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Izabella:

— O garoto que estava com vocês disse para encontrá-lo no monumento dos arautos. – O senhor disse enquanto colocava um copo de café na minha frente. – Ele nem mesmo esperou para que eu fizesse o café…

— Muito obrigado. – Eu peguei o copo de café e dei um gole.

— O café está um pouco fraco, né? Normalmente eu faço o café mais forte, mas o café está acabando e o comércio não está abrindo então…

— O café está ótimo senhor. – Eu afirmei.

Ele deu um pequeno sorriso e se sentou ao meu lado da mesa.

— A sua mulher não come? – Igor perguntou.

— Eu às vezes tento, mas ela não mastiga e nem bebe, eu fiquei preocupado no começo, mas parece que ela não precisa de comida enquanto está nesse estado.

Ela está morta.

Eu me lembrei do que Igor e Edward disseram ontem à noite, seria cruel dizer ao senhor, mas ao mesmo tempo… a esposa dele está sofrendo e ele nem sabe.

— Entendo, vocês não conseguem fazer nada para sair dessa situação? – Igor perguntou enquanto dava um gole no café dele.

Por que ele está fazendo essas perguntas se ele já sabe as respostas? Ele está tirando sarro do senhor?

— Estamos esperando ajuda de fora, não conseguimos fazer nada contra o selo, mas já enviamos um pedido ao Rei, enviamos um pombo, sendo sincero acho que o pombo consegue chegar lá em apenas uma semana, então a qualquer momento alguém deve chegar para nos ajudar.

— Sim, com certeza o Rei irá mandar ajuda. – Igor disse enquanto colocava o copo de volta na mesa e se levantava. – Enfim, muito obrigado pela sua hospitalidade, que nossos caminhos se encontrem em uma melhor situação.

— Idem. – O senhor disse enquanto se levantava para se despedir.

Eu me despedi do senhor e saí da casa junto com Igor.

— Quando você acha que o Rei vai mandar ajuda? – Eu perguntei.

— Ele não vai mandar. –

— Mas você disse… 

— A primeira ajuda que seria enviada seria do orfanato e normalmente o orfanato é a única ajuda necessária, o “Pai” sabe o que está acontecendo aqui, tem um ano que essa coisa chegou aqui, mas mesmo assim ele não mandou nenhum dos meus irmãos e não vai mandar.

— Por que ele não ajuda? Vocês deveriam ajudar as pessoas, não é? – Eu não consigo entender.

— Essas pessoas… elas não importam. – Igor parecia irritado enquanto falava. – Elas não são relevantes e não são dignas de ajuda.

Eu pensei em falar alguma coisa, mas algo me dizia para que não.

Igor pegou os cavalos que estavam junto à carruagem e começou a conduzi-los pelas ruas estreitas da cidade.

As ruas estavam quase que desertas, poucas pessoas passavam por ela, muito diferente das outras cidade em que passamos no caminho para cá.

Enquanto andávamos nós vimos uma pequena multidão em volta de uma pessoa morta.

— Ele deve ter saído a noite.

— Que cruel…

O rosto do homem tinha uma expressão de puro terror e em seu peito havia um enorme buraco circular no lugar onde ficaria o seu coração.

Igor me deu as rédeas dos cavalos e chegou perto do corpo, se ajoelhou e analisou o corpo por um tempo, as pessoas ao redor não o interromperam, apenas observavam enquanto Igor analisava o corpo..

Após um tempo, ele colocou a mão no peito do homem, do lado onde não havia nenhum buraco, e começou a queimar.

— Tenha em sua morte, um descanso digno.

Quando o corpo carbonizou por inteiro, Igor se levantou e continuou indo na direção das estátuas.

Uma mulher agradeceu Igor com os olhos marejados:

— Muito obrigado senhor, muito obrigado por dar-lhe uma morte digna.

Igor apenas acenou com a cabeça.

Eu me aproximei dele, desde que Igor acordou ele não falou muito, ele parece estar de mal humor.

— O que você viu no corpo, por que o queimou?

— O demônio mata quem sai de noite, deve ter algum motivo para isso. – Ele estava com os punhos cerrados. – Ele brinca com o povo desse reino e então os mata, não importa se ele é um selo, eu vou matá-lo!

Chegamos até as estátuas, de perto elas eram bem maiores do que pareciam, na frente de uma das estátuas Edward estava encostado junto com uma garotinha, a garotinha usava um vestido surrado e sujo de terra, seus cabelos eram amarelos e estavam amarrados em duas tranças mal-feitas, ela parecia triste. 

— Edwe? Quem é ela? – Igor perguntou quando chegou.

— Os pais dela estão mortos. 

— E você decidiu ficar com ela?

— Não, ela começou a me seguir.

