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Capítulo 31: A força de um aventureiro rank B

Crateras formadas no chão, rachaduras que rompiam as paredes, pessoas deitadas cujas vestimentas estavam cingidas de rasgões, revelando arranhões entorno da pele; isso tudo era todo resultado que a explosão do Zernen havia causado. Maior parte dos seus oponentes estavam agora derrotados e seus corpos eram encobertos ligeiramente por uma densa névoa negra que subia aos céus.

Não era exagero dizer que o campo todo havia sido tomado pela névoa palpável.

Cof! Cof! Cof!

Os que haviam sobrevivido a grande explosão do Zernen tentavam espantar a fumaça, abanando suas mãos de um lado para o outro.

Em contrapartida, Zernen que continuava de pé, varria todo aquele espaço com os seus olhos verdes. Apesar de sua magia de explosão ter sido liberada a partir do seu corpo, ele garantiu que fosse imune a mesma, liberando uma camada de aura que o protegeria da explosão assim que ela fosse liberta.

— Parece que acabamos aqui. Ah, que sem graça…

Com a fumaça se dissipando, Zernen, por não ver um oponente que o pudesse entreter, decidiu correr atrás do Jarves, no entanto…

— Seu… maldito… — murmurou um dos aventureiros, precedido de um soldado que carregava uma espada em sua mão.

— Não pense que acabou só porque deitou esses fracos!

— É… — dizia outro aventureiro, este erguia sua mão para cima, criando uma esfera gigantesca cujos raios violeta giravam ao redor, se assemelhando ao formato do planeta Saturno.

A névoa que separava o soldado do Zernen baixou e ele desceu sua espada. Com um corte vertical que rasgou o vento, uma rajada viajou pelo ar contra o rosto de Zernen.

Mas este apenas sorria, um sorriso que enuncia desprezo enquanto se desviava daquele ataque para direita com sutileza.

O soldado rangiu os dentes e, ergueu a espada ao alto, preparando mais um ataque. Em contrapartida, um dos aventureiros lançou sua esfera violeta contra Zernen.

Mais uma vez, aquele sorriso de desprezo tomou conta dos lábios do Zernen, o que de certa forma irritou aquele aventureiro rank C.

Formando uma arma com a mão, Zernen puxou o gatilho do dedo e arremessou uma pequena bolinha carmesim em direção à esfera. Uma explosão emergiu quando aquelas duas esferas entraram em contato. Tão grande que o aventureiro não teve tempo de reação e foi arremessado ao vento. Enquanto o corpo dele caia, o soldado julgou achar a oportunidade perfeita para lançar o seu ataque. Ao mesmo tempo, mais quatro aventureiros que estavam à espreita conjuraram suas magias.

— Esse é o seu fim! — O soldado sorriu, descendo sua espada. Uma rajada em forma de um disco que acumulava toda névoa ao seu redor vôo contra o Zernen enquanto outras quatro magias iam ao seu encontro.

Dos quatro pontos cardeais, Zernen estava prestes a ter seu corpo rasgado em pedaços. Para piorar a situação, as quatro magias lançadas pelos aventureiros eram esféricas, das quais duas eram de fogo azul e laranja, enquanto as duas restantes eram bolhas de ácido e uma espécie de gosma verde.

Explosãooooo!!!

Uma explosão precedida de um clarão emergiu, um booom andou de ouvido em ouvido. A explosão formou um tornado ao redor do Zernem, desfazendo todas as magias em instantes. Os aventureiros e o soldado que estava nas proximidades, foram arremessados para bem longe pelo grande impacto que havia sido gerado.

Zernen abanou seu braço contra a poeira que havia se formado ao redor enquanto sorria de satisfação.

— Ainda bem que come aquela sopa de pimenta, apesar de hum, eca! — Ele tirou a língua para fora, fazendo uma cara de enjôo enquanto lembrava das memórias do seu avô o obrigando a tomar sopa de pimenta hoje pela manhã. Quando Zernen tomava muita sopa de pimenta, ele não precisava absorver ataques para formar uma explosão. Os nutrientes da pimenta entravam em contato com a mana em seu corpo e davam a ele a capacidade de liberar explosões. — Enfim, acho que vou seguir…

— Olha quanta sujeira você causou aqui…

Zernen ficou em prontidão ao ouvir essa voz familiar. A névoa que os separava um do outro se dissipou e então puderam contemplar um ao outro.

