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Capítulo 7 – A História Se Repete.

— Satoru! — A voz de Johnny ecoou desesperadamente pelas paredes de pedra ao despertar de um sono turbulento.

— Onde… onde eu estou?

A névoa da confusão lentamente se dissipou, dando lugar a uma consciência aguda e desconfortável. Johnny se contorceu, tentando se erguer na cama estreita que rangia sob seu peso.

O cheiro pungente de mofo e o odor fétido de decomposição invadiam suas narinas, provocando uma careta de repulsa em seu rosto pálido. Ao virar a cabeça, seus olhos se ajustaram à escuridão quase tangível, e ele notou pequenos olhos cintilantes observando-o. Eram ratos, cujos olhares penetrantes pareciam reivindicar a posse daquele domínio sombrio e esquecido.

“D-De novo?”

Olhando para o outro lado, a realidade de sua situação começou a se cristalizar. Grades de ferro frio e implacáveis se estendiam diante dele, separando-o do mundo exterior. Conectando os pontos em sua mente turva, a conclusão era inevitável: ele estava preso em algum tipo de cela no subterrâneo.

“Cadê o Satoru?”

A preocupação de Johnny se transformou em pânico. — Satoru! — Seus gritos desesperados reverberavam contra as paredes frias e úmidas, cada chamado soava como um eco de solidão.

Mas sua busca foi interrompida abruptamente. Uma figura imponente surgiu das sombras, com uma postura cambaleante. Era um dos guardas, e ele não estava sozinho; uma fileira de silhuetas armadas se alinhava atrás dele, como sentinelas de um regime cruel.

— Silêncio, seu porco imundo! — A voz do guarda era um grunhido, mais animal do que humano.

— Porco imundo? Olha quem fala, você mal consegue ficar de pé de tanto que bebeu. — O sarcasmo de Johnny cortou o ar, mais afiado que a espada do guarda.

— C-Como você ousa? — A indignação do guarda era palpável. — Um mero escravo ousando desafiar seus superiores!

O guarda avançou, mas antes que pudesse agir, um ato de rebelião surgiu da cela vizinha. Uma pedra, lançada com precisão, voou pelo ar e atingiu o guarda com força na cabeça. O impacto foi tão brutal que o homem caiu, seu corpo pesado formou um som que se reverberou pelos corredores, como um trovão distante anunciando uma tempestade iminente.

O silêncio que se seguiu foi carregado de tensão. Os outros guardas, pegos de surpresa, hesitaram, suas expressões oscilavam entre a confusão e a fúria. Johnny, aproveitando a distração, pressionou o rosto contra as barras frias de sua cela, tentando vislumbrar o autor daquela ousada resistência.

— Ei, você que lançou a pedra! — Johnny gritou, mas a única resposta foi o silêncio opressor que se seguiu.

Os guardas avançaram para a cela do jovem transgressor. Eles o agarraram com mãos firmes, ignorando seus protestos abafados, e o arrastaram para fora, passando pelos corredores úmidos e mal iluminados.

Johnny, espremendo os olhos através das barras enferrujadas de sua própria cela, conseguiu capturar um vislumbre fugaz do rosto do seu benfeitor involuntário. Era um garoto, não mais que um adolescente, com cabelos escuros raspados nas laterais e mais longos no topo, caindo desordenadamente sobre uma testa franzida. Seus olhos, duas fendas escuras e penetrantes, brilhavam com uma mistura de desafio e inteligência astuta.

Apesar da situação precária, um sorriso sarcástico se formou nos lábios finos do garoto, um contraste marcante com o olhar vazio dos guardas que o arrastavam para o desconhecido. Enquanto isso, Johnny, consumido pelo desespero, vasculhava cada centímetro de sua cela, procurando por uma brecha, uma esperança de libertar o jovem.

Horas se passaram, e a exaustão tomou conta de Johnny. Ele se rendeu ao cansaço e se deitou em seu leito miserável, compartilhando o espaço com os ratos que, audaciosamente, reivindicavam sua cama como território próprio. A ausência de uma privada transformava a cela em um espetáculo de humilhação; suas necessidades eram atendidas sob o olhar indiferente das paredes que o cercavam.