Eu fui até a garotinha:

— Qual é o seu nome?

— Dilah…

— Dilah, né? Prazer meu nome é Izabella!

A garotinha se afastou de mim… acho que meu cabelo não está tão bem arrumado.

Eu fui até Edward.

— E o que vamos fazer com ela?

— Ué, vamos deixar ela por aí, que nem eu disse, ela que começou a me seguir.

— O que? Não podemos deixar uma garotinha nas ruas sozinha sem ninguém para cuidar dela! – Eu olhei para Igor esperando ele concordar comigo..

— Ela tem razão, não podemos deixar ela nas ruas, é perigoso.

Eu concordei com a cabeça.

Antes Edward respondesse, um calafrio subiu as minhas costas e eu comecei a ter dificuldades para respirar como se o ar estivesse mais pesado, as minhas pernas começaram a tremer tanto que eu quase mal conseguia me manter de pé.

Essa sensação… é parecida com a de quando Igor aumentou a aura dele.

Mas não é igual, é pior.

— Arf… Arf…

É como se a morte estivesse do meu lado!

— De fato, de fato, seria desumano deixar essa garotinha tão indefesa sozinha nas ruas, vocês não ouviram falar que existe um demônio por essas redondezas? – Uma voz maliciosa se aproximou por trás de mim.

É o selo?!

Eu olhei para Igor e Edward, ambos estavam paralisados com a presença do selo, era muito mais forte e assustadora do que o de Semini.

Eu me esforcei para me virar para trás e eu vi um homem um homem pálido usando roupas pretas e correntes que faziam barulho em cada movimento que ele fazia, diferente do outro selo, ele tinha a altura de uma pessoa normal, um pouco maior que Edward, mas o que mais se destacava nele, era uma enorme tatuagem que cobria todo o seu rosto, similar a tatuagem no braço do outro selo, uma cruz de cabeça para baixo.

— É um prazer recebê-los no meu reino! – O selo disse enquanto passava ao meu lado.

Por que vocês não estão reagindo? Igor! Edward!

Ele vai nos matar!

Edward se forçou a colocar a mão na cintura para invocar a espada, mas ele estava tão assustado quanto eu e mal conseguia se mexer, a pressão que a aura daquele demônio emitia era tanta que nem mesmo Igor conseguia se mexer direito.

— Não se preocupe, eu não vou matá-los! Que tipo de anfitrião eu seria se eu matasse novos moradores? – Ele disse para Edward. – Eu só queria dar as boas-vindas para vocês. – E com um sorriso desagradável começou a andar na direção da garotinha que também estava paralisada.

— Oi pequena Dilah! Lembra de mim?… Sabe daqueles pesadelos que você sempre tem, você lembra não é? – Ele passou a mão na cabeça dela. – Como está a mamãe e o papai? 

— A ma… mãe… ela… o papai… – Dilah mal conseguia formar uma frase.

— Não precisa responder ele Dilah. – Eu me forcei a dizer.

O demônio olhou para mim e meu corpo inteiro estremeceu, mas logo  voltou a sua atenção para a garota… eu me senti aliviada por não ser o alvo dele…

— Ora! Mas que indelicadeza minha, eu esqueci que eles morreram… os humanos são tão frágeis. – Ele acariciou a bochecha da garota limpando uma lágrima que escorria dele. – Quando não morrem fisicamente, eles não aguentam mentalmente, não se preocupe eu sou bonzinho, eu posso fazer tudo isso que você está sentindo acabar, não vai precisar mais se preocupar em ficar sozinha.

— Você é uma garotinha forte, sabia? A maioria das crianças, na verdade até mesmo adultos, teriam desmaiado no momento em que eu cheguei aqui, mas você não só não desmaiou como conseguiu falar. – Ele abriu ainda mais o sorriso. – Isso é assustador, não é mesmo?!

A pele de Dilah começou a perder a cor, o brilho em seus olhos a apagou e as lágrimas começaram a secar.

Eu preciso fazer alguma coisa! Eu preciso…

Eu olhei para Edward e Igor e ambos estavam parados olhando para o que estava acontecendo, e mesmo sem eles falarem nada deu para perceber que eles estavam sentindo as mesmas sensações que eu.

— Ahhhh – A garota começou a gemer enquanto encarava o nada.

— Tão maravilhoso… – O demônio se levantou e virou para Edward e Igor. – Perdão, mas eu tinha uma afeição por essa garota, ela tinha os melhores pesadelos. – Ele disse enquanto fingia limpar lágrimas de seu rosto.

— Enfim, sejam bem-vindos ao meu reino! Estou ansioso para nos conhecermos melhor.

O demônio riu de orelha a orelha e lentamente começou a andar para longe.

Alguns segundos se passaram e os barulhos de correntes cesaram.

