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“Eu deveria levar algo para ele?…” pensou Aryna, encarando uma prateleira de joias.

Rebecca estava sob vigilância de Paul, por ser a mais nova da classe, a atenção tem de ser voltada a ela. Por outro lado, não estão tão distantes assim. Aryna está no segundo andar de uma loja de artefatos, enquanto Rebecca e Paul estão no mesmo andar, porém no lado oposto.

“Sir Amiah falou que vieram pegar um amplificador para o loirinho. Se for feio? Sendo um nobre, ele tem que andar extravagante. Sim, sim. Com certeza.”

— Com dificuldades? — Uma vendedora se aproximou de Aryna. 

Olhando para o ombro da garota, notou um emblema de Wispells, destacando o nome “Specialis”. Quando se é da classe especial, normalmente o aluno utiliza um emblema do gênero para ser reconhecido. Geralmente, eles tem um acesso melhor a lugares complicados — como a Oficina de Vulcanus. Naquele caso, Antony e Ivan se negaram completamente a utilizar o emblema, por isso tiveram que ir à lábia.

— Sim. Estou procurando um presente para um colega da minha classe…

— Pode me dizer os gostos dele? Talvez eu possa te ajudar.

“Os gostos?…” Aryna refletiu. Logo se desesperou por notar que não sabia de nada sobre Theo. Nada além do sobrenome e do seu mito favorito: o do Santo da espada e o dragão da lua.

O mito do Santo da Espada e o dragão da lua foi uma história trazida de Midgard — tal que muitos dizem realmente existir. O mito trata-se de um dragão feroz que atormentava uma cidade e exigia sacrifícios humanos. Não contente, ele começou a se revoltar e querer dizimar aquela população.

O Santo da espada então surgiu: um soldado da fé, forte e bravo que agia em nome de Deus. O guerreiro, então, perseguiu o monstro pela Terra, pelo ar e pela lua. E lá, no satélite natural, a batalha feroz foi travada, onde crateras foram deixadas como lembrança. 

O mito adaptado, diz que o evento da “Lua de Sangue” representa o sangue do dragão derramado pelo Santo. Aqueles que nasceram no dia deste evento, são banhados com o sangue maligno purificado pela espada do Santo. Acreditam ser, um sinal divino para abençoar as crianças que nascem neste dia: os que chamam de Santos.

O motivo de Theo gostar desse mito, é por ele morrer sob um luar de sangue e também renascer em um luar de sangue. Mesmo não acreditando em algo tão surreal, Theo/Liam tem esse mito como favorito por representar algo que ele adotou para si: um ser de sorte e abençoado. Afinal, quem mais poderia viver duas vidas mesmo sendo tão impuro?

— Hum… Eh… Lua. Acho que ele gosta de algo sobre a lua. Isso. Um colar da lua que tenha suporte a um amplificador.

“Sabia… Ela está buscando um presente para Lumen.” pensou a atendente, cujos olhos e cabelos são negros como a noite. — Então, que tal este? — disse, pegando uma caixa na estante.

Aryna pegou a caixa em mãos e abriu. Era elegante por dentro. Uma almofada de vinho forrava toda a parte interior da caixa de madeira. Um colar triluna. Seguido pela ordem de luas: crescente, cheia e minguante. A lua cheia está vazia, tendo um espaço vazio formado por um círculo perfeito.

— Bom, é um colar que geralmente os domadores usam. Vem da cultura ancestral dos desviantes, de mil e quinhentos anos atrás. Para os romerianos, significa a trindade feminina da lua. Mas, para os descendentes daqueles que batalharam na guerra mitológica, representa a trindade da lua: Leedan, o herói da vida. Lumen, o herói do destino e Lerdothn… o herói da morte. Foram santos que lutaram pela humanidade na guerra contra os Titãs… — contou a atendente, dando mil e um motivos para Aryna comprar.

— Espera… Lumen? — indagou Aryna.

Ei, Theo. Você é o único com codinome aqui, né? Qual é?” indagou Antony.

É Lumen. Pode parecer bobo, mas foi alguém especial que me chamou assim, então…” respirou. “Eu apenas adotei o apelido heroico.

— Vou ficar com esse! — disse Aryna, sem pensar duas vezes.

— Certo — retrucou a atendente, sorrindo e fechando a caixa. — Leve para o balcão para efetuar o pagamento.

