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Boom!

Ambos avançaram contra o outro. Com os punhos cerrados, Morgana tentava golpear Coen, mas o Errante movia-se rápido demais, até mesmo para os padrões dela. Os socos rápidos de Morgana causavam rajadas de vento e até alguns cortes em Coen, mesmo que não o atingissem em cheio.

Entretanto, conforme a velocidade de Coen aumentava, o corpo de Morgana também ficava mais rápido, mesmo sem ela usar atributos da Árvore do Céu.

Em uma finta, Coen apoiou a mão no abdômen de Morgana e ouviu-se o ribombar de um trovão.

Cabrum!

A vampira foi lançada na floresta de galhos secos, desaparecendo de vista. Ouviram-se árvores se partindo, e por fim, ouviu-se uma alta explosão.

Booom!

O errante olhou para a mão.

Ela estava tremendo.

“Que corpo resistente, isso, sim, é impressionante. Se minha mana não estivesse refinada, meu golpe teria sido ricocheteado e minha mão seria destruída.” Ele olhou para a floresta “Não posso vacilar com essa mulher.”

Coen cerrou os dois punhos e deixou os braços estendidos para os lados, como se estivesse abraçando o ar. Em cada uma de suas mãos, ele conjurava magia de naturezas diferentes.

Na mão direita, a magia que ele evocava era intensamente brilhante, como se fosse uma pequena estrela em suas mãos. O brilho era tão forte que iluminava seu rosto e as roupas que ele usava. A energia parecia fluir de seus dedos, envolvendo a mão inteira em uma luz solar resplandecente.

Na mão esquerda, a magia era completamente diferente. Ela era escura e sinistra, como uma sombra que se materializava em sua mão. A escuridão era tão profunda que parecia absorver a luz ao seu redor. A energia fluía de seus dedos, envolvendo a mão inteira em uma escuridão lunar.

— Minha curiosidade me força a testar você ao limite, vampira, quero saber se você é mais poderosa que o Alucard de séculos atrás.

A energia ao redor dele começou a se agitar e a se condensar, tomando forma bem diante de seus olhos. Aos poucos, a mana escura e densa da mão esquerda começou a se materializar, revelando a forma de um totem macabro.

A criatura era alta e esguia, com cerca de dois metros de altura. Sua aparência era perturbadora, com braços e pernas desproporcionais e pele escura e escamosa. Suas garras eram longas e afiadas, e seus olhos vermelhos brilhavam como brasas ardentes.

À medida que Coen continuava a invocá-lo, o totem começava a se mover, como se estivesse ganhando vida própria.

O som de gemidos e risadas distorcidas encheram o ar, e o totem começou a se contorcer em um frenesi.

— Mestre! — disse o totem em um tom de voz feminino estridente, como se cortasse o ar com um som agudo e penetrante. — Faz quanto tempo? Três séculos, quatro? — A criatura contorceu o pescoço olhando ao redor — Esse não é o seu plano, em que plano estamos?

— Preste atenção, nossa oponente dessa vez é poderosa, você está aqui para levar os golpes por mim.

— Como sempre, mestre!

Coen abriu a mão direita e uma minúscula esfera de luz levitou, indo em direção as nuvens.

“Aí vem ela!”

Bam!

Morgana veio a toda velocidade do fundo da floresta. Seus olhos sedentos foram atraídos pelo totem, e foi nele que ela focou.

Ela ergueu seu braço, mostrando os músculos tensos de sua pele suada, e acertou um golpe poderoso no totem, fazendo-o tremer e perder o equilíbrio por um momento.

Aquele golpe foi uma surpresa para ela, já que esperava fazer o totem em pedaços, mas aproveitou que aquela criatura estava desequilibrada e, com a agilidade de um felino, Morgana se virou rapidamente na direção de Coen.

Ela avançou com um chute rápido e preciso, acertando-o no abdômen.

Bam!

Coen pareceu não ter sentido dor, mas o abdômen do seu totem rachou.

“Que rápida!”

Crispando os dedos, Coen tentou tocar o rosto de Morgana, mas ela esquivou e o acertou com um soco no queixo, fazendo-o cair de costas no chão. Coen levantou-se num piscar de olhos, saltando para longe com a mão no queixo.

O queixo de seu totem estava destruído, enquanto o seu permanecia inteiro.

“Como previ, qualquer golpe que ela der agora pode ser fatal” ele não parava de sorrir “Essa mulher, hehe, você é impressionante, cadela da terceira geração.”

Morgana estava pensativa, os seus golpes fizeram menos efeito do que ela esperava, mas olhando o estado do totem ela havia entendido a habilidade de Coen.

