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O problema com Haruki havia se resolvido. 

No dia seguinte, Mayck acordou com febre e acabou faltando três dias seguidos. 

Nesse meio tempo, recebeu várias visitas de seus amigos, que estavam preocupados com ele. 

Por outro lado, o ruivo se desculpou com seus colegas pelo seu mau comportamento durante as últimas semanas e, claro, eles o perdoaram de bom grado. 

Os seus dias comuns voltaram, sem mais preocupações, pelos menos para alguns. 

De certa forma, Mayck não teve que explicar sua situação para Hana e a garota acabou esquecendo ou só deixou passar, visto que o garoto estava agindo normalmente nos dias seguintes. 

O mês de maio e junho se passaram tranquilamente. 

A Operação Primavera, que ainda em andamento, não teve muitas novidades. Os membros encarregados estavam se esforçando bastante para conseguirem bons resultados. 

No final de maio, Mayck foi chamado por Zero, por causa de um estranho pedido. Ele acabou indo e se encontrou com ele em um carro, que estava esperando perto do centro. 

“Eu me surpreendo que você esteja disposto a isso. Pensei que seria mais reluntante.”

“Pra ser sincero, eu não queria mesmo, mas ele ainda deve ter muitas informações que eu gostaria de saber, para fechar as lacunas que ficaram.”

“Espero que você tenha resultados. Bom, mas se ele mesmo pediu sua vista, então é possível que ele já tenha decidido contar tudo.”

“Sim… eu também.”

Mayck foi transportado até uma instalação que nunca tinha visto antes. Ela ficava em um lugar diferente da base em que frequentava. 

Os dois desceram do carro e caminharam até um edifício isolado da cidade, no meio de uma floresta. 

Com o princípio do sigilo e o fato de Mayck não ser uma membro oficial da organização, ele não podia saber onde ficava cada instalação. 

Os vidros das janelas do carro eram todas pretas, com exceção do parabrisa. Mas o banco do motorista e dos passageiros eram isolados uns dos outros. 

Ele não ligava muito, mas sentia certo desconforto aí ver tamanha desconfiança da parte de seus aliados. 

“Vamos em frente”, Zero afirmou. 

Os dois adentraram o edifício e seguiram por vários corredores até um elevador que ia para o subterrâneo. 

“A proteção daqui parece ser bem ruim. Vocês não tem medo de deixar alguém escapar?” Mayck perguntou depois de analisar a estrutura daquele lugar. 

Ele pensou assim porque o local se tratava de uma prisão. E, nesse momento, eles estavam indo fazer uma vista ao antigo pesquisador-chefe da Black Room, Kihon. 

“É isso o que você acha?”

Após ser encurralado e desmascarado por Mayck, ele foi enviado para uma prisão especial, direcionada para portadores capturados pela organização. 

Lá, eram mantidos aqueles mais problemáticos, como assassinos e outros que eram classificados como número 4 ou superior na escala de destruição. 

Quando saíram do elevador, caminharam por um corredor estreito. 

Zero estava na frente, Mayck no meio e um soldado atrás, cuidando da retaguarda. 

Enquanto olhava as paredes, o garoto começou a mudar seu pensamento. 

“Eu creio que o que você verá adiante vai te fazer repensar sobre a segurança desse lugar.”

“Eu também acho isso. Do que são feitas essas paredes?”

“São 20 centímetros de largura de tungstênio. Não só essas paredes, como também toda essa prisão é preenchida com esse metal. Ele é bem resistente contra as habilidades e isso garante que não vamos perder nenhum prisioneiro.”

“Isso é bem incrível de certa forma. Uma instalação feita com tungstênio não é algo que se vê todo dia.” Mayck ficou sinceramente surpreso. 

“Mas isso não é tudo. Um grupo de pesquisadores de uma base que atua em Hokkaido está trabalhando em um metal muito mais resistente e duro. Em breve, teremos instalações e armas totalmente letais.”

“Você acabou de soltar uma informação confidencial pra mim.”

“Epa…”

Eles chegaram ao fim do corredor e Zero empurrou uma grande porta metálica que emitiu um ruído horrível ao ser aberta. 

Do outro lado da porta, um grupo de ao menos dez soldados se posicionaram em duas fileiras com cinco cada uma e bateram continência. 

Eles não sentem calor com essas roupas?

Enquanto passava por eles, Mayck não podia não deixar essa curiosidade de lado. 

De fato, as roupas pretas aparentavam ser pesadas e, só de ver, dava para perceber que seus tecidos eram bem grossos. Levando em conta, também, as máscaras e óculos escuros. 

Um outro homem se aproximou. Suas roupas eram as mesmas. 

Após bater continência, ele abriu a boca. 

“Me sigam, por favor.”

Eles foram até uma ala separada, onde um vidro separava a sala em duas partes. 

Mayck voltou seus olhos para o homem sentado em uma cadeira do outro lado do sala. Não dava para ver, mas ele estava com as mãos algemadas e utilizava roupas laranjas e um tipo de coleira com um número eletrônico. 

