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Mayck levantou desesperadamente de sua cama. Seu corpo estava suado e suas mãos trêmulas

Um sonho?

Sentou-se na cama, arfando e colocando as mãos no rosto. Acabara de acordar de um possível pesadelo e não conseguia conectar as linhas do ocorrido.

Em um momento, ele se lembrou de um detalhe e levou suas mãos até o pescoço para checar se estava tudo bem. Sem ferimentos. Nada de anormal aconteceu em seu pescoço, nem em nenhuma parte de seu corpo.

Nada parecia estranho. Seu quarto estava como sempre. Com a cama à direita da janela e uma escrivaninha ao lado dela. O guarda-roupa também estava no lugar de sempre.

É melhor eu esfriar a cabeça.

Olhando para o relógio ao lado da cama, eram 3:34 da manhã.

Mayck se levantou, um pouco cambaleante e saiu do quarto, indo até a cozinha para pegar um pouco de água.

Chegou lá depois de descer as escadas, abriu a geladeira e viu os produtos que comprou na noite anterior. A sacola rasgada, mas ainda embrulhava os produtos.

A luz da geladeira ofuscava seus olhos confusos, ao mesmo tempo que o ar gelado lhe fazia ter calafrios.

Isso devia estar aqui? Se estão, então quer dizer que o que aconteceu não foi um sonho?

O garoto olhou para o chão, tentando se lembrar. Repentinamente, sua cabeça começou a pesar, trazendo uma dor terrível. Sua visão ficou turva e seu corpo não respondia corretamente.

O que está havendo agora?… Minha cabeça…

A dor ficou angustiante. Com muito esforço, Mayck rastejou lentamente, se apoiando na geladeira e empurrando seu corpo pela pia, tentando chegar até a mesa.

Ele mordia os lábios com força, tentando evitar que um grito vazasse. A sensação era como se ele estivesse tentando levantar um carro com a própria cabeça.

Quando chegou até a mesa, puxou uma das cadeiras e se sentou, apoiando sua cabeça nos braços.

Argh! Que droga!

Para abafar os gritos que tentavam escapar de sua garganta, Mayck mordeu seu braço direito, como se tentasse transferir a dor para outra parte do corpo.

Aquela situação intensificava-se cada vez mais. Porém, o que ele não percebeu foi que seus olhos estavam totalmente diferentes do normal. A esclera tinha mudado sua cor para preta e a íris brilhava em um tom de azul, com um aro branco em volta da pupila.

Aquela seria a provável fonte de sua agonia, no entanto, Mayck não percebeu.

Alguns passos vindo da escada chegaram aos seus ouvidos e quando se aproximaram do garoto, a dor sumiu instantaneamente, não restando qualquer resquício de que algo tinha acontecido.

“Mayck? O que está fazendo aqui em baixo?”

Takashi tocou no ombro dele o fazendo perceber que a dor tinha desaparecido.

“Huh? Pai?” O garoto olhou para Takashi atrás dele e ficou perdido, imaginando que tinha alucinado.

“Eu… sentei aqui e acabei pegando no sono.”

Criando uma desculpa rápida, pôde evitar ter de explicar algo tão questionável.

“É bom você voltar pro seu quarto. Pode pegar um resfriado dormindo aqui.”

“Eu vou voltar…”

Ainda um tanto confuso, Mayck se levantou e retornou para o seu quarto. Porém, não conseguiu dormir.

|×××|

Depois de ter passado a madrugada em claro, chegou a hora de ir para o colégio. Sua cabeça confusa não conseguia parar de pensar no que aconteceu nas últimas horas.

Apesar de parecer que se tinha passado uma eternidade, apenas se passaram algumas horas desde que aconteceram.

Ele se levantou antes do alarme soar e se preparou, estando de frente para o espelho pensativo, enquanto penteava seu cabelo da forma habitual. Haviam grandes olheiras em seu rosto.

Mas o que foi aquilo? Não me lembro de já ter usado algum tipo de coisa ilícita… Uma dor de cabeça que foi, provavelmente, a pior que já senti na minha vida.

Com o cabelo pronto, saiu do banheiro e pegou a bolsa que tinha deixado em cima do sofá. Takashi havia saído mais cedo para o trabalho, o que quer dizer que estava sozinho desde as últimas duas horas e, depois que voltasse, ficaria só por, no mínimo, seis horas.

