma batalha de mentira. Mulheres estendendo roupas molhadas ao sol, lançando sorrisos forçados ao perceberem-na. Cães brigando por um osso, rosnando ao vê-la passar. Homens bêbados em plena luz do dia, a seguindo com olhos enevoados. Carmen apressou seu passo, sentindo a adaga que tinha por baixo do vestido, pronta para desabotoá-lo e retirá-la. 

Havia uma torre fortificada no centro do vilarejo, feita inteiramente de pedra cinzenta, ao contrário do resto das construções ao redor. Era grande, sendo cercada por um muro de pedra. Alguns guardas também estavam a postos lá. Thierry o chamara de castro, era o lugar em que as pessoas se refugiariam em caso de ataque. Carmen esperava nunca precisar se esconder lá. 

A casa da senhora Jackelin ficava bem em frente a ele. Possuía dois andares e um pequeno canteiro com flores na frente, algo pouco visto dentro dos muros de madeira da vila. Uma trilha de pedras de calçamento levava até a porta da casa. Carmen caminhou por ela e bateu na porta. Minutos depois uma mulher um palmo mais alta do que ela, usando um vestido amarelo caramelado a abriu. 

— Está atrasada — repreendeu ela. 

Carmen se pegou olhando para a ruga no queixo da mulher antes de responder. 

— Desculpa senhora Marjorie, eu… 

— Não importa, entre — Marjorie deu um passo para o lado insinuando que Carmen passasse. Ela o fez. 

Lá dentro encontrou uma fila de garotas, a maioria tão jovens quanto ela, sentadas sobre mesas bordando algumas peças simples de tecido com agulha e linha. Máquinas de costurar não tinham sido inventadas naquele mundo, então o trabalho era todo feito dessa forma. Aquele também era o seu “setor” de trabalho. 

— Pode me dar a caixa, eu a darei para a madame — disse Marjorie com voz imperativa. 

Carmen a cedeu vacilante. Queria ir para a sala onde as costureiras faziam os vestidos. Tinha muita vontade de vê-los mais uma vez, e entregar a caixa a madame Jackelin era uma boa desculpa para isso, mas agora fora desarmada. Roupas eram bem simples naquele mundo, com a maioria das mulheres usando vestidos simples, ainda que bem bonitos, porém madame Jackelin fazia vestidos que só poderiam ser descritos como belos mesmo em seu mundo. Eram belos e longos, tendo detalhes refinados, alguns sendo cravejados de joias. Ela só os vira uma vez, quando foi apresentada por Thierry a madame para trabalhar ali. Os dois pareciam ser bem próximos. 

— Agora sente-se e comece a trabalhar — ordenou a mulher, sua verruga descendo e subindo, cada vez que movia a boca. 

Carmen assentiu, sentando-se em um banco vazio no final de uma das mesas. Logo suas mãos começaram a trabalhar, atravessando o tecido com a agulha. A linha negra começara a lentamente desenhar uma pequena flor no tecido dourado. A maioria das garotas fazia formas geométricas e estrelas, talvez por serem mais fáceis. Carmen tentava refazer desenhos que vira em panos de prato nas cozinhas de sua mãe, tias e avós. Não fora fácil aprender aquilo, porém apôs algumas semanas furando os dedos, aos poucos pegou o jeito. Ainda se furava, mas conseguia bordar “aceitavelmente”, pelo menos de acordo com a senhora Marjorie. 

O tempo passou à medida que seus constantes movimentos de mãos transformaram a linha no tecido em uma bela flor, ao menos para os seus olhos. Carmen apenas percebeu que a tarde avançara quando a luz do sol, que adentrava o cômodo por uma pequena portinhola, tocou seus braços. Sentiu-se grata por isso, pois tinha fome, a sopa de legumes servida no almoço não fora o bastante para preencher seu estomago. Alguns sussurros baixos podiam ser ouvidos. Carmen amava conversar, mas detestava quando as garotas ao seu lado o faziam. 

