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Ao contrário de suas expectativas, os três Capitães das Tropas de Exploração não pareciam preocupados com a missão que estava por vir. Pelo contrário, todos estavam mais preocupados em discutir entre si.

“Foda-se, seu magricela, fala isso de novo e eu quebro você!” Amanda gritou.

“Eu disse que você não tem peito, pra mim isso aí é uma tábua de músculos.” Banjo disse, fumando seu cigarro.

“Ei, vamos nos acalmar, estão na frente do novato.” Heitor disse, com um sorriso.

Fernando, que estava sentado no canto, tinha uma veia saltando na testa de tão irritado que estava. Pelo que o jovem Capitão havia dito, essas pessoas eram seus companheiros que liderariam as outras Tropas de Exploração, mas ja fazia quase vinte minutos que ele estava ali e não haviam falado uma única vez sobre estratégias ou informações sobre o inimigo.

Levantando-se, com um rosto frio, o jovem pálido caminhou até a grande mesa no centro da barraca, fazendo com que todos olhassem em sua direção.

“Quando vamos começar a formular a estratégia? O que sabemos sobre os inimigos?”

Heitor, Amanda e Banjo olharam com dúvida para o rapaz.

“Que estratégia? Você só precisa saber que vai pegar o lado direito, de restante é só tentar não morrer.” A mulher musculosa disse, em tom de zombaria.

Fernando olhou com olhos frios para ela. Ele achava que Raul era do tipo despreocupado e preguiçoso, mas em relação a essas pessoas, sentiu que não era tão ruim assim.

Como alguém assim alcançou a posição de Capitão? perguntou-se, irritado.

“O quê? Tá me encarando por quê, pivete? Tá olhando pros meus peitos?!” Amanda gritou, com um olhar irritado, batendo na mesa.

O jovem pálido suspirou e virou-se para sair. Pelo que havia visto, não conseguiria reunir qualquer informação relevante ficando ali.

Quando Fernando saiu para fora e estava prestes a ir embora, Heitor o alcançou.

“Ei, qual é, Tenente, não precisa sair assim. Eles são meio estranhos, mas são bons no que fazem.” O rapaz negro disse, com um sorriso.

O jovem pálido parou seus passos e olhou para o homem.

“Você veio da capital, passou por um treinamento de oficiais de alta patente. Achei que gente do seu tipo teria algum tipo de planejamento.”

O Capitão com cabelos trançados ficou em silêncio por um momento.

“Não é que eu não queira, é só que não há muito o que planejar.” disse. Então seu rosto ficou sério. “Todos os batedores que enviamos não voltaram e pararam de mandar relatórios, provavelmente estão mortos. Então seja o que estiver em nosso caminho, vamos ter que descobrir por nós mesmos.”

Ouvindo isso, a expressão de Fernando mudou levemente. Logo após, assentiu em sinal de entendimento.

“E quanto ao lado direito? Por que ninguém quer ficar com essa área?” perguntou, ao lembrar da discussão entre Banjo e Amanda.

Ao ouvir o questionamento, Heitor olhou para o jovem Tenente, então desviou o olhar por um momento, olhando em volta. Seu rosto mostrando alguma tensão.

“Tecnicamente não temos nenhum inimigo nessa área. Na verdade, ao sudoeste se encontra o exército do General Supremo Dimas, nossos ‘aliados’.” O rapaz negro disse, enfatizando a última palavra. “Enfim, é só isso que vai ouvir da minha boca.”

Após dizer isso, o sujeito voltou à barraca.

Fernando tinha uma expressão estranha ao ver a atitude do jovem Capitão. Mesmo que ele não dissesse nada, estava implícito o significado disso.

A tensão entre as forças do General Wayne e do General Supremo Dimas Ortega estava aumentando cada vez mais. Isso significava que se porventura chegassem a um ponto de ebulição e os exércitos de Dimas atacassem sorrateiramente, as Tropas Exploratórias do lado direito seriam as primeiras a serem pegas.

