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O barco se aproximava do cais. Dentro dele estava Morgana coberta por uma capa escura enquanto segurava dois remos. No barco também havia uma pilha de livros, assim como uma fada transmutada em garota.

Ela tinha cabelo escuro, vestia-se como uma camponesa e não parecia ter mais que quinze anos. Também estava coberta por uma capa e seus olhos exalavam empolgação.

Sempre que saía da ilha, ficava empolgada em ver coisas novas, conhecer pessoas e até mesmo experimentar refeições exóticas.

A pequena fada transmutada era como uma criança no parque de diversões. Se aproximaram ainda mais do cais e viram tochas indicando aonde deveriam atracar.

— Senhorita Morgana! Chegamos!

— Finalmente, não aguentava mais remar.

A garota de cabelo escuro e olhos azuis saltou em direção ao cais. Pegou a corda do barco e a amarrou no atracadouro.

Morgana pegou os livros amarrados por uma rede que os prendia e os jogou no cais. Era uma pilha com quase quinhentos livros. Ela dobrou os joelhos e saltou para cima do cais, sentindo a brisa gélida do inverno.

Olhou para os lados e não viu ninguém.

— Esse lugar está quieto, e aquele comprador idiota está atrasado. A posição da lua está bem onde tinha que estar.

— Que frio! — A garota se abraçou, alisando os braços para aquecer-se — O que vamos comer hoje, senhorita Morgana? Estava pensando em peixe frito, o que a senhorita acha?

Ela suspirou e coçou a cabeça.

— Frito? Prefiro cru.

— Eca!

— Vocês, fadas, que são muito frescas.

Morgana trajava uma blusa preta justa que ia até o umbigo. Por cima da blusa usava jaqueta escura feita de linho. A calça que ela estava usando também era escura e parecia ser de um tecido semelhante ao da jaqueta. A calça tinha um corte justo e elegante, realçando a forma das pernas torneadas de Morgana. Ela também estava usando botas escuras de couro.

Seu cabelo escuro estava preso em um rabo de cavalo. Ela suspirou, expelindo vapor pela boca e olhou ao redor.

A calmaria era incômoda.

— Isso é estranho… — ela murmurou.

— O quê?

— O Velho Reny já devia ter aparecido, ele nunca se atrasou.

— Bem, ele já é velho, o filho deve ser algum empecilho pra ele.

A vampira franziu o cenho e usou a análise olhando ao redor.

Os rastros de mana que haviam no local eram pequenos, como se pessoas tivessem passado ali há algum tempo e tivessem também dispersado todas de uma única vez.

“O que será que aconteceu aqui?”

— Ellie! Volta para o barco!

A fada parou de tentar se aquecer e engoliu o seco.

— A-Aconteceu alguma coisa?

— Volta para a droga do barco, agora!

Assustada pelo tom de Morgana, ela saltou, indo para o barco.

Morgana ouvia passos ao longe, passos que caminhavam pela neblina. Ela tirou as mãos do bolso da jaqueta e franziu o cenho.

Um homem deixou a neblina e os olhos dela arregalaram-se.

Ela pensou que fosse Colin, mas ela conhecia aquele homem, ele estava lá quando Ultan caiu.

— Você! — ela começou a manifestar sua mana, que açoitou Coen violentamente. — A culpa de tudo estar assim é sua, não é?

Coen parou há alguns metros de Morgana.

— Então você se lembra de mim — ela cerrou os dentes e a íris de seus olhos ficavam cada vez mais avermelhados. — A cadela de Graff, quem imaginaria que o tão temido cão de guarda da terceira geração abandonaria a família para cuidar de uma fada sem poderes.

“Ele sabe sobre a condição de Brighid?”

— Como você…

— Sei tudo sobre você. Quando isso terminar, será a vez da sua amiga e dos pirralhos a quem ela deu à luz conhecerem o inferno.

Woosh!

A mana de Morgana transbordou, agitando as roupas de Coen, agitando até mesmo a água. Ellie teve que se segurar para não cair na água com o balançar do barco.

— Você não vai tocar um dedo na Brighid, muito menos nos filhos dela!

“Ela é conhecida por não usar mana em suas lutas, mas já a manifestou de imediato. Essa mulher já seria um oponente difícil sem usar mana.” Coen estava se concentrando “Morgana, ela é tão forte quanto aquele verme do Alucard, tenho que ficar atento a cada detalhe e-”

Boom!

O cais, que anteriormente estava firme e forte, foi destruído em um piscar de olhos pela força bruta da arrancada de Morgana.