“Imaginei que não viria por ódio”, Kihon disse ao ver o garoto. 

“Tenha o tempo que quiser. Eu vou fazer outra coisas, então estou saindo.” A porta de metal de correr foi fechada e Zero deixou apenas Mayck e Kihon. 

A única coisa que os separava era outra parede de metal com metade sendo vidro. 

“Eu gostaria de ter recusado, mas tenho motivos para vir.”

“Haha. Imagino que sim. Você quer saber o que aconteceu de verdade, não é? Bom, você descobriu a maior parte sozinho, então não há muito o que contar.”

“Vamos falar apenas do que falta. Eu não sei o que perguntar, então me conte toda a história de novo. Sem enrolações e cortes, por favor.”

“Meu objetivo foi destruído. Eu não tenho motivos para esconder alguma coisa. Não sou um homem rancoroso, então não preciso me preocupar em ver você se autodestruir.” Kihon deu um pequeno riso. 

“Já começou a mentir? Você só decidiu me falar tudo porque quer ver Yang se ferrar.”

“É tão óbvio assim?”

“É claro. Se você se deu mal e Yang não moveu um dedo pra te ajudar, é certeza que você carrega algum ódio por ter sido traído.”

“Bem, bem… você está certo. Eu quero ver Yang se ferrar no final, então, por favor, mostre-me um final estupendo.”

“Vou pensar no seu caso. Vamos logo para o tópico principal.”

“Sem problemas. Então eu vou te contar um pouco da minha história.”

Mayck se sentou na cadeira de frente para Kihon e cruzou os braços, esperando uma longa conversa. 

Kihon começou a falar sobre si mesmo. 

Desde pequeno, ele sempre possuiu uma curiosidade por como as coisas funcionavam. Seu pai era um cientista excêntrico. Trabalhava para um dos laboratórios mais reconhecidos do Japão. 

Apos descobrir a existências das IDs, ele ficou obcecado por elas e começou a realizar experimentos cruéis com humanos e isso o fez ser expulso e preso. 

Depois de cumprir dez anos de pena, ele foi recrutado para a Ascension, onde deu continuidade a sua pesquisa sem interferências. 

Sua vida passou a ser dedicada a estudar as IDs. Por conta de suas pesquisas, puderam descobrir que cada ID era única em cada pessoa. Até aquele ponto, as IDs eram chamadas de magia, mas o conceito de magia não se aplicava as IDs. 

Apesar de até mesmo animais terem as suas, elas não eram manisfetadas como nos seres humanos. 

O pai de Kihon, ou como era chamado no laboratório após sua morte, Cigarra mecânica, abandonou sua família em prol de suas pesquisas. 

Ele acabou sendo morto por uma de suas cobaias. 

Aos invés de ficar irritado pelo abandono do pai, Kihon decidiu dar continuidade as suas pesquisas depois de seu falecimento. Já que ele admirava o pai, estudou a mesma área visando seguir os passos dele. 

Ele foi levado para a Ascension. 

Após alguns anos, ele conheceu um homem que era um dos responsáveis pela organização que o motivou a continuar a pesquisar e ter grandes conquistas no futuro. 

Ele foi um dos que participaram no projeto ‘000TFH’, mas antes da conclusão, uma guerra foi iniciada para impedir o experimento. 

Ao fim da guerra, as organizações se dividiram e Kihon seguiu com um amigo para a Sol da meia-noite, deixando ela anos depois e sendo recrutado pela Black Room. 

Diferente de seu locais de trabalho até aquele momento, na Black Room ele não poderia dar continuação as suas pesquisas e foi limitado a pesquisar o que lhe era ordenado. 

Se eu chegar ao topo, eu posso voltar a fazer o que quiser. 

Seu talento e conhecimento foram reconhecidos na organização e ele foi promovido a Pesquisador-chefe, mas ainda não era o suficiente. 

Ele queria o topo, aquele que era preenchido por Zero. 

No entanto, uma garota chegou e tomou o segundo lugar, ficando acima dele. 

Ela possuía mais talento que ele. Kihon tentava acreditar. 

Mas uma parte dele não deixaria seu sonho de lado. 

Eu vou arrancar ela de lá e, eventualmente, vou tirar Zero do pódio. 

Foi aí que ele teve uma ideia. 

Uma ligação decidiria o que fazer no futuro. 

“Eu preciso de um favor seu.”

“Hmm… Um favor, é? O que eu vou receber em troca?”

“Eu sei o que você quer realizar. Vou te contar uma coisa interessante. Eu sei onde está a ‘chave’. Se me ajudar, vou te dar a localização.”

“Oh… Você conseguiu despertar o meu interesse.  Então, o que você precisa que eu faça?”

Depois de fazer seu pedido, teve suas exigências atendidas. 

O palco foi montado. Só precisava esperar acontecer. 

Como ele esperava, Mayck foi trazido até a Black Room. 