Saiu de casa e seguiu para o colégio. Não era muito longe, mas, quando estava atrasado, ele sempre optava por ir de ônibus até lá, não sendo o caso daquela vez. Caminhando, ele chegaria em, ao menos, 20 minutos.

Ao menos espero que hoje o dia seja tranquilo…

Caminhava desejando um dia de paz, mas ele lembrou que tinha um assunto pendente do dia anterior.

Antes de ir encontrar seu pai no restaurante, Mayck recebeu a confissão de uma de suas amigas, mas acabou sendo ignorante quanto a isso e abalou o coração da garota. Motivo pela qual Haruna, estava tão irritada.

Mayck deveria ir falar com ela e pedir desculpas pela grosseria. Foi o que ele decidiu depois de vê-la correr para longe dele.

Alguns veículos e pedestres passavam por ele uma vez ou outra. Ao virar uma esquina, se deparou com três pessoas que parecem ser do ensino médio, extorquindo um garoto de sua escola.

O primeiro pensamento dele foi ignorar e continuar andando, mas a situação mudou quando o garoto o reconheceu e o chamou pelo nome.

“M-Mizuki-san”, gritou acenando.

Como não podia mais ignorá-lo, olhou para ele, mesmo sem ter ideia de quem ele era realmente. Afinal, só o viu algumas vezes quando as classes fizeram algumas aulas em conjunto e até o nome dele tinha fugido de sua mente.

“Bom dia. Precisa de algo?”, Mayck tentou ser irônico.

As pessoas que estavam cometendo tal ato, voltaram sua atenção para ele e viram uma oportunidade de arrumar mais dinheiro.

“Huuum… Então você é amigo do baixinho?” Um deles se aproximou e pôs a mão em seu ombro.

“Olha, eu nem sei o nome dele”, retrucando, Mayck empurrou calmamente a mão do delinquente.

“Não seja assim. Você é meu amigo agora. E amigos emprestam grana para o outro, né não?”

Tem coisa errada com essa lógica aí. Mas eu não vou dizer.

Sem oferecer resistência, Mayck se deixou ser conduzido por ele até a parede onde o outro garoto estava encurralado.

“Então, a gente só quer o dinheiro pro almoço de hoje. Vocês vão cooperar, né?” Outro deles levantou a mão, esperando que o dinheiro fosse colocado nela.

“Escuta, amigo. Eu até sai mais cedo de casa porque não tenho dinheiro para o ônibus.”

Mayck deu uma desculpa esfarrapada, porém, lógica, sabendo que os delinquentes à sua frente não poderiam refutá-la; se ele não pôde pegar o ônibus é porque ele não tinha dinheiro.

Se os delinquentes se descuidassem, seria uma chance perfeita para sumir dali. Mas uma enrolação pequena seria necessária para tal.

“Vamos, vamos.”

“Se não se apressarem, a gente vai descer a porrada, hein”, outro disse, estalando os dedos.

“Que gentil de sua parte me avisar”, Mayck fechou os olhos brevemente, mantendo a calma.

“É o seguinte, vamos deixar as coisas mais fáceis. Se um de vocês ficar aqui e nos der o dinheiro, o outro pode ir embora.”

Para um delinquente, foi uma proposta razoável. Se eles queriam mais dinheiro, porque mandar uma fonte ir embora? Antes de Mayck dizer algo, o seu cúmplice de sofrimento começou a correr, deixando ele para trás.

“Mas que filho da pu…”, um palavrão quase saiu de sua boca.

“Que rato esperto.” Os delinquentes observaram a fuga do garoto, surpresos com o resultado de sua proposta.

Vendo a traição em primeira pessoa, Mayck pôde calcular que assim ele perderia o dinheiro do seu almoço, se não apelasse para a violência.

“Agora, cadê o dinheiro?” Eles não mostraram nenhuma compaixão.

“Você é insistente, hein”, Mayck afirmou mostrando uma leve pontada de raiva enquanto olhava para as três bombas vivas.

Quando parecia que as coisas não iriam seguir de um modo fácil, o garoto enxergou uma luz no fim do túnel. A vítima restante, que no caso é Mayck, olhou para o lado e fez uma expressão de quem venceu antes de uma partida acabar.

