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Em uma pequena sala, Julius e os discípulos-divinos estavam sentados ao redor de uma mesa redonda, enquanto bebiam chá de suas xícaras.

Mesmo de noite, a sala estava muito bem iluminada, graças aos artefatos luminosos presentes nos tetos da sala.

“Foi realmente um alívio por termos chegado a tempo, no pior cenário, ele teria sido morto pelo orc da floresta.”

Disse o Julius, e a pessoa a quem ele se referia da conversa era o Ken.

Antes de Ken ter sido atacado pelo orc, o príncipe sugeriu a Kim, Leila e Eliza para que eles fossem para a floresta caçar monstros, para que pudessem ganhar experiência de batalha.

Embora a parte inicial da floresta fosse segura, os monstros se encontravam na parte mais profunda. Após terminarem de caçar alguns monstros pela primeira vez, no caminho de volta, eles ouviram passos pesados à distância, foi quando descobriram o orc que tentava matar Ken.

‘Mesmo assim, isto é incrível.’

Julius examinou os discípulos-divinos, mesmo tendo passado apenas alguns dias, suas velocidades no aumento de níveis era incrível. 

Em apenas alguns dias, Kim e Eliza já podiam ser considerados cavaleiros de nível iniciante, prestes a alcançarem o nível intermediário, e Leila parece ter alcançado a  2ª classe de mago.

Julius poderia dizer isso já que era um espadachim dois níveis acima deles. Um nível avançado.

Ele treinou como louco desde criança para alcançar este nível, haviam poucas pessoas na sua idade de 18 anos que já alcançaram o nível avançado.

Mas as pessoas a sua frente o alcançariam em apenas alguns anos, se não em alguns meses.

‘Esta é a vantagem de ser um discípulo divino? Não, não é apenas isso.’

Além de talentosos, eles tinham a força de vontade necessária para cumprir a tarefa. Se eles puderem aumentar seus níveis continuamente nesta velocidade assustadora, sem dúvidas os demônios não teriam nenhuma chance.

“Sim, foi mesmo…”

Com a cabeça para baixo, Eliza concordou.

Kim e Leila olharam para Eliza com olhos preocupados, como se soubessem o que ela estava sentindo neste momento.

Como que para consolá-los, Julius falou com cuidado.

“Seja como for, foi inesperado que alguém a mais tenha sido invocado quando não é um discípulo divino. Não vou negar, será difícil para ele se acostumar neste mundo, ainda mais quando ele possui o emblema amaldiçoado. Mas com amigos como vocês, acredito que será…”

“Não será possível.”

“Hm?”

Enquanto o príncipe falava, Eliza o cortou, enquanto ela olhava diretamente pro príncipe, ela falou.

“Desculpe-me por te cortar, mas, não será possível para nós continuarmos juntos com o Seiji. Estou aliviada que ele esteja bem, mas…”

Ela falava com um sorriso amargo, mas então este sorriso desapareceu.

“Eu não quero continuar a vê-lo na minha frente.”

“Eliza.”

Leila, ao lado dela, a olhou preocupada.

Sejam quais foram as razões que se desenrolaram entre eles, Eliza já havia decidido não continuar a ver o Ken, sempre que ela o via.

“Só de olhar para ele, fico me lembrando das coisas horríveis que ele fez. Eu o odeio, odeio tanto ele. Achei que nunca mais nos veríamos desde aquele dia. Mas aqui está ele. Queria muito que ele nunca tivesse sido invocado para este mundo.”

Eliza expressava seu mais profundo ódio pelo Ken, uma razão que apenas os três sabiam, que nem mesmo o próprio Ken sabia. Os três são amigos desde sempre e sempre se apoiaram, por isso os três juntos começaram a odiar o Ken.

“Ele é desprezível, pensávamos que o conhecíamos, mas estávamos enganados.”

Disse Leila.

“Ele é tão horrível assim?”

Perguntou Julius.

“…Não, apenas nos sentimos traídos por ele, isto é tudo. As pessoas eram, e ele errou connosco.”

Disse Kim.

