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— Você foi tão fácil de derrotar, nem precisei usar metade do meu poder. Não acredito que me preocupei à toa por um simples garoto.

Com passos lentos, em meio aos escombros de corpos, Wase caminhava em direção ao seu oponente totalmente imobilizado por sua magia.

— Parece que você me pegou! Hahahaha! — Zernen começou a rir, o que causou uma certa desconfiança no Wase. Seu oponente estava com as pernas e as mãos atadas e ainda assim seguia mantendo um sorriso no rosto, era no mínimo anormal.

— Você ri desse jeito como se tivesse uma carta na manga, mas já vou avisando que não tem como tentar nada sem se mover.

— Parece que é você quem não aprendeu com nada.

— Espera um pouco… — Wase parou e arregalou os olhos. Algumas memórias do Zernen usando magia de explosão enquanto estava no ar passaram por sua mente. Dúvidas a respeito da magia do seu oponente surgiram em sua mente.

Zernen aproveitou aquele instante de hesitação que havia provocado e emitiu em alto som.

Magia de Explosãooooo!!!

Wase fechou os olhos intensamente, mas nada mais recebeu do que risadas vindas daquele garoto de cabelos verdes.

Aquilo deixou Wase irritado, mas o alívio era maior por saber que o seu oponente estava tão desesperado ao ponto de realizar um blefe.

Hahahaha! E pensar que você estava blefando! Você é mesmo incapaz de usar magia de explosão paralisado desse jeito!

Enquanto sorria de satisfação, Wase continuou sua caminhada. Não via a hora de finalizar o oponente e pegar aquela recompensa.

— Parece que o meu blefe não funcionou.

Quando próximo do Zernen, Wase elevou o braço para cima e emitiu.

— Últimas palavras?

— Últimas palavras, não é? — Zernen deu um sorriso largo e gritou: — Booooom!

Uma luz dourada tomou conta do seu corpo enquanto Wase tentava fugir apressadamente, mas não deu tempo. A explosão o alcançou e o lançou contra o vento, uma densa poeira enegrecida cobriu todo aquele local.

Após recuperar os movimentos, Zernen alongou os braços enquanto caminhava contra aquela névoa.

— Parece que o meu blefe depois do blefe funcionou. Jarves tinha razão, brincar de blefar é a melhor coisa do mundo!

Ele cessou seus alongamentos ao ouvir as reclamações daquele que havia sido derrubado por sua magia.

— Maldito! Cof! Cof! Eu quase morri!

A névoa enfim se dissipou e os seus olhos se encontraram. Os olhos do Zernen percorriam Wase desde a face coberta de arranhões, as suas vestes despedaçadas em pequenos rasgões. Ele estava de joelhos contra o chão enquanto tossia.

— Até que usar a cabeça é legal demais! Hahahaha! Eu me deixei capturar por sua magia para te pegar e acabar logo com você em um segundo, mas vejo que você é durão!

— Agora você me irritou… — Wase levantou-se e olhou severamente para Zernen.

— No próximo golpe eu acabo com isso!

— É o que veremos!

Soco explosivo! — Zernen arrastou o punho contra o ar, arremessando uma rajada de vento. A rajada que percorria o ar em direção ao Wase era a união das habilidades explosão e soco invisível. Consistia em uma pressão de partículas que, ao alcançar um curto tempo, explodia no vento.

— Grande coisa… — Wase recuou alguns passos e usou sua habilidade barreira defensiva para impedir que aquele ataque pudesse acertá-lo. A explosão não causou sequer uma rachadura, o que alegrou Wase.

Mas seu sorriso foi abaixo quando, ao invés de um, Zernen começou a lançar múltiplos socos explosivos. A quantidade de ataques começou a fazer efeito contra a barreira quadrada que Wase havia feito.  Rachaduras, como se um espelho estivesse quebrando, se expandiam pela barreira enquanto Wase mantinha a mão esticada para sustentá-la.

— Vamos ver até quando você vai aguentar!

Com um último soco, dessa vez mais intenso, a barreira cedeu e quebrou em estilhaços de vidros. Wase teve que saltar e recuar para que não fosse acertado por aquela pequena explosão.

— Vamos! Não fuja!

Ao passo que Zernen, todo animado, avançava enquanto golpeava o vento freneticamente com os dois punhos.

Com uma barreira que resistia aos ataques explosivos consecutivos, Wase sorriu e ativou a magia de paralisação.

Zernen estava tão animado, golpeando o vento como um louco que havia esquecido dela.

Seus movimentos cessaram, seus músculos tremiam numa tentativa falha de superar a paralisia.

— Não me subestime, garoto.

— Ah, é? Vai apelar para a magia de paralisia assim que não pode me enfrentar mano a mano, não é?

