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Ferman sorriu, mas não disse nada. Ver isso fez Fernando se sentir ainda pior.

Isso só poderia significar uma coisa, o velho sabia que Berton Tenari estava tramando algo e por algum motivo não estava agindo contra.

Talvez ele tenha algum jeito de lidar com isso? pensou, mas ao lembrar do homem misterioso com quem Berton se reuniu, sentiu um mal estar.

Ferman já estava debilitado antes mesmo da batalha de Belai, e logo após, o mesmo anunciou publicamente sua aposentadoria e retirada das linhas de frente.

Talvez, mesmo em seu estado, ele conseguisse lidar com um pequeno general como Berton, mas Fernando sentiu que as coisas seriam diferentes em relação aquele homem.

Com um rosto pensativo, olhou para o velho, depois de uma breve hesitação, decidiu-se. Talvez o que estivesse prestes a fazer fosse um erro irremediável, mas ele não se importava. 

De que adiantaria viver pensando nas repercussões de suas ações para no final arrepender-se no futuro?

“Sir, com sua licença.” Fernando disse, com respeito, andando em direção ao velho e o contornando, parou atrás dele. Após isso, tocou seus ombros, removendo suas ombreiras e abrindo sua armadura.

“O-o que?” Ferman perguntou, assustado. Do nada o jovem rapaz tinha começado a retirar sua armadura.

“Nós nos conhecemos por pouco tempo, Sir, mas eu sou muito grato por tudo que me ensinou. Tenho minhas próprias convicções e meu próprio caminho, então não posso segui-lo como seu escudeiro, entretanto, posso pelo menos tentar isso.” disse, num tom sério.

O velho ficou sem entender, afinal, qualquer pessoa que tentasse remover a armadura de um Cavaleiro,  estaria no mínimo pedindo para morrer. Apesar disso, o jovem o fez com tranquilidade.

Ferman queria dizer algo para repreender o jovem, mas no fim, não disse nada. Por algum motivo não conseguia sentir qualquer má intenção em sua direção.

Sem dizer uma palavra, Fernando tirou a espada Formek e começou a encher o seu corpo com o mana de sua espada.

Anteriormente, havia passado a Karol sua Pulseira de Armazenamento principal. Nela continha alguns itens críticos, como sua Pedra de Mana e algumas outras coisas. Apesar disso, ainda ficou com suas Espadas Formek e Lumeris e alguns outros itens menos relevantes, para caso precisasse.

Ele não estava preocupado que as pessoas descobrissem sobre a espada Formek. Se mesmo Papi, que era alguém de grande conhecimento, não conseguiu descobrir as propriedades estranhas da espada, quem mais poderia?

Quando sentiu o mana quente enchendo todas as suas Veias de Mana Expandidas, tocou o centro das costas do velho. Assim que o fez, os olhos de Ferman arregalaram-se.

“O que é isso? O que você está fazendo?” disse, levemente assustado. Apesar de está desconfortável, permaneceu imóvel, mas cauteloso.

Fernando não respondeu, sua mente estava completamente focada na inserção do mana no corpo do velho. O mana suave espalhou-se pelas veias do Cavaleiro, mas logo o jovem Tenente percebeu que as coisas não eram como havia imaginado.

A maioria dos rumores falava sobre os ferimentos do Cavaleiro Branco, bem como isso contribuiu na sua decaída de força. Apesar disso, Fernando nunca havia visto um único ferimento em seu corpo, o que significava que tratava-se de algo interno.

Para um Usuário de Habilidades, a única coisa mais importante do que seu corpo, eram suas Veias de Mana. Se era um ferimento que o impedia de usar seu poder, só poderia ser lá.

Essa era a conclusão mais razoável e de fato estava certa. Quando viu o estado das Veias de Mana de Ferman, seu rosto mudou completamente.

Apesar de não se comparar as suas próprias Veias de Mana expandidas, as do Velho também não eram comuns. Elas, de forma majestosa, se ramificavam entre si, num desenho semelhante a rosas.

No entanto, não haviam ferimentos e nem obstruções, todo o estado das veias era perfeito.  

Tudo parecia bem, a única coisa que estava claramente errada era que o mana circulava lentamente e com dificuldade. Não só isso, mas as Veias de Mana em si, apesar de gloriosas, pareciam decadentes, como se estivessem pouco a pouco murchando.