“…Eu vejo.”

Disse Julius.

“Por isso nós tomamos uma decisão, nós não conseguiremos perdoar ele, por isso que, quando formos para a capital, gostaríamos que vocês tomassem conta dele. Ele não poderá estar connosco mesmo por não ser um discípulo divino. Podemos fazer isso?”

Kim perguntou seriamente, olhando pro príncipe.

“…Entendo, se é isso o que vocês querem, farei conforme desejam.”

Disse o príncipe, com um leve sorriso.

“Obrigado, Julius.”

Kim agradeceu.

“Não precisa agradecer, afinal, servir o propósito dos discípulos dos deuses é o meu dever.” 

Disse o príncipe com um sorriso gentil.

“Mesmo assim, obrigado, é bom ter alguém como você ao nosso lado, tu estás fazendo tanto por nós.” 

Desta vez Eliza agradeceu, com um leve sorriso meio.

“Sim, como Eliza disse, só podemos agradecer pela sua gentileza.” 

Leila consentiu.

“Como eu disse, é o meu dever servir os discípulos, mas apreciarei os vossos agradecimentos, é uma honra.” 

O príncipe decidiu receber os agradecimentos, seria estranho não receber depois que todos agradeceram firmemente.

Uma atmosfera calma e alegre começou a surgir no grupo, com todos de bom humor e alegria.

O olhar do príncipe então se voltou para a porta levemente aberta.

Por trás da porta, onde Ken se encontrava, agora estava vazio. 

§§§§

Um tempo passou, Julius e os discípulos-divinos ainda se encontravam na sala. Eles trocavam tópicos de conversas e bebiam o chá postos na mesa com guloseimas.

A conversa entre os quatro fluiu harmoniosamente, quando alguém de repente entrou brutalmente na sala onde se encontravam.

O primeiro a se levantar foi Julius.

“Quem se atreve a interromper os divinos!?”

Ele gritou com raiva para o intruso repentino.

“Espera! alguma coisa parece estranha.”

Eliza interviu, parando o príncipe.

A pessoa que entrou era uma garota, mas por alguma razão, ela tremia freneticamente, e seus olhos pareciam cheios de terror.

“…Por favor, me ajudem.”

A garota falou, parecendo estar em lágrimas.

Eliza se aproximou da garota e perguntou com cautela.

“Você está bem?”

A garota, de olhos redondos, agora cheios de terror, e aparência antes fofa, era Mônica.

§§§§

Ken estava sentado em um banco no campo de treinamento, seus olhos estavam direcionados pro céu noturno, sendo saudado pelas exuberantes três luas.

Também era impossível não olhar para elas, já que são o maior espetáculo da noite.

– Ele não deveria ter sido invocado.

– Queremos que vocês tomem conta deles.

Relembrando das palavras que ouviu entre a porta, Ken apertou fortemente as mãos.

Ken estava ciente do fato de que por alguma razão eles começaram a odiar ele, o problema era que não sabia o porquê, e eles se recusaram a contar para eles na época da escola, e continuou assim até agora.

Por isso Ken estava irritado, por acharem que estavam com a razão, decidiram decidir as coisas por ele.

Mas além da raiva, parte do seu coração também doía. Ouvir aquelas palavras o feriram muito, o fazendo sentir um desgosto imensurável.

Ken nunca mais pensou que voltaria a sentir esta sensação, não desde a morte da sua avó ou de sua irmã. Pensou que nada mais o poderia abalar, mas estava enganado.

“Então é aqui que te encontras.”

Enquanto Ken estava perdido nos embasamentos das suas emoções, alguém o chamou, uma voz familiar.

Quando olhou para trás, viu um homem bonito de cabelo loiro brilhante.

Julius Lumiére, príncipe do reino de Celestine.

Julius começou a se aproximar de Ken até que ficou ao seu lado.

“Estive procurando por você.”

Disse ele, que por algum motivo carregava uma espada em cada mão

Ken começou a encarar o Julius com olhos sérios, mas depois soltou um suspiro e levantou.

“Desculpe, não estou me sentindo bem.”

