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Se você tivesse a oportunidade de trocar a sua vida por uma outra vida qualquer, o que significaria ter que esquecer de tudo o que já aconteceu na sua vida anterior, você o faria?

Dependendo das circunstâncias de algumas pessoas, alguns não correriam este risco e achariam um absurdo, quanto aos outros não pensariam nem duas vezes antes de pegar esta oportunidade.

No meu caso, eu não tenho certeza, porque mesmo que a minha vida tenha sido miserável, ainda existem coisas das quais não quero me esquecer, mesmo que sejam memórias dolorosas.

Quando criança eu morava com a minha avó, ela era uma velhota muito gentil e energética, eu adorava ficar com ela, mas infelizmente acabou morrendo por conta de uma doença que já não poderia ser curada por conta de sua idade, isto aconteceu aos meus 8 anos de idade, e ainda me lembro de suas palavras que marcaram minha vida para sempre.

Ela estava deitada sobre uma cama enquanto falava gentilmente para mim.

“Ken… meu neto… infelizmente não poderei estar mais aqui para cuidar de você, estou muito velha e fraca, portanto não me restam mais chances de vida, mas quero que me prometas uma coisa para quando eu me for. Quero que continues sendo esta criança forte que sempre foste, até nos momentos mais difíceis. Mas se você achar que os problemas são maiores e te sentires encurralado…sorria, meu neto, deste jeito prometo que te sentirás melhor”

Ken era o nome que a minha avó deu para mim.

Dias depois minha avó acabou por falecer, este foi o dia mais triste da minha vida, eu ficava de pé enquanto assistia minha avó sendo enterrada.

Portanto, os únicos parentes que restavam para cuidar de mim, por inacreditável que pareça eram os meus próprios Pais, claro, eu sabia que meus Pais existiam, minha avó sempre me dizia que um dia eles viriam para me buscar quando terminassem de resolver os seus problemas.

Mas com a morte da minha avó, obrigatoriamente teria que ir morar com meus pais, era estranho, mesmo sendo meus pais, eles eram completamente estranhos para mim.

Fui levado para morar com eles, era uma casa enorme, bem maior de onde eu e a minha avó morávamos.

Depois que me trouxeram para casa, levaram-me para o meu quarto e me disseram para permanecer lá. Ainda de luto pela morte da minha avó, eu pensei.

‘Eles são os meus pais, mesmo que eu nunca os tenha visto, eventualmente me amarão quanto a minha avó me amava.’

Mas infelizmente eu estava enganado.

Porque depois de um tempo, eu percebi que já não era o único filho, porque quando eu decidi sair do quarto para falar com eles, meus olhos se arregalaram terrivelmente com o que eu havia visto.

“Papá…mamã, bem-vindo.s”

Uma pequena menina de cabelo preto e curto foi correndo aos braços deles, feliz e sorridente.

“Olá, nossa pequena, chegamos.” 

Diziam os meus pais com vozes calorosas enquanto abraçavam ela todos felizes.

Eu estava terrivelmente perplexo, meu peito doía, um sentimento de solidão bateu dentro de mim.

‘Esse tempo todo…tiveram mais uma filha? Porquê? Minha avó disse que ainda não era possível para eles cuidarem de uma criança, mas aquela menina acabou por chamar eles de pais, o que está havendo?’

Estes eram os pensamentos que dolorosamente passavam na minha cabeça.

Quando meu pai notou a minha presença no corredor, veio se aproximando de mim.

“Não mandei você esperar no quarto?” 

Disse meu pai para mim com um tom rude.

Esta atitude do meu Pai fez com que eu me encolhesse de medo.

“Pai, quem é ele?”

Perguntou à menina confusa, ainda agarrada à mãe.

O pai e a mãe ficaram nervosos com a pergunta repentina da menina, se entreolhando sem saber o que dizer.

“Bem… ele é seu primo 3 anos mais velho que morava distante… agora ele vai morar conosco.” 

Disse o meu Pai um pouco gaguejante procurando as respostas para responder.

Ouvir aquelas palavras foi um choque para mim, foi pior que saber que eu tinha uma irmã, simplesmente congelei e não consegui dizer mais nada.

Desde aquele dia pude descobrir que a minha vida naquela casa não seria perfeita.

E tinha razão, meus pais agiam como se eu não existisse, literalmente, eles davam toda a atenção para minha irmã, mas as vezes eu recebia atenção sim, mas apenas quando algo de ruim acontecia e eles botavam toda culpa em mim.

Meu nome foi trocado de Ken para Seiji, o que foi muito estranho já que sou o primeiro filho deles.