‘Aparentemente, suas peças estão se movendo como deseja.’ uma voz ecoou na mente da atendente. ‘Você ainda age com imprudência. Como explicará a ela caso se encontrem?’

“Foi uma coincidência…” respondeu mentalmente, acenando e sorrindo para Aryna. “Se recupere Theo. Logo estarei com você.”

Hospital de Fulmenbour, quarto de Theo Lawrence

15:00

Aryna entrou cuidadosamente no quarto, tentando não fazer barulho. A jovem guarda as sacolas em um sofá no canto do quarto, levando apenas a caixa do colar para o lado de Theo.

— Ei, loirinho — começou Aryna. — Trouxe um presente. A moça da loja me fez um resumo, e parece que significa algo para o Lumen. Então comprei, já que seu apelido é Lumen. Espero que sirva para você. — Aryna engoliu em seco, sem mais palavras para dizer.

Então, ela começou a olhar para os lados. Até encontrar um calendário na parede, marcando visitas. Aryna se levantou e começou a caminhar até o calendário.

— Quando estava voltando das compras, encontrei os garotos saindo da Oficina de Vulcanus. Estranhei, então perguntei o porquê. Pelo que parece, o interescolar começará em dois meses. O bobalhão do Tony está tentando indicação com o rei dos anões. Ivan comentou que está ponderando voltar para casa… Lá ele pode receber uma carta de recomendação da família dele. Eu e a Becca estamos considerando tentar a sorte com a alquimia. Então… No fim só restará você. 

Aryna olhou para o calendário e observou um horário naquele mesmo dia: — Em trinta minutos você terá a visita de alguém da ordem Fulmenbour. Então acorde até lá…

— Esta falando comigo sem ao menos saber se eu escuto? Você está parecendo uma esquizofrênica… — comentou Theo, sua voz estando tão baixa e fraca que parecia estar sussurrando.

— Você está acordado? — indagou surpresa.

— Não, não. Sou apenas uma voz na sua cabeça. Estou acordado há algumas horas, porém tão fraco que não consegui me mover até agora.

— Entendi, Sir Rude. Que bom então!

— Por que suas bochechas estão vermelhas? — indagou Theo, notando uma certa alteração no tom de pele de Aryna.

— Tá falando do quê? — Ela desfere um tapa no próprio rosto.

— O colar é…

— Um colar triluna — respondeu. — Me lembrei do mito do Santo da espada que você disse gostar, então usei como referência.

— Entendi… depois te dou um presente.

Theo. Diga “obrigado” para a Ellen.” ordenou Camille, a mãe de Theo.

Não precisa forçá-lo a dizer isso para mim, milady.” retrucou. Ellen, a criada de Theo. Ou como ele odiava chamá-la… Sua babá.

Não! Não eduquei ele para ter dificuldade de dizer um obrigado quando recebe uma roupa. Vamos, agradeça!

O…” engoliu em seco. “Obrigado, El.

De nada, jovem mestre.

Viu?” disse Camille. “Não é tão ruim assim agradecer e receber um de nada.

“Por que do nada eu fiquei melancólico?” pensou Theo, após se lembrar do dia em que completou oito anos. “De qualquer forma…” — Obrigado, Aryna.

— De nada — disse Aryna, sorrindo.

— Posso te pedir um favor? — indagou Theo.

— Claro.

— Fica comigo? Pelo menos até minha visita ir embora.

— Seria um prazer.

Hospital de Fulmenbour, quarto de Theo Lawrence

15:30

A porta repentinamente se abriu. Momentaneamente, Amiah adentrou no quarto, surpreendeu-se um pouco ao ver Aryna e Theo acordado, mas logo chamou outra pessoa de fora: — Entre.

Os olhos de Aryna se arregalaram quando a pessoa entrou no quarto. Seus olhos e cabelos são pretos, como o vácuo do espaço. Seus fios são longos e se estendem por toda sua costa. Veste uma calça cinza-escuro que vai até metade do abdômen, acompanhada por uma blusa preta indo até o pescoço. Calçando um salto alto preto e, coberta por um jaleco branco com o brasão da ordem principal de Fulmenbour.

Theo se alegra como uma criança que viu sua mãe após uma semana. Seus olhos brilham como uma super lua e tira força até de onde não tem para exclamar: — Madrinha Luanne!

— Madrinha? — indagou Aryna.

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Olá, eu sou o Mirius!

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