— Bem, boa noite, ratos. Prefiro que vocês durmam longe de mim — murmurou Johnny, sem qualquer traço de esperança de ser atendido. — Não é preconceito, mas… vocês entenderam.

Ele parou, a realidade de sua solidão o atingiu como um golpe.

— Ahn? Eu estou falando com ratos! — Sua voz reverberou na cela, um som abafado de desalento. Ele se ajoelhou, com o rosto enterrado nas mãos. — Eu estou falando com ratos…

A noite foi longa e torturante, pontuada pelo ranger dos ratos e pelo eco de seus próprios pensamentos sombrios.

Quando o amanhecer finalmente chegou, foi anunciado por uma sirene estridente, um som que cortava a quietude como uma lâmina afiada. Os guardas apareceram, as chaves tilintando com promessas de um novo dia. A cela de Johnny se abriu, e por um momento, ele permitiu-se acreditar que seria para algo mais do que o café da manhã nojento.

— Finalmente, agora vou ter pessoas para conversar que não sejam ratos!

Ao sair de sua cela, Johnny foi imediatamente interceptado por um grupo de guardas que bloquearam seu caminho com expressões sombrias e posturas intimidadoras.

Um dos guardas, um homem de estatura imponente com uma cicatriz marcando seu rosto, deu um passo à frente, e sua voz grave ecoou pelo corredor sombrio da prisão.

— Você, moleque. Venha conosco. O mestre quer vê-lo — disse ele, apontando para Johnny com um dedo áspero e calejado.

— Ei Kim, para de palhaçada, olha só para ele, magro desse jeito, se não comer, vai acabar desaparecendo — zombou o segundo guarda, soltando-se em gargalhadas.

“Esses caras se acham uns palhaços né?”

“Vou pro refeitório. Não tenho tempo pra perder com esses idiotas.”

Aliviado por escapar, Johnny chegou ao refeitório e entrou na fila. Mas a paz durou pouco. Logo que chegou ao balcão, um grupo de escravos mais velhos o cercou, com olhares nada amigáveis.

— Olha só quem decidiu se juntar a nós hoje. O príncipe mimado achou que poderia se misturar à plebe? — um dos homens cuspiu as palavras com desprezo, deixando escapar um sorriso malicioso.

— Só quero comer, beleza? Sem stress. — Johnny respondeu, tentando manter a paz.

Mas suas palavras foram recebidas com risadas cruéis e zombarias.

— Oh, olhem só, ele acha que pode se desculpar. Você não é melhor do que nós, sabia? — outro escravo provocou, empurrando Johnny com força contra o balcão.

Johnny respirou fundo, contendo a fúria que ameaçava explodir dentro dele. Seus olhos varreram o ambiente, capturando cada detalhe – o vapor que se erguia das panelas grandes, o brilho oleoso da comida, o movimento frenético dos serventes. E então, sua mão encontrou um garfo esquecido sobre a mesa. Com um movimento ágil, ele o segurou, sentindo o metal frio contra sua pele suada.

“Agora!”

Sem hesitação, Johnny avançou. Com um movimento rápido e certeiro, ele enfiou o garfo na mão do homem, que gritou de dor e recuou, segurando o ferimento com uma expressão de choque e surpresa que se espalhou por seu rosto endurecido.

Um dos homens avançou, usando uma cadeira como uma arma improvisada. Johnny se esquivou habilmente, com movimentos fluidos e graciosos enquanto se aproximava do homem e lançava um chute preciso em sua direção.

— Difícil desviar com esse peso todo, hein? — Johnny zombou, com um sorriso sarcástico brilhando em seus lábios.

O refeitório se tornou um campo de batalha improvisado, cada objeto ao alcance de Johnny era transformado em uma arma potencial. Bandejas de comida se tornaram escudos temporários, garrafas vazias se transformaram em projéteis improvisados e mesas viradas se tornaram barreiras contra os ataques dos homens.

“Eu poderia tentar lutar, mas enfrentar três homens adultos é demais. Talvez o Satoru conseguisse, mas eu não sou ele.”

