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Mais uma vez, os dois garotos se encontravam aprisionados em uma pequena sala, que mais se assemelhava a uma masmorra em ruínas. O ambiente era impregnado por um odor de mofo e ferrugem, enquanto as correntes enferrujadas pendiam das paredes, mostrando sua fragilidade.

— estar chegando a hora de colocar nosso plano em ação — sussurrava com sua voz um tanto atordoada pelos eventos anteriores.

— Mas você tem forças para isso?

— Vamos tentar logo, idiota.

O plano era simples: durante os dias de confinamento, Kraus exercitava constantemente sua força, testando as correntes que o mantinham preso. Eram correntes antigas e enferrujadas, que pareciam não estar firmemente fixas na parede.

É então ele puxou novamente com força, e as travas que prendiam as correntes soltaram-se, umas após as outras. Em seguida, ajudou seu amigo a fazer o mesmo. Ambos possuíam uma força acima da média, o que facilitou a tarefa.

— Vamos, mano, faça força! — incentivava, enquanto ajudava o amigo.

— Estou tentando, mas é difícil! — respondia esforçando-se ao máximo.

Após remover uma das travas, a outra foi retirada com facilidade. Agora eles podiam andar livremente, pelo menos por enquanto.

— E agora, o que fazemos?

— grande parte de nossa capacidade mágica foi limitada — explicou enquanto fechava é abria a mão. — No entanto, eu possuo a benção ‘Toque do Geômita’, que me permite manipular alguns minérios comuns, como pedras.

— Infelizmente, não consigo manipular o ferro das algemas porque é algo mágico e estou muito fraco.

— Mas as rochas das paredes são velhas e não têm nada de especial…

Kraus pegou algumas pedras do local, sentindo a textura áspera em suas mãos, e começou a moldá-las em formato de chave.

— Tãn Dann! — exclamou, exibindo suas habilidades recém-descobertas.

Com destreza, destrancou a porta da sala. A liberdade estava mais próxima do que eles esperavam, ou pelo menos era o que eles pensavam.

— Pelas minhas observações, Rick sempre segue para a esquerda, então vamos tomar o caminho oposto…

Ambos olharam em seus olhos é acenaram com a cabeça, começando a caminhar sobre aquele corredor mal iluminando é cheio de celas.

Apesar de estarem exaustos e com a fome os corroendo há dias, não desistiram. Cada passo era uma luta contra a fraqueza que os dominava, mas a chama da esperança ainda ardia em seus corações.

Em uma breve pausa para recuperar o fôlego, Lukky interrompeu o ritmo frenético de Kraus.

— Espere! Eu tenho uma amiga que pode estar presa aqui também! — exclamou, conectando mentalmente os pontos da situação. Sua voz carregava uma mistura de preocupação e determinação.

Seu colega arqueou uma sobrancelha, expressando dúvida. — Como assim? Ela é uma plebeia como nós?

Em resposta balançou a cabeça rapidamente. — Não, na verdade, ela é burguesa, mas estou com um mau pressentimento. Acredito que Rick a tenha trazido para cá também — explicou, sentindo um aperto no coração diante do temor do que poderia ter acontecido com sua amiga.

Kraus deixou escapar um sorriso bobo, seu lado brincalhão tomando conta do momento. — Ah? Entendi… Ela é sua namorada, é isso?

O jovem sentiu suas bochechas queimarem em um tom avermelhado. — N-Não! Pare com isso! A situação é séria! — gaguejou, desviando o olhar momentaneamente.

Seu colega riu baixinho, mas logo voltou a se concentrar. — Certo, mas há tantas salas aqui. Como vamos encontrá-la no meio desse labirinto?

Lukky ponderou por um momento antes de responder. — Tenho uma suposição. Essa masmorra parece ter vários andares, e se você observar, notará que o caminho que percorremos é um pouco inclinado — compartilhou sua teoria, sentindo-se esperançoso.

— Acredito que, se continuarmos avançando dessa forma e verificarmos cada sala pelo caminho, mesmo correndo, podemos encontrá-la. Ela tem cabelos ruivos, o que a torna bastante distinta. Não vi ninguém parecido com ela durante os testes — acrescentou, fazendo uma análise criteriosa.

— É possível que, por não ser uma nobre de fato, ela esteja em algum lugar acima. Vamos procurá-la — concluiu confiante em sua teoria.

Kraus, embora não estivesse completamente convencido, decidiu confiar em seu amigo e seguir o plano proposto.

À medida que adentravam cada sala, testemunharam um cenário cada vez mais cruel e perturbador. Crianças aparentemente sedadas encontravam-se enclausuradas, e a visão desse sofrimento causava uma profunda indignação.

