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Os raios de luz pálida do pôr do sol se infiltram pelas copas das árvores, pintando toda a floresta com tons de carmesim. O cenário é uma visão impressionante, com os raios do sol dançando entre as folhas, criando um espetáculo de luz e sombra que parece quase mágico. 

O ar está impregnado com uma sensação de calma e serenidade, contrastando com a tensão palpável que paira sobre Noro e Helen.

Na verdade, essa é a única parte do dia em que a floresta fica verdadeiramente bonita. O resto do tempo, ela não é muito convidativa.

Noro e Helen estão se preparando para acampar, pois a noite está se aproximando rapidamente. O céu começa a se tingir com tons alaranjados e rosados conforme o sol se põe no horizonte, anunciando o início de mais uma noite na vastidão sombria da floresta.

Ambos permanecem em silêncio. Helen não parece tensa, mas sim atenta, seus sentidos aguçados como sempre. Noro, por outro lado, parece definitivamente tenso, sua expressão carregada de preocupação enquanto ele avalia o ambiente ao redor.

O céu noturno, desprovido de estrelas, engole todo o horizonte rapidamente, transformando tudo ao redor em completa escuridão. 

Noro, como de costume, ativa o fragmento do lobo das sombras, concedendo-lhe uma visão aprimorada mesmo na escuridão da noite. Ele se senta no chão, resignado com mais uma noite na floresta hostil.

“Mais uma noite nessa merda,” ele murmura para si mesmo, sua voz carregada de cansaço e desânimo.

Enquanto isso, Helen pega as carnes do dia anterior, que ainda não estragaram, e lança um pedaço do que parece ser a perna da criatura para Noro.

“Sabe… é um pouco engraçado pensar que aqui eu tenho mais comida do que no outro lado,” ele comenta, enquanto dá uma mordida na carne. E um leve sorriso se forma nos lábios de Noro, apesar das circunstâncias sombrias ao seu redor.

Helen se senta em seguida, segurando um pedaço de carne também.

“Tu pareces odiar aqui, mas às vezes parece gostar,” ela observa, sua voz fria como sempre.

Noro para de comer, ponderando sobre as palavras dela. Ele leva a mão à cabeça, coçando-a levemente refletindo.

“É difícil… quer dizer, esse lugar é um inferno de merda. Nem mesmo essas criaturas saem felizes daqui… na verdade… eu até tenho pena delas,” ele responde sinceramente, sua voz em um tom incomum.

Helen franze as sobrancelhas ao ouvir isso, sua expressão mostrando uma leve surpresa, uma raridade vinda dela.

“Não tô dizendo que sou amigo delas ou coisa assim.”

Noro suspira, fazendo uma pausa antes de continuar.

“Eu só… entendo elas…” ele murmura, suas palavras carregadas de empatia extremamente rara.

Um silêncio pesado paira por um momento, mas Helen quebra o silêncio com uma pergunta direta.

“Por que tu achas isso?” 

Noro hesita por alguns instantes, sentindo a pressão do olhar de Helen sobre ele, mas finalmente responde, embora com um certo desconforto.

“E-eu…” 

Noro sabe o porquê, mas relutar em responder. Todas as criaturas que ele matou, ele viveu uma parte de suas vidas, e não apenas isso. 

Essas experiências quase sempre eram trágicas, e às vezes faziam com que ele se lembrasse de si mesmo… da solidão… 

Noro evita responder à pergunta dela, optando por mudar de assunto.

“Eu tive coisas que nunca tive aqui,” ele comenta vagamente, sua voz carregada de pensamentos não ditos.

Helen fica em silêncio por um momento antes de responder com a voz um pouco mais baixa: 

“Como?”

Noro suspira, sentindo-se cada vez mais desconfortável com a conversa.

“Como…” 

Ele murmura, relutante em responder. Ele sabe as coisas que ele tem aqui, mas reluta em compartilhar com Helen, sua vulnerabilidade se destacando na escuridão da noite.

Quando Noro começou a sentir a necessidade de responder, ele abre a boca para falar, mas é interrompido por Helen.

“Peço perdão,” ela murmura, abaixando a cabeça em um sinal de desculpas.

Essa ação pega Noro de surpresa, deixando-o ainda mais desconfortável. Na verdade, ele entra em estado de choque, incapaz de compreender completamente a situação.

‘O que?! O que ela está fazendo?!’ 

Depois desse momento de desconforto, Helen levanta a cabeça em silêncio e se vira para encarar a penumbra da noite. Noro, por sua vez, se sente completamente perdido, sem saber o que dizer ou fazer diante da situação.

Em um silêncio pesado, ele se deita no chão, olhando para cima.


Noro e Helen caminham pela floresta logo cedo, assim que amanheceu. Os dois ainda estão imersos em um silêncio mútuo, onde nenhum deles disse uma única palavra desde aquele momento desconfortável.

‘Será que eu deveria falar algo?’ 

Noro se pergunta, lançando um olhar de soslaio para Helen. No entanto, ele rapidamente desiste da ideia, sentindo-se incapaz de romper o silêncio entre eles. 

Uma voz interior o acusa de covardia, deixando-o um pouco irritado consigo mesmo, mas ele prefere ignorar esses pensamentos conflitantes.

Na verdade, após aquele acontecimento, Noro começa a questionar se Helen é realmente tão fria como ele acreditava. Mas, no fundo, ele sabe que isso não importa. Afinal, ela está destinada a enfrentar a serpente, e ele não pode permitir-se a esperança de que ela sobreviva.

‘Talvez ela não morra…’ 

E mais uma vez, o chão começa a tremer de maneira abrupta, sacudindo Noro com tanta força que ele é jogado ao chão, sentado, enquanto Helen mantém sua posição firme.

“Mais uma vez?!” Noro exclama, sua voz carregada de tensão e frustração, enquanto luta para manter o equilíbrio em meio à tremedeira intensa.

O tremor parece ecoar por toda a floresta, como se a própria terra estivesse se contorcendo em agonia.

Árvores balançam violentamente, soltando galhos e folhas ao seu redor, enquanto o solo treme sob seus pés como se estivesse prestes a se despedaçar a qualquer momento. 

Noro sente seu coração bater mais rápido em seu peito, a adrenalina correndo por suas veias enquanto ele se prepara para o que quer que esteja por vir.

Até que, tão abruptamente quanto começou, tudo para.

O silêncio que se segue é quase ensurdecedor, interrompendo o caos que reinava momentos antes. Noro olha ao redor, ainda tenso e alerta, enquanto a floresta parece recuperar sua calma gradualmente.

Um suspiro de alívio escapa dos lábios de Noro, enquanto ele se levanta do chão, sentindo o peso do momento tenso desaparecer lentamente. 

‘Como sempre… eu só me fodo.’

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Olá, eu sou o Azulin!

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