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O ambiente torna-se rapidamente hostil, uma aura de desejo de batalha percorre os corpos esguios dos esqueletos, contrastando com a postura de Evangeline, que se prepara para o confronto iminente. 

Sua frustração cresce, pois a ideia de se comunicar com os esqueletos se revelou um dilema. 

Apesar de ilógico para sua situação, nunca imaginara que tal ato seria tão difícil. 

A lembrança de seu primeiro encontro com essas criaturas, no qual perdeu a oportunidade de comunicação, talvez tenha afetado sua confiança. Ou talvez esteja buscando uma alternativa para resolver a situação sem se colocar em risco. 

Seja como for, seus pensamentos são interrompidos quando o esqueleto com escudo avança novamente.

Neste momento, seus reflexos falham, e ela é atingida pelo golpe de escudo, sendo lançada contra a coluna atrás de si, que se racha com o impacto. 

Thud! Crackle!

”Mer-merda! Se não fosse por essa dor na minha barriga do nada…. eu poderia…” A dor se espalha por seu corpo, misturando-se com a frustração e a raiva.

A respiração de Evangeline se torna pesada à medida que tenta se recuperar do golpe que a fez chocar as costas na construção, mas o tempo não está a seu favor. 

Logo após ser encurralada na coluna, o segundo esqueleto, armado com uma clava, corre em sua direção. 

A arma desce em alta velocidade, cortando o ar em um arco mortal, mirando a cabeça dela. 

Com dificuldade, Evangeline agacha-se no chão, rolando por de baixo das pernas do esqueleto, fazendo com que o golpe atinja a estrutura da sala. 

Thud-boom!

O impacto é aterrador e faz com que a construção desmorone, quebrando outra das colunas de sustentação do lugar.

— Mas que… diabos… — Evangeline encara o esqueleto com olhos arregalados, percebendo que com um único golpe ele destruiu completamente a construção. 

”Que força surreal é essa…? Pensei que todos eles tinham uma força parecida com aquele primeiro que me investiu, mas parece que esse não segue o caso, com um único golpe ele explodiu a coluna inteira! Se eu não tivesse saído a tempo… com certeza eu…” Ela imagina o que teria acontecido se não tivesse se esquivado a tempo, imaginando em pequenos flashs restos do seu corpo espalhado por todo o local, como uma vitrine de horrores. 

— Já que é desse jeito, não posso mais economizar mana para acabar com essas coisas, se não, posso acabar me arrependendo mais tarde… Querendo ou não, ninguém quer ser explodido em um ataque desses… — Habilmente, ela envolve seu corpo com três camadas de mana, formando uma espécie de armadura que torna sua pele mais resistente. 

”Agora, eu preciso pensar no que…” 

Entretanto, como da última vez, mal tem tempo para planejar, pois um dos esqueletos agarra sua cintura por trás, erguendo-a e lançando-a com força no chão. 

— Eh!? O quêeeee!?

Krrraack!

O impacto é brutal, quase destruindo por completo as placas de pedra que compõem a antecâmara, fazendo o recinto estremecer e levantar uma pequena duna de poeira no local. 

”Tsk…! De onde esse merda veio… Maldição, esses porras não tem mana, então eu não consigo sentir eles… se aproximarem…” Ela sente a dor se espalhar por todo o corpo, misturando-se com a raiva e a determinação de continuar lutando.

Ainda agarrando a jovem, o esqueleto tenta levantá-la novamente para repetir seu golpe, mas recebe um chute preciso em seu maxilar, que o faz soltá-la, que agora se encontra deitada no chão.

— Tchê! Vai achando que pode fazer o que bem entender…

Com habilidade, Evangeline posiciona suas mãos contra o chão acima da cabeça, impondo sua força pelos braços, flexionando-se para frente. Ela se levanta rapidamente, aproveitando o atordoamento do esqueleto. 

”Um golpe direto! Se eu efetuar um golpe direto posso terminar isso mais rápido, eliminando um por um!”

