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Foi um sonho?

Eu havia acordado no sofá. Pensei ter estado num dos compartimentos, treinando com o Sr. Alexodoro, mas parece que deve ter sido um sonho mesmo. Não tinha como eu ter passado por aquele treinamento tão intenso, logo um magrinho como eu.

Mas espera… E esse cheiro?

Passei o nariz pela minha roupa e identifiquei um cheiro horrível, bem pior do que aquele que eu tinha quando renasci aqui. Mas isso podia ser resolvido com um bom banho, então não tinha o que me preocupar.

O lugar de Zernen estava desabitado.

As luzes que atravessavam as duas janelas nas laterais das paredes eram o indicativo de que havia amanhecido. Bem… Decidi me levantar daquele sofá e ir tomar um belo banho antes que Meredith e Theresa me vissem assim.

Caminhei em direção ao banheiro, mas no meio do corredor, um cheiro muito bom estava chamando a minha atenção. Era cheiro de comida boa. Decidi dar uma espreitadela na cozinha que ficava logo ao lado, e para minha surpresa, aquele bando de traidores estava comendo numa boa naquela mesa farta de comida.

“Qual é o problema deles?”

“Como eles puderam fazer isso comigo?”

Olhar para aqueles rostos felizes só me dava mais raiva. Minha barriga acabou denunciando a minha presença.

Roooonc!

Wow! Jarves! É você? — Era Zernen que sorria enquanto segurava um pedaço de carne, seus lábios estavam bastante oleosos.

— Jarves, já acordou? — questinou Meredith, ela estava ao lado da Theresa, que me chamou enquanto sorria com malícia.

— Não tenha medo! Apenas venha!

— D-D-Depois… — Corri imediatamente para o banheiro. Não queria ser motivo de risada devido ao meu cheiro. Mas, quando cheguei ao banheiro, ele estava ocupado.

Quando bati a porta, a voz do Sr. Alexodoro ressoou pelos meus ouvidos.

Dei meia volta, mas não havia sido uma boa ideia. No corredor, estavam passando a Theresa e Meredith. Nossos olhos se encontraram.

— Não é o Jarves? — Era Theresa.

— Jarves, vai comer — ordenou Meredith. — Precisamos nos apressar!

— É, sim… Já vou.

Dei um sorriso torto e elas seguiram caminhando para o próximo compartimento, que era exatamente na sala.

— Jarves! O vovô mandou você me ajudar com a louça! — Era o Zernen, esse preguiçoso.

Bem, com Meredith e Theresa fora do meu alcance, agora eu podia comer à vontade na cozinha. Dei alguns passos para a cozinha e entrei nela, me deparando com Zernen brincando de cara ou coroa com uma moeda de ouro.

Wow! Já chegou? Senta aí e come!

Quando fui me aproximando, Zernen sentiu uma leve irritação no nariz.

— Mas cara, por favor, vá tomar banho.

— Seu avô tá no banheiro.

— Temos uma lá fora, onde ficava a casa do Barro.

— Quem é esse?

— Um antigo cachorro meu.

Nem sabia que ele tinha um cachorro, mas o pior nem era isso, era o nome que ele havia dado ao cachorro. Barro?

— Deixa eu adivinhar, seu cachorro é castanho?

— Como adivinhou?!

Suspirei. Eu juro que tentava, mas eu não conseguia entender como funcionava a mente desse garoto!

— Você não tem jeito mesmo. Bem, o que aconteceu com o cão?

— Cão não, barro. Mas bem… — Ele fez uma cara triste, colocando as mãos contra as bochechas. — Ele acabou fugindo.

— Por que?

— Não sei, eu achei ele na rua todo machucado e cuidei bem dele, mas depois de se recuperar, ele acabou fugindo.

— Bem, eu acho que o cachorro só te usou.

— Não fala isso! Barro e eu… Barro e eu somos os melhores amigos! Eu sei que ele teve seus motivos e, quando o encontrar, irei tirar isso tudo a limpo!

— Tá bom então. Boa sorte nisso. — Acenei e me virei.

— Para onde você vai?

— Vou tomar banho na casa do cão.

— Cão não! É Barro!

— Tanto faz… — Deixe-o murmurando na cozinha enquanto ele comia mais pedaços de carne. Na verdade, eu já havia passado pelo mesmo que o Zernen e entendia muito bem o sofrimento dele.

Mas achava um desperdício de tempo ele investir seu tempo procurando um cachorro mal-agradecido como este. Ainda me lembrava amargamente quando reencontrei o cachorro que eu tanto cuidei; ele havia arranjado uma nova dona e muito rica. Quando eu tentei recuperá-lo, ele e a dona dele mostraram a língua e tentaram me morder.

Nunca iria me esquecer daquela humilhação!

Algumas lágrimas se acumularam ao redor dos meus olhos enquanto eu cerrava os meus punhos de ódio. No meio do corredor, quando eu caminhava para fora da casa, recebi um cascudo na cabeça e, quando olhei para trás, era o Sr. Alexodoro em seu quimono.