O motivo pelo qual Yang ligou, era um tipo de sinal para que soubesse como o garoto estaria. 

Como as máscaras da Black Room tinham um poder ilusionista, seria um problema se tivesse que arrancar as máscaras de qualquer pessoa que encontrassem; se Yang soubesse como era aparência do garoto com o disfarce, então seria mais simples. 

Porém, Kihon não esperava que fosse encurralado tão rápido. 

Yang não cumpriu sua parte do trato, por isso ele decidiu traí-lo. 

Vendo que seria descoberto em breve, decidiu preparar mais algumas coisas, na intenção de destruir a chave e impedir que Yang conseguisse o que queria. 

Entrou em contato com um velho caminho que fazia parte da Sol da meia-noite, o único que sobreviveu e usou um dos membros da GSN, Hyu, e lhe contou o passado de sua pai.

Kihon já sabia sobre Mayck, que ele possuía a ‘chave’, elemento fundamental para a conclusão do projeto. 

Mas, no fim, tudo deu errado. 

Mayck sobreviveu. A chave estava intacta. 

Era só questão de tempo até a vitória de Yang. 

Depois de ouvir toda a história, Mayck suspirou profundamente. 

Se Kihon tivesse calculado as coisas mais minuciosamente, ele teria vencido há muito tempo. 

“Entendi. Então foi assim. E aí? O que você espera que eu faça?”

“Não tem como eu pedir nada. Não tenho esse direito. E de qualquer forma, você recusaria friamente qualquer coisa que eu pedisse.”

“É bom saber que você me entende. Se você sabe tudo isso, então sabe o que Yang quer?”

“Não é tão difícil imaginar. O homem que me motivou foi a pessoa que Yang chamava de ‘sensei’. Era ele quem estava no controle da projeto ‘000THF’. 

The fake human, né…?

“Ele morreu alguns anos atrás e Yang quer continuar com o projeto.”

Mayck abaixou a cabeça por um momento. 

É isso então? Toda a motivação de Yang é seguir os passos de alguém que ele admira… Espera um pouco… Se Kihon sabe tudo isso…

Mayck manteve um braço cruzado e tapou a boca com o outro, levantando seus olhos para Kihon. 

“Se você fez parte do projeto, então você deve ter informações sobre ele, não tem?”

“… Lamento dizer, mas nem eu sei o que ele é. Eu fiquei tão curioso que queria descobrir a todo o custo.”

“Você estava pesquisando sobre ele sem saber de nada?”

“Sim. Os superiores da época mantiveram segredo sobre o que era afinal. Tudo o que os pesquisadores tinham era tudo o que eles queriam que nós soubéssemos.”

“Você é um doente. Quem trabalha em algo sem nem saber o que é?”

“Quem disse que eu me importava com isso? Desde que eu desse continuidade aos trabalhos do meu pai, eu não ligava para o que fosse.”

Mayck balançou a cabeça em reprovação. A má impressão que ele tinha do ex-pesquisador apenas piorou. 

No entanto, ele estava um pouco feliz de ter conseguido informações úteis. Poderia lutar com Yang sabendo os seus objetivos, uma vantagem que seu inimigo não teria. 

Desde que Mayck ocultasse suas intenções, ele teria essa vantagem. 

“Existe mais algo que você queira me falar?”

“Tudo o que faltava, eu já falei. Mas vou te dar um aviso como bônus por me encurralar.”

“Ah, é?”

“A Ascension não sumiu totalmente. Ela está mais perto de você do que imagina.”

“Gostaria que fosse mais específico.”

“Quer as coisas mastigadas? Se você pôde me encontrar tão rápido, então consegue descobrir o que quero dizer.”

“Parece que sim, né? Bom, a visita foi curta, mas já está tarde”, anunciando sua retirada, Mayck se levantou. 

“Eu fico feliz de ter sido útil no fim.”

As palavras de Kihon fizeram dúvidas aparecerem na cabeça do garoto. 

“O que vai acontecer com você?”

“O quê? Você deve saber qual é o destino dos traidores. Se eu der sorte, posso ficar com pelo menos uma perna.”

“Hm. Bem, te desejo sorte.”

Mayck se afastou e bateu na porta de metal, esperando um guarda abrir. 

Do outro lado do vidro, um outro guarda levou o ex-pesquisador algemado de volta para sua cela. 

A porta foi aberta e Mayck saiu. 

|×××|

Em uma manhã, Mayck acabou acordando antes do alarme, bem antes. Faltava uma hora para ele tocar. 

O motivo, ele, milagrosamente, dormiu um pouco cedo demais e isso afetou o seu horário de sono comum. 

Não conseguiria mais dormir. 

Takashi desceu as escadas e teve uma leve surpresa quando viu o garoto sentado no sofá vendo TV. 

“Acordou cedo hoje… o que aconteceu?”

“Hm? Não foi nada. Eu só dormi cedo ontem.”

“Entendi.”

