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Um clarão súbito iluminou o cenário ao redor de Harley, cegando momentaneamente em um momento tão decisivo. O jovem, agora, se esforçava para se ajustar à nova composição perceptiva do local.  

A incerteza pairava no ar como uma névoa densa, e ele segurando os cabos das adagas com mais força não sentia dor e não conseguia ver mais o sangramento ou o corte nem tinha a espada atravessada em seu abdômen. 

Onde estaria Sergio e os perigos. Pelo jeito não foi dessa vez que ele morreu. Estaria sonhando, teria sido, algum efeito mágico? 

Consciente da gravidade da situação, Harley examinou rapidamente o ambiente à sua volta, buscando sinais de seus adversários. Seu olhar, afiado como a lâmina de sua adaga, percorreu o terreno sombrio em busca do dragão colossal, das criaturas outrora paralisadas, dos magos com seus poderes temporais e, sobretudo, de Sergio e Isabella.

Mas o lugar desafiava toda lógica e coerência da realidade que conhecia. As primeiras sensações eram de confusão e desorientação, como se tivesse sido transportado para um reino além da compreensão humana. Um arrepio percorreu sua espinha enquanto tentava entender o que acontecia à sua volta.

O ambiente era estranho, um lugar que não se encaixava nos limites da razão. A adaga negra, inseparável companheira, parecia ter desempenhado um papel crucial em sua jornada, mas como e por quê, Harley não conseguia compreender. 

O mundo ao seu redor era uma amálgama de sombras e contornos, uma escuridão opressiva que dificultava a visão.

Sob os seus pés havia água ou algum líquido fervente que estava na altura da canela, cada passo gerando uma sensação incômoda de fervura. Todos os sentidos pareciam bloqueados e nenhum dos sentidos dava uma orientação ou uma percepção adequada e limpa do ambiente. 

Cada vulto, seja de seres distantes ou de objetos inanimados, era apenas uma sugestão, uma forma indistinta no cenário monótono.

O vento soprava constantemente, carregando pequenos fragmentos que açoitavam o corpo de Harley como agulhas e também em alguns momentos a força derrubava o jovem no líquido. 

Uma balbúrdias de lamentos ecoavam, seja em choros de crianças ou gritos desesperados a distância. Outros ecos de sons irritantes e agressivos para os ouvidos humanos, semelhante à engrenagens emperradas e sem lubrificação, ferro contra ferro e ranhuras em superfícies ásperas também perturbavam a sua mente como escolhas intencionais de sons que mais lhe irritavam. 

Um fedor pútrido impregnava o ar, um odor inconfundível de decomposição que se infiltrava nas narinas de Harley. O lago aos seus pés parecia se estender até onde sua visão alcançava. Essas águas emanavam um calor insuportável, aumentando a temperatura a cada passo dado por ele.

Harley, mesmo com todos os seus sentidos restritos pelo ambiente sombrio e hostil, começou a perceber vagos vultos ao seu redor. A visão era prejudicada, mas ele conseguia distinguir silhuetas difusas, sombras de possíveis seres que se moviam na penumbra. A cada passo, a atmosfera se tornava mais densa.

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Conforme avançava, os vultos tornavam-se mais numerosos, uma multidão inumerável de formas indefinidas que se aglomeravam em sua volta. 

O jovem mal podia discernir entre elas, mas a impressão de uma cerca invisível formada por milhares de vultos individuais começou a se manifestar diante dele, como se estivesse prestes a alcançar um limiar sombrio.

— Harley Ginsu! Surpreendentemente, você chegou bem antes do previsto — uma voz gutural ressoou no ambiente, sem revelar claramente a direção ou o alcance. 

Harley percebeu subitamente que não conseguia falar. Sua boca se movia, mas nenhum som escapava. A voz gutural continuou, agora rindo de maneira zombeteira.

— Você é uma lástima. Um total fracasso. É indigno de entrar no mundo dos mortos diretamente. E você sabe qual foi seu erro que lhe trouxe aqui? Você quer ser algo que você não é. Quando não assumir sua verdadeira essência, você sempre fracassará!

As palavras ressoaram na mente de Harley, lançando uma sombra sobre seu ser. A decepção o envolveu diante das promessas não cumpridas e dos acertos de contas que pareciam inalcançáveis. Uma ira intensa pulsava em seu peito, dirigida a si mesmo por ter sucumbido ao ódio em vez de planejar e agir no momento propício.

Em meio a um redemoinho de pensamentos, as reflexões sobre as palavras da voz gutural se transformaram em uma tormenta emocional. Harley se viu imerso em um turbilhão de questionamentos sobre sua própria identidade e as escolhas que o trouxeram a esse ponto. 

O peso das palavras ecoava, não apenas como uma observação cruel, mas como um confronto com as verdades desconfortáveis que ele tentava evitar.

A voz gutural continuou, penetrando os pensamentos tumultuados de Harley como um punhal afiado:

— Você ainda não tem ideia do que estou falando e nem de quem realmente é. A única coisa boa é essa sua fúria. Você não vai entrar no mundo dos mortos. Este espaço ainda está vazio, com apenas vultos. Esses…

A voz gutural silenciou-se abruptamente. Neste exato instante, milhares de vultos, estendendo-se até onde a visão alcançava, começaram a piscar intermitentemente. A tênue luz presente tornava mais nítida a quantidade absurda de possíveis seres reunidos com o jovem naquele lugar. E então, a voz retomou:

— Deveriam ser todas as suas vítimas, mas sua incompetência lhe trouxe mais cedo do que era esperado. Não aceito isso. Quero meus presentes. Quero meus mortos. Como punição, não vou deixar você entrar no mundo dos mortos. Você viverá aqui, neste limbo, até descobrir quem realmente é.