Olhei para ele enquanto afagava os cabelos da minha cabeça.

— Mas o que eu fiz?

— O que eu disse ontem?

— Como assim ontem… Oh, agora lembrei.

Agora me lembrei de tudo, eu havia mesmo treinado com o Sr. Alexodoro, não era nenhum sonho.

— Primeiro passo: movimentar os braços constantemente — eu disse, movimentando os meus braços constantemente; um dos princípios para dominar magia básica.

— Perfeito. Faça isso quando estiver tomando banho, comendo e etc.

— Certo. — Assenti, colocando a mão sobre a minha cabeça.

Depois disso, tomei banho e comi enquanto fazia esses movimentos. Meredith e Theresa acharam aquilo estranho, enquanto Zernen ria de mim, já que ele tinha passado pelo mesmo antes.

— Então quer dizer que você decidiu aprender magia básica, não é Jarves? — Zernen perguntou e eu assenti a cabeça. — Só não roube o nome da minha técnica! Soco invisível é meu!

“Quem vai querer roubar isso?”

— Bem… — A atenção dos nossos olhos foi atraída pela fala do Sr. Alexodoro, que estava sentado em um dos sofás da sala.

Ele recapitulou o plano e desejou boa sorte para nós.

Zernen era o único que não queria sair daquela casa, tivemos que o arrastar à força para que viesse. Ele parecia um bebê, gritando: vovô, me ajude! Vovô, não me abandone!

Em contrapartida, Sr. Alexodoro acenava para a gente. Estávamos encapuzados para não chamar atenção, se bem que chamaríamos atenção mesmo estando encapuzados. Subimos à caravana do Sr. Alexodoro, com Theresa como nossa cocheira, já que ela era a única que ainda não tinha seu rosto cravado naquele papel.

As ruas pareciam bem normais e pouco agitadas, diferente do que eu esperava.

Haviam algumas caravanas passando pela estrada, o que nos ajudava a manter a nossa bem camuflada no meio de algumas caravanas.

A um determinado ponto, numa rua estreita que ficava perto da mansão da Meredith, deixamos ela e Theresa como havíamos planejado. Meredith conhecia um atalho muito bom que lhe permitiria entrar em sua mansão, então ela tomaria um caminho contrário ao nosso.

— Boa sorte, miúdos. Vê se não façam loucuras — disse Theresa, segurando sua mala. Meredith acenou para nós com um leve sorriso: — Se cuidem e evitem brigas.

— Não se preocupem! Não faremos nenhuma loucura! — Zernen que agora estava nas rédeas da carruagem, levantou o polegar. Mas eu sabia que no fundo aquelas palavras eram falsas, afinal Zernen desde sempre era o tipo de personagem que amava adrenalina.

— Não se preocupe, ficaremos bem! Afinal, temos ao nosso lado o… — Olhei para o banco e para os cantos e não conseguia identificar o Gaia. Quando olhei pela janela, Meredith e Theresa haviam sumido.

Droga! Theresa deve ter pegado o golem, afinal era ela quem o carregava por esse todo tempo.

Espera, espera… “Ela pensa que esse Golem é dela só porque havia dado o nome, é isso?” De jeito nenhum eu aceitaria isso! Eu quase morri só para conseguir ter esse Golem em minhas mãos!

— Zernen, avança! Raptaram o Gaia!

— O Terragolem?!

Zernen ainda não havia aceitado esse nome.

— Avança, droga! Elas estão fugindo!

Pelo que eu podia espreitar pela janela, era Theresa que arrastava Meredith.

— Certooooo!

Com as mãos nas rédeas, Zernen avançou tão rápido que foi capaz de bloquear o caminho para que Theresa não prosseguisse adiante.

Desci da carruagem e ordenei que Theresa devolvesse o Terragolem, digo Gaia. Maldito Zernen! Havia feito esse nome ficar na ponta da minha língua!

Enfim, Theresa devolveu o Gaia com tristeza nos olhos. Ela quase me convenceu com a cara de cachorro abandonado que ela fazia, mas até ela sabia muito bem que nós que iríamos agir como isca para os aventureiros e soldados, éramos quem mais precisaríamos do golem.

Ela encurvou a cabeça e se desculpou por sua atitude egoísta enquanto Meredith encarava aquilo tudo com uma cara risonha. Depois desse pequeno episódio, seguimos em direção ao portão principal da casa da Meredith.

Zernem acelerava tanto que fazia a caravana balançar, quase mordi a minha língua no processo. Gritei para que ele moderasse na velocidade, que isso não era uma corrida de carros. Ele não entendeu quando eu falei carros, então mudei para caravana.

Ele começou a rir e disse que eu precisava tomar os medicamentos.

— Eu não quero ouvir isso de um cara que é ruim em dar nomes!

