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Eles acordaram logo cedo.

Os aventureiros de Dart preparavam-se para partir após uma breve pausa para o lanche, porém todos ficaram em alerta ao verem outra carruagem aproximando-se.

Kurone já tinha sua escopeta de canos serrados em mãos quando reconheceu as pessoas dentro do veículo. Apesar de dois deles estarem com o corpo completamente oculto pelas roupas de frio, a pessoa no centro do assento de cocheiro era familiar.

Os cabelos brancos e os olhos avermelhados eram inconfundíveis, aquela era Inari na forma de Rory e, com certeza, os outros dois indivíduos ao lado dela não poderiam ser ninguém menos que Berthran e Ayshla.

“Mestre, tudo bem nos aproximarmos? Tem muitos humanos aí”, falou Berthran via telepatia.

“Sem problemas, todos são pessoas legais, mas é melhor vocês continuarem fingindo que são humanos.”

“Penso o mesmo. Então, estarei me aproximando.”

— Não precisam ficar com medo, eles são meus amigos! — disse Kurone aos aventureiros que ainda seguravam suas armas com uma expressão de medo no rosto.

Ao ouvirem as palavras do jovem, eles suspiraram e baixaram as armas. De alguma maneira, bastou Kurone dar-lhes o Fogo Infernal para preparar comida que eles o respeitaram. Ou talvez fosse simplesmente por sua aparência andar sombria nos últimos dias.

Do interior do capuz, uma luz roxa chamava a atenção das pessoas, no entanto ninguém tinha coragem de encará-lo por muito tempo para ver a veia púrpura emergindo do Sigilo de Azrael.   

Darling! Eu senti saudades! — gritou Inari ao saltar da carruagem e correr para abraçar o jovem. Alguns aventureiros lançaram um olhar de suspeita para Kurone, afinal a deusa-raposa estava na forma de uma garotinha, agir daquela maneira ere suspeita mesmo em um mundo onde a maioridade era aos 14 anos.

— Para com isso, você tá chamando antenção, Saphyr!

— Puxa, darling, eu estava perdida na floresta e você me trata assim? Humpf!

— Para começo de conversa, você saiu sem pensar duas vezes… — Kurone suspirou ao ver as ações daquela deusa excêntrica. No fundo, ele estava realmente aliviado por ela estar bem, mas exteriorizar isto só daria mais corda a Inari.

— Que bom ver que vocês tão bem também — o jovem falou olhando para Berthran e Ayshla. 

— Obrigado pela preocupação, mestre.

As palavras da orc fêmea fizeram o garoto ser alvo de mais olhares. Ambos os monstros usavam roupas grossas que ocultavam complemente seus corpos, e as armas carregadas na cintura e nas costas davam-lhes um ar de mercenários.

Talvez alguns aventureiros pensassem que Kurone poderia ser algum tipo de criminoso? E ainda mais com uma garotinha o chamando de “darling”, sua situação realmente não era das melhores, nunca era mesmo.

Ahhh… mas a gente não pode perder tempo.”

Bastou dez minutos para eles arrumarem tudo e estarem prontos para partir. 

Ter unido-se com os aventureiros de Dart tinha seus prós e contras, e um dos pontos negativos era o fato de que Kurone não podia chamar atenção deixando eles.

Se supostamente todos estavam atrás da vila de Hyze, um desconhecido tomar outra rota poderia levantar suspeitos. Então a melhor estratégia era buscar uma brechar para fugir daquela caravana.

“Se tiver outra nevasca, dá pra gente deixar ele pra trás sem levantar suspeitos, né, Nie?”

[Alguns deles podem ficar preocupados achando que você morreu na nevasca, mas a ideia é boa.]

“Nie, você tá se referindo ao tal do Eulides? Você parece ter achado ele interessante, assim vou ficar com ciúmes.”

[Não seja bobo, Kurone… vo-você sabe que eu pertenço a você… Ai, que coisa embaraçosa de se dizer! Mas o ponto é que tem alguma coisa naquele menino que chama minha atenção, só isso!]

“Você pertence a mim, é?…”

[Não repete! Eu te fazer ter uma dor de cabeça infernal!!]

Argh!


O vento aumentou seu sopro após uma hora de viagem, aparentemente ele tornava-se cada vez mais violente entre a tarde e a noite, nesse caso os melhores horários para viajar eram entre o amanhecer e a manhã.

“E a gente tá seguindo o horário oposto…”

Kurone conduzia sua carruagem em uma velocidade constante, tentando não atrasar a caravana que seguia em três filas. Ao seu lado estava o jovem Eulides al Mare, ele tinha uma carruagem própria e, apesar de não controlar bem as rédeas, esforçava-se para acompanhar o jovem à direita.

— Então, quando começou esse rumor sobre a existência da vila de Hyze por aqui?! — Kurone gritou devido ao incômodo que o barulho do vento causava.

— A-avistaram um elfo andando por esta floresta recentemente… já existiam alguns rumores sobre a floresta de Hyze ser nessa direção, então o surgimento do suposto elfo foi o suficiente para atrair os aventureiros… Atchim! — Eulides respondeu forçando a voz. Ele estava ofegante devido ao frio e a ponta do seu nariz delicado, vermelha.

