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Naquela noite enigmática, uma sombra sorrateira saltava ágil e silenciosamente de telhado em telhado, desviando-se habilmente das tochas dos guardas e dos olhares curiosos. Escolhi cuidadosamente seguir pela ampla avenida principal, para evitar me perder nas sinuosas vielas.

Guiado por uma intuição misteriosa, tracei meu percurso ao que sei ser o Norte. Corro freneticamente, impulsionado pela pulsação acelerada da adrenalina, sentindo o vento gélido cortar meu rosto.

O plano ‘perfeito’ de me refugiar na taverna foi frustrado. O local estava abarrotado de guardas, aparentemente, é o ponto escolhido por eles para momentos de descontração. Mas onde estou, afinal?

 Ao desviar o olhar da aglomeração da milícia, deparei-me com um casarão imponente erguendo-se majestosamente à minha esquerda. Parece tratar-se da residência de alguém importante da cidade, provavelmente um lugar a ser evitado. 

Decidi seguir adiante e ultrapassar os limites dos muros, no entanto, ao contemplar a muralha diante de mim, percebi sua grandiosidade assustadora. Ergue-se imponente, como uma barreira intransponível, feita de pedra maciça e adornada por torres de vigia. Aquela fortificação histórica impõe respeito e dá a sensação de estar aprisionado-me dentro de seus limites.

Cautelosamente, avistei o portão central da muralha à distância… Determinado, dirigi-me em direção à  parede, sentindo a brisa suave acariciar meu rosto enquanto camuflava meus passos nas sombras generosas das chaminés. 

A atmosfera estava impregnada com o odor suave da garôa que caía, intensificando minha sensação de expectativa e antecipação. Cada passo era carregado com a excitação de descobrir o que estava prestes a encontrar.

Pulei em direção ao chão, e, enquanto me aproximava cautelosamente da infindável muralha, meus sentidos aguçados captavam cada detalhe ao redor.

A luz de tochas infiltravam-se pelas frestas irregulares da parede, projetando sombras dançantes que revelavam sinais de desgaste e envelhecimento. A textura áspera da superfície trazia à tona uma história oculta, como se cada rachadura e descamação narrasse os eventos passados.

Um turbilhão de emoções tomou conta de mim quando percebi que ali, naquela parede aparentemente comum, havia algo além do que se podia ver. Um caminho oculto!

Minha busca meticulosa exigiu paciência e concentração. Com os olhos atentos, explorei cada centímetro da parede, examinando as fissuras, os desgastes e os vestígios quase imperceptíveis.

Então, finalmente aconteceu. Meus olhos, ávidos por uma saída, encontraram o que tanto almejava. Lá estava ela, uma porta escondida no recôndito daquele ambiente. 

Uma onda avassaladora de triunfo e alegria percorreu todo o meu ser, irradiando-se desde o peito até as pontas dos dedos. Um sorriso de satisfação iluminou meu rosto, revelando a sensação de alívio diante daquilo que poderia ser minha salvação.

Respirei profundamente buscando manter a calma, que era essencial naquele momento crucial. Avanço sorrateiramente em direção à porta, movendo-me com cautela para não despertar qualquer tipo de atenção. 

Segurava o molho de chaves com extremo cuidado em minhas mãos, mas para minha frustração, havia uma quantidade considerável delas. A cada segundo que passava, a pressão aumentava, pois sabia que não podia perder tempo demais, correndo o risco iminente de ser descoberto.

Mais de trinta chaves se destacavam diante de mim, e eu me perguntava, com uma pontada de inquietação, se seria capaz de encontrar a certa em meio a essa variedade. Cada tentativa mal-sucedida alimentava a ansiedade que começava a se instalar, enquanto eu lutava para manter a concentração.

Observando minuciosamente cada chave, uma a uma, eu me via imerso em um jogo de probabilidades. Não era a primeira que experimentava, tampouco a segunda. A angústia silenciosa aumentava, e eu sentia a urgência de encontrar a chave correta se tornando aparente.

A cada tentativa frustrada, minha mente oscilava entre a esperança e o temor da chave nem estar no molho. O suor frio começava a se formar na minha testa, revelando o esforço mental e a tensão que envolviam cada movimento que fazia.

Encontrar a chave certa significava uma chance, enquanto o fracasso poderia representar um beco sem saída. Com a mente focada e o coração palpitante, eu continuava a minha busca, disposto a enfrentar quantas chaves fossem necessárias. Pois, no final das contas, sabia que não possuía outras opções.

— Ei, você aí, pare! — ouvi alguém gritar logo atrás de mim

Sério? Logo agora?! A sexta chave, nada. Talvez a sétima funcione… Deu certo!” Atravessei a porta apressadamente e a fechei imediatamente atrás de mim. 

— Fugitivo nas Muralhas! — o guarda gritava

No entanto, a situação de repente se tornou mais imprevisível. Um alerta silencioso ecoou em minha mente quando percebi  alguém se aproximando.

Nesse momento me dei conta da existência de uma escada, um caminho distinto se revelava diante dos meus olhos. Desesperadamente comecei a subi-la enquanto ouvia passos dos andares inferiores.

“Só é possível correr para cá agora.”

De qualquer modo não havia tempo a perder, pois a situação se complicava a cada momento. Enquanto subia os degraus, a exaustão começava a tomar conta de meu corpo, mas precisava continuar.

De repente me vi em frente a um alçapão. Meus olhos se fixaram nas fendas que o cercavam, ansiosos por descobrir o que estava além. E por entre as frestas consegui enxergar a silhueta de mais um soldado. 

  Preparei-me para o próximo passo, consciente de que a abertura daquele alçapão poderia fomentar mais o caos, no entanto, a ânsia por respostas alimentou minha determinação em descobrir a verdade nisso tudo.

“Devo atacá-lo? Matá-lo?”

Maldição, como posso sequer cogitar algo tão terrível? A batalha interna entre a sobrevivência e a moralidade me consome. O peso da responsabilidade recai sobre meus ombros, forçando-me a encarar as consequências de minhas escolhas.

A ideia de tirar uma vida, mesmo diante do perigo iminente, parece distorcida e abominável. Minha humanidade clama por uma solução que não envolva a brutalidade.

Um sentimento de revolta surge, alimentado pelas circunstâncias adversas que me trouxeram a esse ponto. Assim como esse homem, eu não possuía culpa de estar naquela situação!

Porém, mesmo assim, me parece doentia a ideia de atacar inescrupulosamente outra pessoa. Agora, mais do que nunca, é necessário agir com perspicácia, aproveitando qualquer oportunidade que se apresente. 

Cabe a mim encontrar uma maneira de contornar essa situação desafiadora, sem comprometer meus valores e sem sucumbir à escuridão que espreita nas profundezas de minha alma. Somente um pensamento me ocorre: “cara… que ideia incrível”.


Sim Mir, esse é o começo da minha história. É intrigante imaginar, como uma pessoa assim acabou por se tornar a própria personificação do Assassinato?! Bom, a história é longa, é melhor anotar.


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Olá, eu sou o Ricardo Augusto!

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