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Exausto, com olheiras profundas e o cabelo em desordem, Noro leva a mão ao rosto quando os primeiros raios de sol do alvorecer o atingem.

‘Merda… não consegui dormir nada essa noite…’

Encostado em uma árvore, Noro sustenta seu corpo com um braço enquanto ele e Helen continuam caminhando há algum tempo. Sua outra mão está pressionada contra o peito, onde um desconforto intenso o atormenta sem explicação.

‘Isso só tá piorando a cada dia…’

É como se seu peito estivesse sendo puxado ou apertado por uma força invisível. Nem ele mesmo consegue explicar. Era como se algo estivesse segurando seu coração, aprisionando-o.

‘Tanto faz…’

Ele se afasta da árvore, tirando a mão do peito. Balançando a cabeça, dá um tapa no próprio rosto, abrindo os olhos com um sorriso exageradamente confiante.

‘Ah, que dia mais lindo nesse inferno… até o ar parece mais fresco.’

Suspirando fundo, fecha os olhos por um momento de alívio. Mas, de repente, congela. Abre um olho de soslaio e vê Helen olhando para ele com uma expressão… peculiar.

Instantaneamente, ele fica vermelho e constrangido.

“Ah… eu só… que dia bom, né?”

Tosse desconfortavelmente e solta uma risada forçada, olhando para Helen, que agora franze as sobrancelhas, claramente sem entender nada.

“Está se sentindo melhor ou só mais esquisito?” ela pergunta, e ele apenas dá de ombros, rindo ainda mais nervoso.

Agora, Noro não se sente mais tão intimidado na presença de Helen. Claro, ela ainda é um monstro, mas eles já fizeram um bom progresso… pelo menos é o que ele acha.

As coisas ainda podem ficar um pouco desconfortáveis, mas, no geral, está tudo bem. E se está tudo bem, Noro está bem.

Noro para por um momento, sentindo um tremor estranho, como se…

De repente, toda a terra começa a tremer. Seus olhos se arregalam e ele fica alerta, invocando instantaneamente sua lâmina púrpura que surge em sua mão.

Helen, por outro lado, não demonstra surpresa. Sacando sua lança, seus olhos afiados varrem o entorno, atentos a qualquer movimento.

Noro olha freneticamente ao redor, procurando a fonte dos tremores, até mesmo espiando para baixo. Após alguns segundos, os tremores cessam completamente.

Ambos ficam em completo silêncio. A ansiedade de Noro transborda, suas mãos suando e tremendo, sua mente trabalhando a mil por hora, formulando as piores conclusões possíveis.

Mas… nada acontece.

Noro se acalma respirando fundo, observando Helen, que mantém a lança sacada, mas relaxa sua postura.

“Que diabos foi isso?” Noro pergunta, franzindo o cenho.

“Talvez tenha sido apenas um terremoto,” Helen responde friamente.

Noro mantém a lâmina púrpura sacada enquanto Helen gesticula com a cabeça para que continuem. Ele apenas concorda com um movimento de cabeça e seguem adiante.

‘Bom… não importa, é só continuar e eu vou poder ir embora finalmente’

Noro aperta o cabo de sua espada mais forte.

Enquanto Noro e Helen avançam pela densa vegetação, Noro nunca esteve tão alerta como agora. Ele não sabe o motivo, mas está profundamente incomodado com os tremores que sacudiram a terra e o desconforto persistente em seu peito, como uma sombra sinistra pairando sobre ele.

Talvez seja por esse motivo, e pelas experiências anteriores, que ele reage a tempo. Quando Noro dá mais um passo à frente, uma sombra imensa cai das árvores diretamente sobre ele.

Com reflexos afiados, Noro se esquiva para trás no último segundo, enquanto a criatura, com suas garras afiadas, atinge o chão onde ele estava há um momento.

Noro sorri de canto de boca, zombando da criatura.

“Não! Eu não vou ser pego por isso duas vezes.”

Ele se lembra do encontro anterior com o inseto gigante e como foi pego de surpresa.

