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Meu coração se enchia de raiva, o meu povo acabou em miséria a troco de nada, eu sentia que não poderia deixar as coisas como estavam, eu tinha que fazer algo.
— O símbolo que estava no manto dos Túnicas Negras está gravado nas paredes das casas, eu só tenho mais uma coisa a perguntar — perguntei tentando me manter o mais calmo possível — Eles são os responsáveis por isso?
— Sim — disse em um suspiro — Eles receberam ordens diretas do seu Rei.
— Entendo…
— Obrigado por isso, errr…
— Mônica — ela relembrou seu nome sutilmente para mim.
— Mônica, eu realmente agradeço, mas preciso ir agora.
— Já está de noite, é perigoso sair assim, por que não espera até amanhã? — relutou.
— Eu tô bem no meio de uma viagem muito longa, então tenho que me apressar logo.
— Se esse é o caso, espere um minuto — rapidamente se levantando e saindo de sua casa.
Mônica retornou em poucos minutos, trazendo com sigo um manto vermelho que combinava com as minhas roupas e que em suas costas estava gravado uma espiral, mostrando para todos o símbolo do clã Hiken.
— Aqui, suas roupas têm um tecido fino, isso vai protegê-lo do frio — o pondo em minhas mãos.
— Obrigado — agradeci com um sorriso esperançoso em meu rosto.
— Jovem — Mônica olhou para mim com seus olhos marejados e sorriu brevemente — seja forte!
Suas palavras, por mais que simples, me encorajaram. Naquele dia, prometi a mim mesmo que me tornaria forte para proteger aqueles ao meu redor.
Me despedi assim que pude, olhando para aquele morro de barro, gravando em minha memória o que eu tinha que mudar. Eu estava destemido, entrei na floresta com bravura no peito e a atravessei no meio da noite.
Ponto de Vista de Saki:
Após nos separarmos de Akira, seguimos o caminho de terra até uma cidade próxima àquela floresta. Era uma cidade semelhante à Everwood, exceto pelo fato de ser significantemente maior e mais populosa. Eu, Noelle e Shosuke decidimos procurar informações sobre a famosa capital, Antares, então fomos à primeira taverna que achamos.
O lugar era confortável, se parecia mais como um bar gourmet do que com uma taverna, as mesas e cadeiras adornadas com prata e ouro traziam um ar sofisticado, enquanto os drinks caros atrás do barman ressaltavam a estética.
— Boa noite, como posso servi-los? — o barman, vestido como tal, nos recebeu.
— Uma garrafa de Sakê, por favor — eu pedi.
— Acho que vou querer um suco bem docinho, por favor — disse Noelle.
— Alguma preferência quanto ao sabor?
— Nenhuma.
— E o rapaz? — perguntou direcionado para Shosuke.
— Nada, estou bem.
— Certo, aguardem um minutinho, por favor.
Acomodados em nossos assentos, finalmente pudemos relaxar.
— Cara, que cansaço! — resmunguei.
— Esse lugar é chique, tudo aqui deve ser caro, não tem problema pedir aqui mesmo? — perguntou preocupada.
— Não se preocupe, temos o bastante.
Em poucos minutos, o barman retornou servindo nossas bebidas.
— É uma pena não ter conseguido provar um desses na minha cidade — suspirei ao dar um gole no Sake.
— Falando nisso, você nunca falou de onde você veio — questionou Noelle.
— Não sei explicar bem aquele lugar, da mesma forma que a cidade de Shryne tem o tamanho de um país, meu país tem o tamanho de um continente. É extremamente quente de manhã, um pouco quente de noite e tem gente de todo tipo — era difícil expressar o quão diverso era a minha terra.
— Parece ser um lugar divertido! — ela riu
— E é, mas às vezes se parece com as florestas daqui.
— Como assim?
— Meio que ninguém quer ficar sozinho à noite numa floresta.
— Entendi. E qual é o nome dele?
— Bra-
— Se você não é deste mundo, como veio parar aqui? — Shosuke me interrompeu.
— Acho que aquilo era um portal mágico, não sei ao certo.
— Então-
— Já chega dessas perguntas — a conversa estava tomando um rumo que nem mesmo eu saberia as respostas — vamos terminar o que viemos fazer e procurar um lugar pra passar a noite.
— Certo.
Prontamente, chamei o barman para pagar pelos drinks, apenas 2 bebidas foram mais caras do que um banquete para a família, o que doeu no meu bolso.
— Antes de ir — o chamei mais uma vez — tem como responder algumas perguntas?
— Depende da pergunta.
— Acho que só o que eu paguei aqui vale pelo menos uma resposta.
— Certo… vá em frente.
— Qual é o caminho mais rápido para Antares?
— A muralha de diamante? Pode esquecer garota, não é qualquer um que consegue entrar e sair livremente de lá.
— Então, com certeza deve ter alguém que facilite esse processo, não é?
— … — sutilmente, o barman pegou sua coqueteleira e começou a fazer um drink — sabe que nada é de graça, não é? — respondeu em um tom leviano
— Tsc, eu sabia que esse lugar não era tão limpo — resmunguei pondo no balcão o cartão que me foi dado por Galliard.