A arrancada foi tão poderosa que Morgana conseguiu levantar grandes pedaços de madeira, lançando-os pelo ar como se fossem plumas. O som fora ensurdecedor, com estalos altos e o rangido da madeira se partindo, enquanto o cais era reduzido a destroços.

Ellie berrou enquanto a água afastava seu barco e os livros de Brighid caiam na água como gotas de chuva.

A fumaça foi levada pela brisa gélida, revelando o estrago que Morgana havia deixado.

No céu, em cima de um círculo mágico, Coen observava toda aquela destruição feita pela vampira. Com a análise, ele procurava Morgana.

Um filete de sangue escorreu pela sua testa até a ponta de seu nariz.

“Como suspeitei, ela é tão forte quanto Alucard e nem ao menos está usando a mana de seus pandorianos para aumentar sua potência. Que mulher assustadora”. Ele juntou as mãos e começou a concentrar-se “Também não pegarei leve com você, cão da terceira geração!”

Crack! Crack! Crack!

Uma gigantesca rachadura formava-se acima de Coen na horizontal. Um dragão negro de escamas reluzentes e afiadas estava emergindo de um portal no céu. Suas asas eram enormes e impressionantes, com uma envergadura que parecia alcançar todo o horizonte. O dragão parecia feroz e imponente, com um olhar afiado e penetrante que sugeria sua força e poder.

Suas garras eram afiadas como navalhas, e seus dentes pareciam conseguir triturar qualquer coisa que se colocasse em seu caminho. O dragão estava envolto em chamas negras que pareciam queimar sem queimá-lo, criando um brilho sinistro que iluminava a noite.

À medida que o dragão emergia do portal, uma aura de energia escura parecia envolvê-lo, como se o próprio portal estivesse fortalecendo-o.

A cena era impressionante e tinha um ar de perigo iminente. A presença do dragão era tão poderosa que era impossível não sentir um arrepio na espinha. Aquele era um ser imponente e temível, um verdadeiro senhor das trevas, pronto para reivindicar o que quer que ele desejasse.

Barulhos de tornados eram ouvidos conforme aquela criatura batia as asas. O vento das asas agitava as águas, levando o barco de Ellie para cada vez mais longe. A garota não tinha palavras para descrever o que seus olhos presenciavam.

A única palavra que vinha em sua cabeça era “morte”.

Roooar!

A criatura rugiu, estilhaçando todo vidro que estivesse por perto, até mesmo quebrou madeiras mais precárias, fazendo residências desabarem.

Ellie tapou os ouvidos e se jogou no chão do barco. Sentia como se sua cabeça fosse explodir.

“Com os pandorianos dela longe, duvido que consiga fazer algo contra Ozord, a calamidade.” Coen continuava procurando-a com a análise “Vai ficar se escondendo até quando?”

Boom!

Algo explodiu lá em baixo, mas Coen não conseguiu ver o que foi. Seu enorme dragão era poderoso, mas seu tamanho o deixava lento.

Woosh!

Morgana havia saltado e aparecido atrás de Coen. Os olhos dela exalavam insanidade, e seu sorriso de dentes pontiagudos destacava-se em seu rosto pálido. Ela cerrou os punhos e concentrou neles uma quantidade de mana capaz de assustar até mesmo alguém como Coen.

— Merda!

O errante desapareceu usando sua técnica de portais.

Woosh!

O soco de Morgana fora no nada, porém, foi forte o bastante para que o vento causado por seu golpe dissipasse a neblina, fazendo até mesmo o enorme dragão se afastar.

Enquanto caía, Morgana mordeu o peito da mão e um círculo mágico apareceu abaixo da vampira. O usando como apoio, ela dobrou os joelhos e disparou na direção do dragão, que mal teve tempo de reagir.  

Boom!

Ellie viu apenas um pequeno ponto avermelhado atingindo o abdômen da criatura que começou a cair do céu. A onda de choque chegou até ela, deixando as águas ainda mais agitadas.

O dragão começou a cair, destruindo tudo pelo caminho, mas conseguiu equilibrar-se e impulsionou as patas ao alcançar o solo, indo para o alto novamente. O pulmão do dragão começou a inchar e ele disparou uma tormenta de fogo.

Woooosh!

Ouviu-se um rugido ensurdecedor e crepitante que parecia consumir tudo em seu caminho. O som era como o de uma explosão, mas muito mais alto e mais intenso. Havia um chiado agudo e um crepitar constante, enquanto as chamas se espalhavam por toda a praia e para além dela. 

A pequena no barco abaixou-se, esquivando de labaredas que conseguiram a alcançar mesmo ela estando a quase meio quilômetro de distância de onde ficava o cais.