“O que é? Tá olhando o quê?” Os três voltaram-se para a mesma direção. Ao longo da calçada, vinha andando uma bela garota de cabelos pretos, com seus olhos vermelhos iluminados pela luz do sol da manhã.

“Oi, Hana!” Mayck acenou para a garota. A presença dela fez os delinquentes se agitarem. Eles deram alguns passos para trás e sussurraram algumas palavras.

“Droga. Essa pirralha é a filha daquele cara.”

“Melhor a gente vazar, antes que dê problema.”

Assim, os três se afastaram e correram como um creeper ao ver uma jaguatirica.

Foi mais eficaz do que pensei. Obrigado, minha jaguatirica.

“Bom dia, Mayck. Acordou cedo hoje”, a garota, estando mais próxima, cumprimentou com um sorriso.

“Bom dia”, ele falou ligeiramente, ocultando seus pensamentos.

Tratava-se de Hana Tsubaki, filha de Masato Tsubaki, que ajudou Mayck e seu pai no passado. Sendo assim, os dois eram amigos de infância e se davam muito bem. Apesar de não ficarem sempre juntos, como quando eram mais novos, ainda tinham uma ligação bem forte.

Hana era um pouco menor que Mayck, apenas alguns centímetros. Seus cabelos longos e bem escuros, dava destaque aos seus olhos vermelhos.

“Aqueles eram seus amigos?” Referindo-se ao trio que tinha acabado de fugir.

“Não. Você salvou o dinheiro do meu almoço.”

Hana franziu a sobrancelha, não entendendo o que ele quis dizer.

“Seu almoço?” Não obteve resposta.

Mayck se virou e começou a andar. A garota seguiu seu exemplo e foi andando ao seu lado, em direção ao colégio.

|×××|

Enquanto andavam, eles começaram a conversar sobre o noticiário do dia anterior.

“Algo que começou três anos atrás… parece meio irreal”, Mayck afirmou sem desviar seus olhos de seu caminho.

“Isso porque você não presta atenção. Lembra daquela garota da nossa turma do sexto ano? Eu fiquei sabendo que ela desapareceu também.”

“Tinham muitas garotas na nossa classe. Não tem como eu lembrar de modo tão vago.”

“Eu estou falando da Shinobu Yuuko-san. Você deve se lembrar.”

“Ah, verdade. Aquela garota. Ela era uma criança bem animada.” Como se estivesse buscando uma resposta do céu, Mayck olhou para cima.

“Sim. Além de ser popular com as outras crianças, ela era bem conhecida entre os professores. Uma aluna exemplar”, Hana anuiu. Eles pararam em frente a uma faixa de pedestres, esperando o sinal abrir.

“Eu me lembro que uma vez tive que pedir ajuda a ela para estudar”, a garota suspirou como se tivesse tido uma memória desagradável.

Algumas pessoas pararam ao lado deles e alguns carros passaram.

“Aquele dia foi uma bagunça. No fim, até eu tive que ir estudar junto. Culpa de um certo alguém…” Um olhar indireto foi enviado de Mayck para Hana, que fez o mesmo.

“Claro. Afinal, um certo alguém estava todo arrogante, dizendo que passaria nas provas fácil.”

Hana deu um chute na perna dele, que estava um pouco à frente dela. Por reflexo, o garoto reclamou mesmo sem sentir dor e encolheu os ombros como alguém que foi cutucado na ferida, mas logo voltou seu olhar para o sinal que acabou de abrir.

Eles continuaram caminhando e Mayck retomou o assunto.

“Como você ficou sabendo que ela desapareceu?”

“Eu ouvi de uma amiga minha. Nos encontramos há algumas semanas e conversamos sobre isso.”

“Huum”, respondeu sem demonstrar nenhum sentimento em especial.

“Opaaaa!”

Alguém pulou sobre o pescoço de Mayck, quase o derrubando.

“Pra que isso cara?” Falou com um semblante exasperado.

“Bom dia, Mayck, Tsubaki-san.”

“Bom dia, Yukimura-kun”, Hana respondeu com um leve sorriso.

A pessoa em questão, era Yukimura Haruki. Um garoto de cabelos alaranjados e olhos amarelados. Apesar de parecer mais velho, ele fazia aniversário depois de Mayck, sendo alguns centímetros mais alto que ele. Começou a fazer parte do círculo de amigos três anos atrás, quando foram para a sétima série.