Harley sentiu uma mistura de perplexidade e desespero. O vazio à sua volta ganhou uma nova intensidade, agora povoado por sombras piscantes que pareciam sussurrar acusações silenciosas. A frustração cresceu dentro dele, agravada pela noção de que suas ações o haviam privado de seu destino.

Os olhos do jovem varreram a paisagem embaçada, tentando compreender o que significava estar aprisionado neste limbo. 

A voz gutural ressoava em sua mente, suas palavras acusadoras ecoavam como um implacável lembrete de sua própria inadequação. Harley se debatia com a incerteza, questionando se, em algum momento futuro, poderia se transformar em uma entidade temida, um suposto “Deus da Morte” ou Ceifador de Almas. 

No entanto, suas reflexões o conduziam a uma conclusão desconcertante: se sua fúria dirigida a Sergio representava uma resposta adequada, então esses títulos pareciam destituídos de sentido, apesar dos inúmeros vultos ao seu redor, talvez simbolizando a potencial quantidade de sangue que, se permanecesse vivo, poderia derramar.

Ele sentiu o líquido quente escorrendo por suas pernas, uma sensação desconcertante que o fez refletir sobre a natureza dos vultos ao seu redor. Uma inquietante percepção tomou conta de sua mente, sugerindo que essas sombras poderiam representar futuros mortos, indivíduos cujas vidas estavam de alguma forma ligadas à sua própria existência. 

O calor do líquido parecia simbolizar todo o sangue que ele, Harley, poderia derramar se não tivesse tomado o rumo que o trouxera para esse enigmático lugar. Essa epifania trouxe consigo um peso emocional, uma reflexão sobre o que poderia ter sido, e agora, uma urgência em desvendar o propósito de sua presença nesse limbo entre a vida e a morte.

Ainda sentindo o líquido quente respingando em suas pernas a cada movimento, ele se viu envolto em um redemoinho de pensamentos. A imersão naquele fluido aparentemente interminável amplificava a sensação de perplexidade que o envolvia. 

Por que não lhe foi concedido o acesso ao mundo dos mortos? A incerteza pairava, coexistindo com uma pontada sutil de esperança. Seria concebível que ainda existisse uma chance de retornar à vida, uma senda que escapara à sua compreensão?

As palavras de insatisfação da voz gutural ecoavam em sua mente, revelando-se como uma espécie de acusação. Aquela lamentação sugeria que ele, de alguma forma, poderia ser um instrumento, uma entidade ligada à morte que não cumprira seus deveres. 

A ideia reverberava como um eco sombrio em sua consciência, deixando Harley com a inquietante suspeita de que sua presença nesse limbo estava associada a uma falha, a uma negligência de suas responsabilidades além do véu da vida.

Num esforço para desvendar esse enigma, o jovem contemplou os vultos ao seu redor, questionando se cada uma dessas sombras representava um destino que ele deveria ter conduzido ao mundo dos mortos. 

A angústia se misturava com a determinação enquanto ele buscava entender o significado por trás das palavras da voz gutural e as implicações de sua presença neste reino misterioso. 

A frustração se mesclava com uma busca interior, uma tentativa de encontrar o verdadeiro propósito de sua existência nesse domínio enigmático. Se o ódio não era a resposta, então o que seria? Inteligência? Prudência? Cautela? Vigilância? A mente de Harley buscava respostas em meio à névoa de incertezas.

Num lampejo de insight, a ideia de ser um viajante entre mundos começou a se formar. A percepção de que talvez a morte não fosse um fim absoluto, mas sim um mundo a ser explorado, se insinuava em seus pensamentos. 

Harley ponderou sobre a possibilidade de transcender os limites da morte, de explorar novos horizontes mesmo quando o último suspiro parecia iminente.

Contudo, a esperança se desvanecia à medida que ele tentava canalizar sua vontade para ativar a Adaga Negra. Movimentos inúteis apenas a deixavam inerte, sem vida, como se a própria arma compartilhasse da desolação do lugar. 

A frustração aumentava, mas então, em um lampejo de memória, ele recordou de suas habilidades ao abrir portais com a ajuda de outro artefato.

A Adaga Branca, que ele tinha adquirido de Cedir, permanecia ao seu lado. A ideia de combinar o poder das duas adagas surgiu em sua mente. Se a colisão de artefatos lhe permitira abrir portais antes, seria possível que o choque entre a Adaga Negra e a Adaga Branca criasse um portal para escapar desse limbo.

A esperança reacendeu em Harley. Determinado, ele firmou o punho em ambas as adagas. Com um gesto calculado, aproximou-as uma da outra, captando a energia pulsante que emanava destes artefatos. 

Uma faísca de antecipação brilhou em seus olhos, enquanto ele se preparava para o choque iminente. Poderia este ato desafiador ser a chave para sua fuga, uma passagem para além da própria morte? 

A possibilidade emergia diante dele, delineando a perspectiva de tornar-se verdadeiramente um “Rei das fugas” ou um “Mestre das evasões”. Talvez esse fosse realmente o seu destino. 

Olá, eu sou o Val Ferri Sant. Ana!

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