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Mir, isso vai custar caro. Você me fez perder tanto tempo que agora tudo se prolongou além do previsto. Agora que me enrolei ainda mais, teremos que revisar e alterar toda a numeração dos capítulos. Todo o nosso planejamento anterior precisa ser ajustado. Isso é um caos absoluto!

Abri os olhos abruptamente, e uma onda de pânico me invadiu. Eu estava… no meu quarto? Como isso era possível? A última lembrança clara que tinha era de estar no carro – e depois aquele sonho. Agora, inexplicavelmente, encontrava-me aqui.

“Quem me trouxe ao meu quarto?” Pensei em voz alta, o sussurro ecoando nas paredes com desespero e incredulidade. Meu coração batia freneticamente, cada pulsação uma martelada contra o peito.

E agora, o que irá acontecer? Será que tudo havia sido apenas um sonho? A possibilidade me assombrava, mas algo dentro de mim rejeitava essa ideia com veemência. Não, aquilo não poderia ter sido uma obra de minha imaginação. Tudo fora excessivamente vívido. Os detalhes gravados na minha mente com uma nitidez assustadora.

Mas a verdadeira prova, a evidência irrefutável que me forçava a encarar a realidade, era o anel. Aquele maldito anel, que eu havia escolhido no meio daquele turbilhão surreal, agora adornava meu dedo. “Talvez seja uma boa oportunidade de aproveitar a companhia da minha família agora, enquanto posso.” os pensamentos embargados pela intensidade das emoções.

O peso da incerteza pesava sobre meus ombros como uma capa escura, sufocante.

Não sabia quanto tempo essa paz duraria, mas sentia, no fundo do meu ser, que o relógio do destino já começava a contar. Era a calmaria antes da tempestade, uma trégua fugaz em meio ao caos que inevitavelmente voltaria a envolver minha vida.

Com um suspiro profundo, resolvi absorver cada momento, cada sorriso e cada abraço, guardando essas memórias como um escudo contra as sombras que sabia estarem à espreita.

Eu me entreguei aos momentos com minha família como se cada risada e cada conversa fossem as últimas. No fundo, uma parte de mim compreendia que aquele refúgio temporário era frágil, que a realidade daquele quarto escuro me esperava como um destino inevitável.

Mesmo que tentasse resistir ao sono, sabia que seria inútil. Os remédios prescritos que eu precisava tomar eram potentes demais, desenhados para me arrastar para as profundezas do esquecimento, independentemente da minha vontade.

“Será que estou louco?” Essa pergunta ecoava em minha mente, enquanto a memória de já ter sido internado em um hospital psiquiátrico adicionava camadas de dúvida sobre minha própria sanidade.

“Estaria eu, simplesmente, imaginando tudo isso?” A possibilidade me assombrava, envolvendo meu coração com garras geladas de incerteza.

Com esses pensamentos torturantes me assediando, entreguei-me ao sono. Cada batida do meu coração era um lembrete sombrio da linha tênue entre a realidade e a ilusão. O mundo ao meu redor desvaneceu lentamente, e eu mergulhei na escuridão, temendo o que encontraria ao despertar.

Como previsto, aquela noite me arrastou de volta àquele quarto bizarro, uma divisão perfeita entre ordem e caos. A metade impecável reluzia sob uma luz fantasmagórica, enquanto a outra se afundava em um torvelinho de desordem. ‘Maldito seja quem manipula esses fios…’, murmurei, minha voz carregada de um rancor glacial.

De repente, uma voz familiar cortou o silêncio, arrepiando a pele na minha nuca.

— Pacifista, você está por aqui? — ecoou com uma suavidade insidiosa.

Reconheci imediatamente aquele timbre, a maldita voz que havia me lançado nesta espiral infernal, a mesma que ressoava do reflexo naquele espelho quebrado — o arauto do meu tormento. Minha respiração se tornou pesada, e os punhos cerraram-se ao lado do corpo.

“Então é você novamente…” pensei, sentindo cada palavra como uma lâmina afiada pronta para ser desferida.

Ele me chamou por uma razão aparentemente simples: eu havia completado o tutorial. No entanto, a simplicidade daquela revelação mascarava as camadas de complexidade e perigo que ainda estavam por se desdobrar diante de mim.

