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— Madrinha? — indagou Aryna. — Não foi você quem…

— Lumen~ — exclamou Luanne, saltando até Theo e abraçando-o.

A cientista principal de Fulmenbour, Luanne Darkmoon. Seu sobrenome, foi dado por motivos de batalhas, onde Luanne parecia mais poderosa diante o luar, porém, ao mesmo tempo que era uma mulher doce e amável, era sangue-frio quando necessário.

Mesmo sendo uma cientista em Fulmenbour, Luanne também é uma das principais tenentes de Romerian. Assim, foi em uma de suas missões que se conheceu e se tornou a melhor amiga de Ethan Lawrence, o pai de Theo.

— Dez anos… — disse Luanne, com um tom imenso de saudades e felicidade. — Pareço uma criança. — Limpando uma lágrima de seu olho direito, ela nota Aryna do lado. — Oi!

— Oi… Vendedora.

— Vendedora? — murmurou Theo. 

— Calma. Posso explicar. — Luanne sentou-se na quina da cama de Theo. — Bom, eu te vi entrando na loja de artefatos. Vi também que você é da classe especial de Wispells. Logo pensei: Quem mais é da classe especial daquela academia? Simples! Meu afilhado, Theo.

— Hum… — resmungou Aryna, cruzando os braços.

— Você estava confusa. Ainda mais quando… Me perdoe. Mas eu li sua mente e descobri que você queria presentear alguém pelo sucesso da missão de vocês.

Aryna ficou incrédula, mas se manteve em silêncio. Afinal, leitura de mente sem consenso, ainda é um tipo de invasão de privacidade e deve ser tratado como crime. Porém, como Luanne aparentava ser alguém confiável, a garota decidiu apenas continuar escutando.

— Fiquei algum tempo te observando e descobri que você queria presentear o meu querido Theo. Me passei, então, por uma vendedora e te convenci a comprar o colar. Tal colar, que eu mesma fiz para portar o amplificador do Theo, então eu daria isso a ele de qualquer forma.

— Gastei meu dinheiro com algo que ele ganharia de qualquer forma? — indagou frustrada.

— É… Mas para namorados, valem a pena, né?

— Namorados? — Theo comentou calmamente. Já Aryna, se engasgou com a própria saliva.

— O quê? Não são? Os pensamentos dela sobre vocês estavam tão confusos que… — Um choque de realidade atingiu Luanne. “Céus!” — Perdoe-me! — se desculpou a Aryna.

— Luanne — chamou Amiah. — Pode começar a falar o que é importante? A cada palavra que você profere, tenho mais motivos para te dar uma sentença de prisão perpétua… 

— Me perdoe.

— Sim, eu perdoo — assentiu Aryna, ainda envergonhada.

— Ótimo! Sim, vamos ao assunto. Aryna, onde está o colar??

Aryna entrega a caixa de uma escrivaninha para Luanne. A cientista, por sua vez, pegou em uma pochete, um pequeno fragmento de cristal: formado em um círculo perfeito, era uma ametista.

— Ametista?

— Sim. Ametistas ajudam a manter os discos de Chakra em equilíbrio. Além de que, o amplificador só funciona com essa pedra. Fiz um pequeno feitiço de ligação e armazenamento, logo, deve ser o suficiente para equilibrar sua energia. Amiah me enviou por cartas, os seus cálculos, Theo. Eu sabia que você era bom em exatas, mas não tão bom assim.

— A minha teoria de consumir e liberar? — indagou Theo. — Sim, estou chamando ela assim.

— Exatamente. Eu analisei, revisei e notei o defeito: é impossível para uma pessoa efetuar aquilo por mais de três vezes. A mana sobressairia, seu éter, etc. Esse risco você já conhecia. Porém, graças à sua teoria, eu consegui chegar em uma conclusão para ela. O equilíbrio da Ametista também te ajudará nisso. Sempre que você consumir mana para densificar em éter, a mana será transportada para o cristal e será convertida em energia elementar. Por vez, você conseguirá gastar essa energia em seus feitiços ao invés de gastar o éter.

— Isso é genial… — comentou Aryna.

— Não é?! Foi uma teoria que criei através da teoria do Theo, e que o vice-chefe Christopher concluiu. Contudo, tem o defeito.

— Qual? — indagou Amiah.

— O Theo precisará de, no mínimo, a essência no estado um para executar essa troca equivalente…

— Essência? — questionou Aryna. — Está falando do quê?

— Auras — retrucou Amiah. — O processo do Nirvana é muito duradouro. Ele terá tempo para isso?