“Aconteceu alguma coisa?”

“Não, nada, apenas estou cansado depois do que aconteceu na floresta”

“Por isso devias estar descansando em seu quarto, porque estás no campo de treinamento?”

“…”

Ken começou a achar estranho na insistência do príncipe, mas como queria estar sozinho, decidiu dar uma desculpa para ir embora

“Decidi que seria melhor pegar um ar fresco em um espaço aberto. Mas obrigado pelo conselho. Então estarei indo”

“Espera, já que você está aqui, porque não treinamos um pouco?”

“O quê?”

Sem falar mais nada, o príncipe simplesmente jogou uma das espadas que segurava na direção de Ken

“Ei!”

Embora desajeitadamente, Ken conseguiu pegar a espada que voava no ar pelo cabo. Era um pouco pesado, era sua primeira vez segurando uma espada. Mas depois de alguns segundos

“Ugh?”

Ken começou a sentir uma dor ardente na mão que segurava a espada, o que o fez largar imediatamente

A espada caiu no chão provocando um som agudo de metal

“Droga! Porque você fez isso?”

Ken falou irritado enquanto segurava a mão latejante.

A lenda se provou ser verdadeira, como Ken possuía o emblema amaldiçoado, estava fadado a não segurar nenhuma arma, e esta foi a prova definitiva

“Ah…desculpa, acabei me esquecendo de que não podes segurar uma espada. Ou uma arma”

O príncipe falou  se desculpando com um sorriso. O que irritou ainda mais o Ken

“Com sua licença!”

Ken começou a andar, deixando Julius para trás. Um silêncio pousou entre os dois, apenas o som do vento soprando podia ser ouvido.

E quem quebrou o silêncio sinistro, foi o Julius.

“Você sabe o que senti desde que descobri sobre a sua incapacidade?”

Mas, sua voz não estava mais gentil como antes, sua voz carregava uma frieza profunda, causando calafrios na espinha de Ken.

 Ken virou para ele e perguntou confuso.

“O quê?”

“Me senti sujo. E pensar que eu, o príncipe deste reino, teria que tentar agir de forma gentil na sua presença, apenas para agradar os discípulos-divinos. Que nojo!”

Só então Ken percebeu aquele desconforto que sempre sentia quando estava perto do príncipe, neste momento, o rosto do príncipe estava contorcido em desgosto.

“Que merda você está falando?…!?”

Enquanto falava, Julius de repente desapareceu de vista, Ken se assustou.

No momento seguinte, Ken sentiu uma dor forte no estômago. Julius apareceu bem na sua frente e desferiu um soco no estômago de Ken.

“Kuck!?…Cof, cof.”

Ken caiu de joelhos no chão enquanto cuspia saliva e tossia.

“Você…desgraçado…!?”

Ken levantou a cabeça para amaldiçoar Julius, mas então o dedo indicador de Julius cobriu seu olho esquerdo.

“Queime.”

Logo depois, Ken sentiu uma dor ardente na área do olho esquerdo.

“Aaaaargh!”

Uma dor tão ardente como o fogo o atingiu.

“Tsk, Você grita como se fosse um macaco.”

“Seu miserável de merda!”

Uma pequena marca de queimadura formou-se ao redor do olho esquerdo de Ken. Cobrindo a marca com a mão, Ken olhou com puro ódio por Julius.

‘Este desgraçado!…’

“Ei! O que está havendo?”

Foi quando de repente, o campo de treinamento começou a se preencher de pessoas que vieram de algum lugar. Eles começaram a falar.

“O que está havendo?”

“Você não soube? Parece que o discípulo do emblema amaldiçoado tentou abusar da garota que estava tratando dele, agora o príncipe está lhe dando uma lição.”

‘O quê? o que eles acabaram de falar?’

Ken olhou pro príncipe, e então notou seu sorriso malicioso, escondido das pessoas ao redor. Naquele momento Ken soube, que o Julius diz alguma coisa.

