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A conversa entre Aura e Renier se estendeu por um bom tempo, enquanto ela o instruiu sobre o primeiro universo em que se encontravam.

A floresta se estendia diante deles, repleta de majestosos pinheiros altos que pareciam alcançar o céu.

Conforme a noite se aproximava lentamente, Aura decidiu que seria melhor acamparem ao redor da clareira em vez de seguirem diretamente para a cidade.

No centro da clareira, eles montaram habilmente uma fogueira, enquanto se sentavam ao redor do fogo crepitante.

Após um tempo de conversa descontraída, Renier questionou-a sobre a razão de terem optado por acampar na floresta em vez de seguir diretamente para a cidade mais próxima.

Aura olhou para a fogueira antes de explicar seus motivos.

— O acampamento foi para que eu pudesse explicar algumas coisas sobre este mundo desconhecido para você, — afirmou ela. — Seria imprudente você simplesmente vaguear sem rumo, não acha? — disse ela.

“Isso é um bom ponto,” pensou Renier. Afinal, ela estava certa; ter uma base e um entendimento do lugar onde estavam era essencial.

— Isso parece óbvio, mas seria melhor ouvir você então — disse Renier, concordando em receber as informações de Aura.

Acenando em entendimento um sorriso mostrando seu interesse em gostar de ser a guia prestativa aos olhos dela para Renier. — Então, deixe-me explicar sobre as Sete Nações deste mundo — disse Aura, continuando sua explicação.

O primeiro universo em que Renier estava era dividido em sete grandes nações e potências, com as quais Aura estava familiarizada, muitas delas aprendidas através de informações ou livros históricos.

A primeira nação é o Império dos Dragões, central e o mais temido e poderoso entre todas as raças. Governado pelo Imperador Dragão, o império é considerado imutável, e nenhuma outra nação ousaria invadi-lo ou provocá-lo. Os dragões são temidos não apenas por seu poder pessoal, mas também por serem reservados e fechados para as outras nações.

O segundo reino é o dos Elfos Frigga. Localizado após o Inferno de Gelo e além das cidades humanas, o reino dos Elfos Frigga é uma floresta fria onde a temperatura permanece abaixo de zero o ano todo. Os elfos, no entanto, permaneceram reclusos em seu reino devido à escravização de sua raça pelos humanos em seus comércios.

O terceiro território é o Reino dos Anões, situado próximo às imponentes Montanhas de Ferro ao Norte. Esses habilidosos artesãos fazem suas moradas em cidades subterrâneas, verdadeiros labirintos de túneis e cavernas, repletos de oficinas e forjas em constante atividade. Além de sua perícia em trabalhar com metais, os anões também são famosos por sua habilidade na produção de cervejas artesanais.

O quarto território é uma região perigosa e misteriosa além do vasto oceano. Conhecida como a Ilha “Crânio da Calamidade”, este local é um ponto de encontro para piratas, contrabandistas e outros elementos duvidosos. Além de suas atividades criminosas, a ilha é envolta em lendas e rumores sobre uma segunda ilha misteriosa chamada Ilha Morta, o domínio da temida Rainha dos Espectros, onde dizem que qualquer alma viva que se aventura ali nunca mais retorna.

Embora poucos se atrevam a se aventurar tão perto das águas traiçoeiras da Ilha Morta, aqueles que o fazem são atraídos pela promessa de tesouros antigos e segredos ocultos.

— Nós estamos entre duas nações, o Império Aurélia e o Império dos Monstros, — afirmou ela.

“São tantos lugares diferentes, e seres, que faz meu coração saltar em desejar explorar eles!” Pensou Renier animado com todas essas informações.

— Deduzindo que o Império Aurélia seja dos humanos? —  perguntou Renier.

— Exatamente, mas por algum motivo aquela nação já não é mais a mesma. Escravidão, guerras e muitas outras coisas sujas têm acontecido naquele lugar, — explicou ela.

— E o Império dos Monstros? — indagou Renier.

Renier percebeu que Aura soltou um leve toque de desgosto e incômodo ao se referir àquele lugar.

— Uh… Eu era de lá, — afirmou ela, revelando sua frustração. — Mas não é nada demais aquele lugar, então não se preocupe, — disse Aura.

“Acho que isso é um ‘não pergunte mais, ou vai se arrepender'”, ponderou Renier enquanto analisava Aura.

