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Mais uma vez, caminhávamos pela floresta, ainda longe do nosso destino. Nós atualizamos Akira sobre nossa situação e sua reação não foi tão diferente do esperado: “Não era só um livro?” foram suas palavras imediatas.
— Não sei como vamos explicar tudo isso para o Galliard e a Rainha Melissa… — Noelle continuava a se lamentar.
— Ainda temos muito tempo pra pensar nisso, relaxa.
— Acho que você é quem tá relaxada demais, isso é muito grave!
— A menos que a gente tenha alguma forma de rastrear o livro, não há nada que possamos fazer.
— Eu sei…
— Confie em mim.
Nossa rota continuou pacífica pelo resto do dia e enfim saímos da floresta, o pôr do sol nos proporcionava uma bela paisagem do horizonte em meio às montanhas e bem abaixo de nós, descendo a estrada de barro, havia uma pequena vila ao lado de um lago.
— Já está escurecendo, vai ser bom termos um lugar para passar a noite — Noelle comentou.
Nós descemos a grande colina em que estávamos em direção à cidade e chegando lá, entramos no primeiro bar que avistamos.
— Uma garrafa de saquê, por favor — pedi ao barman.
Noelle e Akira decidiram compartilhar a garrafa inteira comigo e logo após bebermos, perguntei ao barman.
— Tem algum lugar aqui pra passar a noite?
— É claro, costumamos receber diversos viajantes à noite. Se seguirem direto por esta mesma rua, encontrarão uma pousada, logo ao lado da nossa famosíssima fonte termal.
— Fonte termal? — Akira arqueou as sobrancelhas com ânimo — nunca fui em uma, mas falam que são perfeitas para descansar o corpo, talvez a gente devesse ir.
— É uma boa… — concordou Noelle.
— Corretamente, meu jovem — o barman sorriu levianamente — se me permitem contar um segredo, nossas fontes termais têm um recurso mágico único, capaz de aliviar o estresse e o cansaço com apenas um mergulho! — disse com uma voz sorrateira, com um pequeno ar de persuasão.
— É exatamente disso que eu tô precisando!
— Tá legal, a gente dá uma passadinha.
Então, após uma boa bebida, fomos até as fontes termais daquela vila. Noelle e eu fomos para o banho feminino, onde não havia uma única alma viva, o que era estranho, tendo em vista a fama daquele lugar. Nós ignoramos tudo e apenas relaxamos na água quente
— Parece que realmente funciona — disse com um suspiro aliviado?
— Pois é, fazia tempo que meu corpo não ficava tão soltinho…
— Isso aqui só pode ser magia.
— Com certeza.
Um aconchegante e confortável silêncio pairou entre o vapor presente ali, quebrado pouco tempo depois, após Noelle, olhando de relance para mim, começar a rir descontroladamente.
— Quê? O que foi? — perguntei confusa, pensando no que havia de errado em mim.
— Você… — ela tentava falar entre sua gargalhada — você tá… toda vermelha! HAHAHAHAHA!
— O quê! — olhando para meus braços, enfim percebi — QUE PORRA É ESSA?
— HAHAHAHAHA! — minha amiga não conseguia parar de rir — Parece que o calor também reage ao seu corpo.
— Fala sério…
— Tá parecendo um panda-vermelho!
— Ha, ha, ha. Pode rir à vontade.
Ela continuou com um sorriso no rosto por um bom tempo, um lindo sorriso para variar. Ainda envergonhada, comecei a boiar pelas águas, apenas esvaziando a minha mente e deixando meu corpo inteiramente desleixado. De repente, minha cabeça se choca com algo que pensei ser uma pedra.
— Ai! — imediatamente, sentei com os joelhos dobrados, fazendo um leve carinho no topo da minha cabeça.
— Algum problema? — uma voz misteriosa ecoou pelo denso vapor.
“Quem tá aí? Eu não senti a presença de ninguém!” Meus olhos tomaram medo no mesmo instante.
— Ah, foi mal aí. Pensei que não tinha ninguém aqui… — ao me virar, vi uma mulher, não tão alta quanto eu, olhando-me de cima com superioridade.
Seu corpo era extremamente bem definido e musculoso, com algumas poucas cicatrizes acima de seus ombros, e o cabelo preto como a noite que cobria suas costas inteiras trazia um destaque para seus olhos verdes brilhantes.