Kurone notou que aquele jovem nobre tinha cabelos azulados com algumas mechas brancas, era algo quase como o seu cabelo, no entanto parecia que aquelas mechas dele foram pintadas de propósito.

— Isso é estranho… — Lothus murmurou do interior da carruagem, seu tom baixo era proposital para que o garoto na carruagem vizinha não conseguisse escutar. — Os elfos seguem uma regra primordial da xamã Hyze: nunca deixar a vila, é proibido.

— Talvez ele possa ser um elfo renegado? Um criminoso que foi expulso de lá?

— Acho difícil de acreditar nisso, eles são bem unidos, e os criminosos são punidos com a morte, então é bem improvável que seja um habitante da vila de Hyze…

— Tá dizendo que pode ser um elfo de fora? Achei que eles tinha sido exterminados…

— Foram, mas assim como a vila de Hyze, há alguns esconderijos que abrigam elfos, claro que ninguém sabe disso, senão esses também seriam exterminados.

Kurone lembrou da vila Grain. A companheira de party de Ana, Ari, uma garota tímida com Classe Arqueiro, era meia-elfa. Por que ninguém nunca se importou com a presença dela em Grain? Todos agiam como se ela fosse uma humana comum.

[Talvez ela estivesse usando algum tipo de magia que você é imune?]

“Então eu vi algo que não devia…”

[Kurone! Presta atenção!]

O jovem olhou para frente após o grito de Annie e fez sua carruagem parar, eles chegaram perto de impactar com o veículo da frente.

— Que diabos, vai dizer que tem congestionamento até nesse mundo… Garotas, fiquem aqui, eu vou ver o que aconteceu.

— Eu vou com você, senhor Cordielyte! — afirmou Eulides saltando do seu veículo, porém o jovem à frente não fez questão de esperá-lo e andou a passos rápidos.

Kurone ainda usava as mesmas botas desde a batalha contra o Arquiduque na ilha Lou Xhien Pi’yan, eram botas marrons perfeitas para as lutas, ele pisava na neve e não afundava, talvez houvesse algum encantamento naquele objeto?

Bastou andar um pouco para chegar à carruagem da frente, no entanto o aventureiro de lá também estava confuso, afinal ele só parou bruscamente porque o condutor da frente fez isto primeiro. 

O culpado era aquele que liderava a fila de carruagens, a parada dele gerou um efeito dominó em toda fileira de veículos.

— Que porra, vai dizer que o cara atolou ali… — murmurou o aventureiro olhando para Kurone.

— Fique aí, eu vou dar uma olhada lá — ele respondeu correndo em direção ao início da fila.

— Es-espere, senhor Cordielyte! 

Eulides caiu algumas vezes antes de acostumar a correr pela neve sem afundar, ele nem tentava esconder o fato de ser um nobre que nunca correu por um terreno difícil como aquele.

A dupla andou por alguns minutos até finalmente chegarem à ponta do efeito dominó, a maioria dos jovens saltou da carruagem e aglomerava-se logo à frente. Apenas por precaução, Kurone materializou sua Boito .20 antes de aproximar-se. Eulides arregalou os olhos ao ver o surgimento daquela arma do nada, mas não tinha tempo para questionamento.

— O que tá acontecendo aqui? — interrogou Kurone, ao que uma das jovens aventureiras, uma sacerdotisa em roupas grossas para protegê-la do frio, balbuciou:

— É terrível, veja você mesmo… como as pessoas conseguem ser tão cruéis?

Kurone estreitou os olhos e aproximou-se do local.

Ali havia uma pequena clareira com uma fogueira apagada no centro, a presença de mochilas sobre alguns troncos e um caldeirão virado na neve indicava que aventureiros estiveram ali recentemente.

Ao olhar para o local que todos direcionavam os olhos horrorizados, o garoto viu a figura de dois jovens quase enterrados na neve, o sangue deles chamava a atenção entre o chão forrado pela cor branca.

[Q-que… horrível!!]

Annie não estava exagerando, a cabeça daqueles dois jovens foi explodida e o corpo foi deixado ali para afundar na neve, sem que ninguém soubesse do terrível assasinato.

— Senhor Cordielyte, o que…

Eulides finalmente chegou ali após capengar muito pela neve, mas a expressão de horror em seu rosto indicava que era melhor ele não ter chegado. O jovem caiu de joelhos, com as mãos delicadas sobre neve fria e vomitou aquilo que comeu mais cedo.

— Aparentemente havia também uma garota com os aventureiros, mas provavelmente os patifes que mataram eles sequestraram a garota pra fazer só deus sabe o quê — comentou um dos aventureiros que cobria os corpos sem cabeças com um lençou grosso.

[Qual o problema, Kurone? Você também ficou tão horrorizado com isso que está sem palavras.]

“Não, Nie, não é isso…”

[Hmm? E o que é então?”]

“Uma arma comum não faria aquilo com a cabeça de um humano…” Kurone olhou para a arma que tinha em mãos antes de suspirar e continuar sua conversa via pensamento com a deusa: “Aquilo ali só pode ser feito por uma… escopeta como a minha…”

[Você quer dizer que…]

“O culpado pelos dois assassinatos é um reencarnado.”


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