Em resposta, ele colocou o drink pronto no balcão e disse:
— Tem um homem pálido no fim do corredor à direita, se entregar essa bebida ele pode te ajudar, pelo preço certo, é claro.
— Hunf, você parecia um cara legal…
— Toda moeda tem dois lados, minha jovem. Boa sorte!
Com as informações que tínhamos, procuramos o tal homem pálido dentro do bar, fomos ao corredor anteriormente citado, mas ele não dava a lugar algum. Seu fim se dava por uma parede preta, completamente fosca. Eu me aproximei lentamente e vi que de fato não havia nada além de uma simples parede de concreto.
— Não tem ninguém aqui — disse descansando meu ombro na parede — ele deve estar fo…
— Saki! Cuidado!
Assim que Noelle gritou, em reflexo, olhei para cima e vi um par de olhos vermelhos e peçonhentos estampados na parede. Meu apoio se desfez em segundos e meu corpo passou para o outro lado em seguida. Noelle se jogou para me segurar, mas no fim, acabamos sozinhos em um quarto misterioso. As paredes de concreto estavam levemente sujas, assim como a mesa de metal isolada no canto do quarto.
— Que merda foi essa? — eu resmunguei.
— A parede inteira se desfez, mas… não tem vestígio nenhum de magia ou qualquer tipo de tecnologia.
— Tsc, tá todo mundo bem? Parece que fomos enganados.
— Esse pode ser um lugar sujo e ganancioso, mas nenhuma mentira é contada aqui — uma voz soou pelo quarto.
Era semelhante a um sussurro, dava para sentir a perversidade no seu tom de voz, enquanto se rastejava pelas paredes.
— Quem disse isso? Quem está aí?
— Me avisaram que 3 jovens viriam até aqui atrás de informações — seus olhos novamente apareceram na parede — bom, tudo pode ser pago com uma boa bebida…
Tal como uma serpente, ele esgueirou seu corpo para fora, caindo sobre o chão sujo do quarto.
“Sua pele tá da mesma cor da parede, não é o cara que ouvimos falar” pensei no instante que o vi.
— Ah! — ele se levantava lentamente — Me perdoem, essa não é uma aparência adequada.
Sua pele, de forma gradativa, se tornou branca, seus cabelos negros caídos em seu rosto eram jogados para trás, revelando seu rosto pálido com marcas vermelhas em um tom claro. Um sobretudo preto cobria seu corpo, o que trazia um ar melancólico ao seu redor. A monocromia infestada em seu ser me impediu de confiar em qualquer coisa que ele dissesse.
— Sim… assim está melhor — suspirou aliviado —sendo assim, vamos começar a trabalhar — com um olhar provocativo, ergueu as mangas de sua roupa.
Enfim ele tinha a descrição que nos foi passada, mas algo naquele homem não me cheirava bem.
— O que está acontecendo? Como conseguiu atravessar a parede?
— Minhas habilidades não são da sua conta, de qualquer forma, vocês fizeram o mesmo.
— Não sei ao certo, mas me parecia manipulação espacial… — disse Noelle.
— Vejo que a mocinha tem olhos afiados — com um sorriso no rosto.
Por um segundo me lembrei que o drink não estava em minhas mãos e comecei a procurar ao meu redor. Sem encontrar uma única gota no chão me perguntava onde a bebida foi parar.
— Aqui — Shosuke me estendeu o braço com o copo intacto.
— Que? Mas como? — meu cérebro doía só de pensar.
— Você deixou cair quando a parede se desfez. Eu o peguei e entrei com vocês.
— Aí está! Podemos começar agora.
Ao entregarmos a bebida para o homem pálido, nos sentamos na única mesa do quarto e ali começamos a negociar.
— Temo que entrar na grande muralha de diamantes não seja possível — ele afirmou.
— Aquele barman disse que você poderia nos ajudar, então ele estava mentindo?
— Digamos que ele é apenas um homem que sabe fazer seu marketing — respondeu dando um gole na bebida.
— Parece que suas habilidades te permitem entrar e sair em qualquer lugar, não é?
— Minhas habilidades não são da sua conta — mais uma vez bebendo.
— Se suas habilidades não são o foco aqui, por que eu deveria estar falando com você?
— Por que precisa de mim, sou o único que pode te fazer entrar naquele lugar sem uma autorização — agora, sem nem mesmo olhar para o seu drink.
— Logo, é possível — disse com um sorriso debochado.
— Ótimo, já vi que consegue pensar — erguendo a sua taça de vidro, a virou com o maior gosto, tomando o resto que sobrava ali — Agora podemos negociar normalmente, podem me chamar de Ego.
— Você estava testando a gente? — perguntei indignada.
— É claro, não posso fechar um acordo com qualquer um. Vocês tinham tempo até que eu terminasse de beber para me convencer de que não estou desperdiçando meu tempo.
— E o que te convenceu a isso?
— Perguntas assim me fazem repensar sua situação.
