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Reabrindo os olhos, a garota se encontrava imersa em um abismo de escuridão, incapaz de discernir qualquer coisa ao seu redor.

Uma jovem de cabelos carmesins e olhos como rubis brilhantes descansava sobre uma superfície rígida e gelada, totalmente exposta e nua, em uma mesa de mármore adornada com entalhes de runas rasgadas e desgastadas.

A incerteza a envolvia, acompanhada pela pergunta crucial que ecoava em sua mente: “Quem sou eu? E onde estou?”, enquanto ela observava a sala escura ao seu redor, confusa e intrigada.

— Alguém está aí? — perguntava ela, sua voz ecoando pela sala, se dissipando pelo ambiente vazio.

Ela tentou se mover, deslizando da mesa para colocar os pés sobre o chão gelado, feito de blocos escuros de pedra.

Seus olhos começaram a se adaptar à escuridão, permitindo que visse a sala ao seu redor gradualmente ganhando forma sob uma luz difusa.

“Pensei que fosse uma sala de experimentos, mas parece mais sinistro do que isso”, ponderou ela enquanto examinava o local.

No centro da sala, sua mesa estava rodeada por várias pessoas vestidas com túnicas escuras, todas ajoelhadas em silêncio. No entanto, não havia sinais de vida nelas, apenas vestígios de algum culto sombrio.

Caminhando cautelosamente entre os corpos, ela se aproximou de um homem cujo rosto estava irreconhecível, já tomado pela morte.

— Desculpe, acho que você não vai se importar se eu pegar essa túnica emprestada —  perguntou ela, sabendo que não obteria resposta.

Com um suspiro resignado, vestiu a túnica escura sobre si, sentindo-se desconfortável com a ideia de usar roupas de um cadáver. — Será que fui invocada aqui? Eles parecem ser usuários de magia, como nos animes que eu costumava assistir — murmurou para si mesma.

Embora não conseguisse se lembrar de seu próprio nome ou de seu passado, fragmentos de memórias de outro mundo inundavam sua mente, juntamente com informações básicas.

Ela retirou das mãos de um dos corpos um grimório escuro, decorado com um símbolo de fogo em uma linguagem ilegível. “Magia espiritual”, pensou ela.

— Parece que consigo entender as palavras do grimório. Isso pode ser útil… — murmurou enquanto folheava suas páginas, apoiada na mesa.

Passando algum tempo lendo sobre os diferentes estilos de espíritos e magias espirituais, ela descobriu sobre um plano além da existência conhecido como o Reino dos Espíritos, governado pela Rainha dos Espíritos, Lisandra, e suas Sete Filhas Primordiais, os Espíritos Elementais.

Cada uma dessas entidades era a encarnação de um elemento e a própria essência da natureza. O grimório explorava a invocação espiritual através de um receptáculo, revelando segredos antigos e poderosos sobre magia e o mundo espiritual.

— Espírito Primordial do Fogo, Ifrit — disse ela, lendo as palavras do grimório de invocação.

Ifrit, o espírito que personifica o próprio fogo em sua essência, era representado pelo símbolo no grimório que as pessoas mortas do culto tentavam invocar.

Segurando o grimório com firmeza sobre o tecido do manto, ela ergueu a mão, seus olhos vermelhos irradiando um brilho intenso. Em um instante, os corpos ao seu redor se envolveram em chamas, preenchendo a sala com uma luz avermelhada.

Ela olhou para os corpos incendiados com indiferença. — Parabéns, vocês conseguiram invocá-lo — disse ela com um tom zombeteiro. — Mas parece que vocês pagaram um preço alto por isso, hehe — acrescentou, dando de ombros com desdém.

Pegando a espada e uma adaga que estavam sob o manto, ela decidiu sair daquele lugar bizarro para ela, passando pela sala e adentrando um corredor escuro, o único aparente.

— Acho que não tenho outra opção… — murmurou ela para si mesma.

“Talvez seja algum tipo de templo. Como essas pessoas chegaram aqui?” Pensou ela, enquanto se adaptava facilmente à habilidade do fogo, sentindo que era parte dela. Manipular o poder era como se sempre soubesse como, o que a deixava animada para colocar em prática.

Enquanto caminhava pelo corredor, seus passos ecoavam pelo espaço vazio e silencioso, deixando-a cautelosa, perguntando-se se o lugar era realmente seguro ou se estava sozinha.

— Se eu encontrar alguém… Como não sei meu nome, inventar um seria uma boa ideia… — comentou ela, tentando preencher o silêncio com sua própria voz.

Ela pensou em alguns nomes, mas descartou-os rapidamente, sentindo que não combinavam com sua personalidade ou aparência.

Com a mão sob o queixo, ela refletiu sobre o espírito do fogo com o qual parecia estar ligada. “Safira… Vermelho como fogo, Sapphire,” ponderou ela, achando o nome interessante.

— Sapphire parece bom, combina bastante — murmurou ela, decidindo seu novo nome.

Ao chegar a um espaço diferente, deparou-se com uma pequena e estreita escadaria que levava ao andar de cima. No entanto, algo acima, na escuridão, fez com que Sapphire congelasse por um instante. Seus olhos se arregalaram com a súbita aparição de um rosto deformado com olhos vermelhos a observando, mas tão rápido quanto apareceu, desapareceu.

— Que droga foi aquela!? — questionou-se Sapphire nervosa, seu coração disparando pelo susto repentino de algo que só podia ter saído de um filme de terror.

