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Um gavião-real, conhecido também como harpia, sobrevoava a pequena vila destruída. Do alto, pode-se ver as diversas casas destroçadas, carros em chamas pelas ruas esburacadas, postes tombados, e por fim, Vidal e Poti ao lado do monstro ensanguentado, que não parava de sangrar. Junto deles, também tinha uma garotinha aos prantos sendo consolada por Vidal, que lhe apertava os ombros, tranquilizando-a.

Não muito longe dali, uma dupla de pessoas em uma canoa viajavam a toda velocidade em direção à vila, uma delas sendo um homem adulto, por volta de seus 30 anos. Era um homem de estatura média, barba por fazer, pele morena, não era feio nem bonito, um meio-termo entre os dois. Vestia uma camisa regata verde-escuro, calça camuflada e coturnos pretos.

— E então, como estão as coisas por lá? — perguntou o homem conduzindo a canoa pelo rio.

— Parece que a luta já acabou. Aquela coisa fez um grande estrago. As pessoas continuam evacuando a vila usando os barcos de resgate e há diversos incêndios pelo local em diferentes áreas, mas ao todo a situação parece estar sob controle — respondeu uma jovem moça sentada na ponta da canoa. Enquanto falava, ela mantinha os dois olhos fechados e as mãos na testa, com uma expressão de como se estivesse sofrendo de uma terrível dor de cabeça.

— Quantos vigilantes no local? 

Após a mulher descrever a aparência de Poti e Vidal, o homem cuspiu no rio e com uma expressão de escárnio, disse:

— Tsc! O folgado do Poti. Aquele malandro vai ficar se achando o resto do ano por matar aquela lagartixa graúda. Aline, pode chamar a uiraçu de volta, nós já estamos chegando na vila.

Durante a luta, Vanessa tinha quebrado sua promessa com Vidal e foi em direção à batalha. Ela esperou o vigilante estar fora de vista para segui-lo, com cuidado para não chamar a atenção, ela chegou até o local onde o combate já havia acabado, viu o seu irmão morto, jogado no chão e coberto de sangue. Ao vê-lo assim, a garota ficou paralisada por alguns segundos antes se soltar um berro seguido de lágrimas que desceram pelo seu pequeno rosto rubro de tristeza. Quando ouviu o choro, Vidal já sabia de quem se tratava. 

— Essa garotinha é irmã daquela coisa? — indagou Poti, enquanto apontava para o cadáver logo atrás de si. — Foi mal, Vidal, mas acho difícil acreditar.

Vidal tinha explicado para Poti tudo o que a menininha tinha lhe contado, mas o vigilante veterano parecia não acreditar naquela história, que na sua cabeça não passava de um delírio daquela menina.

— Olha, Poti, eu acho que vale a pena nós darmos uma investigada no galpão. Não custa nada — disse Vidal tranquilamente.

— Se você acredita mesmo no que essa garota diz, pode ir investigar por conta própria. Eu vou ter que escrever um relatório para a diretoria, explicando como eu deixei um merdinha desses passar pela cerca e causar todo esse pandemônio — disse Poti com uma expressão de indignação, descontando a sua raiva no cadáver do irmão de Vanessa.

Ao ver aquele homem pisotear o seu irmão, Vanessa xingou alto em protesto, enfiando sua cabeça entre os braços de Vidal logo em seguida antes de cair no choro, novamente.

— Mas que merda! Poti, tente ser mais empático com os outros! Mesmo que não acredite na garota, não precisa descontar sua frustração no irmão morto dela! — gritou Vidal, claramente zangado.

As escamas azuis já estavam se desfazendo pelo corpo de Poti, que já tinha voltado ao seu tamanho normal, além disso, as guelras e nadadeiras já tinham desaparecido completamente.

— D-desculpe, foi erro meu… — comentou Poti arrependido, enquanto olhava para a garota aos prantos na sua frente.

Vidal tentava acalmá-la na tentativa de fazê-la falar a localização do suposto galpão abandonado, enquanto isso, Poti tentava encontrar o seu rádio que perderá durante a batalha. Ele precisava entrar em contato com a central dos vigilantes para atualizá-los da situação que já estava sob controle.

— É… vocês dois fizeram uma bela bagunça por aqui, não é?! — disse um homem com voz grossa.