Diante dele, a criatura atordoada solta um grunhido estranho, semelhante ao farfalhar de um réptil.

A criatura ergue-se diante de Noro, revelando uma fileira de dentes afiados em suas mandíbulas, prontos para dilacerar qualquer presa que ouse desafiar sua presença. Suas escamas, negras como a noite, têm um aspecto rochoso, refletindo a luz filtrada através das copas das árvores como fragmentos de obsidiana. 

Seu olhar é penetrante, irradiando uma aura de pura ferocidade e selvageria. Cada movimento do monstro é fluido e sinuoso, como se estivesse em perfeita sintonia com o ambiente ao seu redor. 

O rabo imenso se agita no ar, pronto para ser usado como arma contra qualquer intruso que se atreva a desafiá-lo. 

As runas se formam diante da visão de Noro.

Réptil Vulcânico

Níve-

Duas outras sombras avançam sorrateiramente em direção a Noro, aproveitando o momento em que ele estava distraído lendo as runas.

Mas antes que Noro pudesse sequer perceber o avanço das criaturas ao seu redor, Helen agarra seu braço com firmeza e o puxa para trás com uma rapidez impressionante, tirando-o do trajeto dos outros dois répteis que passam pela frente dele com uma velocidade aterradora.

O coração de Noro dispara em seu peito enquanto ele é arrastado para longe do perigo iminente, sua mente mal conseguindo processar a rápida sucessão de eventos. A sensação de perigo iminente o envolve, como se estivesse à beira de um abismo prestes a desabar sob seus pés.

“Obriga-”

“Não me agradeças ainda, preste atenção na luta.”

Noro acena com a cabeça. Ele volta sua atenção para a frente, onde não é mais apenas um inimigo, mas três daqueles enormes répteis bizarros.

Helen é a primeira a se mover, sua agilidade é notável enquanto ela dá um passo para o lado, afastando-se de Noro. Em seguida, num movimento fluido, avança ainda mais para o lado, seu corpo parecendo dançar entre as sombras das árvores.

Duas das criaturas viram sua atenção para ela, os olhos brilhando com uma malícia selvagem. Elas farfalham, abrindo suas bocas repletas de dentes afiados, enquanto suas línguas roxas e bizarras serpenteiam para fora, babas escorrendo de seus lábios numa profusão repugnante.

Noro observa com uma mistura de admiração e tensão enquanto Helen se prepara para o confronto. Sua postura é firme, seus movimentos calculados, como se ela estivesse traçando um plano complexo em sua mente antes mesmo de fazer seu primeiro movimento.

Mas Noro sabe que quando o assunto é traçar planos complexos antes mesmo de se mover, não é Helen que domina, mas sim ele. Seus olhos se estreitam com determinação enquanto ele observa a cena se desenrolar diante dele.

Ambos os répteis avançam em direção a Helen, cada um exibindo uma habilidade única e assustadora. Um deles quase galopa de quatro, sua agilidade é tão impressionante que parece desafiar a própria física. O outro serpenteia ainda mais rápido em direção a Helen, movendo-se com uma rapidez que desafia qualquer expectativa.

Um dos répteis avança diretamente para Helen, fazendo-a derrapar em seus próprios pés enquanto se esquiva. Ao mesmo tempo, o outro se lança em sua direção como um touro desenfreado, impulsionando-se em um salto mortal no último instante, com a intenção de engolir a cabeça de Helen com sua boca imensa.

Helen reage instantaneamente, girando nos calcanhares e virando-se para enfrentar o ataque iminente. Com movimentos ágeis e precisos, ela empunha sua lança com determinação, golpeando com força total a haste de ferro contra a mandíbula inferior do réptil.

O impacto é devastador. A mandíbula do monstro se fecha abruptamente com o impacto, fazendo-o recuar e subir com a força do golpe. Alguns de seus dentes até voam pelo ar.

Enquanto isso, o réptil à frente de Noro avança em sua direção, suas garras afiadas prontas para dilacerar sua presa. Noro sabe que precisa agir rapidamente para se defender.

