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Na escuridão, os jovens tentavam assimilar a sequência de eventos que acabara de ocorrer. Nosso herói, sentado na beira da cama, ergueu sua mão até a altura do ombro e estalou os dedos, criando uma chama que, diferente da antiga, que era fraca e esfumaçada, tinha um tom amarelo intenso. Kraus, admirado com o fogo, pegou a lenha que estava no chão perto da porta e a colocou na lareira.

Lukky se aproximou e a acendeu, tornando o ambiente mais aconchegante e iluminado. Era uma demonstração modesta de poder, mas suficiente para acalmar os nervos e criar uma atmosfera mais amigável. Aproximando-se da lareira, todos pegaram uma cadeira e os livros, preparando-se para uma conversa animada.

— Isso é diferente… Como eu fiz isso? — Lukky rompeu o silêncio enquanto folheava as primeiras páginas do Grimório — é como se alguém tivesse me ensinado.

Seus amigos se olharam com uma mistura de curiosidade e preocupação.

— Não se preocupe, o que importa é que você está vivo, apesar de ter me sujado todo de sangue, seu idiota — brincava dando um tapinha no ombro do garoto.

— Não seja tão rude, Kraus! Ele quase morreu e você só pensa nisso? — a garota repreendeu, sendo a mais sensata do grupo.

O garoto fechou o Grimório com cuidado e o colocou sobre a mesa. Olhou para os seus amigos com uma expressão de espanto e gratidão.

— Obrigado por estarem comigo, não sei o que teria acontecido se vocês não estivessem aqui.

— Não precisa agradecer, nós somos amigos, e amigos se ajudam — disse a garota, sorrindo

— Mas o que foi aquilo? Como você conseguiu acordar? Sophia disse estar tudo perdido!

— Eu não sei, só me lembro de estar em um lugar escuro e ouvir uma voz, que talvez tenha me ajudado.

— Que voz era essa? Será o dono do Grimório ou algum espírito antigo? — perguntava curiosa

— Não… Eu tenho certeza que não era nada disso, era como se fosse a minha própria voz, mas diferente, mais sábia, mais confiante. Isso não faz sentido, eu não entendo…

O clima antes aquecido pelas chamas da lareira, parecia esfriar com o pequeno diálogo.

— Bom, pelo menos você chegou no segundo estágio! E você Sophia? Qual seu estágio?

— Ah? Eu estou no segundo estágio, ‘Anel Estelar’ de três estrelas, apenas duas estrela a mais que Lukky — manipulava mana em sua mão como demonstração.

— Então eu sou o único que está no primeiro estágio? Me ensine a evoluir! Não aceito ser o mais fraco! — exclamou indignado, levantando-se da cadeira e apontando para o amigo.

O outro garoto agora animado, levantou juntamente, encarando-o com um olhar de desafio. Orgulhoso de ter alcançado o segundo estágio, mas sem querer se gabar.

— Diria que agora você está muito mais fraco, boa sorte tentando me superar! — retrucou, em tom de provocação, batendo na mão apontada de Kraus.

Os dois se encararam por alguns segundos, até que caíram na gargalhada. Eram amigos, mas também rivais que se respeitavam.

O clima tenso se dissipou na risada dos amigos. A lareira crepitava, e a luz projetava sombras dançantes nas paredes, como se o ambiente, assim como eles, estivesse se recuperando de uma intensa tempestade.

— Bem, agora que a crise passou, acho que é hora de pensarmos no que fazer a seguir — sugeriu a garota, mudando o tom da conversa.

Os dois se sentaram novamente, agora mais relaxados.

— Concordo. Lukky, a sua lnova habilidade… essa Ignição ou o que quer que seja, precisa ser explorada com cuidado — alertou, com um olhar sério.

— Eu sei, eu sei. Não vou sair por aí soltando fogo por todos os lados. Mas é incrível, talvez eu vicie nesse sentimento de queimar — explicou intrigado com si mesmo

— E quanto a você, Sophia? Quais as capacidades do seu ‘Anel Estelar’ de duas estrelas?

A garota corou por um momento com o seu feito reconhecido.

— Não é tão impressionante assim… Eu só consigo lançar um feitiço médio por dia, e isso me deixa sem mana. Mas a diferença entre uma e duas estrelas é enorme, eu posso sentir a mana ao meu redor e absorvê-la muito mais facilmente.