“Não seja tão mal humorado. Cadê sua energia?” Haruki colocou seu braço sobre o ombro de Mayck e pressionou seu indicador da mão esquerda contra a bochecha dele.

“Deixei em casa. Sai”, reclamando, empurrou Haruki para o lado.

“A propósito, vocês viram a TV ontem? Parece que os desaparecimentos aumentaram.”

“De todas as pessoas, logo você puxou esse assunto? Surpreendente.”

“Huh? Como assim? É tão estranho eu falar algo tão sério?”

Com uma discussão iminente, eles seguiram em direção à escola e, em cerca de 5 minutos, puderam ver vários alunos seguindo a mesma direção.

Mais um dia escolar se iniciou, com Mayck torcendo para não acontecer mais nada que arruinasse sua paz.

Hana se afastou dos dois garotos e seguiu até um grupo de meninas logo à frente, deixando para trás um ‘nos vemos depois’.

“Que bom, né? Ter uma amiga de infância tão linda. Você é tão sortudo”, com uma expressão de alívio, Haruki mencionou.

“Você vê romances em lugares bem insanos. E não haja como um pai que vê o quanto seu filho cresceu”, refutou.

“Vai me dizer que você nunca pensou em dar um beijo ou fazer algo a mais com ela?” Um sorriso malicioso brotou no rosto de Haruki.

“Nem. Não consigo ver a Tsubaki assim. Além do mais, eu acabei de sair de um relacionamento”, deu de ombros, rejeitando a ideia imediatamente.

“Que cara chato…” Haruki mostrou desistência e os dois entraram na escola trocando seus calçados e indo direto para a sala.

Entrando na sala de aula, Mayck foi recebido por uma garota energética e feliz, que o cumprimentou juntamente com Haruki.

“Bom~ dia~.”

“Bom dia”, Haruki respondeu no mesmo entusiasmo e levantando a mão bem alto.

“Hum. Bom dia, Chika. Alegre como sempre, hein”, Mayck respondeu levantando um pouco sua mão direita.

“Que isso garoto, cadê sua energia? Hahaha~”, Chika deu tapinhas nas costas de Mayck.

Já ouvi isso hoje.

Ichinose Chika, uma garota de cabelos vermelhos que estavam sempre presos para trás. Seus olhos verdes se destacavam com essa combinação.

Ainda faltava algum tempo até o professor entrar na sala, por isso, os estudantes ficavam espalhados pela sala, conversando com seus amigos e tinha os que ficavam sozinhos, estudando ou mexendo em seus celulares.

Mayck, em particular, preferia ficar sozinho, mas tanto Chika quanto Haruki, não deixavam isso acontecer.

“Ei, ei. Vocês viram o anime de ontem a noite?”

“Oh! O episódio antecipado do espião que precisa montar uma família de mentira? Foi incrível.”

“Você viu, né? Mayck”, querendo envolvê-lo na conversa, Haruki lançou essa pergunta para ele.

“Na verdade, não. Eu acabei dormindo cedo ontem.”

Depois de entregar sua resposta, Mayck recebeu olhares de frieza dos seus dois amigos.

“Ei, ei…” Ele ficou surpreso com a reação dos dois.

O sinal para o início das aulas tocou e todos os estudantes foram para seus devidos lugares.

O primeiro professor que entrou, foi uma mulher loira e alta, que lecionava inglês. A aula levou alguns minutos até que um segundo professor entrou na classe e, após várias horas, o horário do almoço se iniciou.

A maioria dos estudantes saíram da sala para fazer sua refeição. Alguns ficaram na sala e saborearam seus almoços com um bom papo entre os amigos.

Mayck decidiu sair da sala e ir comprar algo na cantina da escola, que no momento estava lotada.

Haviam duas opções: esperar que o tumulto acabasse ou se infiltrar na multidão e esperar pegar algo bom. No entanto, o garoto nunca escolheria a segunda opção.

“Haruki, pega alguma coisa pra mim”, Mayck pediu com uma expressão de tédio.

“Porquê você não faz isso?”

“Eu pago o seu almoço hoje. Então faça isso por mim”, disse-lhe apresentando uma nota de mil ienes

“Volto já.” Haruki pegou a cédula e se jogou na multidão.

Mayck se afastou indo até o campus da escola e procurou um lugar sombreado para se sentar.