Ao entender isso, o rosto de Fernando ficou escuro, enquanto fechava seu punho com força, numa mistura de revolta e raiva.

Ele não estava nervoso por causa do Heitor e os demais Capitães das Tropas de Exploração o jogarem nessa posição desfavorável. Mas pelo fato de mesmo estando contra inimigos tão poderosos como os Orcs no sul, além da declaração de guerra dos Elfos Negros no norte, as pessoas ainda estavam maquinando e tramando umas contra as outras.

Pensando em como ele e os demais eram meros peões, sendo usados a bel prazer dos poderosos, fez com que seu estômago revirasse, cheio de frustração.

Apesar do que sentia naquele momento, seus olhos logo se acalmaram. Por mais que se sentisse enojado com o mundo, não havia nada que pudesse fazer. Sem força, tudo que um indivíduo poderia fazer era engolir seus sentimentos e achar um jeito de sobreviver.

Retornando para onde o Batalhão Zero estava estacionado, organizou as tropas enquanto aguardava a chegada do exército de Belai, liderado por Dimitri.

Em pouco tempo, os mais de 20.000 homens que partiram de Belai chegaram. Ambos os exércitos de Dimitri e Wayne se uniram.

Observando em um morro alto, Fernando olhou para o Cabo Bianco, o homem de confiança de Argos, que ficou encarregado das informações em seu lugar.

“Quantos?” perguntou, com um rosto sério.

Ao ser encarado pelo jovem Tenente, o homem corpulento firmou sua coluna, preparando-se para dar seu relatório. Seu futuro no setor de inteligência dependeria do quão bom trabalhasse.

“Tenente, mandei meus homens darem uma volta no acampamento. As tropas estão muito espalhadas e é uma grande quantidade, então é difícil chegar a uma métrica exata em tão pouco tempo, mas acredito que o exército do General Wayne é composto por algo em torno de vinte a vinte cinco mil homens.”

Quando ouviu isso, Fernando ficou surpreso.

“Então somados aos que partiram de Belai, que são cerca de 20 mil, isso quer dizer que os números totais dos exércitos que estarão nas mãos do General são por volta de quarenta a quarenta cinco mil… Hm, isso é bom.”

Inicialmente as forças destacadas para o exército de Wayne eram de aproximadamente 35.000 homens. No entanto, muitos poderes menores haviam aproveitado a marcha para a guerra para enviar suas próprias tropas, numa tentativa de obter alguns benefícios e garantir conquistas.

Em suma, essas tropas excedentes eram independentes e não estavam sob o comando direto do General Wayne, mas certamente seguiriam algumas ordens quando solicitadas, contanto que não fosse algo excedente.

Com esses números parece pouco provável que o General Supremo vá agir contra o General Wayne. Se ele for burro o bastante… Todos nós seremos esmagados pelos Orcs. Fernando pensou, com um olhar franzido.

Apesar de ser um novato em guerras, ele já tinha alguma experiência contra os Orcs e sabia o quão terríveis eram. Ele havia enfrentado alguns ataques noturnos quando saíram de Meridai em direção a Zona Divergente, além da quebra do cerco de Belai. 

No entanto, suas experiências não se resumiam apenas a isso, pois enfrentou alguns espécimes diferentes de Orcs em Vento Amarelo. Mesmo que os Dobats fossem numerosos, soldados comuns ainda conseguiriam enfrentá-los, mas lembrando-se do que enfrentou no Vale de Flaviore, sentiu um certo mal estar.

Naquela época havia apenas um pequeno grupo de Orcs Marauders, mas eles haviam massacrado vários recrutas e mesmo Guias experientes não escaparam. Eles eram muito mais brutais e fortes que Dobats, só de pensar nos exércitos daquelas criaturas marchando, sentiu seu sangue gelar.

