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Caminhei entre as prateleiras empoeiradas, os barris lotados de armas largadas e desorganizadas, e algumas grandes armaduras de placas mostravam seu ar antigo no canto do cômodo.

Gael imitou meus movimentos, mas foi para o lado oposto da sala. Ele caminhou com os braços cruzados para trás, analisando as armas à sua volta.

“Tem certeza que quer uma espada bastarda? Elas costumam ter 1,20 metros de comprimento, e você parece ter 1,40, não é muito desproporcional?” Questionou Gael, olhando para mim.

“Existem algumas adagas aqui.” Falou o homem, segurando uma pequena lâmina de ferro, sem nenhum tipo de adorno.

“Quero os dois.” Afirmei, percebendo que uma adaga poderia ser útil.

Erguendo as sobrancelhas, o homem segurou a adaga pela lâmina e com cuidado atirou para mim. Peguei a faca pelo cabo após ela voar em minha direção.

Segurei a arma gelada, minha palma ficou um pouco suja de poeira, mas percebi que o fio ainda estava presente. “Esse manto não tem nenhum lugar para colocar minhas armas? Vou ter que ficar segurando-as o tempo todo?” Perguntei, procurando algo em minha cintura para apoiar a adaga.

“Nós magos não costumamos usar armas, afinal focamos apenas na magia. Muitos de nós só conseguimos aprofundar seu conhecimento na velhice, o que aumenta mais ainda a raridade de magos que usam armas.”

“Mas deve ter algumas bainhas por aqui. Se elas vão caber em você, não sei dizer.” Declarou o homem, continuando sua caminhada pelas armas antigas.

Eventualmente, encontrei uma caixa de tábuas de madeira, preenchida com vários tipos de bainhas. Essas que eram de couro, e tudo ali também estava coberto de poeira.

Enfiei meus braços dentro da caixa, procurando alguma bainha de adaga e espada. Acabei encontrando uma bainha de couro preto, que era exatamente do tamanho da adaga que deixei no chão ao meu lado.

Deixei para procurar a bainha da espada após encontrar uma lâmina adequada, mas meus pensamentos foram interrompidos quando Gael aproximou-se de mim e me entregou uma lâmina parecida com a que a deusa brilhante me entregou.

A lâmina não estava enferrujada, e sua ponta ainda era capaz de facilmente perfurar alguém. Entretanto, não senti a mesma conexão que tive com a arma que usei por quinhentos anos.

Graças ao gesto do homem, não parei minha busca por outra bainha.

Encontrei outra bainha de couro preto, e um cinto de mesmo material e cor. Gael me ajudou a anexar as bainhas nos lados do cinto.

“Como você vai desembainhar essa espada?” Questionou o homem, e balancei os ombros.

“A ponta dessa espada vai ficar arrastando no chão enquanto você for baixinho assim.” Comentou, e repeti o gesto de antes.

Eu não podia fazer nada em relação a minha altura, apenas esperar que não ficasse no corpo de uma criança para sempre e eventualmente crescesse.

Vesti o cinto por cima do manto, testando sua versatilidade. O resultado me satisfez, a espada ficou no meu lado direito, e a adaga no esquerdo. Afinal eu me sentia mais confortável brandindo uma lâmina com a mão esquerda.

“Você pode vir aqui sempre que quiser, ninguém usa essas armas mesmo.” Declarou Gael, partindo em direção à porta.

“Tenho que ir, já perdi muito tempo hoje. Dê oi para Roger por mim, e fale para ele melhorar as aulas.”

Concordei com a cabeça, e com isso o homem foi embora. Me vi nas partes de trás do prédio que conheci Amanda, e voltei para a frente dele.

Vi novamente aquele gramado com muros baixos e alvos de palha, e percebi que muitos deles estavam com marcas escuras e buracos.

Andei até o meio do campo, e desembainhei minha espada, que estava com sua ponta suja de terra.