O que rolou ontem ainda tá na minha cabeça.

Se lembrando outra vez da noite anterior, ele sentou em um banco perto de uma árvore que encontrou.

O grande número de pessoas no local tornava difícil identificar qualquer palavra específica à distância. O lugar parecia um formigueiro humano.

Em meio a tanto barulho, Mayck conseguiu detectar uma voz familiar. A voz de alguém com quem ele planejava se encontrar cedo ou tarde.

Ele olhou na direção da voz e viu, ao longe, quem procurava.

Era Tama Rika.

No dia anterior, a garota confessou seus sentimentos para Mayck, mas ele foi incapaz de responder tranquilamente, deixando, assim, uma ferida no coração dela.

Quando sentiu o peso de suas próprias atitudes, decidiu conversar calmamente com a garota e pedir desculpas honestamente.

Ele se levantou e aumentou sua voz para que ela o ouvisse.

“Rika!”

Considerando a distância, ela não o ouviu, levando Mayck a ir até ela.

“Rika”, ele a chamou novamente, estando mais próximo.

“Ma-Mayck-kun?” Ela se virou surpresa com a presença dele. Não esperava que ele falasse com ela tão cedo.

“Rika, você tem um tempo agora?” Mayck perguntou.

“Bo-bom, tenho sim… até o almoço terminar”, ela respondeu com o rosto corado.

“Aqui tá muito barulhento. Vamos até o outro lado”, Mayck sugeriu, apontando para o local de onde tinha vindo.

“…” Rika acenou brevemente com a cabeça e seguiu o garoto até o local determinado.

Sentaram-se no banco e se mantiveram em silêncio por um tempo. O clima entre os dois estava pesado. A garota se sentiu pressionada pelo fato de que a pessoa que rejeitou seus sentimentos a chamou para conversar tão repentinamente.

Ela sabia que não podia deixar uma chama de esperança se acender, mas não conseguia evitar.

“Sabe… eu queria pedir desculpas por ontem.” Mayck desviou seus olhos para o chão, evitando contato visual com a garota. Rika notou isso e se sentiu um pouco triste .

“Tá tudo bem.” Rika olhou para baixo. “Você deve ter suas razões. A culpa é minha por ter feito algo tão incômodo.” Ela apertou suas mãos contra os joelhos, evitando que seus olhos úmidos deixassem escapar alguma lágrima.

É isso mesmo. É o fim, Rika pensou. Em sua cabeça, a garota pôs a ideia de que Mayck não iria querer se aproximar dela depois que fez sua confissão.

Mesmo não tendo nenhuma confiança de que daria certo, ela se esforçou.

“Mesmo assim, eu deveria ter agido de forma sensata e não como um idiota.” Mayck se levantou, ficando de frente para a garota e se curvando em seguida.

“Você é uma amiga importante pra mim. Eu devia ter visto seus sentimentos com seriedade. De verdade, me desculpe.”

“A-ah, levante a cabeça por favor. Eu já disse que está tudo bem”, Rika ficou agitada com a atitude dele e se desesperou, balançando as mãos.

A culpa por ter sido frio com ela, deixou um peso em Mayck. No entanto, o pensamento de Rika, fez ela achar que tinha sido um grande incômodo, até porque se confessou logo depois do garoto terminar um relacionamento.

Se eu tivesse esperado mais um pouco… talvez teria dado certo.

O coração da garota apertou e seus olhos refletiram isso em lágrimas, enquanto mantinha um sorriso no rosto.

Mayck olhou, mas não ficou surpreso. Seu coração doeu também. Se odiava por fazer uma garota tão boa quanto Rika chorar. Ficou claro o motivo da irritação de Haruna.

“Rika…” Mayck iria continuar, mas foi interrompido.

“Você não desiste, né?” Uma garota de cabelos prateados e olhos azuis se aproximou dos dois.

“Yukino Haruna…”

“Runa-chan?”

“Você não tem vergonha de fazer uma garota chorar e depois vir falar com ela como se nada tivesse acontecido?”

Haruna colocou suas mãos na cintura e se inclinou para frente tentando intimidar Mayck.

“Eu não estou agindo como se nada tivesse acontecido…”

“Não me interessa. Vamos, Rika.” A garota recém-chegada puxou-a pelo braço, a levando para longe.