— Mas eu sabia que isso aconteceria.

Era um homem cuja altura se comprava a um poste, possuía uma barba por fazer e um corpo volumoso repleto de músculos, que era encoberto por um colete castanho e uma calça negra que criava contraste com a cor carmesim dos seus olhos.

— Estava a ver que você nunca mais aparecia.

Hahahahah! — Ele riu e cruzou os braços. — O chefão deve aparecer por último. Não podemos quebrar esse clichê, não é mesmo?

— Se achando a última bolacha do pacote, é?

— Um pouco mais!

— Vamos ver do que você é capaz! — Com o cotovelo ligeiramente esticado para trás, Zernen preparou seu punho. — Soco invisível… — Antes que lançasse seu ataque, Zernen sentiu seu punho parar. Não só, seu corpo não respondia a todo e qualquer comando que ele dava.

— Não aprendeu com a última lição? — Wase sorriu maliciosamente, contemplando Zernen que havia caído na sua magia de paralisia.

Tse… Você vai ver só! — Zernen resmungou, tentando mover seus membros, mas sem sucesso. Eles não respondiam.

— Parece que superestimei você demais. É fim de jogo para você, moleque.

O grandão sorriu maliciosamente, seus olhos escarlates brilhando num intenso carmesim.

“Que medo! Que medo! Que medo!”

Era o que eu sentia enquanto manejava as rédeas daquela caravana, era algo bem novo para mim. Nunca havia comandando uma carruagem como estava fazendo agora.

Oof, suspirei. Precisava manter a calma e apenas manejar a carruagem com maestria. Eu não precisava fazer muita coisa, apenas balançar a corda, não é?

Então acalma o coração, Jarves.

Era o que eu queria que acontecesse, mas devido ao treinamento que tive com o Sr. Alexadoro, agora conseguia sentir inimigos por perto.

Por sorte, eu percorria uma rua pouco movimentada. As casas daqui eram povoadas por pessoas com muito dinheiro e um bom status social, então era comum que não houvesse movimento por aqui.

Com os olhos fixos para frente, eu me perguntava se havia feito uma escolha sensata ao deixar Zernen sozinho contra aquele bando de aventureiros e soldados. Tudo bem que ele era bastante forte, mas eu não acho que ele consiga dar conta de todos. Talvez eu devesse voltar para ajudá-lo. Sim, era o que eu deveria fazer.

Bem, na verdade, esse sempre foi o plano; nunca nos separamos, mas Zernen só fazia o que dava na cabeça dele.

Certo… Eu precisava cuidar dos meus perseguidores primeiro e só depois dar meia volta com a carruagem. Despistá-los com certeza não funcionaria, então era o meu momento para brilhar.

A minha sorte era que, pelo nível de mana que eu conseguia detectar, eles não eram aventureiros de grande nível. Embora houvesse o contratempo do aventureiro omitir seu nível de mana, eu precisava acreditar que eram apenas aventureiros de baixo nível!

Parei a caravana.

Por incrível que pareça, o golem estava tirando uma soneca no banco de trás, então decidi deixá-lo. Se eu estivesse em perigo, poderia muito bem contar com a ajuda dele. Como uma criatura criada por um aventureiro rank S, ele poderia muito bem enfrentar aventureiros rank A e B numa boa, então Gaia era uma carta na manga perfeita para usar na hora do aperto.

Desci da caravana e mantive os meus olhos fixos num dos edifícios onde julguei que eles estavam se escondendo.

— Já podem aparecer!

Apareceram dois deles no telhado de um dos edifícios, pensei ter sentido a presença de mais um, mas não importa. Deve ser mais um medroso.

Eram dois jovens de cabelos castanho e negro, aparentemente adolescentes, como eu, pela sua fisionomia. Mas o que mais me interessava estava em seu pescoço, o colar. Aquilo me dizia tudo que eu precisava saber.

Suspirei de alívio ao constatar que não passavam de dois aventureiros rank C e rank F. Embora o rank C fosse perigoso para mim, eu ainda tinha o golem como minha carta na manga.