— Aguarde um pouco e teremos a nossa luta mano a mano como tanto deseja… — Wase cortou a fala quando observou uma luz semelhante à do sol envolver o corpo do Zernen. A luz, que ficava mais intensa, cegou seus olhos e produziu uma explosão.

Booooom!

“Essa foi por pouco…” Wase suspirava de alívio enquanto observava aquela névoa, por sorte ele havia mantido uma distância segura entre ele e o Zernen, dando tempo para que pudesse recuar antes que o impacto da explosão o atingisse.

— Enquanto eu me mantiver nessa distância, você…

Novamente, Wase interrompeu a fala ao vislumbrar o brilho tomando conta do corpo do garoto.

“Esse garoto…” Por achar que a explosão não chegaria perto de si, Wase não se deu ao trabalho de recuar e foi pego pela explosão. “Me pegou.” Deitado, Wase observava as nuvens do céu com os braços esticados.

— Foi mal, mas eu blefei novamente! Fingi que aquela era a distância que a minha magia podia te alcançar, mas que, na verdade, não era, sacou? Eu te enganei novamente!

Os traços de Wase se reuniram de irritação pelas risadas do garoto de cabelos verdes. Ele já estava cansado dos blefes que Zernen fazia, haviam perdido toda a graça.

Levantou-se e o olhou severamente.

— Maldito, espere só…

— Ah, acontece que eu não tenho tempo para esperar! — Como um zás, Zernen correu contra o Wase com os punhos cerrados. Wase materializou uma barreira quadrada no tom esverdeado, mas esta não tardou a quebrar pelo bombardeamento causado pelos socos explosivos do Zernen.

Enquanto estilhaços de vidro cristalino voavam contra sua face, a pressão do vento fazendo os seus cabelos balançarem, Wase saltou e recuou.

— Que divertido vai ser acabar com você! Parece que eu é que te superestimei!

Mas seu oponente não parou com os socos explosivos.

Irritado, Wase usou a magia de barreira para se proteger daqueles ataques enquanto usava a magia de paralisação de mana, mas falhou miseravelmente quando Zernen liberou mais uma explosão.

Tossindo pela poeira inalada, Wase tentou inutilmente materializar uma barreira que o protegesse de mais um soco explosivo, mas ela quebrou em estilhaços de cristais. O soco do Zernen afundou o rosto Wase, criando uma sensação de feição desfigurada.

Wase caiu e rolou no chão enquanto Zernen caminhava, batendo um dos punhos na palma da mão.

— Vamos, levante-se!

— Maldito! Barreira…

Com o sangue fluindo do nariz, Wase tentou lançar sua magia de proteção, mas a explosão do Zernen foi mais rápida.

Booooom!

Wase saiu voando.

Depois que a poeira se dissipou, os olhos daqueles dois se encontraram. Wase estava deitado no chão enquanto Zernen continuava avançando para mais perto dele.

— Enquanto eu puder elaborar minha explosão, sua magia será sempre inútil. Acho que ficou claro a diferença entre mim e você, não é?

Hahahaha!

Zernen parou e ergueu uma sobrancelha diante da risada do Wase.

— De fato, você tem razão… — Wase se levantou enquanto sacudia a poeira de suas vestes cobertas de rasgões. — Há uma grande diferença entre nós.

— Que bom que entendeu, mas não acha que está um pouco tarde demais?

— Tarde por quê?

Ah, entendi! — Zernen sorriu e estalou os dedos. — Você deve estar pensando que, se continuar apanhando, quem sabe a minha mana não acabe e você possa me derrotar, não é?

Wase semicerrou os olhos e emitiu.

— Eu não pensei isso.

Zernen colocou os braços contra a cintura e emitiu.

Hahahaha! Tenho muita pena de você, porque eu ainda tenho muita mana para usar ainda!

— Isso é perfeito, afinal, quando você perder, não quero que diga que te cansei e depois te derrotei assim que perdeu as forças.

— Já que está com a autoestima em dia, segura essa explosão então! Soco explosivo! — Zernen avançou o punho contra o vento, desferindo uma rajada contra seu oponente que por algum motivo dava um sorriso largo.

Hahahaha! Eu falei, não falei? É tarde de…

Assim que a névoa desapareceu, Zernen arregalou os olhos ao perceber que o seu oponente não só estava de pé como seu soco sequer havia causado nenhum dano. Ele estava exatamente como estava antes.

— O que?

Wow! Era para ter acontecido algo? Que estranho, eu não estou vendo nenhum arranhão por aqui. — Wase percorreu o olhar pelo seu corpo. Levantou uma das pernas e seus braços, e por fim, sorriu maliciosamente para Zernen que o respondeu com múltiplos socos explosivos.

Mas nenhum deles teve efeito.

A fumaça foi desaparecendo, revelando Wase em pé e sem arranhão algum. O mais assustador para Zernen é que ele nem havia usado nenhuma de suas barreiras de cristais para se proteger.