“Runa-chan, Mayck-kun não fez nada ruim, não precisa se preocupar”, Rika tentava convencer sua amiga a mudar de ideia sobre o ocorrido. Mas em vão.

Vendo que nada poderia ser feito, ela apenas se despediu do garoto.

“A-até mais, Mayck-kun”, acenou sumindo no meio da multidão. “Huh… sim. Até mais.” Mayck acenou de volta.

Passada a tempestade, uma outra pessoa se aproximou.

“Olha o que eu consegui!” Haruki exclamou mostrando dois pacotes, contendo em um deles um pão de melão e, no outro, um pão de Yakisoba.

Mayck levou sua mão direita até o pão de melão e o tomou para si.

“Ei! Você nem gosta de doces.”

Mayck se sentou novamente e abriu a embalagem com indiferença. Não é que não gostava de doces, apenas não se dava muito bem com eles. Mas era uma ocasião especial. Entre Yakisoba e um pão de melão, a segunda opção era a mais viável.

|×××|

Depois de saborear sua refeição, o sinal tocou, alertando para o fim do intervalo. Mayck se levantou e foi até uma lixeira perto de onde estava e jogou o embrulho dentro.

“Vamos voltar.”

“Nossa próxima aula é de Educação física, certo?” Haruki mencionou também se levantando.

“É sério?” Mostrando um desânimo, Mayck fez uma expressão de tédio.

“Você odeia se mexer, hein.”

Conhecendo seu amigo muito bem, Haruki sabia que ele nunca tinha vontade de fazer alguma coisa por conta própria. Sempre que iam sair para algum lugar, tinham que levar o garoto à força, caso contrário, ele passaria o dia todo em casa.

Mesmo odiando a ideia, os dois seguiram para o vestiário. Depois de trocados eles foram até o ginásio, onde seria realizada a aula.

O professor era um homem alto e musculoso. Segundo ele, já havia feito vários tipos de esportes, entre eles natação e paraquedismo, recebendo, assim, o apelido de Super-sensei.

Seria realizado, de forma mista, uma partida de vôlei e outra de basquete.

“Que pena, hein. Sem futebol pra você.”

“Só porque eu sou brasileiro, não quer dizer que eu só queira jogar futebol”, Mayck refutou Haruki que sempre fazia piadas desse tipo e se dirigiu até a rede de vôlei. “Além do mais, o Brasil também tem uma boa reputação no vôlei”, completou, defendendo a si mesmo e ao seu país de origem.

Eles fizeram alguns alongamentos. Seria um problema se machucassem alguma junta na partida.

“Vamos, vamos. Tô só brincando”, Haruki sorriu. “Mas, sambar, você gosta?”

Ouvindo aquilo, Mayck arremessou a bola que pegou no chão em direção de Haruki, o acertando em cheio na barriga.

“Foi mal”, Mayck levantou sua mão em reverência. “Era pra ser no rosto. Me desculpe.”

“Não peça desculpas se sua intenção é fazer pior!” Haruki elevou sua voz repreendendo Mayck, que apenas ignorou.

Esse maldito! Haruki gritava internamente.

A partida de vôlei se iniciou. Em apenas alguns minutos, a equipe de Mayck ficou com 10 pontos de vantagem. Embora não gostasse de ficar correndo para um lado e outro, Mayck jogava vôlei muito bem e era um trunfo para o time da sala.

O clube de vôlei já havia o recrutado várias vezes, mas ele sempre recusou.

A partida de basquete também havia começado.

Por ironia do destino, ou talvez azar, um movimento errado dos jogadores de ambas partidas fez com que as bolas de vôlei e basquete acertassem Mayck simultaneamente. Uma vindo no seu rosto e a outra atingindo sua nuca.

“Ma-Mayck?” Haruki correu até o garoto que foi deixado no chão. Os demais estudantes olharam para a cena assustados e até se desesperaram.

“Mizuki-kun, você está bem?” O professor foi ao socorro.

“Yukimura-kun, pode levá-lo até a enfermaria?”

“Claro, sim.”

Haruki levantou Mayck e o apoiou em seu ombro, saindo do ginásio em direção à enfermaria.

Os ataques fizeram o nariz do garoto sangrar e, por recomendação da enfermeira, não voltou para o ginásio, ficando na enfermaria até que tivessem certeza de que nenhum dano sério foi sofrido.

