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Enquanto se afundava em um mar de escuridão e angústia, suas memórias eram abafadas por um brilho sereno e caloroso.

No meio da escuridão, Renier não sentia nada; pulsões, sensações, seu coração, nem mesmo cada movimento do seu ser eram acessíveis.

Era como se algo tivesse sido feito com ele, porém sua mente não alcançava.

Havia algo falhando, apesar de um sentimento de vazio persistindo em seu peito. Talvez ele não quisesse se lembrar, ou simplesmente não queria.

A única coisa que o chamava era uma voz doce e melodiosa, retirando-o da escuridão.

“Sua jornada está apenas começando, meu Guardião”, disse ela, envolvendo-o com sua presença misteriosa, ecoando junto a um brilho azulado que preenchia toda a escuridão ao redor, enquanto a lua tomava forma acima dele, dissipando suas próprias preocupações.

— Quem é você? — perguntou ele, sua voz ecoando em um vazio que não era respondido após simplesmente desaparecer…

☆——♧——☆

O vazio e qualquer sentimento de incerteza foram agora substituídos por uma calmaria, pelo farfalhar suave das folhas ao vento, pelos sons dos pássaros e por alguns ruídos desconhecidos para Renier.

No entanto, o ar agridoce, assim como o leve toque sob a grama, fez com que tudo o que acontecera anteriormente parecesse um sonho ou uma mentira contada por alguém.

O desejo de despertar o levou a abrir os olhos.

“Onde estou?” ponderou Renier, ao perceber-se debaixo de uma grande árvore, um carvalho escuro com folhas vivas e esverdeadas que pareciam dançar sob sua chegada.

Aconchegado sob a sombra da árvore, Renier percebeu uma clareira ao seu redor, com várias árvores similares se estendendo por uma grande área.

Entretanto, sob uma única árvore de cores exuberantes, com o tronco branco e a folhagem que tremulava com tons de rosa, destacando-se em contraste com a densa paisagem da floresta.

Na base da árvore, estava sentada uma jovem garota, uma figura solitária que parecia meditar, seus joelhos dobrados enquanto pétalas de rosa caíam ao seu redor, despertando o interesse de Renier em descobrir quem ela era.

“Uma samurai?” ponderou Renier, curioso.

A misteriosa figura feminina estava próxima a ele. Seus cabelos brancos fluíam como seda ao vento, seus olhos de um vermelho vívido se abriram na direção dele, analisando-o.

Ela usava uma armadura samurai tradicional, feita de placas leves de metal que garantiam proteção sem limitar a mobilidade. O peitoral adaptado ao corpo estava decorado com padrões sutis inspirados na natureza e tradições japonesas.

O olhar curioso dela para ele era mútuo, evidenciado pelo mesmo interesse que Renier sentia pela figura misteriosa diante dele.

Um leve sorriso surgiu em seu rosto, digno de fazer qualquer coração acelerar. — Bom dia, você finalmente acordou, — disse ela, inclinando a cabeça com um charme doce. — Pode ser confuso, mas meu nome é Aura Douji. É uma grande honra conhecê-lo — afirmou ela de forma respeitosa.

A atitude educada de Aura era notável aos olhos de Renier, que a observava com admiração.

— Parece sensato seguir a corrente por enquanto, — ponderou ele, dirigindo-lhe um olhar. — Bom dia, sou Renier Kanemoto… Acredito que é um prazer conhecê-la também, — acrescentou ele, ainda confuso com a situação em que se encontrava.

Quem era aquela garota? Onde ele estava? Eram tantas dúvidas em sua mente que ele não sabia por onde começar.

Ao perceber a expressão confusa de Renier, Aura soltou um leve sorriso. — Entendo seu sentimento… Deve ser muito confuso, mas irei explicar para você, — afirmou ela, demonstrando estar mais do que disposta a ajudá-lo a dissipar sua confusão.

— Você se lembra de algo antes de acordar? — perguntou ela.

Renier levou a mão à cabeça, sentindo que suas memórias estavam todas lá. “Tenho memória fotográfica, não tem como esquecer, porém… Há algo faltando. Por algum motivo, eu deveria lembrar de algo, mas ainda não consigo,” pensava ele, enquanto lutava para encontrar respostas que provavelmente foram retiradas de sua mente.

Renier colocou a mão sobre o peito, sentindo uma leve angústia quando seu coração começou a acelerar com um turbilhão de sentimentos.

Apertando os lábios, ele sabia que algo estava errado. “Talvez eu não consiga lembrar, mas meu corpo ainda sente”, expressou ele, incomodado com essa frustração.

O olhar de Aura para Renier era preocupante, indicando que algo havia surgido.

“Estranho… não era para isso acontecer”, pensou ela, levando a mão ao queixo em pensamento.

— Eu fui guiada por algo até você, Renier, — informou ela. — Mas não imaginei que a situação fosse tão grave assim — murmurou Aura enquanto o observava.

Renier não pôde deixar de ficar curioso sobre quem a havia guiado até ele. — Guiada? Por quem? — perguntou ele.

— Uh… Por minha mãe, só isso… — afirmou ela vagamente, evitando revelar mais detalhes.

Embora Renier não gostasse de ficar no escuro sobre assuntos que o envolviam, soltou um suspiro relutante, sem querer pressioná-la a dizer algo que não desejava.

