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Bruno finalmente para de xingar, após alguns minutos passando pelos sombrios corredores. Corpos e mais corpos, quebrados, devorados e alguns já cobertos de um mofo esverdeado.

O Besouro, depois do silêncio se instalar sobre o bando, pergunta:

— SR. Bruno, por que você me chamou de “roladorzim de bosta”?

O amálgama, ainda irritado com a situação, não responde de imediato ao Besouro. No entanto, sua vontade de mostrar-se mais inteligente que os outros ganha da sua irritação.

— Porque é o que você é… Feito a imagem de um escaravelho-sagrado, eles são, quer dizer, eram conhecidos por rolar bolas de estrume. Até onde eu sei eles foram extintos a várias eras — Bruno explica, com certa tristeza em sua voz.

— Obrigado pela explicação, irei adicionar a minha base de dados.

Depois de alguns minutos em silêncio, sendo quebrado apenas pelas direções do besouro a Bruxa. No meio da travessia, ela toma um novo caminho, ignorando seu pequeno guia.

— Sra. Sundown? Espero que saiba que temos que sair daqui o mais rápido possível, o mofo já está se formando — O Besouro fala, mas não intervém com instruções para a Bruxa, esperando ela chegar no destino.

Bruno é o primeiro a notar aonde eles estão indo.

Outro armazém destruído e escuro, a Bruxa aproxima-se de um cadáver agora no canto da sala. Com um rombo em dos lados da cintura e mofo se espalhando da ferida de dentro para fora, está o corpo de Baku, ainda com a coroa em sua cabeça.

— É, parece que ele não conseguiu escapar — diz Bruno sem um pingo de emoção na voz.

— Descanse em paz, onde quer que você esteja pobre alma — o Besouro fala, também apático a visão horrível, mas fechando os olhos e recitando uma pequena prece — “Aos olhos das Maldições todos são mortais, que Magnus guie seu caminho do outro lado, desconhecido de vida e desconhecido pelos humanos há milênios. Aeterna Immortalitas ad Humanita.”

Dos três, a Bruxa é a única que tem emoção com a visão horrível. Culpa por trás de seu semblante determinado, isso não a impede de concluir o objetivo de seu pequeno desvio. Agachando-se, ela pega a coroa de louros, agora com algumas rachaduras, mas continuamente emanando energia amaldiçoada.

O Besouro parece incomodado em estar perto de um objeto com energia amaldiçoada concentrada daquela forma.

Bruno vê nisso uma oportunidade de semear um pouco de discórdia, já que ele ainda está irritado de ser arrastado pela instalação.

— Ei Bruxa, gosto da ideia de vir aqui e pegar a relíquia e tals, mas como que tu vai carregar esse negócio? Meio babaquice deixar uma arma mortal, pro seu colega besouro, em mãos o tempo todo.

Antes que Bruxa pudesse pensar em uma solução, seus cabelos movem-se instintivamente, fios se enrolam ao redor da coroa e puxam para dentro do couro cabeludo.

— Chata — Bruno diz com leve rancor.

— Seus cabelos são feitos de energia psiônica pura — o Besouro analisa — Minha base de dados fala sobre esse tipo de poder ser capaz de guiar a intenção por trás de EA, mas é fascinante ver de perto. Meus escâneres mal conseguem detectar a relíquia. Suspeito que estando guardado dessa forma, é mais seguro para todos e principalmente para mim… Muito obrigado, aliás.

Com a coroa coletada, a Bruxa faz um último desvio, procurando o martelinho que destruiu seu braço. Ela o coleta e guarda da mesma forma.

Com seu cabelo selvagem e espaçoso, talvez teria espaço para mais cinco relíquias, caso fossem de tamanho similar às duas coletadas.

Concluído seus pequenos desvios, o bando volta a rota, para sair dali.