— Manipulador charlatão, é melhor se entregar agora e pouparemos sua vida! — disse um deles, erguendo um dos punhos. Este possuía um cabelo castanho que pousava sobre os seus ombros, omitindo parcialmente sua aljava com flechas. Por fim, uma capa verde que chegava aos seus joelhos lhe dava o destaque de um herói. Seu amigo também não ficava para trás na elegância e no estilo das vestes que os deixavam iguais àqueles heróis clássicos dos contos.

Ele colocou uma das mãos contra a cintura e esticou um dos seus braços, enquanto seu cabelo negro era arremessado para trás pelo vento.

— Isso mesmo! Basta, não há para onde fugir, vilão!

” Vilão?” Hehehe! Gostei! Eles estavam entrando nos papéis mesmo, pena que não passavam de meros figurantes.

— E se eu não quiser me entregar, o que farão? — falei com audaciosa, lançando um olhar intimidador para eles.

— Vejo que não há jeito, teremos que roubar sua vida! — O rank C esticou suas mãos que ficaram verdes. — Morra! — Uma chuva de espinhos verdes viajava contra o meu corpo. Nada mais fiz do que correr para me esquivar daquela chuva de espinhos, no entanto, o aventureiro rank F começou a agir. Ele, que tinha flechas em sua aljava, as levitou e então as bombardeou contra mim.

“Parece que ambos são experientes em ataques aéreos.” Isso era um grande problema, já que Sr. Alexodoro só havia me treinado para lutar com oponentes a curta distância.

” Droga, o que eu faço? ” Pensava nisso enquanto corria, era a única opção. Logo, logo eu me cansaria e também não poderia correr risco de tentar executar um ataque aéreo do mesmo tipo que o soco invisível do Zernen, já que eu não tinha mana para desperdiçar.

Fiu! Fiu! — Assobiei no momento em que uma das flechas iria me acertar e advinha quem apareceu no último instante para me salvar? Gaia! Com os seus dois braços volumosos, ele repeliu aquelas flechas e aqueles espinhos.

Não deixei de ficar triste por ter que precisar da ajuda do Gaia, mas até eu tinha que entender as minhas limitações.

— Gaia, acabe com eles!

Estiquei um dos braços contra os aventureiros sobre o telhado daquele edifício. Ao presenciarem o golem ali, eles fizeram uma cara que gostei demais. Um pavor havia tomado conta dos seus rostos e sua pose de herói havia desaparecido completamente.

Gaia cerrou seus punhos. Essa era nova, eu não sabia o que ele pretendia fazer. Eu ainda não conseguia entender a extensão do poder do Gaia, mesmo eu tendo ciência das habilidades de um golem.

Ele falar já era uma grande façanha, porque golems com certeza não falavam.

Enfim…

— Manda ver, Gaia!

Gaia arremessou várias pedras contra aquele edifício, os aventureiros com certeza não esperavam por aquilo. No entanto, eles conseguiram pular para o outro edifício a tempo, antes que fossem atingidos pelas pedras, o que me trouxe alívio.

Eu não queria sangue.

— Escuta, Gaia… — Atrai os olhos verdes e fundos do Gaia. — Modere um pouco nos ataques, sim?

— Gaia tentar fazer o seu máximo para não machucar ninguém.

— Bom, menino — sorri.

Aquele estrondo causado pela destruição de uma grande parte do edifício começou a chamar atenção. Algumas pessoas começaram a sair e isso não era bom, precisávamos sair dali urgentemente.

Gaia deu um grande salto até onde estavam os aventureiros, no outro edifício. Eles inutilmente tentaram lançar seus ataques, mas não faziam dano no corpo de pedra do Gaia.

Seus olhos arregalaram, seus traços se contorceram ao verem Gaia quase que colocando as mãos sobre eles, como se os quisesse esmagar.

No entanto, algo aconteceu. Algo fora dos meus cálculos.

Gaia foi derrubado, foi em um instante. Um braço gigante chocou contra o seu rosto e ele caiu no chão, seu corpo causando um estrondo e levantando poeira.

— Seus inúteis, nem para servirem como cobaias vocês servem!  — Do telhado que Gaia havia danificado, saiu um cara de jaleco e óculos graduados, ele era o cara que se escondia nas sombras. No seu pescoço, possuía um colar com um B cravado.