Levando um tempo para processar o que havia visto, seus pensamentos vagavam sobre se deveria simplesmente seguir em frente e subir, apesar da bizarrice à espreita.

Limpando a garganta enquanto respirava fundo, sua mão tocava a parede fria, notando hieróglifos gravados por toda parte, como se fossem mensagens antigas de uma civilização perdida.

— Se fui invocada por um culto, um maldito templo era indispensável — murmurou ela frustrada, a ideia de estar em um lugar possivelmente amaldiçoado aumentando seu desconforto.

Cada passo ecoava pelo ambiente, amplificando seu desconforto enquanto subia, preparando-se para um possível ataque a qualquer momento.

À medida que seus olhos se acostumavam à penumbra, ela avistava árvores como carvalhos escuros além de um grande portão, finalmente emergindo do que parecia ser apenas um pequeno buraco. O alívio a envolvia brevemente.

Mas não o suficiente para baixar a guarda. Afinal, aquela coisa ainda estava à espreita. A floresta ao redor era uma massa escura, o solo negro e morto, como se nunca tivesse sentido um raio de sol sequer penetrar em sua superfície.

Seu olhar vagava por todas as direções, sentindo que não estava sozinha, sendo observada, o que a preocupava ainda mais. Controlando seu medo e mantendo a calma, ela segurava a adaga firmemente, pronta para um possível confronto.

Sua respiração parecia abafada à medida que avançava pela floresta escura. — Que lugar é esse? — perguntou-se ela. — Nem mesmo o céu consigo enxergar — afirmou Sapphire, observando as copas das árvores.

Apesar de ser dia lá fora, Sapphire não conseguia perceber, pois a floresta parecia impedir a luz do lado de fora, mantendo sempre a escuridão interna que aumentava o alerta constante dentro desse território hostil.

Cautelosamente, Sapphire avançava pela floresta, seus passos ecoando sobre as folhas mortas espalhadas pelo chão e as árvores retorcidas e sombrias ao seu redor. Um arrepio percorria sua espinha, enquanto ela sentia olhos invisíveis a observando, penetrando sua alma com uma intensidade gélida. Cada som da natureza ao redor parecia se fundir em um sinistro coro, ecoando as presenças sinistras.

Seu coração batia descontroladamente, o medo a envolvia em um abraço sufocante. Ao alcançar a margem do lago sombrio e completamente escuro, seus olhos se arregalaram de horror. 

Sapphire ficou chocada com a visão à sua frente. “Que inferno de floresta é essa!?” perguntou-se, completamente atormentada.

Na encosta oposta, sombras se contorciam entre os galhos das árvores, sem forma definida, sem rosto visível. Pairavam como espectros aprisionados, observando-a com uma intensidade perturbadora.

O silêncio da floresta foi rompido apenas pelo batimento frenético do coração de Sapphire, enquanto ela se via enredada em um pesadelo vivo, cercada por entidades que não pertenciam a este mundo. 

O ar estava impregnado com uma tensão palpável, e o presságio sombrio pairava sobre ela como um manto macabro, deixando-a completamente vulnerável diante do desconhecido aterrorizante que a espreitava.

Estalando os lábios em frustração, Sapphire faz surgir duas esferas de fogo em suas mãos. — Não sei qual é a dessa floresta, então dane-se! — gritou ela, irritada.

Seus disparos de fogo foram em direção às sombras, causando uma pequena explosão que fez os espectros desaparecerem como miragem, enquanto o fogo se alastrava pelas árvores e, de maneira estranhamente, a água escura começou a incendiar junto.

Uma atmosfera opressiva e asfixiante pairava no ar, sufocando Sapphire enquanto ela tentava se afastar da beira do lago, agora engolido pelas chamas crepitantes. Seus olhos se arregalaram de horror ao observar algo emergindo das águas turvas e flamejantes.

Uma picada aguda sobre sua mão a fez dar um tapa instintivo, revelando uma pequena aranha morta. Mas a dor persistiu, e suas veias se inflamaram como se fossem rios de fogo correndo sob sua pele, acelerando seu pulso em desespero.

“Isso é veneno?”, questionou ela, recuando desajeitadamente até esbarrar em uma árvore, enquanto uma sensação de vertigem a envolvia.

Uma chama brotou de seu dedo, como um último recurso desesperado. Ela queimou a mordida, sentindo a dor intensa consumir sua pele, enquanto um gemido de agonia escapava de seus lábios, misturando-se ao sabor metálico do sangue que escorria pelo canto de sua boca.

— Por que tudo nesta floresta parece desejar minha morte? — murmurou ela exausta, seus olhos voltando-se para o lago, agora envolto em uma cortina de chamas devoradoras.

Ao longe, uma figura feminina permanecia imóvel à beira do lago, segurando uma boneca com cabelos escuros e olhos vermelhos feitos de botões. A garota vestia roupas antiquadas, sua boca costurada e lábios gotejando uma substância viscosa.

— O que você quer!? — gritou Sapphire, seu coração pulsando com medo enquanto percebia que a entidade diante dela não era humana.

Com um movimento lento, a boneca ergueu a mão em um gesto sinistro, enquanto a boca da garota se movia desajeitadamente. — Nós queremos brincar… — murmurou a figura, sua voz distorcida ecoando como um sussurro sombrio, enquanto o fogo consumia impiedosamente a floresta ao redor, transformando a cena em um pesadelo vivido e aterrorizante.

Continua…

Olá, eu sou o Arthur-Ygg!

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