Ambos seguiram em linha reta, determinados a continuar sua busca, enquanto a masmorra apresentava sinais de melhor conservação. Conforme avançavam, os caminhos começaram a se dividir, mas eles se mantiveram firmes, confiantes de que estavam no caminho certo.

De repente, os garotos notaram a presença de dois guardas que se aproximavam de uma cela. Os guardas usavam máscaras e armaduras enferrujadas, um magro e outro gordo.

Os dois guardas murmuravam entre si enquanto se aproximavam, os jovens conseguiram captar parte da conversa.

— O chefe não vai permitir que brinquemos com essas crianças, né? — disse o guarda gordo.

— Shhh! Ele não precisa ficar sabendo. Aquela ruiva chamou minha atenção, ela nem está completamente consciente. Vamos lá e ninguém vai descobrir… — respondeu o guarda magro, com um tom duvidoso.

As palavras dos guardas despertaram uma intensa raiva em Lukky ao lembrar de Sophia. Por um momento, ele esteve prestes a atacá-los, mas seu amigo o acalmou sussurrando: — Se acalme, cara. Vamos segui-los. Se a garota for realmente sua amiga, nós os eliminamos e a libertamos…

Recuperando a compostura, começaram a seguir os guardas furtivamente, mantendo-se nas sombras.

Ao chegarem a uma sala diferente das outras, avistaram uma garota com os cabelos bagunçados cobrindo seu rosto. Ela parecia estar desacordada, com a cabeça baixa.

Os dois guardas se aproximaram e disseram: — Hehehe, ela está ali parada. Vamos nos divertir hoje…

Eles abriram a cela e entraram, confiantes em seu plano. No entanto, os dois garotos ainda com as correntes em seus pulsos, agiram rapidamente e enforcaram os guardas.

Os guardas não tiveram a chance de emitir um único som. Ambos agiram com uma eficiência surpreendente, como se fossem profissionais nessa arte.

Após deixarem os guardas inconscientes, a criança se aproximou da garota, afastou os cabelos bagunçados de seu rosto e perguntou desesperado: — Sophia, você está bem? Sou eu, Lukky!

Seus olhos vazios davam a sensação de que ela estava presa em uma ilusão, assim como estiveram antes.

Kraus olhou preocupado para Sophia e afirmou: — Vamos ter que carregá-la enquanto o efeito da droga não passa. Acredito que ela não vai acordar até lá.

Lukky cerrou os punhos, cheio de ódio, e afirmou determinado: — Eu vou matar aquele maldito…

A atmosfera na sala ficou tensa, enquanto se preparavam para enfrentar o desafio final e resgatar Sophia das garras de seu opressor.

Ao remover as travas das paredes, Kraus se preparou para fugir, consciente de que o tempo era crucial.

— Não temos tempo para ódio agora. Vamos, carregue-a, e vamos correr.

Lukky concordou e colocou Sophia em suas costas. Juntos, eles seguiram pelos corredores, evitando os guardas que apareciam em seu caminho.

Finalmente, chegaram a uma pequena porta que os levou a uma imensa caverna, iluminada pela luz da lua. Uma sensação de alívio veio a tona por conseguirem escapar daquele inferno.

— Conseguimos! Nós saímos desse pesadelo! — Lukky comemorou, sentindo um misto de alívio e felicidade.

O outro jovem, porém permanecia cauteloso. Logo alertando: — Tenha calma, precisamos nos afastar o máximo possível. Quando descobrirem que escapamos, irão nos perseguir.

Subitamente, o mesmo começou a sentir uma dor intensa em sua mente.

— Grrh! O que está acontecendo? Que memórias são essas? — gritou, angustiado com a dor que o assolava.

— O que está acontecendo, mano? Está tudo bem?

— Lukky! Temos que correr! Eles estão vindo para cá! Rápido, corra! — sua face ficava em pânico, sentindo que algo terrível estava prestes a acontecer.

Apavorado, não questionou e foi para um arbusto. Se moveram silenciosamente, tentando não fazer barulho.

O silêncio absoluto envolvia-os enquanto continuava a se arrastar lentamente. Apenas o som dos grilos cortava o ar da noite.

Eles continuaram assim por cerca de meia hora, até que Kraus parou e sussurrou: — Acredito que estamos seguros agora.

— Vou te contar algo que nunca revelei a ninguém. Tenho uma bênção que me permite ver o futuro. Não tenho controle sobre ela, mas ocorre de vez em quando.

— Vamos descansar aqui agora. Amanhã de manhã, veremos o que podemos fazer — propôs consciente de que precisavam recuperar as forças.

— Incrível! Você tem bênçãos realmente úteis — comentou intrigado com a revelação.

— Hum? E algo simples, nada a se gabar…

Após conversarem mais um pouco, eles se deitaram entre os arbustos, rodeados por uma densa floresta, e, junto com Sophia, adormeceram.

[Continua…]

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