— A propósito, é esta floresta? Sinto várias vibrações estranhas, — disse Renier, encolhendo os ombros.

— Fufu, sabia que você iria perguntar! — afirmou ela com um sorriso convencido. — Está vendo aquela árvore com as folhas rosas? —  perguntou ela, batendo com a mão no tronco branco da árvore.

— Olhando para ela, passa uma sensação um pouco acolhedora, — disse Renier.

— É a Árvore das Raízes de Yggdrasil, um ponto seguro em um local repleto de perigos, Bestas Mágicas e os Pesadelos, — informou ela.

Batendo com o punho na palma da mão, Renier compreendeu o propósito da árvore e o que Aura estava dizendo. “Um ponto seguro. Como com os jogos, Esta árvore está protegendo os viajantes dos monstros ao redor, se foi isso que entendi?” pensou ele, admirando a árvore.

— Pesadelos? — perguntou Renier, curioso sobre o tipo de ser ao qual ela se referia.

— É meio complicado explicar o que são eles, — disse ela, dando de ombros. — São criaturas sombrias que podem corromper outros seres, alimentando-se do medo das criaturas vivas. Ninguém sabe de onde vieram ou o que desejam, mas uma coisa é certa: não são seres vivos, — acrescentou Aura, com um leve toque de suspense em sua voz.

— Você é boa em contar histórias, — afirmou Renier, rindo.

— Heh, é bom quando temos um bom ouvinte, então me deixo levar um pouco, — disse ela com um sorriso. — Bem, acho melhor descansarmos um pouco. Já está tarde, e seria bom você dormir, afinal, terá um dia longo amanhã, — concluiu ela.

Renier apenas acenou com a cabeça, usando a árvore como apoio enquanto observava Aura dormir. Ela estava sentada em uma posição confortável, porém alerta para um possível ataque, demonstrando sua eficiência e disciplina enquanto sua katana descansava em seu colo.

Enquanto isso, o brilho das estrelas junto com a presença majestosa da lua continuava a iluminar a floresta, criando uma atmosfera serena. No entanto, Renier ainda se sentia desconectado com toda essa situação nova.

O calor da fogueira se mesclava com a ternura do ambiente, mas as perguntas sem resposta ainda ecoavam em sua mente, enquanto ele observava o fogo atentamente.

“Não acho que consiga dormir com minha mente não parando um segundo,” pensou Renier, soltando um suspiro leve para não acordar Aura. “Me Pergunto o que a Lilly acharia desse lugar, talvez gostaria de sair do estresse de ser ídolo” disse ele.

— Será que eu morri na Terra? Talvez a Kyoka esteja arrasada comigo… — disse ele, em um tom baixo quase como um sussurro em meio a noite, sentindo um pequeno vazio ao lembrar de sua namorada, que acabou deixando-o desconfortável.

♤——●——♤

A Floresta Perdida era o local em que Renier se encontrava no momento um território de desafios inexplorados e perigos iminentes, especialmente quando a noite começava a cair, transformando-se no cenário perfeito para aqueles que buscavam a morte.

Espíritos rancorosos e entidades sombrias vagavam pelas densas árvores, enquanto corpos em decomposição marchavam pelo solo em uma dança macabra em busca de presas vivas para saciar sua sede de carne fresca.

Pântanos lamacentos, cobertos de musgo, e árvores sombrias impediam que qualquer raio de luz penetrasse no solo úmido e fétido, impregnado pelo cheiro de morte e putrefação, onde os restos mortais de animais e a carne apodrecida contaminaram a terra amaldiçoada.

Esta era a verdadeira essência da Floresta Perdida, um lugar onde ameaças se ocultavam em cada sombra, onde os aventureiros adentravam em busca de fama e fortuna, seduzidos por rumores de tesouros ocultos e criaturas temíveis, apenas para terem seus sonhos e esperanças esmagados pela inevitável morte que os aguardava.

Para cada alma audaz que ousava penetrar nessas terras assombradas, muitos mais encontravam seu destino final, condenados a vagar como espectros sem descanso, seus corpos transformados em meros receptáculos vazios de suas aspirações e anseios, testemunhas silenciosas da ruína que os consumirá…

Aura pela manhã havia explicado sobre o local onde estavam, deixando Renier mais ciente da gravidade da floresta.