Em seguida, investe contra o mesmo com suas adagas em chamas vermelhas, tremendo como se expressassem sua raiva e frustração durante a luta. Um corte cruzado cria um arco de chamas pela trajetória da lâmina.

— Sinta essa! — Evangeline se encontra com o corpo do esqueleto, mas as lâminas mal conseguem cortar os ossos, mesmo reforçadas com chamas.

Apesar do corte não ser muito profundo, a força imposta empurra o esqueleto alguns metros, fazendo-o cair sentado no chão. 

— Não pode ser…

”Eles são duros como aço! Como isso pode ser possível? Por acaso estão tomando Calcitram!?”

No entanto, Evangeline não tem descanso, pois mais dois esqueletos avançam contra ela nesse intervalo de tempo.

— Ótimo! — Realizando algumas cambalhotas para trás, ela se esquiva do ataque duplo dos esqueletos por pouco. 

Rapidamente, investe contra ambos, ainda usando suas lâminas e chamas carmesins, mas como antes, apenas consegue empurrá-los para longe.

A poeira levantada pelo impacto começa a ser dissipada pelo ar, saindo pela entrada do local. As chamas pálidas da tocha central tremelicam com o ar gélido que retira a densidade da sala. 

— Realmente… não só apenas um… mas como parece, todos eles são realmente muito resistentes… tanto com minhas chamas… quanto para os golpes das adagas… Arh…!

As sombras dos três esqueletos jogados no chão junto a Evangeline, que ofega pelo esforço em uma luta intensa em curto espaço de tempo, torna-se a visão do quarto esqueleto, que até então observava toda a luta no canto do local.

Desde o princípio, o esqueleto observou a luta de Evangeline com seus companheiros, seus olhos cruzando de um lado para o outro, acompanhando a batalha deles. 

Ele observou as esquivas realizadas pela meio-elfa, os contra-ataques, as investidas e o modo de luta que ela empregava com suas adagas e seu corte cruzado.

Aproximando-se dos três companheiros esqueletos, o esqueleto os levanta facilmente, com uma força monstruosa, como se tal esforço fosse um ato simples para o monstro undead. 

Rapidamente, ele começa a se comunicar com os esqueletos, emitindo sons bizarros e grotescos, uma cacofonia de horrores diante da meio-elfa que não entende nada. 

Apesar de tê-los observado conversar antes de avançarem para o combate, Evangeline percebeu que, ao contrário do antigo morto-vivo que tinha inteligência e conseguia se adaptar imediatamente em seu combate, além do quarteto de mortos enviado pela banshee no início, esse quarteto de esqueletos parecia ser a fusão desses dois tipos, combinando estratégia e comunicação em combate, semelhantes a um grupo de pessoas vivas.

”Esse observador deve ser o líder desse grupo de esqueletos… Parece que ele tenta dizer para os outros como agir contra mim, não é à toa que a cada luta eles parecem mais adaptados ao meu estilo de combate do que antes… e isso, pode ser um problema….”

A cada embate, eles pareciam se comunicar para aprimorar suas táticas para derrotá-la.

— De todo modo, não significa que vou esperar que nem antes. — Enquanto os esqueletos conversavam entre si em sons grotescos, Evangeline começa habilmente a concentrar uma grande quantidade de gases em suas chamas.

A cada segundo, as chamas passam de vermelho para laranja, de laranja para amarelo, de amarelo para azul e de azul para verde-esmeralda. 

Como da última vez, Evangeline invoca suas chamas mais poderosas para o combate. No entanto, diferentemente de sua última luta, sua perícia mágica permite que ela misture seus gases ainda mais rápido.

”Fascinante… Minha Emerald Sphere of Desolation está mais rápida no processo de criação. Parece que meu controle mágico acelerou meu conhecimento sobre ela… isso vai ser benéfico se eu conseguir dominá-la mais cedo…”

”… Mas mesmo sendo mais rápidas…” Apesar da velocidade de preparação das chamas, Evangeline mal consegue criar quatro esferas de fogo esmeralda antes que os esqueletos notem o fogo anormal que ela acabara de criar.