Ao ouvir aquilo, Poti sentiu um frio na espinha, se virando bem lentamente em direção ao dono daquela voz misteriosa, que se encontrava em pé no topo de uma montanha de destroços derivados da intensa batalha. Ao reconhecer o homem, Poti cerrou as sobrancelhas, estampando uma expressão de ódio mortal em seu rosto.Quando viu aquilo, Vidal ficou surpreso, nunca tinha visto aquela expressão de Poti. Ele parecia mais zangado do que durante a batalha. 

— Maycon, não se intrometa. Você não faz ideia do inferno que aconteceu aqui — disse Poti segurando sua raiva.

— Poti, Poti… o mesmo desleixado, Poti. Olha o estrago que você deixou aquele lagarto de merda fazer — disse Maycon com uma expressão de menosprezo.

— Se fosse você no meu lugar, não só estaria morto, mas também deixaria a criatura destruir toda a vila. Eu impedi o máximo de destruição possível, além de ter matado esse monstro o mais rápido que consegui — retrucou Poti de forma agressiva.

Ao ouvir aquilo, Vidal se sentiu excluído por Poti assumir todos os créditos pela derrota da criatura. 

— Você é um sem-vergonha mesmo. Não tem vergonha de andar por aí com essa pança cheia de vermes por aí, não? — perguntou Maycon, trocando de assunto.

— Vejo que você ainda usa esse boné horrível. Ainda tentando esconder a calvície? — respondeu Poti, apontando para o boné com a ponta do queixo.

Durante a discussão dos dois vigilantes mais velhos, a jovem que acompanhava Maycon se aproximou discretamente de Vidal, o tocando em seus ombros.

— Meu nome é Aline, prazer — disse de maneira carinhosa, enquanto oferecia um aperto de mãos a Vidal.

— O-oi, eu sou o… — Vidal ficou paralisado com a beleza de Aline, que olhava para ele com seus olhos verdes claros que pareciam encarar sua alma. — … Vidal, prazer.

— Vidal, certo — disse Aline dando uma risada de leve ao perceber o constrangimento do jovem vigilante. — E quem é essa garotinha em seus braços?

— Ah, essa aqui? É a Vanessa — disse Vidal olhando para a menina que ainda chorava em seus braços.

— O que aconteceu com ela? — perguntou Aline.

Enquanto os supostos adultos discutiam feito dois cães raivosos, Vidal explicou tudo sobre Vanessa e o seu irmão para Aline, que ao ouvir aquilo, imediatamente olhou para o céu, soltando um assovio muito agudo.

Após alguns segundos, a Harpia que sobrevoava a vila, pousou na mão direita de Aline coberta por uma luva de couro. A ave de rapina era gigantesca, uma das maiores do mundo e a maior do país, além de ser bela e imponente. Aline se agachou, ficando na altura de Vanessa, que olhava de canto de olho para aquela bela ave. 

— Você quer passar a mão nela? Não se preocupe, ela é mansa, só ataca se eu pedir — disse Aline, com um sorriso amistoso estampado no rosto.

Vanessa tirou a cara dos braços de Vidal, revelando um rosto manchado por lágrimas e ranho. Agora mais calma, ela chegou perto da harpia, esticando a mão para acariciar sua cabeça coberta de penugens cinzas.

— Viu, ela é mansa. Não precisa ter medo, agora tudo vai ficar bem — disse Aline de maneira meiga para Vanessa, que já mostrava um leve sorriso na cara.

Finalmente, Vanessa, agora mais calma, estava disposta a guiar Vidal e Aline até o galpão.

— Ei, onde você pensa que vai? — berrou Maycon.

— Enquanto vocês dois ficam aí, discutindo feito dois idiotas, eu e Vidal vamos fazer algo produtivo — disse Aline, virando-se de costas logo em seguida.

— Vidal? Quem caralhos é Vidal? É o parceiro do frouxo do Poti? — disse Maycon de maneira irônica.

— Frouxo é o seu pai, aquele corno do caralho! — exclamou Poti, aplicando uma chave de braço no pescoço de seu rival.

Maycon reagiu, dando uma rasteira em Poti, derrubando-o no chão quente.

— Não mete família no meio, cara de bagre.

No chão, Poti deu um pontapé no peito de Maycon, que caiu de costas no solo.

— Cala a boca, seu imbecil! 

Ambos entraram em combate corporal no chão, sujando suas roupas com terra. Por mais que estivessem brigando, nenhum dos dois batia para machucar, tomando cuidado com a força dos golpes.

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Olá, eu sou o Madsam!

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