Passando pelo pátio de naves, eles vêem que todas foram destruídas e estão sendo consumidas pelo mofo, que devorava avidamente, as armadilhas deixadas pela maldição, cheias de EA (Energia Amaldiçoada). Isso até eles chegarem ali, e olharem em sua direção.

O Mofo está estático, mas ainda assim, a massa cobria boa parte do pátio, já tendo várias naves engolidas no meio. O Mofo ali é do tamanho de um complexo de casas.

A Bruxa devido a sua falta de memórias e conhecimento de mundo, é a única a considerar ir até uma das naves intactas, mas rapidamente decide contra. Alguma coisa naquele mofo a deixava inquieta e ele está muito perto.

— Perigoso — O besouro declara — O mofo está perto de acordar… Amálgama você pode ficar de olho no mofo?

— Já estou fazendo isso, desde que vocês me puxaram contra a minha vontade, lá atrás.

— Você preferia ser deixado lá? com o mofo prestes a cobrir a instalação.

Bruno não responde. É óbvio que a resistência a ser tirado dali é apenas sua teimosia falando. Ou mais de ser tirado dali em um estado tão patético.

No caminho da saída do macabro pátio, o bando observa vários outros Besouros, cópias similares com apenas algumas diferenças no formato da carapaça e sem a cor verde.

Diligentemente os pequenos robôs voam pelo pátio consumindo o mofo e reparando as paredes. Depois de algum tempo fazendo isso, os robôs simplesmente desligam e ficam imóveis.

— O sistema de reparos da instalação foi gravemente negligenciado, os drones não tem onde despejar o mofo, e ainda estão sofrendo danos contínuos da exposição de EA.

— Pera, como você não desligou então? — indaga Bruno.

— A EA que está por toda a instalação não é um problema, por que ela não tem a intenção de uma criatura por trás, para ser perigosa. Já o mofo é uma junção de EA que atua como uma força da natureza, consumindo EA sem um dono, com um único objetivo…

— Formar novas maldições.

— Exatamente. Uma nova maldição será formada a partir do mofo, possivelmente ligada aos eventos que decorreram aqui e tendo uma linhagem similar a EA que consumiu. Ou seja, outra maldição do silêncio. O Mofo pode não emana energia amaldiçoada, mas consumí- lo ou tocá-lo, traz consequências similares, senão piores a fazer o mesmo com uma maldição.

— Para todos os propósitos ele tem uma intenção — completa Bruno.

Depois do choque dessa dura realização, tanto para Bruno quanto para a Bruxa, eles vêem alguns dos poucos drones-besouros ainda em funcionamento, começando a os seguir. A cor dos drones se tornou um tom de verde, mais claro que a do Besouro.

— Você tá controlando eles? — Bruno indaga.

— Seria um desperdício deixar eles continuarem uma tarefa impossível.

A Bruxa estala as garras, interrompendo a conversa, para continuar o caminho da saída. Os outros dois, percebem o porquê da súbita pressa.

O mofo que normalmente é estático, nunca movendo-se caso uma criatura esteja a vendo, está tremendo. E apesar de Bruno estar de olho na massa do pátio, ele estava no automático, mantendo o olhar sem realmente prestar muita atenção. Apenas a Bruxa que estava atenta ao mofo percebeu seus movimentos mínimos.

O Mofo está acordando. E quando desperto, ele não parará sob o olhar de nenhuma criatura.

Os três se calam e a Bruxa começa a correr em direção a saída. O Besouro prende-se em seu ombro e os cinco drones se agarram nos cabelos.

Não havia tempo para explicações, a Bruxa está agindo no puro instinto, sentindo a presença perigosa começando a crescer em toda a sua volta.

Correndo pelos corredores escuros ela alcança uma velocidade impressionante para a quantidade de peso que está carregando, mas ainda assim não é suficiente.

A presença aproxima-se.

Uma onda de mofo avança atrás deles, ansiando pela refeição. Explodindo das paredes, vazando do teto e rasgando o chão.

O Mofo acordou.

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Olá, eu sou o Mulo!

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