Embora houvesse duas dúzias de garotas na sala, e muitas delas podendo ser consideradas parentes de cacatuas, Carmen passava a maior parte de seu dia quieta, mexendo sua mão, sem que nenhuma delas puxasse qualquer conversa, limitando-a apenas a ouvir. Era acima de tudo frustrante. 

— Ouvistes falar quem chegara à vila muito em breve? — Ouviu uma das garotas ao lado comentar com outra. 

Carmen se distraiu, diminuindo o ritmo de sua agulha. 

— Não, quem? 

— É dito que o prefeito está preparando uma recepção para sir Alóis — respondeu ela. Era uma garota de aparência mais velha, tinha o rosto magro e olhos grandes e redondos. Carmen acreditava que seu nome era Natalie. 

— Quem? — perguntou novamente a garota, fazendo a que fez o anúncio revirar os olhos. 

— Sir Alóis, o senhor de nossa aldeia — ela disse com uma voz rude. 

— Mas — Outra garota, mais nova que as duas primeiras, interrompeu —, pensei que o senhor Dóniz fosse o senhor daqui. 

— Ele é só o prefeito indicado, sir Alóis és um nobre, um digno cavaleiro e senhor dessas terras — respondeu Natalie, com ar de superioridade, como se estivesse ensinando as outras. 

— Como sabes disso? — A mais nova perguntou. 

— Meu pai contou-me, ele é o intendente do prefeito — respondeu ela. 

— Ah, que incrível. 

“Um cavaleiro hm…”, A imagem que Carmen tinha sobre eles lhe veio à mente. Um homem alto, jovem, bonito, de cabelos lisos e bem aparados, usando uma armadura branca e brilhante, segurando uma rosa vermelha, a qual seria entregue a ela, junto de um sorriso de iluminar o dia. Perguntou-se como Eduardo ficaria em uma armadura. 

De repente ela percebeu que a conversa havia cessado. O motivo disso eram as duas mulheres paradas em pé a sua esquerda. A senhora Ariane, a mais próxima, seu corpo gorducho não chegava a um metro e sessenta de altura, sendo baixa o suficiente para alcançar os ombros de Carmen. Tinha cabelos grisalhos encaracolados, um rosto calmo, com algumas rugas a mostra, e trajava um vestido verde escuro com bordados marrons em padrões de losangos que desciam em espiral até a borda da saia. Ao seu lado estava a senhora Marjorie, com sua ruga sendo retorcida por uma expressão fechada de seus lábios. 

— Senhorita Carmen, pode vir conosco? Madame Jackélin deseja vê-la — proclamou a senhora Ariane. 

Carmen permaneceu sentada, sem mover um músculo, tentando entender o que aquilo significava. 

— Estás surda garota? Não entendestes que és para se levantar? — broqueou a senhora Marjorie em resposta a sua falta de reação. 

Carmen então se levantou e as seguiu rigidamente sobre o olhar das outras garotas, que já haviam começado uma nova onda de murmúrios sobre a cena. Quando atravessaram a porta para um corredor que dava acesso a outras salas a senhora Marjorie bufou. 

— Que falta de educação dessas garotas, faria mais bem usarem toda essa energia em suas mãos — murmurou ela 

— Deixe-as Marj, não é como se nunca houvesse feito isso — A senhora Arianne retorquiu. 

— Nunca a esse ponto. 

Elas seguiram o corredor passando por salas repletas de tecidos, linhas, e depósitos de lã. Costureiras podiam ser vistas trabalhando em todos os lugares, trabalhando com mãos rápidas, assim como alguns homens que carregavam fardos e mudas pesadas de uma sala a outra. Pararam em frente a uma sala com um símbolo de uma teia na porta. A senhora Ariane a abriu. Lá dentro uma mulher, não velha o bastante para ser considerada uma idosa, mas que visivelmente já havia passado do auge da beleza a muitos anos encarava um vestido. Uma bela peça, que Carmen não conseguiu discernir a cor. 