Com um movimento rápido e determinado, ele ativa o fragmento de força e seu novo fragmento, o de instinto, adquirido do Caçador Bestial. Uma onda de adrenalina intensa percorre cada fibra de seu ser, e seus reflexos se tornam aguçados como lâminas.

Noro se prepara para o ataque, sua espada pronta para o confronto iminente. Quando o réptil avança com suas garras afiadas, Noro defende-se com um golpe preciso, empurrando a pata do monstro para o lado com força suficiente para fazê-lo abrir a postura e perder o equilíbrio.

Noro sorri de canto de boca enquanto a lâmina púrpura desaparece, dando lugar a corrente negra que cintila com uma sinistra energia. Com uma agilidade impressionante, ele envolve a corrente em torno do pescoço do réptil, prendendo também um de seus braços em um movimento rápido e preciso.

Segurando as duas pontas da corrente com uma única mão, Noro invoca a adaga voadora em sua outra mão, a lâmina reluzindo com uma intensidade mortal. Com suas pernas firmemente ancoradas no tronco do réptil, ele assume uma posição que não permite que o réptil o acerte.

“Checkmate,” murmura Noro, sua voz carregada de determinação e triunfo.

Com um movimento rápido e certeiro, ele desfere uma série de golpes com a adaga voadora, perfurando a garganta do réptil com uma precisão letal. O sangue roxo jorra em um jorro macabro, tingindo a vegetação ao redor enquanto o monstro emite um grunhido agonizante.

Com um golpe final, Noro abre a garganta do réptil, garantindo que ele não se levantará novamente. 

A cabeça de Noro começa a latejar intensamente, como se um martelo estivesse golpeando seu crânio. Ele fecha os olhos, tentando se preparar para mais uma visão que, ele sabe, está prestes a inundar sua mente.

O mundo ao seu redor parece se desvanecer lentamente, enquanto ele mergulha nas profundezas de sua consciência, aguardando o que está por vir.

De repente, ele se vê em um local frio, úmido e cavernoso.

‘Uma caverna?’ Noro pensa, olhando ao redor.

A criatura — o lagarto vulcânico cuja visão ele agora compartilha — caminha pela caverna com alguma criatura presa em suas mandíbulas. Porém, de repente, o lagarto para. Toda a caverna começa a tremer violentamente, os tremores reverberando pelas paredes rochosas e ecoando em sua mente.

Noro fica surpreso, seus pensamentos rápidos e alarmados.

‘Os tremores!’ 

O teto da caverna começa a se rachar, e pequenas pedras começam a se soltar, caindo ao redor da criatura. O lagarto percebe o perigo iminente e se vira rapidamente, começando a correr desesperadamente. 

Os tremores continuam implacáveis, e o teto da caverna começa a desabar atrás dele.

O lagarto avança pela caverna com agilidade, desviando de pedras que caem e saltando sobre escombros. 

As paredes se fecham em torno dele, enquanto os tremores aumentam de intensidade, fazendo com que mais e mais pedras caiam.

Finalmente, após uma corrida frenética, a criatura avista a luz da saída da caverna. Com um último impulso desesperado, o lagarto se lança para fora, atravessando a entrada estreita e emergindo na floresta carmesim.

O lagarto para por um momento, ofegante, enquanto os últimos tremores se dissipam. A floresta carmesim ao redor parece quase pacífica em comparação, suas folhas tingidas de vermelho balançando suavemente ao vento.

‘Esses tremores… são mais do que simples abalos da terra,’ Noro reflete, compreendendo que algo muito maior e mais perigoso está em jogo.

Após isso a visão termina e sem perder tempo, Noro faz com que a corrente e a adaga desapareçam, preparando-se para ajudar Helen.

‘Preciso ajudá-la!’ 

Mas quando ele olha na direção de Helen, depara-se com uma cena surpreendente: um dos répteis jaz no chão, sua cabeça separada de seu corpo, enquanto Helen retira sua lança do crânio do outro réptil.