“Então é isso? Ele continuará inteiro enquanto aquele bonequinho não for completamente destruído, certo? Uma técnica inteligente, mas não vai te proteger pra sempre.”

Ela esticou seus braços e fechou os olhos, respirando profundamente e concentrando a sua mana.

“O tempo está do lado dele, quanto mais essa luta prolongar, mas ele encontrará brechas pra me derrotar, porque é assim que Errantes são. Hora de ir com tudo!”

Com um rugido selvagem, Morgana abriu seus olhos e manifestou sua poderosa mana por todo o corpo. Seus músculos pareciam crescer ainda mais, tornando-a ainda mais imponente e intimidadora.

A aura brilhante que a cercava era tão intensa que parecia derreter o ar à sua volta. O chão sob seus pés começou a tremer e rachar, enquanto o ar ao seu redor se aquecia.

Coen sentiu um arrepio na espinha, algo que ele se esqueceu completamente como era. Seus olhos arregalaram e ele deu mais um salto para longe. Um suor seco escorreu por sua têmpora enquanto a observava.

“Hehe, maldita aberração!”

Com um grito, a musculosa Morgana avançou em direção ao seu oponente com seus punhos poderosos imbuídos de mana prontos para atacar. Coen recuou para dentro do seu portal e foi para longe, surpreso e intimidado pela força e poder da vampira.

Mas Morgana não parou. Ela continuou a avançar, alcançando Coen em instantes. Seus golpes poderosos tentavam atingir o adversário com uma força que parecia inacreditável. Ela era uma força da natureza, um ser poderoso com o sangue de Alucard.

“Merda!” A cada segundo ficava mais difícil esquivar-se daqueles golpes. “Essa maldita está ficando mais rápida!”

Boom!

Ouviu-se um baque oco.

Ela socou Coen, mas ele se defendeu cruzando os braços. O totem ao longe foi completamente destruído e o errante derrapou por quase cinquenta metros enquanto tentava se equilibrar.

Seus braços não paravam de tremer.

Morgana avançou novamente, em outro movimento silencioso. Em vez de defender novamente, Coen sentiu que mais um golpe daquele destruiria seus braços, então ele recuou para dentro de outro portal, escondendo-se na floresta de galhos secos.

“Fascinante!” Pensou o errante. “É bizarro pensar que alguém consiga acompanhar minha velocidade.”

— Hora de elevar o nível, cadela da terceira geração!

Ele fechou os olhos e começou a murmurar palavras arcanas em uma língua antiga.

Enquanto falava, suas tatuagens de ambos os braços começaram a brilhar com uma luz mágica intensa, que se intensificava à medida que a conjuração progredia.

Com cada palavra proferida, o ar ao redor de Coen começou a vibrar, e a vibração ficou mais forte até que o próprio chão começou a tremer. As mãos dele se moviam em um padrão intricado, enquanto o brilho mágico pulsava em seus olhos.

Finalmente, com uma palavra final em um tom alto, Coen abriu a mão direita, e uma fenda no espaço se abriu diante dele. Era um portal cintilante, com um brilho azul intenso, parecendo uma janela para outro mundo.

Coen estendeu a mão em direção ao centro do portal e a inseriu lentamente. Enquanto mantinha sua concentração, o brilho começou a se intensificar e uma sensação de calor percorreu seu braço. Então, lentamente, ele retirou a mão do portal, segurando firmemente uma espada mágica que brilhava com uma luz cintilante que parecia emanar dela mesma. Seu cabo era adornado com joias preciosas e incrustações de metal, com uma lâmina afiada e reluzente que parecia capaz de cortar qualquer coisa.

Ao olhar mais de perto, podia-se ver que a espada era mais do que apenas uma arma bonita. Era coberta por inscrições mágicas e símbolos que pulsavam com um poder misterioso.

— Como é bom empunhá-la novamente, Espada da Eternidade.

Sentiu um arrepio na espinha e segurou a espada em forma de saque enquanto mantinha o olhar afiado no horizonte.

— Aí vem ela, ainda mais rápida que antes, hehe, isso está começando a me empolgar!

Boom!

A vampira saiu do meio de uma nuvem de poeira formada por ela, tensionou novamente os músculos do braço suado e tentou golpear Coen, mas o Errante foi mais rápido, arrancando a mão da vampira com o movimento de sua espada. Sem perder tempo, ele conjurou outro portal e o adentrou, reaparecendo ao longe.

— Hehe, isso deve ter te machucado!

Boom!

Ouviu-se uma explosão ao longe que veio do meio da floresta.

— Lá vem ela novamente!