[Seiji na literatura Japonesa significa segundo filho.]

Mas não me importo com o nome que eles me deram, porque sempre me considerei Ken, o nome que a minha avó deu para mim.

Desde então fui me fechando de todo mundo, era como se uma escuridão estivesse em volta de mim e eu vivia apenas com isso, até um dia aos meus 12 anos de idade.

Eu estava brigando com algumas crianças que estavam atormentando um cachorro, eram no total 3 deles, um pouco mais velhos que eu. 

Minha avó me instruiu a praticar artes marciais quando ainda era viva, e mesmo depois de morrer eu ainda continuei praticando, provavelmente era para manter algo dela em mim para que não me sentisse sozinho.

Quando de repente. 

“Papa, Mama, eles estão brigando com uma pessoa!”

“Droga! Alguém está vindo, vamos fugir!”

Uma voz feminina surgiu de repente o que fez com que os outros rapazes fugissem a 7 pés.

Quando olhei para a presença daquela voz, era uma menina da mesma idade que eu, seu cabelo alaranjado. Ela veio se aproximando de mim e perguntou parecendo preocupada.

“Você está bem?”

“E seus Pais?” 

Ignorando a pergunta dela, fiz uma pergunta.

“Era uma pequena mentira, apenas disse aquilo para que eles te deixassem em paz… a propósito, porque estavas brigando com eles? Mesmo eles sendo muitos você não parecia estar perdendo.”

Eu não sabia o que ela pretendia.

“Eliza!”

De repente mais pessoas foram se aproximando, um rapaz e uma menina, o rapaz tinha o cabelo ruivo avermelhado, e a menina baixinha tinha o cabelo grisalho. Então Eliza é o nome dela.

“Desculpe, mas vi ele sendo agredido por algumas pessoas, então eu vim ajudá-lo.” 

Disse Eliza apontando para mim.

“Sim, eu vi, você está bem?”

 Perguntou o rapaz para mim.

“…Sim.” 

Hesitei um pouco, mas respondi.

“Isto é bom.” 

Disse ele

“Eliza! Tu não podes sair assim de repente.”

“Sim, ao menos deveriam esperar pela gente.”

“Desculpem…”

Ver esta situação deles discutindo, fez com que um sentimento estranho surgisse de dentro de mim. Eu estava com inveja da relação deles, uma relação que eu já havia perdido faz muito tempo depois da morte da minha avó, agora eu estava sozinho.

“Vamos indo.” 

Disse o rapaz.

“Sim.”

Com isto, eles começaram a ir embora, mas antes que eles se distanciaram o bastante.

“Ei! Vem com a gente.” 

Disse a menina chamada Eliza, de repente se virando para mim.

“Huh!? Porque eu iria com vocês? Não tenho interesse.”

 Eu disse, achando o pedido dela ridículo.

“Qual é, venha, nós vamos cuidar dos seus ferimentos.” 

Ela não desistindo veio até mim, me segurou pelas mãos e me puxou contra a minha vontade.

“Ei! Esper…!”

“Não adianta resistires.” 

Disse o rapaz com um sorriso irônico, que foi por trás de mim, me empurrando.

“Sim, vamos.”

Apenas me deixei levar por eles. Eu não sei o que estava sentindo, estava constrangido, me sentia estranho, era a primeira vez que alguém depois de tanto tempo se preocupava comigo.

Depois daquele dia nos encontrávamos constantemente, às vezes eles vinham para a minha sala de aula na escola e me incomodavam, me obrigando a sair com eles.

Descobri que estudávamos na mesma escola, no começo tentava ignorar eles, mas na verdade, no fundo, eu queria que eles sempre continuassem a se intrometer na minha vida.

Não muito tempo depois viramos grandes amigos, estávamos sempre juntos, era divertido, era como que eles se tornam na luz que constantemente foram iluminando a escuridão em volta de mim.

É constrangedor dizer isso, mas…naquela época, eu estava feliz, ao contrário da infelicidade que passava na minha própria casa, eu era feliz perto deles, dos meus amigos.

Algumas coisas levaram a outra e até consegui ficar mais próximo da minha irmã que também me ignorava pela influência dos meus pais.

Eu não queria perder o meu relacionamento com meus amigos, por isso fazia de tudo para não os decepcionar, eu tinha medo de perdê-los, queria ficar com eles para sempre.

Andávamos juntos até que chegamos no ensino médio, meus amigos sempre foram os ídolos da escola.

