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A voz do mago Malachias reverberou pelo espaço paralisado em que estavam Harley, Sergio e Isabella:   

— Este não é um mundo como os outros que vocês conhecem — declarou o mago com uma seriedade sombria e continuou:

— Este é o último refúgio dos dragões, um santuário oculto onde a morte  dança com a magia. Os ossos dos dragões são a chave que abre esse mundo. Este é um reino que devora os invasores, como nós, que buscamos mais poder. E é também um abismo de morte para os dragões, pois através de suas mortes, extraímos poder.

O peso das palavras do mago era tangível, envolvendo Harley em uma teia de revelações que transcendiam suas expectativas. Enquanto absorvia a realidade crua, ele se via aprisionado em um jogo cósmico de dimensões imprevisíveis.

Em seus pensamentos, Harley refletia: “Isso não é simplesmente um mundo; é uma arena de luta, um campo de batalha onde destinos são forjados a cada confronto. Parece que dragões e humanos são inimigos inconciliáveis, assim como eu e Sergio. Não há espaço para ambos prosperarem; apenas um poderá prevalecer.”

Enquanto o jovem afundava em suas memórias e rivalidade, o mago tinha falado sucintamente como parte de um ritual em que a verdade deveria ser dada como incensos para aqueles que iriam ser oferecidos como oferendas aos dragões. 

Cedir, entretanto, decidiu intervir, vangloriando-se de um esquema intrincado que envolvia manipulação, enganos e iscas.

— Viajamos por vários mundos, plantando os Sopros de Dragões mais fracos e aguardamos que as iscas descubram o poder desses ossos, atraindo-os para este mundo — Gabou-se Cedir, um sorriso sádico dançando em seus lábios enquanto revelava os detalhes insanos de suas ações. Não satisfeito, prosseguiu:

— Infelizmente, os dragões são demasiadamente sensíveis a humanos vivos. Seria muito mais fácil transportar corpos para atrair os dragões. — Virando-se abruptamente para Astrid, assumindo uma postura defensiva, questionou: 

— E que história é essa de explicar os poderes de seu Sopro de Dragão para esse moleque? Você pretende nos trair?

Malachias, diante do questionamento de Cedir para Astrid, também se postou defensivamente, sua expressão séria denotando uma mistura de cautela e desconfiança. 

Ele também aguardava a resposta de Astrid, mas seus olhos, em um movimento quase imperceptível, percorreram o ambiente em busca de qualquer sinal de traição.

Harley, observando atentamente, percebeu que Malachias havia se afastado um pouco de Cedir, uma sutil indicação de que a confiança entre esses magos era frágil, uma dança complexa de interesses divergentes. 

Nenhum deles parecia estar completamente seguro da lealdade do outro, e o subtexto tenso entre eles acrescentava uma camada de intriga ao intrincado cenário subterrâneo.

O silêncio mortal que pairava no subterrâneo foi rompido por uma explosão ensurdecedora que reverberou pelas paredes escuras do subterrâneo. 

Antes que Astrid pudesse articular uma resposta, uma força incompreensível sacudiu o ambiente, e um clarão ofuscante iluminou o local. O chão tremeu sob os pés dos presentes, anunciando a chegada de algo colossal.

Um estrondo ecoou, e do centro da explosão surgiu um enorme túnel, como se a própria terra estivesse sendo retalhada para revelar o desconhecido. Escombros voavam pelo ar, pedras se desprendiam do teto da caverna, e uma cortina de poeira se erguia, obscurecendo momentaneamente a visão de todos.

Quando a poeira começou a assentar, Harley pôde discernir a magnitude daquilo que se revelava diante de seus olhos atônitos. Um túnel, mais parecido a uma prolongada abertura escura, se estendia até a superfície, conectando o subterrâneo ao mundo acima. 

No final desse túnel, como uma entidade de mitos e lendas, estava um dragão colossal. Sua presença preenchia a passagem com uma majestade imponente. 

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O rugido profundo ecoava pelas paredes do subterrâneo, reverberando como uma ânsia por sangue. Ao implodir aquela ligação entre a superfície e o subsolo, a fera irascível tornou-se o foco da visão de todos.

Suas escamas reluziam com uma mistura de tons dourados e prateados, refletindo a luz que emanava do túnel. As asas abertas criavam uma sombra imponente, e o rugido ensurdecedor do dragão ecoava pela caverna, reverberando como um trovão distante.