Com isso, ele se calou e começou a assobiar enquanto conduzia a caravana com moderação.

Havendo chegado perto ao portão principal da mansão da Meredith, numa praça rodeada de algumas casas bem luxuosas (dos vizinhos ricos da Meredith), com o foco central na estátua de uma mulher carregando pote na cabeça, não durou nem um segundo e fomos bombardeados por magias vindas de todas as direções. Gritos de guerra subiam ao céu e milhares de aventureiros se erguiam de todos os lados, se aproximando de nós como se fossem animais selvagens atrás de sua presa, seus passos levantavam densa poeira.

Zernen teve que fazer algumas manobras com a carruagem para que não fossemos acertados. Ele conseguiu curvar a estátua e dar meio volta, atraindo a atenção de todos aqueles aventureiros e alguns soldados no meio deles.

O plano havia funcionando perfeitamente.

— Parece que resultou!

— É! Agora chegou a hora da diversão!

Zernen estava animado enquanto manejava aquelas rédeas. Os aventureiros pareciam leões e águias perseguindo sua presa. Alguns voavam em pássaros gigantes no céu, lançando suas magias, enquanto outros usavam seus pés como forma de tentar alcançar a carruagem enquanto arremessavam suas magias.

Após havermos se distanciado o bastante da rua da mansão da Meredith, Zernen parou a carruagem. Estávamos numa rua aberta, repleta de algumas casas nobres ao redor e por incrível que pareça, não havia nenhum movimento. Muitos aventureiros começaram a se revelar; alguns saíndo do beco, outros a espreita dos telhados e tinham os que voavam em aves no céu.

— Já não há mais para onde fugir! Entreguem-se!

— Não é que esse plano deu certo! Nunca conheci gente tão burra quanto essa! Voltar para o lugar menos indicado, vê se pode!

Hahahaha! Não é que é verdade?!

— Agora esses tolos terão o que merecem!

Essas e muitas outras falácias ressoavam pelos nossos ouvidos.

— Jarves… —Tirei os olhos da janela, direcionando-os para parede feita de madeira que fazia separação entre eu e o Zernen. — Assim que eu liberar a minha magia, você toma as rédeas e avança.

— O que? Por que? Você sabe que precisamos estar juntos!

— Tá com medinho, é? — Ele riu. — Não se preocupe, eu alcanço você!

— Não me subestime, agora eu tô overpower!

— Sei nem o que é isso, mas se você treinou com o vovô, acho que deve saber se virar agora!

— Mas é claro… Que sim! — Zernem riu da minha fala com estilo. Depois, eu e ele descemos de carruagem.

— Não eram 4? Por que estão descendo dois?

— Eles devem estar escodendo as outras duas, seu burro! Mas não se preocupe, iremos tirá-las a força daí!

— Podem vir, seus burros! — Zernen preparou os punhos e emitiu em alto som: — Muuuuu!

“Isso é som de vaca, Zernen.”

Magia das correntes! — Um dos caras liberou muitas correntes, mas por algum motivo Zernen se deixou ser pego por elas enquanto eu me esquivava delas. Um sorriso malicioso crescia nos lábios do Zernen enquanto o aventureiro comemorava por tê-lo pego. O aventureiro começou a se aproximar a passos lentos.

— Agora seja um bom menino e fique quietinho aí.

— Primeiro comecemos com um clarão! — Zernen conseguiu reprimir sua explosão e criou um imenso clarão, que cegou todos os aventureiros e soldados que estavam ali presentes.

— O que ele pretende com isso?!

— Maldito! Não pense que isso irá nos parar!

Os aventureiros e os soldados protestavam. Enquanto isso, eu aproveitei aquele pequeno momento de distração que Zernen havia criado e peguei nas rédeas dos cavalos, saindo dali o mais rápido possível.

— Agora finalizemos com uma grande explosãoooo!

Uma explosão emergiu, tão grande que um som agudo se fez ressoar pelos meus ouvidos.

Booooom!

Picture of Olá, eu sou o Andy Lucas!

Olá, eu sou o Andy Lucas!

Olá, Caros viajantes! Finalmente chegamos ao capítulo 30 de Em Busca do Fim! Com isso, trouxe novidades para todos leitores que me acompanham ( apesar de não comentarem) comentem aí KKK, qualquer coisa só para eu saber que vocês estão aí!

Enfim, voltando ao assunto, decidi abrir um discord para obra! Então, você amante dessa obra que deseja compartilhar ou interagir sobre a obra, é convidado a entrar no discord da obra! Aliado a isso, brevemente poderemos estar desfrutando de alguma artes dos personagens feitas exclusivamente por mim( apesar de ser um desenhista amador, tenho estado a estudar para trazer uma arte decente dos personagens para vocês!

Enfim, era só isso! Espero que tenham amado o capítulo e não esqueçam de entrar no discord da obra!

Link abaixo: https://discord.com/invite/m4QsTeYJ

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