“N-não que ela precise de ajuda,” ele murmura para si mesmo, impressionado com a habilidade e a destreza de Helen.

Ele se vira, olhando para o corpo do lagarto que matou. Sobre o cadáver, um fragmento marrom escuro reluz, destacando-se da floresta. Noro se aproxima e pega o fragmento. Assim que toca a joia, ela se fragmenta no ar, transformando-se em diversos fios que rapidamente envolvem sua mão direita, deixando-o de olhos arregalados.

Os fios se entrelaçam e solidificam, formando uma luva negra que cobre toda a sua mão, até os dedos. A textura é áspera e rochosa, semelhante às escamas dos lagartos vulcânicos.

‘Ah… pra que serve isso?’ 

Decidindo que o momento não é ideal para testes, Noro desfaz o fragmento, observando a luva desaparecer. 


Após algum tempo, Noro está sentado em cima do corpo de um dos répteis, perdido em pensamentos.

‘Eu fiquei mais forte… nem precisei usar a Aura para matar esse monstro…’ Ele reflete, ponderando sobre sua própria evolução. ‘Claro, a Helen não precisou usar também, mas ela é algo diferente.’

Noro está um pouco incomodado com algo. Ele tem passado um bom tempo nesta floresta e as criaturas que encontrou não se encaixam nos padrões habituais do ambiente.

Enquanto limpa sua bochecha manchada pelo sangue do réptil, Noro se levanta do cadáver, sua mente ocupada com pensamentos inquietantes.

Enquanto isso, Helen termina de limpar o corpo de uma das criaturas para coletar sua carne.

“Répteis…” Noro começa a ponderar em voz alta, sua expressão se tornando mais séria. “Espera, tirando esses lagartos, a única criatura igual a eles é a-”

Antes que ele possa concluir seu raciocínio, o chão começa a tremer novamente, desta vez com uma intensidade ainda maior do que antes.

Noro arregala os olhos, seus pensamentos em um turbilhão de medo e incerteza. 

‘De novo isso?!’, ele pensa, enquanto a terra vibra sob seus pés.

O solo treme violentamente, como se as entranhas da terra estivessem despertando de um sono profundo. Árvores balançam perigosamente, galhos se chocam e folhas caem em um frenesi caótico.

‘Eu preciso me estabilizar, preciso…’ Mas antes que ele possa terminar o pensamento, é derrubado de bruços, sua mente mergulhando em uma confusão de sensações e preocupações.

O rugido da terra ecoa pelos seus ouvidos, cada vez mais alto, como se a própria natureza estivesse gritando de agonia. A visão se torna turva com a poeira levantada pelo tremor, obscurecendo o horizonte e aumentando o desespero da situação.

‘Maldição!’, Noro pensa, lutando para controlar seus próprios movimentos enquanto a força da natureza parece consumi-lo. 

‘Preciso ficar de pé…’

Cada segundo parece uma eternidade enquanto eles são submetidos ao frenesi da terra em convulsão, sem saber o que o próximo momento trará.

Tão abruptamente quanto começou, o tremor cessa, deixando um silêncio tenso pairando no ar.

Noro ofega, ainda deitado no chão, tentando processar o que acabou de acontecer. Seus pensamentos ainda em turbilhão, ele se esforça para se levantar, suas pernas tremendo sob o esforço.

Helen também parece atordoada, mas rapidamente recupera sua compostura, ajudando Noro a se erguer. 

Noro agradece com um aceno de cabeça.

“Isso está ficando preocupante… deve ter algo estranho acontecendo,” ele comenta, olhando para Helen em busca de confirmação.

Ela concorda com a cabeça.

“Concordo com tu,” responde brevemente.

Noro recupera rapidamente a compostura.

“Temos que continuar o mais rápido possível!”

Helen não responde, apenas segue em frente, determinada e alerta. Eles sabem que não podem se dar ao luxo de perder tempo.

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Olá, eu sou o Azulin!

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