“Isso… Você não está ferido.” disse, perplexo.

Ferman que ouviu isso, sorriu levemente.

“Não sei o que estava planejando fazer, mas como pode ver, não há ferimentos. Isso é apenas um rumor que permiti ser espalhado. Simplesmente, meu corpo chegou ao seu limite, minha vida está se esgotando.” falou, num tom de solidão, ao mesmo tempo que havia uma sugestão de aceitação. “Eu vivi uma longa… Longa vida. Não tenho arrependimentos, logo meu tempo chegará e não há nada a ser feito.”

Fernando que ouviu isso franziu a testa. Com um rosto inconformado, novamente encheu-se de mana da Espada Formek, então começou a inundar o corpo do velho com esta, forçando-o em suas veias.

Ferman abriu bem os olhos, surpreso. Então Virando levemente a cabeça, encarou o jovem, sem palavras. A quantidade de mana abismal que estava inundando seu corpo não era algo que um Tenente recém ascendido deveria ter, muito menos alguém do Sistema de Habilidades.

Após um tempo, Fernando sentiu todo seu corpo tremer, seu rosto começou a ficar vermelho como um pimentão. Mesmo que o mana da espada fosse menos denso, absorver e passar uma grande quantidade era desgastante. Por mais que inserisse mana no corpo do velho, parecia um poço sem fundo. As Veias de Mana reagiram, agarrando o mana e alimentando-se dele, mas estava longe de ser suficiente para saciar sua sede, muito menos fazê-las expandir-se.

Depois de cerca de algum tempo, caiu de joelhos, suando.

Eu inseri mais de cem mil pontos de mana… Como? pensou, sem acreditar.

Vendo isso, Ferman levantou sua armadura, fechando-a.

“Assim como eu imaginei, você não é uma pessoa comum.” disse, com um olhar de apreciação. Apesar de antes ter alguma expectativa no jovem, agora havia algo mais. “Sinto-me rejuvenescido ho, ho. Mas não é suficiente para algo como restaurar minha força, então não se sinta mal.”

Fernando, que estava arfando, devido ao manejo do mana da espada, levantou o rosto.

“Ainda não, tem mais uma coisa que quero tentar.”

“Hoh?”

Na Residência de Guilda do Batalhão Zero, Karol estava na sala de liderança. Ali era o local que Fernando costumava usar para ler os relatórios e discutir coisas importantes, por isso o local sempre estava movimentado, mas agora havia apenas ela.

Com ambos os cotovelos apoiados na mesa de pedra e suas mãos trêmulas em seu rosto, lágrimas caiam sem parar.

“Fernando…”

Atualmente, o Batalhão Zero estava isolado na residência sob ordens marciais, ninguém tinha permissão de sair. Enquanto isso, todos sabiam que Fernando estava sendo julgado no Tribunal Militar de Belai. Dependendo do resultado, ele poderia receber uma condenação branda, ou mesmo uma punição de morte. O resultado desse julgamento definiria o futuro do Batalhão Zero.

O clima dentro do Batalhão era péssimo. Theodora ordenou que todos cuidassem de seus ferimentos e se recuperassem. Além dessa ordem, mais nada havia sido passado, o que piorou o clima e deixou muitos ansiosos.

A outrora alegria de derrotar seu inimigo havia passado, agora só restava a tensão e o lamento por aqueles que caíram em batalha.

Karol, como a esposa de Fernando, era a pessoa mais aflita com a situação de seu marido.

“Seu idiota, por que você sempre faz isso…?” resmungou, chorando. “Se você me deixar sozinha, eu vou…”

Enquanto murmurava consigo mesma, Karol sentiu um leve arrepio em suas costas.

Swish!

Sem se importar com as lágrimas que fluíam de seu rosto, sacou sua lança, empurrando-a para trás.

Ting!

Faíscas voaram para todos os lados.

Karol havia saído há poucas horas de uma batalha de vida ou morte, todo seu corpo ainda estava tenso e em alerta. Quando sentiu uma presença misteriosa tão perto sem tê-la percebido chegar, reagiu instintivamente, atacando sem piedade o invasor.