Takashi foi se arrumar para o trabalho e Mayck continuou vendo TV. Ele esperava dormir depois que ficasse entediado com os programas desinteressantes que passavam naquele horário.

Mas não ajudou muito. 

Takashi estava saindo, porém voltou. Aparentemente, havia se esquecido de alguma coisa. 

“Ah, verdade. Ontem sua avó ligou e te convidou para ir visitá-la.”

“Bom… por mim, tudo bem.”

“Então, ligue para ela depois e confirme. Estou saindo.”

“Tenha um bom dia.”

Takashi saiu e a casa ficou em silêncio, apenas a TV fazia barulho, mas era bem baixo. 

Ir para a casa da minha vó. Faz quanto tempo que eu não vou lá? Também não lembro da última vez que falei com ela. Da uma preguiça de pensar em viajar, mas eu acho que vou, só pra mudar um pouco de ambiente. 

Apesar da má vontade de fazer uma viagem, Mayck sentiu um pouco de animação ao pensar que foi convidado por sua avó. 

Ele não a via há muito tempo, então, gostaria de ir pra variar. 

Se bem que, se eu for, Nikkie vai ter que se virar com o trabalho sozinha… Bom, tanto faz, não é como se eu fosse o único que poderia ajudar. Além do mais, não sou um membro da Black Room. 

Aos poucos, sem perceber, Mayck foi ficando sonolento e dormiu. 

Um som distante o fez acordar. 

Ele levantou rapidamente um pouco assustado, olhando para todos os lados. 

A TV ainda estava ligada e passando um programa diferente de antes. 

“Que horas são?!”

Mayck levantou os olhos para o relógio de parede ao lado da estante e viu o horário. 

Já passava das 7:30. 

“Droga. Vou me atrasar.”

Ele correu para o banheiro e depois para o quarto, se arrumando e saindo de casa minutos depois. 

Correndo, no caminho ele lembrou que havia esquecido seu almoço. Reclamou consigo, mas não importava mais. 

Chegou na escola arfando. Para sua sorte, ainda tinham alunos chegando, embora poucos. 

“Deu tempo…”

Após trocar seus sapatos, seguiu para sua sala.  

“Mayck, está atrasado de novo”, Chika acusou quando o viu entrar. 

“Ah… eu acabei dormindo demais… ou talvez tenha acordado na hora errada.”

“Eh… Não entendi.”

“Bom, ao menos ele é o de sempre. Em um ano, ele tem que se atrasar ao menos dez vezes.”

“Isso virou senso comum? Mas você está certo.”

Mayck colocou sua bolsa no pequeno gancho ao lado da mesa e se sentou. 

“Aí, o que vocês pensam em fazer nas férias de verão?”

“Hm… eu não tenho nenhuma plano em mente, então talvez eu fique em casa mesmo, jogando videogame”, Haruki disse. 

“Jogar videogame as férias inteira? Isso é jeito de se viver?” Chika reprovou a ideia. “E vocês?”

A pergunta foi direcionada a Mayck e Akari. 

“Talvez eu vá para a casa de algum parente, mas também não sei ao certo.”

Com a resposta dada, todos voltaram seus olhos para o garoto, que estava com a cabeça apoiada na mão. 

“Eu recebi um convite da minha avó para ir à casa dela.”

“Eh? Então você vai sair do país?”

“Parece que sim, né?”

“Aaah… que chato. Eu pensei em chamar todos vocês para irem à praia e fazermos vários tipos de coisas…”, se apoiando na mesa, Chika falou dramaticamente. 

“Tecnicamente só eu vou estar fora. Você ainda pode levar Haruki e Miyabe-san. Sem contar que ainda tem Rika e Haruna. Hana… talvez ela tenha planos.”

Ele falou a última parte ciente de como a família Tsubaki era. Apesar de tudo, eles adoravam viajar, então era possível que fizessem isso outra vez. 

“Você tem razão, mas a gente precisa de você lá. Quem é que vai satisfazer meus desejos mundanos?”

“Epa, pera lá. O que você quer dizer?”

“O que mais seria?” Ela deu um sorriso malicioso. 

“Chi-Chika-…san?” Akari ficou com o rosto vermelho e se levantou rapidamente. 

Haruki abaixou a cabeça e começou a rir. 

“Você precisa preparar o meu almoço, minha janta, meu café da manhã, trazer alguma bebida quando eu precisar e fazer massagem nos meus ombros depois do banho.”

“Tá achando que sou seu escravo?”

“Aaaah…! Então era isso.” Akari desabou em seu assento, de tão aliviada que estava. 

“Hmm…! O que você tava pensando, Akari? Sua pervertida.”

“Eu não sou pervertida… eu só…” A garota estava prestes a afundar sua cabeça em seu caderno de tão envergonhada. 

Momentos depois o professor, Chisaki entrou na sala, pronto para lecionar sua matéria. 

Depois do pequeno conflito que teve com Mayck, ele passou a se comunicar menos com os alunos, passando a ser menos rígido em suas aulas. 