Assim que piscou o olho, Coen avistou a mão de Morgana frente ao seu rosto, a mesma mão que ele havia arrancado.

Ele esquivou-se para o lado, e em outro rápido movimento tentou decepá-la novamente, mas o que conseguiu, foi somente arranhá-la.

Aproveitando a brecha, Morgana o chutou na costela com toda sua força. 

O chute o acertou em cheio.

Baam!

Ouviu-se o som de várias costelas quebrando, o corpo de Coen envergou e ele foi lançado longe. Ele voou pelo ar por vários metros, perdendo o controle de seu corpo enquanto tentava se recuperar do golpe.

Ele atingiu o solo com um baque ensurdecedor.

O Errante rolou pelo chão, sentindo cada centímetro de seu corpo doer com o impacto. Ele finalmente parou de se mover e tentou se levantar, mas sentiu como se todo o seu corpo estivesse em chamas, com cada movimento aumentando a dor agonizante que o envolvia.

Ao se dar conta, viu Morgana em cima dele, preparando-se para um ataque. Ela lançou um soco poderoso na direção de Coen, como se todo o seu peso e força estivessem concentrados naquele movimento. Seu punho avançou com velocidade incrível, atravessando o ar em direção ao alvo com uma precisão mortal.

Boom!

O impacto do soco foi ensurdecedor, fazendo o chão tremer e rachar sob seus pés. O som de estilhaços de pedra voando ecoou por todo o lugar, enquanto poeira e detritos se erguiam no ar.

A poeira dissipou, e Morgana percebeu que seu alvo havia fugido antes de ser atingido.

Coen estava no alto, de pé em seu círculo mágico, escondido entre as nuvens. Uma cobra escura de pele escamosa e olhos faiscantes estava enrolada ao redor do seu corpo. Ela emitia uma luz suave, e as feridas dele começaram a se curar por conta própria.

— Eu fazia ideia que você era forte — Ele abriu um sorriso de canto — Mas fala sério, isso é muito poder.

— Vai continuar fugindo? — indagou Morgana em um berro — Não te deixarei escapar!

Coen desapareceu e reapareceu há alguns metros acima dela.

Hehe, você é mesmo uma aberração, mas eu já esperava por isso. Me alegra saber que alguém tão forte assim se interessou pelo meu filho e, ao mesmo tempo, isso me deixa intrigado. Sabia que ele se casou com outra mulher?

O sorriso de Morgana se desfez e Coen continuou.

— Isso mesmo, você está cuidando da esposa dele e dos filhos, enquanto ele já está formando família com outra, como se vocês nunca tivessem existido, hehe.

— Cala a boca! Não cairei nas suas provocações!

— Estou dizendo um fato — ele abriu um sorriso debochado. — Pobre Morgana, se esforça tanto pelos outros, mas nem para segunda opção você serve. No fim, continua sendo só uma cadela, obedecendo ao dono que melhor a convém. Antes era Graff, e agora o meu filho. Você é patética, todo esse esforço de proteger a fada é inútil, quando ela se encontrar com meu filho, acha mesmo que irá ter espaço pra você? Não percebeu que pra ele você é só uma ferramenta? Devia desistir de lutar e morrer de uma vez!

Morgana tentava não se importar com o que saía da boca daquele homem, mas era impossível.

Ela se sentiu impotente, sem saber o que fazer ou como se recuperar. Sentiu uma dor aguda em seu peito, como se seu coração tivesse sido arrancado à força. Tentou controlar suas emoções, mas não sabia como fazer.

O cenário que Coen plantou em sua mente começou a se fazer possível para ela. Parte do que fazia por Brighid era porque ela a amava, mas a outra parte também era porque ela amava Colin, e não suportaria vê-lo abatido se algo acontecesse com sua esposa.

Mesmo que fosse impossível, ela ainda mantinha a chama acesa, esperando que seus sentimentos relacionados a Colin se tornassem recíprocos algum dia, mas Coen a fez entender que seria impossível.

Para ela, tudo que ele disse fazia sentido.

Por ser um sentimento relativamente novo, a vampira não sabia como reagir, então ficou confusa enquanto desejava em silêncio que aquele sentimento sumisse.

— C-Cala a boca! — A mana dela começou a se manifestar novamente e o canto de seus olhos encheram-se d’água.

Algo começou a brilhar acima das nuvens.

A Esfera que Coen antes havia conjurado, ganhou volume e forma, iluminando tudo ao redor. Foi como se a noite lentamente se tornasse dia.

— É o fim da linha pra você, cadela da terceira geração, não há como você sobreviver ao sol.

Olá, eu sou o Stuart Graciano!

Olá, eu sou o Stuart Graciano!

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