Na altura do peito era laranja, mas quando se descia, percebia-se que ele mudava para tons de amarelo e dourado, se tornando vermelho escuro próximo aos pés. Mas a tonalidade era tão bem equilibrada que nada parecia fora do lugar. 

Um suspiro foi ouvido. 

— Não está bom — A mulher em frente a ele murmurou. 

— Madame Jackelin, trouxemos a garota que pediu. 

A mulher se virou. Usava um vestido cinza, contrastando com a vívida peça de roupa a sua frente. 

— Ótimo — Seus olhos cor de âmbar se fixaram em Carmen. — Venha aqui jovem — Ela gesticulou com a mão para que Carmen se aproxima-se. 

Relutante, Carmen o fez, parando um passo atrás dela. 

— Diga-me, o que acha? — A senhora Jackélin perguntou olhando para o vestido. 

O que aquilo queria dizer? Ela queria sua opinião? Por quê? 

— Vamos criança, a madame não tem o dia todo — resmungou a senhora Marjorie. 

Carmen engoliu seco, e olhou para o vestido. Sua cor o fazia parecer um mar de fogo, pequenas luzes cintilavam ao longo dele, fazendo-o brilhar. Eram claras e escuras. Claras demais para os seus olhos. 

— Tem muitas luzes, dói na vista — Ela os esfregou com a mão enquanto respondia. 

Ela ouviu um ruído estranho atrás de si, virou-se para contemplar uma expressão de revolta no rosto da senhora Marjorie. 

— Muito brilhoso hm… — Senhora Jackélin murmurou para si mesma. Parecia estar em um mundo a parte. 

— Madame, creio que seja melhor tratar logo do assunto com a senhorita Carmen e dispensá-la novamente para o seu serviço. 

— Hm? Ah, certo — Ela respondeu, caminhando em direção a uma escrivaninha próximo a uma grande janela que iluminava o cômodo. — Diga-me jovem — Retirou um lenço bordado de cima mostrando-o para Carmen —, fora você quem fez isso? 

Carmen procurou reconhecê-lo. Possuía flores coloridas, verdes e amarelas, sobre um fundo branco emoldurado por linhas azuis. Carmen lembrava de ver aqueles padrões muitas vezes na casa de seus avós. 

— Acho que sim — respondeu hesitante. 

— Acha? — Senhora Marjorie resmungou. 

— Creio que nenhuma outra das noviças faça desenhos assim — comentou a senhora Ariane. 

— Mas, por que está me perguntando isso… Madame? — Carmen perguntou, mexendo com sua trança. 

— Onde aprendeu isso? — A senhora Jackélin inquiriu, ignorando sua pergunta. 

Carmen abriu a boca, engasgando-se antes de responder. 

— Eu vi na casa da minha avó, e fiz igual. 

— Onde a sua avó mora? — Jackélin insistiu em saber. 

— Hã? — Carmen franziu as sobrancelhas, confusa. 

— Madame, creio que seja melhor explicar a ela logo — A senhora Ariane interrompeu mais uma vez. — Senhorita Carmen, notamos uma certa habilidade em seus bordados, pouco “ortodoxos”, queríamos saber onde havia aprendido isso, uma vez que és tão nova. 

— Pouco ortodoxo é quase um gracejo para esses desenhos estranhos. 

Carmen piscou os olhos, suas mãos estavam frias. Ainda não entendera ao certo o que aquilo significava, e isso a deixava nervosa. 

— Não seja tão rude por não conseguir apreciar a beleza daquilo que é diferente — disse a senhora Jackélin. 

A boca de Marjorie se torceu em um arco declinado com a verruga se contraindo. 

Ariane pigarreou. 

— Como a madame disse, embora sejam diferentes, vemos uma beleza neles, então queremos entender mais sobre tais desenhos. 

— Em outras palavras — A senhora Jackélin proclamou com a voz mais alta do que o normal —, quero que nos mostre isso. 

— Eu? — Carmen se sobressaltou. 