O olhar de Harley se fixou no olho flamejante da criatura, uma esfera incandescente que parecia conter o fogo do próprio inferno. As narinas da fera soltavam vapor, e seu hálito quente se espalhava pelo subterrâneo, criando uma atmosfera de mistério e perigo iminente. 

A grandiosidade do animal alado feroz despertou memórias antigas no jovem, que reconheceu a criatura como o mesmo dragão com o qual havia lutado anteriormente. 

A sensação de que aquela criatura estava perseguindo Cedir desde o início da jornada tornou-se mais palpável, adicionando uma camada de tensão ao já complexo cenário diante deles.

O dragão, com um movimento majestoso, começou a descer pelo túnel, suas asas batendo com uma força que deslocava o ar e balançava os cabelos dos presentes. 

A fera alada enquanto descia pelo túnel, em sua imponência, parecia avaliar os três magos com um olhar impregnado de ódio profundo. Seus olhos brilhavam com chamas internas, lançando faíscas que denunciavam uma hostilidade intensa. 

À medida que a criatura se revelava por completo, suas escamas reluziam como armadura, e suas garras afiadas destacavam sua formidabilidade. A atmosfera no subterrâneo tornou-se ainda mais carregada, enquanto o dragão encarava os magos com uma atenção que parecia selar seus destinos, como se o ódio que emanava dele pudesse consumi-los a qualquer momento.

Malachias, mesmo diante do inesperado, mantiveram uma postura firme, enquanto Cedir demonstrou surpresa e, por um momento, desespero em seu semblante. Astrid, por sua vez, exibiu um misto de curiosidade e indiferença, como se já estivesse ciente da possibilidade da chegada desse majestoso ser.

A cena era tão grandiosa que mesmo os magos, que pareciam controlar os fios do destino, observavam com respeito e certo temor diante da magnificência do dragão. O rugido da criatura ecoou novamente, preenchendo o subterrâneo com uma melodia assustadora e sublime.

De maneira totalmente imprevista, o dragão desencadeou um jato de fogo voraz. Ao invés de direcioná-lo aos três magos, como se poderia prever dada a intensidade de seu olhar repleto de ódio, o fogo se projetou em direção ao espaço onde as enigmáticas criaturas estavam imobilizadas pela magia de Malachias.

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O fogo, uma cascata de chamas ardentes, cortou o ar em uma dança furiosa, iluminando as criaturas paralisadas e conferindo uma aurora infernal àquele cenário subterrâneo.

A força do jato de fogo era avassaladora, transformando a atmosfera previamente estática em um caos vibrante e incandescente. As criaturas, antes aprisionadas, foram envolvidas pelas chamas, retorcendo-se em uma coreografia desesperada. 

O calor intenso se misturava ao rugido da criatura alada, criando uma sinfonia de destruição que ecoava pelas paredes escuras do subterrâneo.

O ataque do dragão teve um impacto devastador no artefato de Malachias. Um clarão ofuscante acompanhou a retração do artefato, como se sua essência mágica tivesse sido ferida pela ferocidade do fogo. 

A cena, agora impregnada pelo cheiro de queimado e pela visão do artefato enfraquecido, deixava claro que o equilíbrio do subterrâneo estava sendo reescrito em uma nova narrativa de caos e desafio.

A intrigante hipótese de Harley delineava um cenário em que a energia da magia de paralisia e a fúria incendiária do dragão, ao se encontrarem em um turbilhão de forças antagônicas, se anularam. 

Esse choque de magias, ao invés de levar à incineração das criaturas, resultou em sua libertação. Desprovidas da influência mágica que as paralisava, elas emergiram da penumbra como seres livres, escapando da iminente ameaça das chamas. 

O resultado era uma visão surreal, onde as criaturas misteriosas ressurgiam da escuridão, agora desvinculadas da magia que as aprisionara.

Ainda cercados pelas criaturas, Harley, Isabella e Sergio permaneciam paralisados no espaço intermediário entre o dragão e os três magos. O olhar imponente da criatura alada os fitava com intensidade, como se estivesse decidindo seu próximo movimento. 

O subterrâneo, agora repleto de vida e caos, era o palco de um confronto iminente, e o destino dos três jovens parecia estar pendurado na frágil teia entre a criatura mítica e os mágicos que manipulavam o tempo e o espaço.

Olá, eu sou o Val Ferri Sant. Ana!

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