Por um momento, foi como se o sol tivesse nascido.

Tudo havia sido incinerado, qualquer resquício de vida próxima havia sido obliterado.

Coen estava no alto, bem no alto, estampando um sorriso no rosto em cima de um círculo mágico.

“Não tem como ela não ter sido atingida por isso. Mesmo que seu corpo seja resistente, tenho certeza que isso a feriu.”

Boom! Boom!

Algo saltou novamente e, com um segundo salto, rompeu a barreira do som, atingindo o dragão novamente. Usando a análise, Coen viu que Morgana ainda estava inteira, com somente algumas queimaduras.

Sua jaqueta já era, assim como seus sapatos e parte de sua calça. Contudo, a vampira continuava com seu sorriso estampado e seus olhos exalavam ainda mais insanidade.

O dragão atingido voou para trás, recuperando o equilíbrio e começou a encher os pulmões para uma segunda rajada de fogo.

Morgana também estava de pé em um círculo mágico.

Apesar de estar fora de si, ela estava em pleno exercício de suas faculdades mentais.

“Mais um soco e acabo com isso!”

Ela espaçou os pés e suspirou, concentrando mana no seu punho direito. Sua mana começou a tremular como se fosse uma fogueira assoprada por uma violenta brisa.

— Adeus, lagartixa!

Boom!

Morgana saltou antes que o dragão lançasse sua tormenta, o atingindo diretamente no peito.

Bam! Scrash!

O soco foi tão poderoso que se ouviu um baque seco, como se a barreira do som tivesse sido rompida. A armadura do dragão foi destruída e um buraco enorme abriu em seu peito. Não só o pulmão da criatura havia sido destruído, como também o seu coração.

O enorme monstro caiu, causando rigorosos abalos sísmicos, desmoronando montanhas e deixando a água do mar agitada.

Uma nuvem de poeira subiu aos céus, nublando a visão entono da praia.

— Fascinante! — Coen deixou escapar o elogio.

Morgana estava no chão ao lado da enorme fera. Ela suspirou e sua regeneração foi ativada, fechando todos os seus ferimentos.

— Você é melhor do que pensei! — Coen havia usado o portal, e foi caminhando na direção da vampira. — Confesso que esperava que Ozord causasse algum dano significativo em você, mas minha previsão falhou. — ele parou e jogou a jaqueta que trajava longe. Ficou com uma camisa de manga longa escura, calças e uma bota. Seu cabelo longo e liso também balançava com o vento. — Sabe de uma coisa, cão da terceira geração, todas as peças estão em seus devidos lugares, mas você é a única peça desconexa em tudo isso.

O corpo de Coen começou a ser energizado por mana carmesim e faíscas começaram a manifestar-se dele. Ele arregaçou as mangas, mostrando seus antebraços tatuados.

— Não esperava que fosse ir contra Graff por algo tão fútil quanto o amor, amor pelo meu filho. Isso levará você a ruína, vampira Morgana. O futuro que aguarda o meu garoto é sombrio, e quem estiver com ele sofrerá as consequências. 

Ela abriu um sorriso de canto.

— Acha que não sei disso? Brighid me contou tudo e continuo não acreditando em destino.

— Entendi — Coen fez sua posição de combate. Espaçou os pés, curvou levemente o corpo e manteve as duas palmas abertas na altura do pescoço — Dessa vez não vou perder para um vampiro.

Morgana cerrou os punhos na altura do queixo, espaçou os pés e ficou em guarda, mantendo a análise ativada.

“Os golpes dela, eu não posso ser frequentemente atingido, ou meu corpo será destruído como o do dragão. A força absoluta, uma habilidade dos Monarcas Arcanos da Pujança, capaz de elevarem seus corpos a níveis inimagináveis somente para superar o obstáculo à sua frente. Tenho que acabar com isso antes que ela me supere.”

“Ele é a fonte de toda desgraçava que vem atravessando eras” Pensou Morgana concentrando-se “Meus Pandorianos não estão aqui, mas minha habilidade deve ser o suficiente. Ele tem bastante tatuagem, cada uma delas deve ser alguma invocação poderosa, e alguém como ele deve ser cheio de truques. Merda! Estou ficando excitada!”

— Sinta-se honrada, cadela da terceira geração, é a primeira vez em muito tempo que serei obrigado a lutar a sério.

Morgana abriu um largo sorriso.

— Digo o mesmo! Você é o pai do Colin, não é? Tenho grandes expectativas em você!

Coen retribuiu o sorriso.

— Aqui vou eu, Morgana!

Olá, eu sou o Stuart Graciano!

Olá, eu sou o Stuart Graciano!

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