“Só pode ser brincadeira… “

— Por que raios um aventureiro rank B estava se escondendo?

— Porque eu sou cauteloso, diferente de vocês, meros mortais.

” E você é o que, um alien por acaso?”

— Jarves, esse é o seu nome, não é? Era um mendigo que conseguiu subir na vida usando o pior dos métodos possíveis, a manipulação. — Ele mostrou um papel dourado e, quando estreitei os olhos, vi que a recompensa havia subido para um milhão de ouro!

“Como assimmmmm?!”

“Um milhãooooooo?!”

Eu já não fazia a mínima ideia do que estava acontecendo aqui.

— Atenção mero mortal, eu não me importo com o seu passado obscuro, quero a recompensa apenas para continuar fazendo os meus experimentos.

“Não acredito nisso!”

“Por que raios eu tive que pegar um cientista maluco como oponente?!”

— Fui agraciado por uma habilidade incrível, que apenas seres superiores como eu poderiam receber. Meros mortais como você não poderiam entender, seres inferiores que sequer possuem magia e ainda têm défice de mana.

“Não é possível…  O quanto esse cara sabe sobre mim?”

— Tá, cara. Eu já entendi que você é o tal supremo e nasceu com uma habilidade roubada, mas por favor, não precisa esfregar isso na minha cara! — Bati a mão contra o peito, olhando-o seriamente. — Se quiser lutar, façamos isso de forma justa! Eu e você, mano a mano!

Uma das lições que o Sr. Alexodoro me ensinou era não baixar a cabeça para um oponente que era mais forte. Ainda que por dentro eu estivesse borbulhando de medo, eu deveria agir com coragem e pujança.

Resumindo essa lição: autoestima é tudo.

— Acha que pode me derrotar, mortal?

— Meu passatempo é arrebentar pessoas com cara de batata e nariz de cenoura como você!

Comecei a rir inteiramente. Olhando muito bem para o seu rosto, reparei que ele se parecia muito com o Pinóquio.

— Ousa zombar da minha aparência majestosa?! Morra, ser inferior! — Seu braço chocou contra o meu rosto numa velocidade que eu nem vi, apenas senti o meu corpo sendo arremessado contra a parede de um edifício.

“Que velocidade…”

Nesta altura, algumas pessoas gritavam enquanto corriam de um lado para outro.

Limpei o sangue que saía do meu nariz enquanto me levantava daquela parede. Se eu não tivesse usado mana para reforçar as minhas costas, como Sr. Alexodoro havia me ensinado, minhas costas claramente teriam quebrado.

— Você continua vivo?

— Gaia furioso! Gaia furioso! — Gaia tentou levantar-se, mas foi derrubado novamente pela mão gigante desse cientista maluco.

Pelo que entendi, ele tinha uma habilidade que permitia tornar os membros grandes e esticá-los em uma velocidade alarmante. De fato, uma habilidade muito roubada.

Ele não exagerou quando falou disso.

— Ei! — Atrai a atenção dos seus olhos e apontei o dedo para ele. — Prepare-se para morrer aqui e agora!

” Quital, o que achou dessa pose bem estilosa que faço enquanto aponto meu dedo para você, te mandando se preparar para morrer? Muito legal, não?” Era a mesma pose que o herói fez uma vez quando o inimigo derrubou ele e ele tornou a se levantar.

— Até a sua voz me irrita, mero mortal.

Novamente, não percebi como o braço dele havia me derrubado.

Apenas senti o meu corpo embater contra a parede, minha boca se abrindo enquanto milhares de gotas de saliva saltavam ao vento.

Crack! Esse era o som que vinha da minha coluna.

“Então é assim que são os aventureiros rank B?”

“Espera um pouco…” O mundo estava girando, uma espiral ficando cada vez mais rápida enquanto os meus olhos se fechavam.

Não era agora que deveria passar um flashback dos treinamentos que tive com o Sr. Alexodoro e depois eu levantar com uma força não humana novamente? Então, por que nada estava aparecendo?

“Não acredito no quão fracassado eu sou, até os flashbacks me abandonaram.”

“Parece que essa coisa só funciona nos livros e séries mesmo.”

Desliguei, contemplando por último aquele cientista se aproximar enquanto lançava uma risada maluca ao vento.

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Olá, eu sou o Andy Lucas!

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