— Oofff. – Eu finalmente consegui voltar a respirar normalmente.

Igor e Edward também voltaram a se mexer.

— Dilah! – Eu me agachei e coloquei as minhas mãos nos ombros da garota.

Ela estava com a mesma expressão da senhora que estava na casa do senhor que nos abrigou.

— Dilah! Ei! Acorda! Dilah!

— Ela não vai mais acordar… – Edward chegou até mim.

— ?! Por que vocês não fizeram nada?! Vocês são divindades não são? Por que deixaram ele fazer isso com ela?! Igor!

— … – Igor desviou o olhar.

— Vamos façam alguma coisa, faça a garota voltar!

— Não adianta mais… – Igor lamentou.

Edward se aproximou da garota e colocou a mão no ombro dela e o corpo dela começou a congelar.

!

— O que você está fazendo? Sai de perto dela! Ainda dá para fazer alguma coisa! – Eu o empurrei. – Igor, me ajuda, você não vai deixar que el-

!?

Igor me segurou pelo braço e me puxou para longe da garota e Edward voltou a congelá-la.

— Me solta! Solta! – Eu me debati, mas Igor era muito mais forte do que eu.

— Ela já está morta Izabella, o que ele está fazendo… é piedade. – Igor disse enquanto continuava a me segurar.

— Piedade?! Piedade?! Era isso que ele teve quando matou aquela criança? É isso que ele tinha quando matou um forte inteiro de soldados? É isso que ele está tendo enquanto está matando ela sem mesmo tentar achar uma solução?! – Eu senti Igor afrouxando um pouco mais a mão e aproveitei essa chance e usando a minha magia eu me soltei dele.

— Sai de perto dela! – Eu puxei Edward pelo ombro.

Mas a garota já estava completamente congelada e a expressão de terror que ela tinha no rosto ainda se mantinha lá.

!

Meu rosto já estava coberto em lágrimas, eu me virei para Edward:

— Você não é nenhum salvador ou coisa parecida! Você é um monstro! Pior do que esses demônios que você quer matar!

Eu esperava que ele fosse me atacar, usar a magia dele em mim, me matar, mas ele simplesmente olhou para mim, o rosto dele estava em uma expressão que eu nunca tinha visto.

— Eu sei.

Ele então começou a andar para longe da gente.

— A casa da garota… fica na quinta rua depois da entrada do reino, vamos dormir lá essa noite… O gelo não está mais no meu controle.

E ele foi embora, Igor foi até a garota que havia se transformado em uma estátua de gelo e usando a sua magia, começou a queimá-la.

— A única maneira de descansar, é se livrando da casca de seu espírito, Dilah… que a sua alma alcance o céu.

Igor ainda estava tremendo.

— Eu não consegui reagir… acho que ainda estou com o último selo na cabeça…

— Ela estava em um estado lamentável, que nem aquela senhora, esse demônio, tirou todo o ar dos pulmões e toda a mana de dentro do corpo dela, ela só estava viva por causa da magia daquele demônio. – O corpo da garota lentamente começava a carbonizar.

— Mesmo se matássemos o demônio, ela iria só morrer, o que o Edwe fez, foi pelo bem da garota…

Eu me sentei perto de uma das estátuas, eu não estava mais me aguentando em pé e já não conseguia mais conter o choro.

— Ele a matou na nossa frente, para aumentar o nosso medo por ele… ele fez tudo isso para ficar mais forte, a garota foi só uma ferramenta. – Igor apertou os punhos com força.

— Ele tem três magias diferentes, uma é conseguir entrar na mente das pessoas e mostrar o que elas têm mais medo ou algo parecido, outra é sugar a vida das pessoas, de acordo com o que o senhor que nos abrigou disse, ele não precisa tocar em alguém para fazer isso, mas eu acredito que tenha uma limitação e a última magia… eu ainda não descobri, mas aquele corpo com um buraco no coração é uma pista… – Uma lágrima escorria do rosto dele enquanto a garota era completamente cremada.

Ele realmente está pensando em lutar contra aquilo?

— Eu juro… eu juro por Deus que eu vou matar aquele demônio! – A lágrima que escorria de seu rosto, evaporou antes mesmo de cair no chão.

Picture of Olá, eu sou o Evaze!

Olá, eu sou o Evaze!

Io rapeize, finalmente estamos chegando na parte final desse arco.
E eu só queria agradecer aqueles que leram até aqui, prometo não decepcionar!
Enfim muito provavelmente semana que vem eu irei publicar apenas um capítulo ao invés dos dois costumeiros, mas se eu ver que a recepção desses dois últimos capítulos for boa, eu tento fazer um esforço a mais pra entregar dois capítulos!
Enfim muito obrigado novamente, tenham uma boa noite, um bom dia e uma boa tarde!

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