Parece que ter seu hobbie exposto foi um grande choque, mas apenas ele pensava que estava mantendo segredo. 

As horas se passaram e chegou o momento mais esperado pelos alunos: o almoço. 

Nada de diferente, a cantina da escola estava um caos. 

Mayck e Haruki lutaram juntos para conseguirem algum bom lanche. 

Depois do almoço, voltaram para a sala de aula e fizeram seus afazeres até a hora de irem embora. 

Haruki voltou a participar das atividade do clube e Hana também voltou a ser mais ativa, o que era algo bom. 

E depois de duas semanas, as férias de verão chegaram. 

Mayck se levantou cedo. Já havia preparado sua bagagem no dia anterior, então o que faltava era apenas o que fazia todas as manhãs. 

Depois de tomar seu café com leite, se aprontou para sair. 

“Acho que já está na hora.” Ele olhou para o relógio e saiu de casa com sua bagagem. 

Takashi estava esperando na frente, com o carro já ligado. 

“Não está esquecendo nada?”

“Eu acho que não. Arrumei e desarrumei a mal três vezes para ter certeza.”

“É assim que se esquece as coisas.”

“Tá tudo bem. Eu não sou tão problemtico assim”, Mayck falou e colocou a bagagem no porta-malas. 

“Vamos indo, então.”

“Hm.”

Era cerca de 5 horas da manhã. 

O voo de Mayck decolaria às 7:05. Pontualidade era essencial. 

Na verdade, Mayck queria sair às 6:00, mas Takashi insistiu em sair mais cedo que isso. 

Segundo ele, queria passar mais um tempo com o garoto antes que ele partisse. 

Mas Mayck respondeu dizendo que não era como se ele estivesse indo embora. A viagem só duraria três semanas. 

Mas não adiantou. Eles saíram às cinco. 

“É a primeira vez que você viaja sozinho. Você tem certeza que vai ficar bem?” Depois de pegarem a estrada, Takashi abriu a boca. 

“Vou admitir que estou um pouco nervoso. Mas não acho que vai ser tão problemático assim. Mas, seria melhor se não fosse de avião…”

“Não tem como ir de outra forma. Estamos do outro lado do oceano. A única forma de cruzar até o Brasil é de navio ou avião.”

“Acho que de navio também seria um pouco dificil…” A imagem de um navio naufragando veio a mente do garoto. Ele queria evitar um destino desses. 

“Então você não tem escolha. Logo você se acostuma. Viajar de avião não é tão ruim.”

“Espero que você esteja certo. Só de pensar na altura…”

Mayck ainda não tinha se curado de seu medo. 

“De uma forma ou outra, você tem que encarar isso. Além do mais, essa viagem vai ser boa pra você.”

“Boa, é…”

“É claro. Faz muito tempo que você não vê seus avós.”

“Mas porque eu tenho que ir até lá? Eles não poderiam vir pra cá?”

“Ei, ei, não exija muito deles. Querendo ou não, a idade deles é bem avançada. Temos que poupá-los de tantos esforços.”

“Você tá certo.” Se arrependendo de sua pergunta, Mayck admitiu a derrota. 

Eles continuaram conversando até chegarem em seu destino. 

Levaram cerca de mais hora até o aeroporto, então ainda tinham tempo de sobra. 

Saíram do carro e entraram no local. Haviam várias pessoas andando de um lado para o outro e o barulho não permitiu detectar nenhuma frase completa.

Além das vozes humanas, também podiam ouvir vozes eletrônicas, que avisavam dos voos e outras coisas. 

Aquela atmosfera, de certa forma, não era ruim para o garoto. 

“E aí? O que quer fazer?”

“O que eu quero? Sou eu que pergunto. Você que decidiu vir cedo.”

“Você tem um ponto. Então…” Takashi olhou ao redor, buscando alguma ideia. 

“Já sei. Estamos cansados da viagem até aqui, então porque não comer alguma coisa?”

“É uma boa ideia.”

Eles se direcionaram para uma lanchonete próxima. 

Ela estava lotada. Não era de se surpreender. 

Os dois se sentaram em uma mesa, que por algum milagre, estava vazia. 

Haviam duas placas de plásticos sobre a mesa, servindo de cardápio. 

“Já tem alguma coisa em mente?”

“Não exatamente… pensar neles não me dá fome alguma.”

“Por quanto tempo você aguenta ficar sem comer?”

“Eu nunca testei.”

“Ah… bem, de qualquer forma, porque não pede algo leve? Assim, você não precisaria reclamar durante algum tempo.”

“Se é desse jeito, então…” Mayck olhava para o cardápio com afinco. “Vou querer esse croissant com um copo de café.”

“Não pensei que seria tão comum.”

“Você acha que é o que?”

“Eu vou pegar o mesmo então.”

Um garçom de aproximou o anotou os pedidos e saiu. 

Algum tempo depois ele retornou com uma bandeja contendo quatro croissants e dois copo médios de café. Ao lado dos copos, haviam dois pequenos recipientes de açúcar e uma xícara com leite. 