— Grwwwwwwwaaaaarrrrrgh!! — Em um grito estridente, o quarto esqueleto, o observador, aponta sua espada em direção a Evangeline, ordenando que o trio a ataque novamente. 

Sem ir ao embate, ele permanece como um observador, como um estrategista que move suas peças no tabuleiro da batalha. 

Rapidamente, os três esqueletos investem contra a meio-elfa. 

O primeiro desce com sua clava em direção à jovem, outro avança com seu escudo firmemente apontado para frente, e o terceiro corre com sua espada apontada em direção a ela, todos vindo de direções diferentes, tentando cercá-la.

Evangeline encara a aproximação das três ameaças que se movem em sua direção, cada uma carregando uma sede assassina avassaladora. 

”Lá vem eles… eu preciso me…”

O cenário parece se desenrolar em câmera lenta, com os três esqueletos movendo-se lentamente em sua direção, como se fosse um presságio de que poderia perder sua vida naquele momento. 

”O que está acontecendo… por que meus sentidos ficaram apurados desse jeito… Espera, isso não é uma confirmação que eu vou…” Uma gota de insegurança corta seu rosto com um sentimento gélido anormal.

Durante suas inúmeras lutas contra os mortos-vivos da masmorra, ela se sentiu obrigada a usar apenas seu atributo de fogo em sua jornada, pois o fogo era, de fato, um elemento eficaz contra mortos-vivos em geral. 

Porém, ela nunca esperava que essa tática a colocaria em uma situação em que suas chamas não fossem fortes o suficiente, ou sua arma não fosse afiada o bastante para derrotar seus oponentes.

Cada segundo, que parece uma eternidade aos olhos da meio-elfa, os esqueletos se aproximam mais, seus grunhidos ficando cada vez mais bizarros, o tempo se movendo em câmera lenta. 

A respiração de Evangeline se torna mais pesada, misturando-se com o ambiente ao redor. Imagens de suas primeiras batalhas nesse mundo inundam sua mente: a luta contra o monstro da floresta e o encontro no hall da masmorra. 

Naquela época, sua força não era a mesma, não tinha controle sobre seus poderes e seus atributos eram desiguais. Todavia, apesar das dificuldades, ela sentia que podia ir além, usar tudo o que tinha.

”Depois do treino que tive com meu controle de mana com a mestre Áurea, eu acabei me contendo para evitar gastar muita energia em feitiços. Quando entrei na masmorra e percebi que seria monstros mortos-vivos, acabei optando em feitiços derivados do fogo, pois os undeads possuem fraqueza a esse elemento, e, além disso, não gastaria muito mana para fazê-las…”

”Mesmo que no começo minhas chamas tenham sido eficazes contra o excesso de mortos-vivos, nunca imaginei que seria impedida de continuar meu progresso por esse erro estúpido. Por que fiquei assim? Dependente, orgulhosa de algo simples… quando eu me tornei esse tipo de pessoa… Como eu, Shirogane me tornei tão cego…?”

— Me desculpe Mestre Áurea, senhor Ivan… seus ensinos conseguiram desbloquear minhas capacidades, mas não posso permanecer me contendo e tendo medo de usar tudo que tenho devido ao gasto mágico. Isso não é mais um treino, e eu não posso me conter…! — Em um movimento fluido, Evangeline concentra seu atributo de ar sob seus pés, seus olhos brilhando em um tom prateado, e convoca o vento. 

Com um estouro de pressão, ela se arremessa para cima, escapando da investida conjunta do trio de morte. 

Nesse momento, ela relembra do impulso de ar que usou contra o monstro Taelho em sua fuga, uma tática que a ajudou a evitar a investida combinada dos esqueletos.

O esqueleto observador arregala seus olhos, suas órbitas vermelhas tremeluzindo de fascínio diante da esquiva da meio-elfa. 

O monstro não esperava que a invasora da antecâmara pudesse controlar mais de um atributo, e a ativação do atributo de ar bem diante de seus olhos o deixa estupefato.

No ar, Evangeline observa o trio de cima, seus sentidos aguçados pela pele de mana a fazem perceber a queda em câmera lenta e observar a esfera de fogo esmeralda em sua mão.