“Como você consegue passar por essas coincidências?” Uma mulher alta de cabelos castanhos e olhos esverdeados perguntou enquanto pegava um algodão em um armário próximo à janela.

“Quem sabe… talvez eu seja amado demais?” Mayck afirmou pressionando uma pequena toalha no nariz, o que fez sua voz ficar um pouco estranha.

Estava sentado em uma cadeira, perto de uma mesa com um suporte de canetas e alguns documentos.

“Nunca vamos entender como isso aconteceu. Mas fique aqui por um tempo, okay?”

“Ok.” ele foi para uma das camas sem reclamar.

Havia uma cortina que separava as camas enfileiradas, totalizando seis delas. O garoto foi para a mais perto da janela e se deitou confortavelmente.

“Eu vou até a sala dos professores. Se alguém vier aqui, diga isso.”

“Ok”, respondeu a última pergunta e fechou seus olhos.

O silêncio dominava a sala. A luz solar passava pelas brechas da cortina, criando um ambiente agradável. Os únicos sons que se ouviam, eram os sons vindo dos alunos ao longe.

Nessa atmosfera perfeita, não levou muito tempo e Mayck ficou sonolento.

Eu sou um baiano, por acaso?

Não havia dormido nada na noite passada. Portanto, sentiu muito sono quando seu corpo relaxou.

Depois de dormir, um sonho se iniciou.

Encontrava-se em sua casa, mais especificamente, em seu quarto. Ele se levantou e foi até a porta.

Quando passou por ela, o garoto se deparou com uma sala escura, que era levemente iluminada por uma vela em um pratinho, em cima de uma cadeira, ao lado da porta.

Mayck pegou a vela e continuou a andar.

A pequena sala foi se tornando um corredor longo e frio. Podia-se ouvir gotas caindo de cima e se espatifando no chão. Um cheiro desagradável começou a se manifestar e ruídos estranhos ecoavam junto com a escuridão.

Ele se perguntava onde encontraria a saída, até que bateu o pé em algo duro.

Olhou para o chão e, com a luz da vela, aproximou-se e notou algo parecido com uma esfera branca, bastante dura.

Como uma explosão, a sala se iluminou repentinamente, revelando um corredor decorado com esqueletos humanos e paredes manchadas de sangue.

“O que é isso?” Mayck recuou e pôs a mão sobre o peito. “O que tá rolando aqui?”

Na situação em que se encontrava, olhou ao redor em busca de uma resposta, não vendo nada além do que já havia encontrado.

“Isso foi o que você causou”, uma voz feminina o acusou. “Isso é o que você se tornou.”

O garoto se virou e uma figura apareceu diante dele.

Uma garota pequena com o rosto escondido por uma nuvem negra se apresentou. Ela portava um vestido branco e tinha os pés descalços.

“Você entende o que quer dizer?” A garota se aproximou.

“Do que… está falando?”

Mayck se deu conta de que a garota não estava falando em japonês. Quando notou isso, caiu de joelhos e a nuvem desapareceu. Aqueles olhos castanhos, cabelos escuros e voz agradável. Não poderia ser outra pessoa além de alguém que, uma vez, ele prezou muito.

“Alana…?” Os olhos dele tremeram quando o rosto foi revelado. Ele sonhou com sua falecida irmã várias vezes, mas nada tão chamativo.

“Eu vou cuidar de tudo, junto com o que ela me deu. Então não se preocupe”, Alana disse levantando os pés e segurando o rosto do garoto, encostando sua testa na dele em seguida.

Ele despertou imediatamente de seu sonho, ofegante e suado.

Quando se acalmou e seus olhos se acostumaram com a luz do sol que batia em seu rosto, viu duas pessoas cada uma de um lado. Ambas seguravam canetas para quadro branco.

Mayck tirou o cobertor de cima de si e pegou o celular em seu bolso, abrindo a câmera e mudando-a para a câmera de selfie. Seu rosto se encontrava cheio de riscos e desenhos estranhos.

“Opa.” Haruki entrou em alerta e se afastou.

“Isso foi ideia dele”, Chika se defendeu.

Ele levantou sem dizer uma palavra e, vendo seus olhos, dava pra perceber que não deixaria os dois escaparem impune.

Chika e Haruki receberam o alerta e começaram a correr, com Mayck na cola deles, saindo da enfermaria.

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