— Que estranho… Por que os seus golpes não estão me afetando? — perguntou Wase, colocando o dedo mindinho no ouvido.

O feitiço virou contra feiticeiro, agora Zernen é que ficava irritado com a zombaria feita por Wase.

— Maldito! O que você fez?

— Essa é a minha forma perfeita.

— Forma perfeita?

— É, eu planejava não usar contra você, mas vejo que te subestimar me levou a uma situação de quase morte. Quando me dei conta disso, decidi usar a minha melhor habilidade, o escudo perfeito. Parece que valeu a pena esperar os 10 minutos, agora nenhuma magia sua irá me afetar.

— Escudo perfeito? Não me faça rir! Eu vou quebrar isso, é agora mesmo! Mil socos explosivos! — Zernen aumentou a velocidade com que lançava seus socos explosivos enquanto seu oponente se aproximava cada vez mais dele, sem sentir nenhum dano.  Zernen rangeu os dentes e liberou a explosão vinda do seu corpo, mas depois da poeira se dissipar, ele pôde contemplar Wase caminhando em meio à névoa.

— Você queria tanto a luta mano a mano, não queria? Então vamos lá!

Wase deu um soco no rosto do Zernen enquanto a névoa o envolvia.

Zernen foi forçado a recuar e, quando tentou lançar um soco, recebeu um pontapé em uma das coxas e dois socos na barriga que o arremessaram contra o chão enquanto sua boca aberta instintivamente soltava gotículas de saliva.

— Sua sorte é que, quando ativo essa habilidade, não consigo usar nenhuma outra habilidade como paralisação ou escudo normal, se não você sequer poderia revidar.

Wase desceu seus pares de olhos para o garoto deitado no chão.

Com o inimigo tão próximo, Zernen não perdeu tempo e liberou sua magia de explosão. Um boom que transpassou o ouvido do Wase ressoou, no entanto, nem mesmo uma explosão de tão perto foi capaz de derrubar Wase.

Continuava em pé e inabalável.

— Desiste logo, não tem como você me derrotar nessa minha forma.

— Esse escudo vai cair agora! Super hiper mega soco explosivo!

Zernen aproveitou aquela névoa e correu contra o Wase, desferindo um soco explosivo contra sua face. Mesmo Wase tendo aceitado aquele soco de bom grado, nenhum dano havia sido causado na sua pele.

Zernen arregalou os olhos e estalou a língua enquanto recuava alguns metros.

— Que chatice. Deixa eu te contar uma coisa, garoto… 

Soco explosivo!

Enquanto desviava os socos explosivos abanando as mãos, Wase emitia.

— A minha habilidade escudo perfeito é a junção perfeita da minha habilidade escudo e paralisia. Eu não somente paraliso a mana do oponente, mas eu estudo ela e, com base nisso, eu posso desenvolver um escudo ao redor do meu corpo para resistir à quantidade de mana impressa na sua explosão.

— Eu não entendi nada! Soco explosivo!

Zernen novamente tentou, mas falhou miseravelmente.

— Tá brincando? Ah, tanto faz. O que você precisa saber é que o meu escudo perfeito é capaz de resistir a toda explosão que você enviar. Dito isso, fim de jogo para você.

Soco explosivo!

Zernen puxou seu punho para frente, mas apenas uma pequena e insignificante explosão saiu.

— O que?

Hahahaha! Parece que você ficou sem mana!

— Não tem problema… Eu vou no soco, até quebrar esse escudo! Aaaaaaah! — Zernen gritou e avançou com os próprios punhos.

Wase se desviou e contra-atacou com um pontapé na cintura que fez Zernen cair e rolar. Zernen se levantou rapidamente e tentou sua investida, mas seus socos e pontapés não faziam efeito contra o escudo perfeito do Wase.

Wase pegou o cabelo Zernen, ele estava vertendo sangue do nariz enquanto golpeava o vento com punhos fracos e lentos. Seus olhos verdes se fechavam lentamente enquanto ele emitia suas últimas palavras.

— Eu não posso perder…

Dito isso, Wase deixou Zernen cair no chão.

— Não, eu é que não posso perder, garoto. Missão cumprida, finalmente agora poderei subir para o rank A. Agora estou mais perto de me tornar um aventureiro rank S e garantir uma vida boa para os meus irmãos.

Wase pegou o corpo do Zernen e o colocou sobre um dos seus ombros, se preparando para dar o fora dali.

— Para onde você pensa que vai?

Wase se virou e identificou uma mulher de jaleco carregando uma mala em mãos.

— Se não estou em engano, você é a moça da farmácia.

— Isso mesmo. E… — Theresa colocou a mão contra o peito e declarou com ousadia. — Eu serei a sua oponente a partir de agora!

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Olá, eu sou o Andy Lucas!

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