— Sim, e desejo que comece agora — ressaltou senhora Jackélin  

— Desculpa, mas não sei direito como ensinar, quero dizer, eu não… 

— Ah criança tola, é claro que sabemos que você não tem capacidade para isso — interrompeu a senhora Marjorie. 

— Por enquanto precisámos apenas que faça as peças na nossa presença para compreendermos o processo — explicou a senhora Ariane. 

— Ah, certo, entendi — Carmen suspirou aliviada. 

— Agora que finalmente compreendeu, comece logo, a madame está impaciente. 

Quando terminou, ela não tinha ideia do quanto demorara, ou se o bordado ficara bom, suas mãos não paravam de tremer enquanto as três mulheres a observavam costurar. Viu, porém, um olhar de curiosidade no rosto elegante da senhora Jackélin ao analisar a peça. 

— Apesar de sua aparência rústica, é um bordado bem interessante — disse ela. — Traga-me mais como esse amanhã. 

— Amanhã? — Carmen indagou. 

— Sim, não poderia fazê-lo hoje, já está anoitecendo — Senhora Jackélin apontou para fora, onde a luz já começara a minguar. Ah, e antes de ir, saiba que agradeço em nome de Marjorie o favor feito essa manhã. Nenhuma de minhas aprendizes ou costureiras acha agradável andar tanto para se encontrar com Diane. 

— Diane? — Carmen perguntou, tentando entender do que se tratava — Ah, sim, não foi nada senhora. 

“Então o nome da velha era Diane”, pensou. 

Se despedindo das três, ela saiu com passos apressados. Costumava ir embora antes do sol se pôr, agora ele já havia sumido. A escuridão já começara a encobrir o mundo, a exceção das poucas tochas que iluminavam a aldeia. Apesar disso, notou algumas estranhezas, viu algumas mulheres conversando na porta das casas por onde passou, e guardas agitados, indo e vindo pelas ruas. Havia apenas uma sentinela no portão ao invés de dois como de costume. Por mais que quisesse saber o porquê da agitação, sabia que ninguém lhe responderia, e se apressou em partir pela escura estrada até a casa de Thierry. 

Quando se aproximou, a falta de algo chamou sua atenção, mas não sabia exatamente dizer o que era. Passou pela amurada de pedra que cercava a casa, notando Júlia sentada ao pé da porta. A garota levantou a cabeça assim que percebeu sua aproximação, tinha apreensão estampada no rosto, que logo minguou ao ver Carmen. 

— Que cara murcha é essa amiga? — perguntou. 

— Os meninos ainda não voltaram. 

Carmen então olhou para a área da frente da casa de Thierry, onde Caio e Eduardo costumavam se digladiar em suas disputas a essa hora, não que ela soubesse exatamente que horas eram. O que sentira falta a se aproximar fora o som dos bastões batendo um contra o outro. 

Ela ouviu passos pesados e então Thierry apareceu de dentro da casa. 

— Ah, jovem Carmen, sinto-me aliviado em Vê-la, já estava me preparando para procurá-la — declarou ele. 

— Ah, desculpa, eu perdi a noção do tempo enquanto trabalhava. 

— Senhor Thierry, o Edu ainda não voltou — Júlia apontou. 

Thierry olhou para ela. 

— É verdade, ele e o jovem Caio, espero que não demorem muito, ou o jantar esfriará — Thierry virou-se, entrando novamente na casa. 

— Espere senhor Thierry, não vai procurá-los também? — Carmen o questionou. 

— Jovens, sinto-me feliz ao vê-las se preocuparem com os dois, mas tal coisa é desnecessária para homens. 

— Mas… — Antes que Júlia pudesse continuar, ouviram um som de galope vindo da estrada. 

— Sir Thierry — Uma voz gritou. 

Podiam ver apenas a silhueta do homem devido a escassa luz. 

— Aqui estou, o que há? 

— Precisámos que venha com rapidez, houve um ataque de ursos Carmins senhor. 

— Um ataque… de ursos Carmins? — Thierry Franziu as sobrancelhas. — Onde? 

— No velho moinho senhor. 

Olá, eu sou o Dellos!

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