“Uau, essa lanchonete é bem prestativa.”

“Você acha?”

“Sim. Algumas vezes quando eu estou na pausa do trabalho, eu vou até uma lanchonete que tem por perto e peço um café. Quando eu peço com leite, o café já vem pronto, quando peço sem, ele já vem com açúcar.”

“E qual o problema disso tudo?”

“Escuta aqui. Tem vezes que eu quero por o leite e o açúcar no meu próprio café.”

“Parece uma criança.”

“Hm, isso aqui tá muito bom”, Takashi afirmou depois de morder o croissant. 

Mayck provou o lanche e teve que concordar com seu pai. 

Partiram da lanchonete e Takashi teve a ideia de comprar lembranças para os avós. 

Procuraram uma boa loja e começaram a escolher. 

Haviam diversas opções, então eles ficaram indecisos e Takashi não queria comprar apenas um chaveiro bonitinho. 

Ele sugeriu que levasse um quadro com a Tokyo Skytree, porém teve sua ideia recusada. O quadro era grande demais e o garoto não poderia levar. 

Após vários minutos de busca, Mayck o convenceu a levar duas pequenas Tokyo Skytree que possuíam LEDs em seu interior. Mesmo relutante, o homem cedeu. 

“Atenção, senhores passageiros, o voo 175 está embarcando no portão A.” Um anúncio eletrônico veio do grande aparelho acoplado no teto. 

Mayck e Takashi ouviram atentamente. 

“Esse é seu voo, não é?”

“Parece que sim. Caramba, passamos uma hora andando.”

Mayck pegou seu celular e ligou para ver o horário. A tela se acendeu e mostrou que eram 7:00. 

“Bom, eu vou indo então.”

“É claro. Se você perder esse voo, sua avó ficaria brava.”

“Imagino que sim.”

Os dois não disseram nada por alguns segundos. 

Os olhos de Takashi caíram e ele fez uma expressão melancólica, que não passou despercebida por Mayck. 

“Ei, ei, olha sua idade. Vai se sentir tão solitário assim?”

“Hã…? Do que você tá falando? Eu não vou ficar solitário. Pelo contrário, vou poder relaxar de boa.”

“Ah, é? Que bom pra você.”

Mayck se aproximou de seu pai e deu um pequeno tapa em seu braço. 

“São só três semanas. Depois disso, vai ter um evento importante, não é? Ficar se sentido triste só de ver o filho indo embora… eu me pergunto como você vai se cuidar quando eu sair de casa de verdade.”

“Isso é estranho. Eu que devia estar te motivando. Aaah… Bom, você tem razão.” Takashi recuou alguns passos e se endireitou, olhando para o seu filho com confiança. “Se divirta.”

Mayck sorriu levemente. 

“O vôo 175 está prestes a partir. Qualquer passageiro que não tenha chegado ao portão A deve fazê-lo imediatamente.” O anúncio soou pela segunda vez. 

“Eu estou indo.” O garoto acenou e começou a se afastar. 

“Hm.” Takashi acenou de volta. 

No começo ele se sentiu solitário por ver seu filho partir. 

Desde que Alana faleceu, eles não haviam se separado nenhuma vez. E quando esse momento chegou, ele não pôde deixar de sentir uma palpitação estranha em seu peito. 

Observou as costas de Mayck até ele sumir na multidão e ficou parado no mesmo lugar por alguns segundos. 

“Bom, é hora de ir. Certo, vou me esforçar mais no trabalho.”

Motivando a si mesmo, Takashi saiu de cena. 

|×××|

Mayck se meteu no meio de uma enorme fila. Todos os passageiros estavam fazendo um tipo de verificação antes de embarcar. 

Depois de passar pelo portão, uma forte ventania fez o garoto cobrir o rosto e fechar os olhos. Mesmo estando com um bom agasalho, o frio ainda o fez tremer. 

Tá muito frio…!

A verificação dos passageiros estava indo bem e, em menos de cinco minutos, Mayck adentrou a grande máquina voadora e verificou o número de seu assento.

Para sua sorte, ou azar, ele ficou ao lado da janela. 

Será que alguém trocaria de lugar comigo?

Uma parte dele queria continuar perto da janela, mas a outra queria sair dali para não presenciar o momento em que abandonariam o solo. 

Acho que não tem o que fazer. Preciso ficar aqui e superar esse medo. 

Quando já estava decidido, uma garota se aproximou e sentou. 

Ela está na mesma fileira…

Mayck a olhou de lado. Ela possuía cabelos roxos bem vibrantes e olhos verdes. 

Ao notar o olhar ela virou seu rosto e deu um pequeno seguido de um cumprimento. 

Mayck respondeu o gesto de forma educada e voltou seu olhar para a janela. 

Minutos depois o avião decolou.

Estando acima das nuvens, o garoto fazia o possível e o impossível para não olhar para as nuvens que estavam abaixo deles. 