— Bom… assim que ele colocar o colar, começará o processo.

— Do que estão falando? — perguntou Theo, quebrando o raciocínio de Amiah completamente.

— Essências ou auras, são a personificação da energia de um desviante, tal que, só pode ser vista por alguém que tenha passado pelo processo do Nirvana. Foi citado pela primeira vez no livro “A Lótus do Iluminado”. O livro em si, fala sobre um homem que veio de Midgard e, cansado de tanto sofrimento no mundo, vagou pela terra buscando conhecimento. Este mesmo homem, meditou sobre a própria existência durante cinco anos. Após isso, se tornou um novo ser cujo havia se libertado de todos os prazeres e desejos que podiam afetar-lhe negativamente.

— Sim, o livro parecia ficção até ser testado realmente — interrompeu Luanne. — Os desviantes tentaram passar por esse processo, que por mais fácil que aparenta ser, é mais complicado que treinar fisicamente. Poucos chegam ao nível da iluminação, mas aqueles que chegam, se tornam novas pessoas. Seja em força ou personalidade. Sua idade é perfeita para isso. Já que a adolescência é o momento onde os sentimentos e pensamentos começam a se tornar confusos, o processo do Nirvana irá te ajudar nessa parte…

— Porém, é duradouro. Eu mesmo demorei sete anos para completar tudo perfeitamente.

— Ele não precisa atingir a iluminação perfeita. Somente o estágio um. Apenas a aura é necessária para o amplificador funcionar. De resto, se Theo continuar mantendo o ciclo de autoconhecimento em um ritmo agradável, pode durar quanto tempo for.

“Autoconhecimento… Se fosse como Theo Lawrence, seria tranquilo. Mas não é. Eu não sou esse adolescente. O problema está em eu ser Liam Mason…” pensou. “Eu consigo mesmo?”

— Claro, essa é a primeira alternativa que encontrei em pouco tempo. Já que me avisaram isso em cima da hora, tive três dias para formar o pensamento e criar o projeto — disse Luanne. — Se não se sentir bem com isso, posso demorar um pouco mais e achar outra solução…

— O que pode dar errado em meditar? — questiona Aryna.

— Iluminação pode tanto iluminar quanto escurecer… — respondeu Theo.

— Ele está certo. Ao mesmo tempo que ele pode retornar como uma pessoa pura, se chegar a uma conclusão negativa de si… pode se tornar o oposto — informou Amiah.

“Esse é o peso de se preocupar com a vida de alguém?” Aryna questionou-se. 

Ela jamais havia passado por uma experiência em que alguém morreu, mesmo não sendo nem nobre, nem camponesa, a morte não foi nada convivente com ela. Portanto, o motivo das pessoas chorarem ou ficarem tristes pela morte de alguma celebridade eram motivos de piada para ela. Mas agora não. Naquele instante ela estava gradualmente presenciando o que realmente é o sentimento de medo de perder alguém minimamente próximo.

— Eu irei — afirmou Theo. — Farei isso.

— Certeza?

— Não. Mas é a única saída viável. Não vejo motivos para perder mais tempo com isso, sendo que há uma chance aqui. Quanto tempo eu ficarei apagado?

— Dois dias, talvez. Mas relaxa. Para você, vai passar que nem um… — Luanne estala os dedos. — … seu corpo não vai sentir sede ou fome. Você vai apenas apagar e acordar, claro, para você. O mundo continuará o mesmo.

“Isso é óbvio…” — Entendo. Me dá o colar, por favor.

— Fique bem, e venha me visitar assim que se recuperar — disse Luanne, entregando o colar. — Thays está servindo como minha ajudante, então ela também ficará feliz em te ver.

— Manda um “Oi” para ela.

— Claro. — Luanne baixou a cabeça até a testa de Theo para dar um beijo. — Fique bem, querido.

Ao pressionar a ametista no plexo solar de Theo, o garoto desfalece subitamente sem dar nenhum sinal de vida além de respirar.

— É isso? — indagou Aryna, assustada.

— Sim. Ele já está no processo.

Segurando a mão de Theo, Luanne sente um ar frio e úmido na região. Interessada e curiosa, a tenente refira a mão de seu afilhado para olhar sua palma mais de perto. E novamente estava lá: a flecha verde em forma de uma marca. Dessa vez de cor verde-limão — diferente da última vez que estava verde-escuro.

“Ressonância elementar?!” pensou Luanne, observando a marca.

Enquanto isso, no plano mental de Theo…

— Quem é você? — indagou Theo, de olhos arregalados e punhos fechados.

Olá, eu sou o Mirius!

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