“Estou me sentindo mais perdido do que quando estive sozinho nas frias montanhas do Alasca”, pensou ele, estalando os lábios.

Aura sorriu para ele novamente, preocupada com o impacto da confusão sobre ele.

— Você deve ter percebido, não é? Você não está mais em seu antigo mundo, — informou ela, mantendo a calma.

“Ela faz parecer algo normal, mas se ela sabe, provavelmente eu deveria saber também”, pensou Renier. “Dada a situação atual, acho que a sinceridade é mais importante do que lógica”, disse ele, deixando de lado suas preocupações desnecessárias.

Renier sentia que ela escondia algumas coisas, porém ele notava mesmo sem saber o motivo, que tudo o que ela dizia era verdade, Aura estava sendo o mais sincera possível com ele, mesmo que ele não entendesse o motivo de perceber ou entender o seus olhos diziam sobre ela.

— Se você sabe que estou em outro mundo, deve saber por que fui enviado para cá, certo, Aura? — perguntou Renier.

— Não sei todos os detalhes, apenas sou uma auxiliar para você, mas posso fornecer as informações básicas — disse ela, com um pequeno entusiasmo.

Renier ouviu atentamente as informações que ela compartilhou sobre suas responsabilidades como “Guardião Negro”, um título que lhe parecia familiar, embora não conseguisse recordar de onde o havia ouvido antes, o que o deixou intrigado com suas recentes lacunas de memória.

— Então, como Guardião Negro, você é uma força natural escolhida pelos deuses para lutar contra ameaças que surgem em vários mundos diferentes da nossa criação — continuou ela.

“Não me lembro de ter aceitado um contrato com um deus”, pensou ele, franzindo a testa.

— E qual seria essa ameaça pela qual sou responsável? — perguntou Renier, enquanto tentava processar as informações com calma.

— Existem seres chamados ‘Calamidades’, que surgiram há cerca de mil anos atrás, — informou ela.

“Esse nome, por algum motivo, entrou na minha mente como se estivesse sempre lá,” pensou Renier, levando a mão à cabeça, meio desnorteado.

As Calamidades são seres que surgem como uma infecção de energia, assumindo controle do corpo de um ser vivo e concedendo-lhe um poder destrutivo. No entanto, como consequência, o hospedeiro perde sua razão, e o instinto de destruição massiva é tudo o que resta em sua mente.

Sendo praticamente impossível para qualquer ser vivo comum combatê-los devido ao seu temível poder, as Calamidades representam uma ameaça para todos os mundos e para toda a vida.

— Então, um Guardião surgiu para combater essas Calamidades… — disse Renier, enquanto processava essas informações.

Acenando com a cabeça, Aura deixou escapar um sorriso, transmitindo uma sensação de esperança para Renier.

— Calamidade é uma classificação concedida por seres superiores, como anjos ou entidades acima da criação, — informou ela. — São bestas que foram classificadas com poder suficiente para afetar um universo inteiro com sua influência, — continuou Aura.

— Se é assim, parece ser uma classificação única. Acredito que essas bestas que têm surgido constantemente com a classificação de Calamidade devem ser anormais, — ponderou Renier, começando a compreender a situação.

Renier prestou atenção em algo que despertou sua curiosidade. “Existem anjos?” indagou em pensamento. “Então, devem existir demônios também. Mas espera, ela disse algo interessante, levantando uma questão sobre as Calamidades mencionadas por Aura.

— Significa que eu vou enfrentar seres com poder em escala cósmica e ainda terei que atravessar outros universos para isso? — perguntou ele surpreso, enquanto tentava compreender o que havia aceitado fazer, mesmo sem lembrar-se completamente.

— Exatamente, — confirmou Aura com um sorriso. — O dever do Guardião Negro é proteger a vida e lutar contra as Calamidades, não apenas neste, mas em vários universos diferentes, — explicou ela, mostrando-se entusiasmada.

“Ela parece animada com essa aventura,” pensou Renier, enquanto ponderava sobre a situação em sua mente.

Ter o poder de atravessar mundos era algo fascinante por si só; poder viajar e conhecer diferentes lugares fazia seus olhos brilharem de alegria.

— Você acha que tenho poder suficiente para enfrentar seres com uma escala de poder tão grande? — perguntou ele, afinal, Aura era quem parecia ter mais respostas no momento.

Um grande sorriso confiante surgiu nos lábios de Aura, demonstrando sua convicção. — Você é poderoso, afinal, você é o Guardião Negro. Sem você, não há mais ninguém que possa enfrentá-los. Acredite! — disse ela com sinceridade e respeito por Renier.

“É um voto de confiança considerável em alguém que acabei de conhecer,” pensou ele, sorrindo.

— Vou me esforçar, com certeza, — afirmou ele, mostrando que estava disposto a aceitar a responsabilidade.

Continua…

Olá, eu sou o Arthur-Ygg!

Olá, eu sou o Arthur-Ygg!

Gente dei uma mudada nos eventos da história, seguirá o mesmo enredo porém, as coisas sobre o Renier, serão reveladas com o tempo, e apenas quis refazer a obra com os capítulos que tinha um volume de 40 capítulos prontos sobre essa obra, então apenas estou reescrevendo e melhorando ela, assim como acrescentando coisas novas espero que gostem!

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