Ergui a lâmina para o céu com facilidade, ela parecia bem mais leve que minha espada original. Testei alguns cortes verticais e horizontais, percebendo que o ar resistia menos devido ao fio da lâmina.

Meu corpo se agitou, no fundo, eu sentia saudade de brandir uma espada. Magia era mais eficiente e menos arriscado, afinal não era necessário chegar perto do oponente.

Com a nostalgia de atacar com uma espada, uma ideia surgiu em minha mente.

Emaranhei fios marrons ao redor da lâmina, e a cobri com terra. Isso era apenas um teste, mas a terra caiu no chão após atacar o alvo de palha e madeira em minha frente.

Depois tentei emaranhar fios vermelhos, mas isso criou marcas na espada, portanto, desfiz meu feitiço.

Novamente emaranhei fios, mas dessa vez azuis. Isso criou uma camada de gelo na superfície metálica de minha arma, mas após algumas ideias, isso aumentou o alcance da lâmina.

Consegui dobrar o alcance, por mais que o gelo não fosse eficaz. Entretanto, consegui recriar uma ponta afiada o suficiente para perfurar o alvo.

Criei um fantoche de terra, que tinha minha altura, com fios marrons. Ele era completamente imóvel, mas cumpriu seu papel.

Corri em sua direção, e ataquei com a espada em seu pescoço falso, enquanto criava bolas de fogo que acertaram suas costas.

Percebi que não era obrigatório os fios tomarem forma logo após sair de meu núcleo, eu poderia controlá-los, contanto que eles uma vez já estivessem em meu espaço e ficassem perto de mim.

Testei vários ataques, todos enquanto criava algum tipo de magia. 

Tentei cobrir minha lâmina com uma camada de raios, e isso se provou bem eficaz. Era difícil atacar de duas formas simultaneamente, mas consegui. Entretanto, acabei tocando na lâmina e tomei um choque.

Suor continuou a descer pelo meu rosto, mas permaneci atacando o alvo de terra por uma tarde toda. Tirei inúmeras pausas para descansar e recarregar meu núcleo.

Criei várias marcas de cortes no peito e pescoço do alvo, mas os consertei com magia de terra.

Estocadas, cortes horizontais e verticais, golpes ascendentes e diagonais, testei muitos ataques que usei no lugar que fiquei preso por quinhentos anos.

Como ataque final, fiz uma estocada após emaranhar muitos fios vermelhos na ponta da espada, e perfurei o peito do alvo.

Com isso, os fios vermelhos criaram um fogo no interior do alvo, explodindo-o. Por alguns segundos fiquei preocupado que isso iria danificar a lâmina, mas apenas uma marca escura ficou em sua ponta.

Claro, o alvo não era tão resistente, e seu interior era oco, mas fiquei satisfeito com o resultado. Entretanto, a resistência de meu corpo me incomodou.

Enquanto estive preso, cheguei a lutar incessantemente por anos, sem uma única pausa. Ficar tão cansado com apenas uma tarde de treinamento mostrou a desvantagem de possuir um corpo como o meu.

Caí no chão e fechei os olhos, me perdendo em respirações ofegantes. Entretanto, o som alto de minhas respirações não me fez perceber que uma lasca de terra de meu alvo caiu do céu.

Meu corpo era muito mais resistente que o normal devido ao cristal, mas o pedaço era do tamanho do meu punho, e caiu bem na minha testa.

Sangue começou a descer do local atingido, mas não me importei com a dor. Só que o sangue caindo em meu olho esquerdo me irritou.

Para minha surpresa, escutei passos extremamente leves atrás de mim. Virei para trás, e novamente troquei olhares com a garota de cabelo roxo-claro, chamada de Stella por Roger.

A observei em silêncio, antes de ela se aproximar. Minha guarda se levantou ao ver um desconhecido bruscamente chegar perto, mas logo relaxou quando percebi que fios brancos se reuniram em sua palma e começaram a curar meu ferimento.

Olá, eu sou o Kalel K. Dessuy!

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