A menina baixinha de cabelo grisalho seu nome é Fujiwara Leila, ela é ligeiramente calma, mesmo em momentos complicados ela consegue se manter sempre calma, ela é esperta e sempre dedicada aos estudos, por isso possui as melhores notas de toda a escola desde o fundamental. À primeira vista ela parecia fofa, mas podia ser assustadora às vezes.

O rapaz de cabelo ruivo avermelhado seu nome é Miyamoto Kim, meu melhor amigo. Bonito, gentil e possui um grande senso de responsabilidade. Tem boas notas e é ótimo nos esportes, por isso é respeitado por todos e popular entre as garotas, Kim se tornou no cara mais legal do ensino médio.

Por último e mais importante, a menina de cabelo longo alaranjado, Shimizu Elisa, Ela é linda, gentil, tem uma personalidade atrativa que faz as pessoas

confiarem nela inocentemente, boas notas, ótima nos esportes e muito admirada pelos professores.

Eu admirava muito a Eliza desde o primeiro dia em que nos conhecemos, eu não conseguia parar de pensar nela, ela não saia da minha cabeça, sim, eu gostava dela, gostava muito dela.

Um dia ganhei coragem e pedia a Eliza em namoro, no princípio ela não aceitou, dizendo que ainda não estava pronta para um relacionalmente romântico, claro que fiquei triste no começo, mas não me abati, só que, depois de alguns dias, a própria Eliza disse que aceitaria namorar comigo.

Naquele dia em me enchi com uma felicidade que nunca antes havia sentido, eu havia esquecido completamente dos problemas com meus Pais. Será um sonho? Era difícil de acreditar, eu estava feliz

Mas esta felicidade logo desmoronou na frente dos meus olhos depois de alguns meses.

Eu estava na sala de aula, arrumando minhas coisas na mochila pronto para me encontrar com os outros, mas, foram eles que vieram para a minha sala e a Eliza se aproximou de mim.

“Pessoal, eu já iria me encontrar com…”

“Nós terminamos.” 

Antes que eu terminasse de dizer alguma coisa, Eliza me interrompeu com estas palavras, fiquei totalmente confuso.

“… Huh!”

Foi quando notei que a atmosfera na sala estava estranha, Eliza tinha uma Expressão sombria no rosto, por trás dela Kim e Leila tinham ódio no rosto

“Malta… o’que…”

“Isto é tudo que tenho para dizer…adeus.” 

Disse Eliza, que depois se virou e começou a caminhar em direção à porta.

Eu rapidamente me levanto do meu assento e vou rapidamente tentando segurar a Eliza.

“Eliza! Esper…!”

Mas antes que eu chegasse perto o suficiente, levei um tapa repentino na cara. Levemente segurei a região de onde levei o tapa.

“Leila…”

A pessoa que me bateu foi a Leila, que me olhava com nojo, depois disto, os três saíram da sala me deixando lá completamente abatido e totalmente confuso.

Depois daquele dia, rumores estranhos rondavam na escola, sobre eu ter traído Eliza com uma garota de uma outra escola.

Depois de ouvir isto, usei de todos os meios para tentar fazer com que eles acreditassem em mim, de que eu nunca jamais havia sequer pensado em trair Eliza, mas não adiantava, eles não me ligavam, e os outros não permitiam.

Como Eliza era uma celebridade na escola, ouvindo que eu a havia traído fez com que os outros se juntassem contra mim e rapidamente passei a ser odiado na escola, mais uma vez, havia perdido pessoas importantes para mim.

A partir daí os meus dias na escola passaram a ser ruins, eu era ridicularizado na escola e zoado pelos colegas, mas quando alguém tentava passar dos limites eu simplesmente os colocava no caminho, mas a minha realidade era esta e não havia como voltar atrás, foi assim até que chegamos no terceiro ano do ensino médio.

Fui chamado para a sala dos professores, onde fui informado de que meus pais haviam deixado de pagar as matrículas da escola e se eles não pagassem teria que deixar a escola. Claro! Eu já estava ciente disto.

Meus Pais haviam me dito que, como eu já tenho 18 anos, já estava na hora de eu assumir as minhas próprias responsabilidades, por isso teria que deixar a casa e viver a minha própria vida.

Claro! Depois disto eu tive que deixar a escola, pela minha sorte, consegui arranjar um trabalho fixo em uma lanchonete, portanto consegui sobreviver.

Mas como se isto não fosse o suficiente, mais um infortúnio aconteceu na minha vida.

Porque ocorreu um acidente de carro e a minha irmã acabou por falecer.

Desde então, 3 anos se passaram e eu já estou com os meus 21 anos de idade.

Olá, eu sou o Melqui-Zedequi!

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