Quando o sol começou a brilhar sobre a folhagem, Aura já estava acordada e pronta para partir.

Renier se preparava enquanto refletia sobre o dia que se aproximava após saírem da proteção da Raiz de Yggdrasil.

Me pergunto se o dia será tão intenso quanto a noite,” ponderou ele.

Aura observava Renier com interesse, percebendo sua confusão sobre o que fazer.

Com suas mãos em uma pequena bolsa em suas costas, Aura mexeu até retirar uma espada escura de uma bainha com a mesma cor com alguns detalhes em carmesim.

— Renier, você sabe manejar uma espada? — perguntou ela.

Aparentemente, a pequena bolsa era maior por dentro, sugerindo que possuía algum tipo de espaço mágico para acomodar mais coisas, independentemente do tamanho ou quantidade.

— Uhum, tenho confiança como espadachim — disse Renier, com um ar de vaidade.

Na verdade, durante sua estadia com seu avô, descendente de uma linhagem de espadachins japoneses, Renier havia sido treinado em algumas técnicas de esgrima, o que lhe dava confiança ao empunhar uma espada.

Aura jogou a espada para Renier, que a segurou com ambas as mãos. Um sorriso se espalhou pelo rosto de Aura, mostrando sua confiança nele.

— A floresta ainda é perigosa, então tome cuidado. Foi um sufoco chegar até você, então procure não morrer, — afirmou ela piscando um olho.

O objetivo dos dois era atravessar a Floresta Perdida, dividida por várias montanhas altas. Primeiro, teriam que passar pela trilha das montanhas, descer e, em seguida, atravessar o restante da floresta até chegarem a uma pequena cidade antes de alcançar o Império Aurélia.

Após ouvir o que esperava através de Aura, Renier ficou atordoado.

— O que farei apenas com uma espada? Você mencionou Bestas Mágicas. Uma única lâmina de aço não será suficiente, — expressou Renier preocupado.

— Use magia, ora. Imagine e crie. É fácil, — afirmou ela. — Nem todos nascem com o dom da magia, mas você é o Guardião Negro. Deve ser capaz de usar magia apenas com a sua imaginação, — continuou ela.

“Imaginar e criar, tão simples assim?” pensou Renier.

Decidindo tentar, conforme ela sugeriu, ele ergueu a palma da mão, imaginando uma bola de fogo simples. Para sua surpresa, um orbe de magia em forma de fogo azulado se formou e flutuou sobre sua mão.

Surpreso com a facilidade com que isso aconteceu, Renier não pôde deixar de admirar o que acabara de fazer. — Isso é… Incrível. Posso simplesmente pensar no elemento e ele se forma, — disse Renier com entusiasmo.

— Claro, mas só elementos naturais. Alguns feitiços mais complexos podem depender de sua inteligência. Para realizar feitiços mais avançados, você precisará aprender com um Mago, ler livros ou grimórios, ou até mesmo usar pergaminhos, — informou ela, com a mão na cintura, observando Renier brincar com o fogo mágico. Em sua mente, era como ver uma criança descobrindo um brinquedo novo.

Porém, os olhos dela se estreitaram ao ver a chama azul orbitando ao redor dele. “Isso não é magia de fogo. O que ele acabou trazendo à tona não foi mana nem magia. O que é isso?” pensou ela, enquanto tentava entender a energia que Renier estava usando.

— Então, vamos? — disse Renier, um pouco mais confiante, enquanto a magia se desfazia e ele empunhava a espada para se proteger.

Soltando um leve sorriso diante da súbita confiança dele, Aura apenas deu de ombros para suas próprias dúvidas. — Se você está tão animado assim, quero ver como vocês vão se sair lutando com um Pesadelo desta floresta, — afirmou ela, brincando.

Os dois iniciaram sua marcha pela floresta, deixando para trás o ponto seguro da Raiz de Yggdrasil, rumo a um dos locais que à frente seria literalmente seus piores pesadelos até conseguirem atravessá-lo…

Continua…

Olá, eu sou o Arthur-Ygg!

Olá, eu sou o Arthur-Ygg!

Magia no “primeiro mundo” por assim dizer, é algo visto como normal, então elementos naturais são fáceis de controlar porém é necessário a quantidade de mana da pessoa para saber o quanto o controle de mana poderá ser liberado, que no caso de Renier é bastante fácil, embora ele ainda não saiba…

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