“E quanto ao alto comando?” O jovem Tenente perguntou.

“Isso… É difícil dizer, senhor, informações como essas são complicadas de se conseguir. Além disso, o clima aqui não parece muito bom, há muita tensão no ar. Quaisquer perguntas excessivas geram desconfiança e questionamentos, então evitamos. Mas ao que parece, além do General Dimitri, há pelo menos três outros Generais subordinados ao General Wayne.”

Fernando ficou surpreso ao saber dessa informação. De certa forma, isso o tranquilizou um pouco. Apesar de Dimitri ser considerado um General, sua força era na melhor das hipóteses a de um Major acima da média. Se eles encontrassem Orcs Lords mais fortes dos que os de Belai, estariam em apuros.

Depois de confirmar mais algumas coisas com Bianco, o jovem Tenente o dispensou.

Vendo que o rapaz estava satisfeito com sua coleta de informações, o homem corpulento saiu em silêncio, enquanto suspirava aliviado.

Haveria algum tempo até que as forças de Belai e as de Wayne se organizassem numa única formação, Fernando sabia que deveria usar esse tempo para rever o estado do Batalhão Zero.

Primeiro foi de encontro ao Esquadrão Dama de Prata. Como o único Esquadrão montado do Batalhão, sua importância era muito alta, principalmente em situações que exigissem alta mobilidade. Além disso, sua esposa o liderava. Por mais que tentasse esconder, sua preocupação com Karol sempre o afligia.

Depois de vê-la conversando alegremente com Anane e o restante das tropas, sentiu-se menos inquieto. Diferente dele, que atraia as pessoas pela sua força, Karol o fazia por seu carisma. Não só ela era gentil com cada pessoa, como se preocupava genuinamente com eles e isso tornava-se recíproco.

Você certamente é uma líder melhor que eu… O jovem pensou, enquanto sorria levemente.

A verdade é que ele não se sentia como um verdadeiro líder. Por mais que se esforçasse, grande parte de suas decisões ainda eram baseadas em suas vontades pessoais, sendo de certa forma, egoístas.

Balançando a cabeça, deixou esses assuntos de lado e continuou sua vistoria.

O próximo ponto que verificou foi o novo grupo que formou, a Unidade de Logística. Inicialmente Fernando ficou preocupado que eles ficassem deslocados ou desorganizados, devido a forma como foi montada às pressas. Mas ao contrário de suas expectativas, tudo corria nos conformes.

As pessoas da Unidade de Logística estavam cumprindo bem seu papel, distribuindo refeições quentes, água e garantindo que os soldados não precisassem cuidar de tarefas manuais. Tudo isso era graças ao Damon, o velho Sargento aposentado que havia assumido a posição de liderança.

As atividades incomuns da Unidade de Logística não passaram despercebidas pelas outras tropas, principalmente devido ao laço branco em seus braços e falta de armaduras pesadas. O laço havia sido ideia de Karol, para diferenciar as tropas de suporte das combatentes.

“O que eles estão fazendo?”

“Eu não sei, parecem estar servindo comida?”

“Ei, ninguém nunca me serviu comida quente… Só ganhamos aquela ração seca e grãos duros!”

Ao ver como as outras tropas olhavam de forma admirada para a Unidade de Logística, Fernando levantou um leve sorriso de satisfação.

Devido à situação extrema do mundo de Avalon, muitos acabavam deixando coisas básicas, como o conforto, de lado. Mesmo que parecesse algo fútil e irrelevante, um soldado cansado de fazer múltiplas tarefas certamente teria um desempenho ruim na batalha, podendo muitas vezes leva-lo à sua morte.

“Líder!”

Enquanto se preparava para vistoriar outras áreas, a voz de Kelly soou não muito longe.

“O que aconteceu?” perguntou, ao ver o ar de urgência da garota.

“O senhor… Foi convocado para a tenda dos Generais!”

Olá, eu sou o Glauber1907!

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