O problema em si não eram as nuvens, mas as cidades que ficavam abaixo delas. 

Só de pensar no quão alto estavam, ele não conseguia não tremer. 

Será que vai demorar muito?

Ele se perguntava isso desde o momento em que o avião levantou voo. 

Os sons abafados das turbinas eram até relaxantes. Também dava para ouvir o sussurro dos outros passageiros. 

Uma conversa de família também ocorria nos assentos da frente. 

Mayck tentava observá-los para se distrair e acabou ouvindo parte da conversa. 

“É sério”, disse um garoto que aparentava ser mais novo que Mayck, bem mais novo. “Eu vi ela fazendo umas bolas brilhantes com as mãos.”

O garoto insistia sobre alguma coisa. 

“É claro que não. Você deve ter visto meu celular ligado e está imaginando coisas”, No outro assento, à direita do garoto, uma garota que parecia ter a mesma idade que Mayck, retrucou. 

“Vocês dois, viu? Por que não param com essa discussão? Não vão a lugar algum com isso.” A mulher, que parecia ser a mãe,  repreendeu os dois. 

“Yuuta, não fique inventando esse tipo de coisa. Seus amigos vão começar a te chamar de mentiroso”, Seu pai o aconselhou. 

“Mas eu não estou mentindo. É a verdade.”

“Vê se para de me incomodar com isso. Agora fique quieto.” 

Ao ouvir a ordem de sua irmã mais velha, o pequeno garoto bufou e cruzou os braços, resmungando com um bico. 

“Eu não estou mentindo.”

Mayck observou esse desenvolvimento e não pôde parar seus pensamentos. 

De certa forma, eu acredito no garoto. Quer dizer, se fosse antes de eu souber sobre as IDs, talvez eu tivesse ignorado e pensado que era apenas brincadeira de criança, mas… agora não posso pensar só nessa possibilidade. 

Ele imaginou que era um problema. Depois de saber que essas coisas existem em seu mundo, ele não podia mais dar as costas para esse tipo de coisa. Mesmo que fosse uma criança que só falava besteiras. 

Se aquela garota realmente for uma portadora, então eu não posso deixá-la de lado. Preciso descobrir se é verdade, de alguma forma. 

Mayck relaxou em seu assento e começou a pensar em como poderia fazer a garota revelar suas habilidades, mas sem chamar atenção dos demais passageiros a bordo. 

Ele tinha certeza que, se ela fosse uma portadora, em algum momento ela iria usar suas habilidades. 

Se a ficha da garota ainda não tivesse caído, então ela não seguraria a curiosidade de ver aquele fenômeno sobrenatural outra vez. 

Mayck entendia isso porque ele já fez a mesma coisa. 

Mas como iria fazer ela usar a habilidade sem chamar a atenção de alguém? Que situação poderia criar para confirmar isso? O garoto martelava essas questões em sua cabeça. 

Descobrir se ela era uma portadora ou não era mais importante que qualquer outra coisa, mas também precisava manter sigilo sobre a existência das IDs; foi algo que ele concordou em fazer quando se aliou à Black Room. 

O que eu devo fazer…? O garoto mencionou uma esfera brilhante. Mas o que seria? Uma bola de luz branca? De fogo? Ou outro tipo de coisa?

Existiam muitas possibilidades de esferas de luz. Seria, tecnicamente, impossível descobrir o que seria apenas chutando a resposta. 

Criar algo conveniente para todas essas possibilidades era crucial. 

Pensa, pensa…

Ele olhou ao redor, observando todos os passageiros que podia enxergar. 

Ele precisava que a garota usasse a ID ‘sem querer’. 

Mas como? 

Uma forte emoção talvez fosse o suficiente. 

Em um momento de medo, quando encurralada, uma pessoa faria o que viesse primeiro em sua mente. 

No caso de um portador, usar sua ID era sua reação natural. Mesmo contra sua vontade. 

Me perdoem, por favor. 

Mayck fez um gesto com a mão na vertical de frente para o seu rosto e pediu desculpas para todos os passageiros. Embora eles não estivessem ouvindo. 

Após alguns minutos, levantou-se de seu assento e seguiu até o banheiro. 

Que falta de ética… vou me sentir um lixo por isso, mas… é pelo bem maior. 

Ele sabia que iria ficar com peso na consciência. 

Pegou seu celular e ativou um alarme.

Procurou um bom lugar para o esconder. Mas, antes disso, colocou um som rápido e alto ativando a função de tocar apenas uma vez. 

Com o alarme pronto, encontrou um lugar um pouco alto. 

Agora… só abrir a câmera e deixar gravando.

O local que escondeu o celular, para sua sorte, tinha um bom ângulo. 

Parecia, e era, errado. Porém, a câmera só filmava acima da bacia sanitária, então não era tão preocupante. 

Esperou algum tempo e saiu do banheiro. Também lavou e exigiu as mãos para não levantar suspeitas. 