“Pareces completamente em dúvida, portanto deixe-me esclarecer sobre o que aconteceu. Te lembras daquela linda garota que estava tratando suas feridas? Mônica, olha só, ela veio até a sala em que eu e os discípulos-divinos nos encontrávamos, chorando e parecendo preocupada, ela nos contou de que você tentou abusar dela.”

‘O quê!?’

Ken não podia acreditar no que acabou de ouvir. Aquela garota com cara de inocência o acusado de abuso sexual, desde quando…

“Ah!”

Foi quando Ken se lembrou do breve olhar que o Julius lançou na Mônica.

As veias pareciam que iriam soltar do rosto de Ken quando gritou pro Julius.

“Desgraçado! Você fez isso não fez!? Apenas espere até os outros souberem!”

“Contar aos outros, é?…”

Julius então agachou bem na frente de Ken e falou com um sussurro.

“E a quem você pretende contar? Talvez aos discípulos-divinos? Ah, é verdade… vocês eram amigos antes, não é mesmo? Você até namorou Eliza, certo?”

Os olhos de Ken se arregalaram com as palavras de Julius.

‘Eles contaram… que já namoramos? confiam tanto assim nele?’

“Você deve estar se perguntando como sei desta história, não é mesmo? Embora eu não saiba porque vocês terminaram deste jeito, mas uma coisa é certa, eles confiam mais em mim do que em uma pessoa medíocre como você.”

Estas palavras duras que apenas Ken podia ouvir o perfuraram. Ele perdeu as forças.

“Agora você entende? Se você contar a eles sobre o seu lado, acreditamos seriamente que confiarão em ti? Acho que ambos sabemos a resposta.”

Os pensamentos que assombravam Ken de que se ele estivesse sozinho neste mundo o assombraram. As pessoas apenas o deixavam em paz por causa da presença dos discípulos-divinos. Sem eles, sem dúvidas seria trucidado pelos outros.

Como se para confirmar, as pessoas ao redor começaram a falar. 

“Como ele se atreveu a tentar abusar de uma garota contra sua vontade? Mesmo sendo um invocado de outro mundo, isto é inaceitável”

“Para alguém que possui um emblema amaldiçoado, ele foi muito ousado!”

“Sim! O príncipe esta fazendo a coisa certa punindo este incompetente!”

As pessoas ao redor do campo murmuravam palavras rudes e ofensivas contra Ken enquanto apontavam o dedo.

“Não basta ser um discípulo inútil e ainda tenta fazer uma coisa destas? Quem ele pensa que é?”

“Não me surpreende que ele seja um incompetente, talvez o deus que invocou ele, o abandonou assim que percebeu seu erro.”

“Ahaha, Verdade! só pode ser esta a razão!”

“Bem feito! Ele merecia pior.”

Em um piscar de olhos Ken se tornou em um motivo de chacota para todos. Sendo bombardeado de insultos.

“Ele é apenas um incompetente.”

‘Calem a boca!’

“Olhem para ele!”

‘Não olhem para mim!’

“Você é um… incopetente.”

“Calem a boca!!”

Ken imediatamente se levantou e começou a correr para longe do campo chegando no corredor aberto, mas ele então tropeçou e caiu.

Enquanto tentava levantar seu corpo, ele congelou quando notou três pessoas paradas ao seu lado, da porta para a mansão.

Kim, Leila e Eliza olhavam para ele com olhos confusos.

“… Seiji?”

Vendo eles ali, Ken se lembrou da conversa que tiveram na pequena sala. Aqueles em quem ele mais podia confiar, se tornaram estranhos para ele.

Ken rapidamente se levantou e começou a correr para longe de todos.

“Seiji!”

Alguém gritou por ele, mas Ken não parou e simplesmente começou a correr. Quando chegou no fim da mansão. Pulou o muro e quando chegou do outro lado continuou a correr até chegar na floresta.

‘Calem a boca!!’

Ken correu como se não houvesse mais amanhã, mesmo dentro da floresta ele não parou, mesmo que suas pernas doessem, ele não tinha planos de abrandar.

Ken correu até mais não.

Olá, eu sou o Melqui-Zedequi!

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