“Tsc, esse cara vai ser difícil de lidar” eu já me arrependi de ter o procurado.
— Vamos direto ao assunto. Como podemos chegar em Antares?
— Para começar, a muralha de diamante tem esse nome por motivos óbvios, além dos muros impenetráveis que cercam a cidade, a segurança é extremamente rígida. Antes que eu possa lhe dizer o que fazer, preciso perguntar: O que vocês querem na capital?
— No que isso vai ajudar? O que vamos fazer lá é irrelevante pra você.
— Bom, se estiver disposta a percorrer o caminho mais difícil pela cidade, não é problema meu, mas quanto mais informação, maior são as chances de não serem pegos.
Hesitante, eu me inclinava a contar nosso propósitol.
— Digamos que vimos atrás dos ensinamentos passados aos magos do continente.
— Eu tô só de passagem — Shosuke pontuou.
— Sim… eu gosto disso, vejo fome de poder nos seus olhos… — com um sorriso no rosto, estendeu sua mão para mim — Que tal fecharmos um acordo?
— Claro — concordei assim que segurei a mão pálida dele — qual o preço?
— Trate isso como um desconto de primeira compra.
— O que quer dizer?
Ego lentamente se levantou e andou até o centro da parede atrás de nós.
— Deixe-me os acompanhar enquanto estão na cidade e obviamente, um bom drink — com um simples toque, parte da parede se desfez, nós levando de volta ao corredor.
— Não vejo problema com isso, enfim, quando partimos?
— Partiremos durante o nascer do sol, apenas venham para a frente da taverna.
— Fechado!
Assim, nosso dia se encerrou e fomos atrás de algum lugar para passar a noite.
Ponto de Vista de Akira:
Eu estava caminhando em direção a capital já fazia 2 dias. Pessoas no caminho me guiaram e me ajudaram para que finalmente, no fim do entardecer, pude me encontrar com a muralha de diamante, que por toda a sua extensão, era coberta por um metal extremamente resistente e vigiada constantemente por torres de vigilância em pontos estratégicos. Se houvesse uma guerra, Antares certamente seria a única cidade de pé.
A olhei de baixo para cima no meio da floresta que segui para chegar sem ser notado. Várias pessoas me disseram que Antares não é um lugar de fácil acesso e que entrar sem autorização poderia me causar sérias consequências, mas mesmo sabendo disso, eu tinha que me arriscar.
De repente, escutei um barulho agudo vindo do outro lado da muralha, um som estridente parecia correr pelas ruas e pessoas gritavam loucamente. Aproveitei o momento para escalar as árvores ao redor e chegar ao topo da mais alta delas.
Assim, vi pela primeira vez o interior daquela cidade, repleto de arranha céus e hologramas brilhantes. Meu campo de visão nem mesmo era capaz de ver o outro lado da muralha. Luzes vibrantes iluminavam a noite, pessoas que se vestiam da forma mais esquisita possível circulavam para todos os lados, pude ver que o barulho de antes se tratava de uma perseguição de carro, sendo o carro perseguido, semelhante aos modelos que se encontravam apenas em Shryne. Toda essa agitação tarde da noite e percebi que enquanto a floresta está tranquila e as criaturas dormem, os animais da floresta de aço ainda estão apenas começando o seu dia.
— Que lugar é esse… — eu desacreditava do que via.
Eu olhei para os dois lados, vendo as luzes das torres apontadas para frente e pensei estar seguro o suficiente para passar por cima da muralha, então saltei e cai suavemente sobre a muralha. Ao redor, havia lascas de metal e fios por todos os lados, era como se aquilo já estivesse lá há anos sem uso.
— Parece que já tá na hora de vocês trocarem esse sistema de segurança, idiotas — a imagem assustadora que me foi passada desapareceu, depois de ter visto o quão deplorável era aquele lugar, passei a duvidar de sua fama.
Meu manto carmesim balançava com o vento e ainda tomado pela vontade de ajudar o meu povo, despenquei a muralha abaixo e chegando perto do amorteci a queda com um disparo de fogo contra o chão.
— Isso foi fácil, parece que toda essa propaganda não passa de papo furado — A muralha de diamantes parecia ter se transformado na muralha de plástico bolha, mas foi naquele dia que eu descobri que sua reputação de impenetrável não vinha apenas da muralha feita do material mais resistente do mundo.
Para a minha surpresa, assim que toquei o solo, as luzes da cidade tomaram um tom vermelho e uma sirene soou por todas as ruas, em seguida uma voz gritou para todos.
— ALERTA! INDIVÍDUO NÃO IDENTIFICADO ULTRAPASSOU AS MURALHAS! — em meio ao céu, uma gravação foi exposta para todos — O INDIVÍDUO SALTOU SOBRE A SEGURANÇA. ELE VESTE UM MANTO VERMELHO E SE ENCONTRA NA ZONA SUL! ORDEM DE CAÇADA INICIADA: VIVO OU MORTO!
Quando menos esperei e antes mesmo que eu pudesse fazer algo, a cidade inteira estava atrás da minha cabeça.

Olá, eu sou o Smaell!

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