Ambos ficaram mais interessados. Parecia que cada estrela trazia consigo não apenas um aumento de poder, mas também novas perspectivas sobre a magia.

— Eu acho que você já tem condições de ir para o próximo estágio. O mais importante é ter uma base sólida junto a um corpo resistência. Eu posso te ensinar a evoluir com a minha experiência ou você mesmo pode ler o livro — a garota mostrou o livro de ‘Conceitos Mágicos’, fazendo uma proposta tentadora.

Kraus coçou a cabeça, parecendo um pouco desconfortável.

— Bem, eu… acho que depois dessa experiência alheia vou querer estudar bastante antes de arriscar…

Sophia, notando a hesitação de Kraus, sorriu compreensiva.

— Tudo bem, vamos resolver todos esses problemas é depois vemos o que fazer

Ambos assentiram, demonstrando apoio à decisão do amigo.

— Com certeza. A magia é algo incrível, mas é importante abraçá-la no seu próprio ritmo. Agora, sobre o que fazer a seguir…

Antes que pudessem continuar a falar, um som estranho ecoou do lado de fora da cabana. Era como se algo estivesse se movendo rapidamente entre as árvores.

— O que foi isso? — a garota sussurrou assustada.

Lukky se levantou olhando para a porta semiaberta.

— Não sei, mas parece que não estamos sozinhos aqui. Talvez seja melhor darmos uma olhada lá fora…

— Você está MALUCO? Nunca viu uma história de terror? Nós não vamos sair daqui NEM A PAU! — Kraus protestou, segurando o braço de seu amigo.

— Relaxa, cara, deve ser só um esquilo ou coisa assim — Lukky franziu a testa se soltando.

A menina, que estava focada na porta, viu algo escuro se infiltrar na cabana.

— Gente! Eu acho que um esquilo NÃO solta uma aura assim! — gritou, largando o livro no chão.

Todos olharam para a porta de madeira, que começou a ranger sob a pressão de uma aura escura. Sentido um calafrio na espinha junto a uma onda de ansiedade.

Sem pensar duas vezes, olharam para toda a cabana com os olhos arregalados a procura de um esconderijo, sendo a melhor opção embaixo da cama suja e empoeirada.

— RÁPIDO! Para baixo da cama! — empurrava seus colegas tentando adiantar o processo.

A aura continuou a adentrar pela cabana mudando a atmosfera. Sem opções, entraram embaixo da cama tentando se esconder.

— Lukky! Isso não vai dar cer- — garota sussurrava em plena tensão.

— Shhh… Ele está entrando… — tampava a boca da garota

Debaixo da cama, os amigos seguravam a respiração enquanto a aura escura envolvia a cabana. O miasma negro tornou-se mais denso, criando uma atmosfera sufocante e arrepiante. Ambos trocaram olhares nervosos, compartilhando a incerteza do que estava prestes a acontecer.

O som da porta rangendo sob a pressão da aura ecoava como um presságio sombrio. De repente, uma sombra escura se movia pela sala, deslizando entre as mesas e cadeiras.

Lukky pressionava a mão contra a boca de Sophia, tentando conter qualquer som que pudesse traí-los. O trio permanecia imóvel, observando a figura obscura que parecia procurar algo na cabana.

O miasma negro, agora mais próximo, revelava contornos sinistros, e uma respiração esquisita tornava-se mais audível. A sensação de medo era palpável, mas o grupo mantinha-se firme em seu esconderijo improvisado.

De repente, a sombra estacionou perto da cama onde os amigos se abrigavam. O coração deles acelerou, temendo serem descobertos. O silêncio na cabana era quebrado apenas pelo ruído sutil da respiração perturbadora.

Os segundos se arrastaram como horas, até que a figura sombria recuou e começou a se mover em direção à porta. A aura escura parecia diminuir, mas a sensação de inquietação persistia.

Após um tempo que pareceu uma eternidade, o som da porta rangeu novamente, indicando que a ameaça se afastava. O miasma negro começou a se dissipar lentamente, devolvendo um pouco de alívio ao ambiente.

Lukky, Kraus e Sophia trocaram olhares, ainda cautelosos. Permaneceram em silêncio sob a cama, processando o que acabara de acontecer. A lareira, agora apagada, deixava a cabana em uma penumbra inquietante.

Olá, eu sou o R-Lkz!

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