— Você é Saki Nakamura? — perguntou liberando sua pressão sobre meus ombros.
Com certa tranquilidade, fui capaz de suportar a pressão, e logo olhei no fundo de seus olhos.
— Depende, quem tá perguntando? — o ar de superioridade em seu rosto levou meu medo embora e sem temor algum, confrontei.
— Saki! — Noelle chegou ao meu lado rapidamente, pronta para lutar.
— Hm… então você já chegou a esse nível… — com uma voz mais relaxada.
— Quem é você? E por que tá me procurando? — meus punhos estavam rapidamente cobertos pela minha habilidade.
— Não se preocupem — disse ao sentar-se novamente nas águas calorosas — apesar de tudo, estamos em uma fonte termal, não seria nem um pouco interessante lutarmos da forma em que viemos ao mundo.
— É, tem razão — sem pestanejar, concordei com suas palavras, mergulhando meu corpo novamente.
— Meu nome é Ferr, A Mensageira da Rainha Lilith.
— A mensageira? Depois de 2 anos ela finalmente decidiu falar comigo?
— Você subestima e desdenha do poder da Soberana, Saki — seu olhar sério e sombrio voltou-se para mim — Mesmo assim, minha Majestade parece estar de bom humor e decidiu avisá-la com antecedência.
— Sou toda ouvidos.
— Essa será a última chance de se entregar a Lilith sem que uma guerra aconteça, ofereça seu coração, a sua majestade e tenha para si um lugar privilegiado ao lado dos sete líderes do inferno — anunciou ao se levantar.
Certamente uma proposta assustadora, porém, meu ego e minha confiança não deixaram eu baixar a minha cabeça.
— Isso é tudo?
— Acha que é capaz de escapar das mãos da Rainha do Inferno? Ou que até mesmo poderia subjugá-la? — a raiva tomou seu rosto.
— Se Lilith fosse tudo isso, ela mesmo já teria matado — respondi com uma expressão debochada — Isso é coisa de cachorro que late, mas não morde.
— Se é assim que pensa, é bom estar preparada — Ferr caminhou até as toalhas próximas às águas e cobriu seus ombros após secar rapidamente seu cabelo — espero que não fique se lamentando após ver seu mundo ruir em chamas, Saki Nakamura — olhou para mim com o canto do seu olho — terá um total de 7 meses, é o seu limite.
Com as costas viradas para mim, a mensageira desapareceu em um piscar de olhos, deixando para trás apenas água quente que escorria de seu corpo.
— Quanta presepada…
— Saki… não acha que está subestimando demais tudo isso? — Noelle perguntou com clara preocupação em seu rosto — afinal, ela nem precisou dar as caras para travar uma guerra de mil anos.
— Não se preocupe, eu já tô bem mais forte do que quando cheguei aqui.
— E mesmo assim teve que se esforçar pra suportar a pressão mágica de uma mera mensageira, sem contar que nem sentimos sua presença aqui.
— Relaxa! Vai dar tudo certo.
— UAI! — do outro lado da fonte, um grito incrivelmente agudo soou.
— O que esse idiota tá fazendo?
Após sairmos das fontes termais, nos encontramos com Akira, ele estava meio inquieto, olhando para os lados incessantemente.
— O que foi? — perguntei.
— Eu acho que tô vendo coisas.
— Eu tenho certeza.
— É sério, tinha um cara se misturando com a água da fonte! Ele se aproximou tão sorrateiramente que nem percebi e quando o notei, ele simplesmente desapareceu.
— Então foi daí que veio aquele gritinho… — em um sussurro, Noelle comentou
— Pode ter sido um dos mensageiros de Lilith.
— Como tem tanta certeza?
— Um deles apareceu do nosso lado também
— O QUÊ?
— Pois é, ameaçou me matar e tudo mais.
— Por que ninguém ameaça me matar também? — falou com tristeza nos olhos.
— Relaxa, sua hora vai chegar.
— Tô cercada de idiotas… — resmungou minha amiga.
Seguindo o caminho que o barman indicou, chegamos em um grande e elegante hotel. Meus olhos logo se encheram de felicidade e rapidamente corri para dentro atrás de uma longa noite de bebidas e comidas caras, para na manhã seguinte continuar nossa cansativa caminhada.

Olá, eu sou o Smaell!

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