Porém, ao ver quem estava do outro lado de seu ataque, seus olhos se arregalaram, sem palavras.

Um jovem com um rosto calmo e levemente sorridente estava olhando-a com um olhar terno. Usando o antebraço de sua armadura, desviou com facilidade a lança de Karol.

“F-Fernando!” gritou, sem acreditar. Por um instante perguntou-se se havia caído num sono e estava sonhando.

“Não nos vemos apenas por algumas horas e já me ataca assim? Essa talvez seja nossa primeira ‘briga’ de casados?” Fernando disse, rindo.

“O que, quando você…”

Sem dizer nada, o jovem rapaz deu alguns passos para frente, tirou a lança de suas mãos, a jogando sobre a mesa, e puxou-a para seu abraço. Karol, sem reação, permitiu-se ser puxada.

“Está tudo bem, não vou deixar me mandarem pra prisão ou me matarem tão fácil assim.” disse, com um sorriso confiante.

Ao sentir seu toque e ver que tratava-se da realidade, os dois braços de Karol que estavam contra o peito de Fernando, apertaram-se, então seus olhos marejados tornaram-se a encher de lágrimas.

“Seu… Idiota!” disse, numa mistura de choro e raiva, então deu leves soquinhos com o punho em seu peito. “É bom mesmo que não morra, eu não combino com vestidos pretos!”

Ouvindo isso, Fernando não conseguiu evitar de cair na gargalhada.

Naquele momento, ambos apenas ficaram em silêncio, abraçados, sentindo o calor aconchegante um do outro.

Vendo o rosto de sua linda esposa derramar lágrimas por ele, enquanto de forma dengosa recusava-se a soltá-lo, Fernando sentiu um misto de tristeza e felicidade.

Por um lado, estava triste em deixá-la nesse estado, mas por outro, estava feliz que alguém se preocupava tanto com ele. O que era algo egoísta de sua parte e sabia disso.

No passado, nunca pensou que pudesse sequer interagir com uma garota, muito menos se casar com uma mulher tão incrível.

“Ho, ho, ho, é tão bom ver jovens saudáveis e que se amam tanto. Se quiserem ter uma interação mais ‘profunda’, não se incomodem com esse velho, fiquem à vontade.” Ferman disse, a partir da janela, sentando-se no beiral confortavelmente, como se estivesse vendo TV.

Nesse momento, olhando para o velho, Fernando lembrou-se que não tinha vindo sozinho. Imediatamente o casal ficou vermelho de vergonha, com relutância, ambos se soltaram.

Olhando para o Velho, Karol sentiu que o conhecia, mas talvez devido aos acontecimentos, não conseguiu se recordar quem era aquele homem. 

Percebendo o olhar de sua esposa em direção ao velho, Fernando logo entendeu a situação e apresentou Ferman a ela.

Mesmo que soubesse que os dois se conheciam e do treinamento que seu marido estava fazendo. Ainda era surreal ficar na presença de alguém tão importante. Olhando para o idoso, com uma aparência gentil, lembrou-se do que ele fez na Batalha de Belai, matando centenas de orcs com um ataque que criou uma fenda enorme.

Momentos depois, quando Karol estava mais calma, Fernando sentou-se na cadeira e contou a ela sobre a sentença e sobre o que seria do Batalhão Zero no futuro.

“Então fomos banidos?” perguntou, perplexa, mas logo aceitou. Depois de causarem tanta confusão na cidade, é no mínimo aceitável que fossem banidos.

“Hm.” Fernando assentiu. “Mas isso não é importante no momento. Karol, preciso das minhas coisas.”

Ouvindo isso, ela rapidamente pegou algo em suas roupas. Era a Pulseira de Armazenamento de Fernando, bem como seu Anel de Aprisionamento.

Ela sabia o quanto seu marido valorizava essas coisas, então não se atrevia a mantê-los longe de si. Ao mesmo tempo, havia tantas coisas na Pulseira de Armazenamento de Fernando que ela temia guardá-la dentro de outra pulseira e causar algum tipo de instabilidade no espaço interno.

Pegando seus itens de volta, Fernando rapidamente moveu o pulso, retirando uma pedra azul ligada a uma pequena corrente. Então olhou para Ferman, com olhos decididos.

Olá, eu sou o Glauber1907!

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