Antes que a batalha pudesse alcançar uma conclusão, um som estridente de sirenes ecoou pelo refeitório, anunciando a chegada dos guardas. Com um último olhar desafiador para seus oponentes, Johnny viu sua chance e escapou habilmente pela porta, desaparecendo na confusão enquanto os guardas intervinham para pôr fim à briga.

Enquanto ele se afastava da confusão, uma figura familiar capturou sua atenção. Parado em um canto escuro do refeitório, com os braços cruzados sobre o peito e uma expressão serena em seu rosto, estava o garoto que havia lançado a pedra contra o guarda mais cedo naquele dia.

SBAulGU

Curioso edesejando encontrar algum tipo de apoio em meio a confusão, Johnny se aproximou do garoto com cautela.

— Ei, você é aquele cara que me ajudou mais cedo. Obrigado, eu acho. — Johnny disse, ainda tentando entender a situação.

O garoto o encarou por um momento, avaliando-o com um olhar penetrante antes de finalmente responder.

— Não precisa agradecer. Eu não fiz isso por você. — sua voz era áspera e desinteressada, mas havia uma nota de sinceridade em suas palavras.

Johnny coçou a cabeça, confuso.

— Então, por que…? — começou a perguntar, mas o garoto o interrompeu.

— Você não se intimidou — disse ele, preenchendo o espaço com sua voz. — É raro alguém se destacar aqui.

Johnny sentiu um misto de surpresa e apreensão.

— Só estava tentando não apanhar — confessou Johnny, com a sinceridade transparecendo em suas palavras. — Nunca fui bom em bancar o herói… nem pra mim mesmo.

O garoto olhou para ele por um momento, avaliando suas palavras com cautela antes de finalmente assentir.

— Talvez você não seja tão covarde quanto pensei. — ele murmurou, com um pequeno sorriso se formando em seus lábios.

— Venha comigo. Há um lugar onde podemos falar sem sermos interrompidos.

Johnny seguiu o garoto através dos corredores cinzentos e frios da prisão, passando por outros detentos que pareciam fantasmas de si mesmos, perdidos em seus próprios mundos de arrependimento e desespero. Eles chegaram à biblioteca, um oásis de calma em meio ao caos da prisão. Era um lugar onde o tempo parecia parar, onde cada prisioneiro poderia escapar, mesmo que brevemente, das correntes de sua realidade.

O garoto escolheu uma mesa isolada no canto mais distante, onde a luz fraca mal tocava as superfícies desgastadas.

— Meu nome é Akira. Akira Hoshino! — ele se apresentou, estendendo a mão.

Johnny apertou a mão de Akira, sentindo uma conexão inesperada.

— Aqui podemos falar — disse ele, puxando uma cadeira para Johnny. — Diga-me, como você veio parar aqui?

Johnny, embora relutante em compartilhar seus segredos com alguém que mal conhecia, percebeu que não tinha escolha. A verdade é que aquele estranho era sua única esperança de ajuda. Com um suspiro resignado, ele começou a relatar os eventos que o levaram até aquele momento crítico.

Akira o observava atentamente, como se avaliasse cada palavra.

— E o que você espera que eu faça? — perguntou Akira, direto ao ponto.

— Eu não sei. — Johnny admitiu. — Você parece ser o cara que mais sabe das coisas por aqui.

Akira suspirou, passando a mão pelos cabelos.

— Emi Nakamura… — ele murmurou. — A filha de Juzin Nakamura, certo?

Johnny olhou para ele, surpreso.

— Eu não faço a mínima ideia. Você sabe algo sobre ela?

— Juzin Nakamura está tentando mudar as regras do jogo. Ele quer entrar no ramo de mineração, mas de forma justa, sem escravizar os trabalhadores. Isso ameaça todo o esquema monetário da Phantom.

— Então é isso… — murmurou ele. — Eles estão usando uma criança inocente para…

— Bingo! — Akira confirmou. — Eles estão usando Emi como moeda de troca para manter o poder deles. Mas eu não planejo ficar parado enquanto isso acontece.

Capítulo 7. Fim.

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