Saindo do banheiro, ele tinha uma boa visão das costas dos demais passageiros e avistou o seu alvo. 

Uma aeromoça, que estava andando com um tipo de carrinho prateleira, onde estavam alguns copos e lanches diversos. 

Embora um pouco nervoso, Mayck prosseguiu. 

Caminhou até a aeromoça e a abordou. 

“Com licença. Eu gostaria de um copo de café, por favor.”

“Oh, é claro. Pegue.” Atendendo ao pedido do garoto, ela deu um sorriso. 

Mayck estendeu a mão para pegar o copo. 

Ele hesitou por um momento. 

De repente, o avião começou a tremer. 

Aproveitando a turbulência súbita, ele bateu no copo, que caiu em cima da garota que estava sentada calmamente. 

“Ai.” Ela se assustou e levantou os braços involuntariamente. 

“Ah, me desculpe.” 

“Por favor. Fiquem parados até que a turbulência passe.” A aeromoça alertou os passageiros. 

Mayck se desculpou com a garota mais uma vez e se sentou rapidamente em seu lugar. 

A turbulência durou cerca de cinco minutos e, após isso, a garota se levantou com uma sacola nas mãos e seguiu para o banheiro. 

Vou me sentir meio mal por isso… então farei questão de só ver o que me interessa. 

A partir dali ele só precisava esperar. 

Não poderia ir pegar o celular assim que a garota saísse porque isso chamaria muita atenção. 

Então ele só voltaria ao banheiro depois de, ao menos, 30 minutos. 

Aguente, minha bateria. 

O garoto iria ficar entediado neste tempo. Mas ele se consolava dizendo a si mesmo que era pelo bem maior. Tanto dele e dos passageiros quanto da própria garota. 

Se ela ficasse à solta e desenvolvesse suas habilidades cada vez mais, corria o risco de ser encontrada por alguma organização. 

As quatro que atuavam no Japão e outras que ele não conhecia. 

Passando os 30 minutos, Mayck foi sorrateiramente até o banheiro. 

Várias pessoas haviam ido até lá depois da garota, mas, aparentemente, ninguém encontrou o celular. 

A bateria estava abaixo de 20 por cento. Foi um alívio saber que ela aguentou até ali. 

De volta para o seu assento, Mayck colocou o dispositivo para carregar. Seria melhor verificar depois que a noite caísse. 

Passado esse tempo, o garoto pensou que poderia ser parabenizado por ter aguentado o tédio desde às sete da manhã. 

O relógio digital do celular mostrava que eram 19:30. Ele suportou mais de doze horas de tédio. 

As luzes do avião estavam acesas. Do lado de fora era um breu, só podia ver as pequenas luzes das cidades abaixo do avião. 

O pôr do sol também foi um belo show. Mayck ficou sinceramente admirado com aquela visão acima das nuvens. 

De tudo o que presenciou até ali, a turbulência seria a primeira, talvez a única, reclamação. 

O garoto pegou o celular e conectou os fones de ouvido. Abriu a gravação e pulou tudo o que não interessava. 

Depois da câmera ser ligada se passou, ao menos, 15 minutos, que foi o momento em que a garota foi até o banheiro. 

Poupando dos detalhes, foi como o garoto falou. Após trocar de roupas, a garota parou por um tempo e se concentrou em uma esfera brilhante com um tom amarelo em suas mãos. 

Então era isso… ela realmente é uma portadora. Aaah… eu queria que não fosse. Só ganhei mais coisas para lidar. Agora, o que eu devo fazer? Entrar em contato com ela e alertá-la?

Dadas as circunstâncias, não teria como falar com ela sem um assunto interessante. Já que os pais estavam com ela, corria o risco de ser entendido como se ele estivesse dando em cima dela e, de coração, Mayck queria evitar isso. 

O pior cenário seria perder ela de vista no aeroporto.

Só vou fazer alguma coisa depois que pousarmos. Preciso criar uma situação para entrar em contato com ela, se possível, sem os pais dela por perto. Está decidido. Por ora, eu vou relaxar um pouquinho. 

Desde a decolagem, Mayck havia trabalhado o tempo todo. Tanto para não pensar na altura que estavam, quanto para descobrir a verdade sobre um desconhecido e ainda haviam mais coisas. 

As vozes que sussurravam no avião foram diminuindo e as horas foram se passando. 

Após um pequeno cochilo, Mayck acordou no meio da madrugada. Quando olhou no celular, eram cerca de 2:00 da manhã. 

Caramba… eu dormi tudo isso? Não. Eu acordei cedo demais. 

Ele coçou os olhos e olhou pela janela. O breu ainda estava lá, porém, algo lhe chamou a atenção. 

Bem ao longe, acompanhando o voo do avião, havia uma figura desconhecida. 

A primeira vista poderia-se dizer que era um pássaro, no entanto era grande demais para ser um. 

Mayck forçou a vista para enxergar melhor. 

Ah, não. Tá de zueira?  

Depois de confirmar o que era, ele quase chorou. 

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