”Parece que fiquei um pouco paranoica com os sentidos apurados. Ter me envolvido em três peles de mana acabaram aumentando minha percepção. Apesar de eu não me mover nessa velocidade, ainda posso pensar mais rápido…”

Em um lampejo de inspiração, ela se lembra de seu feitiço mais poderoso, o 『Lightning Cut』, e de sua habilidade precisa em invocá-lo a qualquer momento. 

”Não posso arremessar minha centelha nesse espaço pequeno. Mesmo que podendo invocá-la mais rápido que minha esfera esmeralda, não posso dar o luxo de ser esmagada nesse lugar fechado. Tudo que me resta é me focar nisso…”

No breve intervalo, ela continua a criar suas 『Emerald Sphere of Desolation』, algo que intriga os três esqueletos, que percebem algo errado nas chamas e fazem o possível para interromper o processo.

”Eles estão mais revoltados depois que comecei a fabricar minha Emerald Sphere of Desolation… assim como aquele quarteto undead de antes ou a Banshee com o Ogro e o Troll… Talvez essas chamas sejam o meu trunfo contra eles!” Evangeline nota o olhar faminto dos mortos-vivos quando ela começa a criar suas esferas de fogo esmeralda, confirmado que esse nível de chama tem o poder de feri-los ou até mesmo derrotá-los. 

— Já que é assim, não vou me segurar! — Enquanto ela se concentra em esquivar e fugir, continua a criar suas esferas de fogo esmeralda. 

A cada esfera fabricada, ela a posiciona em suas costas, formando um anel composto por bolas de fogo. Diferentemente de antes, ela consegue armazenar muito mais esferas de fogo.

A cada investida dos esqueletos, Evangeline desvia no último momento usando seu atributo vento, às vezes empurrando os esqueletos com a força do vento para escapar, outras vezes usando pequenos impulsos em seus pés para mover-se pelo ar. 

Apesar de sua ideia anterior de usar o atributo de ar para voar, ela ainda o usa para realizar saltos no ar, agindo como um segundo impulso.

— Uma passagem para fora desse lugar! — Olhando em volta da Antecâmara, Evangeline examina atentamente a sala, notando uma passagem oculta pelas paredes e colunas que parece levar a outra parte da masmorra, oferecendo um caminho alternativo à antecâmara. 

— Preciso finalizar isso o mais rápido possível e continuar meu progresso, já que agora sei aonde fica a saída. — Agora, consciente da passagem que a levaria para fora da Antecâmara, Evangeline concentra-se na finalização rápida da luta. Seus olhos estreitam e sua atenção se volta para suas mãos, onde a magia de chamas começa a se materializar com intensidade. 

As chamas crepitam, prontas para serem lançadas.

”Está quase pronto, só preciso encontrar aquele esqueleto observador e mandá-lo de base primeiro… assim eu poderei… Ué? Onde está aquele esqueleto… ele estava parado logo ali…” No entanto, algo chama sua atenção quando ela procura o esqueleto observador e não o encontra.

Subitamente, como se suas perguntas fossem respondidas pela realidade, o esqueleto surge atrás dela, atacando com suas espadas em um movimento horizontal. 

Observando o ataque do monstro, Evangeline inclina-se para trás em um reflexo sobrenatural, permitindo que a lâmina passe rente ao seu nariz, mas acertando precisamente os três esqueletos que a perseguiam, arremessando-os para longe e destruindo mais uma coluna no processo.

Com agilidade surpreendente, Evangeline executa uma rasteira no esqueleto atacante e desfere um golpe em seu torso, lançando-o também longe. 

Nesse momento um brilho esmeralda atravessa seus olhos rubis, enquanto ela finalmente compreende completamente a criação de seu feitiço de chamas.

— Heheh… seus minutos começam a ser contados… esqueletinhos — Um sorriso astuto se forma em seus lábios ao encarar o esqueleto, que agora percebe que suas táticas não funcionarão mais contra ela.

Olá, eu sou o HOWL!

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