— E agora, para seu verdadeiro teste… — Sua voz ressoou com uma calma que beirava o sinistro. Uma dungeon… Foi assim que ele descreveu o próximo estágio. O nível 1, por assim dizer.

Ele insistiu que eu precisava de experiência em combate real antes que o verdadeiro embate começasse.

— Você terá ajuda para limpar o local — continuou ele, deixando as palavras suspensas no ar com uma ambiguidade torturante. Não especificou o que ou quem seria minha ajuda. A omissão deliberada semeou uma mistura de antecipação e ansiedade em meu coração. Quem me acompanharia?

— Quando estiver pronto, é só atravessar a porta — sua voz ecoava, impregnada de uma promessa obscura.

Com um suspiro resoluto, caminhei em direção à porta. Cada passo ressoava com a mesma sensação fria e sinistra que havia me marcado na última vez. Hesitei apenas por um instante antes de empurrar a porta, cruzando o limiar que separava o conhecido do desconhecido.

Assim que passei, a escuridão me engoliu. Era um véu denso que parecia vivo, pulsando ao meu redor. Meu estômago revirou enquanto o mundo ao meu redor girava vertiginosamente. Se essa era a sensação de se teleportar, era uma experiência que eu preferiria evitar no futuro.

Quando finalmente a vertigem se dissipou e meus sentidos se estabilizaram, encontrei-me em um novo ambiente. Era uma caverna vasta e ecoante, o tipo de cenário que eu tinha visto inúmeras vezes em jogos e filmes. Que cliché.

Decidido, agachei-me, mantendo meu corpo o mais próximo possível das frias paredes de pedra. Procurei me fundir às sombras que me rodeavam. O toque áspero das rochas me lembrava que cada movimento deveria ser calculado e cada passo, um estudo em discrição.

Optei por seguir o único caminho disponível: uma trilha que se estendia à frente, serpenteando entre as formações naturais da caverna. Atrás de mim, um muro impenetrável de escuridão impossibilitava qualquer pensamento de retorno. Era como se as sombras formassem uma barreira sólida, engolindo qualquer vestígio do caminho pelo qual eu havia chegado.

À frente, um ponto de luz bruxuleante prometia algo além da opressiva escuridão. “É, vamos para frente,” pensei comigo mesmo, tomando o frágil brilho como um farol em um mar de trevas.

Percebi duas silhuetas se movendo à distância. A princípio, ambas pareciam ter o tamanho de uma pessoa, cerca de um metro e setenta.

“São monstros?” pensei, apreensivo. A luz fraca dificultava a visão, mas conforme me aproximava furtivamente, as formas começaram a ganhar os contornos de seres humanos.

“Mas quem diabos estaria aqui?” A dúvida me corroía, uma sombra insistente que se aninhava em minha mente, alimentando-se do medo e da incerteza. Senti um frio na espinha, como se a própria caverna conspirasse contra mim. “Seriam esses a ajuda prometida? Ou talvez, de forma mais sinistra, as criaturas que eu teria que eliminar para limpar a dungeon?”

Meus pensamentos se emaranhavam em um turbilhão de emoções conflitantes. Uma parte de mim ansiava por companhia, por qualquer sinal de que não estava sozinho naquela vastidão opressiva. No entanto, outra parte, mais sombria e realista, sussurrava que eu devia estar preparado para enfrentar algo terrível. A perspectiva de ter que lutar por minha vida me enchia de uma antecipação nervosa, um sentimento que oscilava entre o medo paralisante e uma estranha excitação.

Movendo-me ainda mais furtivamente, aproximei-me, mas os desgraçados tinham uma audição excepcional. Maldito!

Eles se viraram num movimento rápido e algo voou em minha direção. Senti o ar sendo cortado perto da minha cabeça e ouvi o impacto surdo de algo atingindo a parede atrás de mim, deixando um buraco. “Magia?!” O susto me fez perder o fôlego por um instante.

— Está tentando me matar? Corno? — gritei, mais por reação do que por raiva, enquanto subitamente reconhecia as pessoas que estavam em pé diante de mim.

— Belchior…!? — A voz de Wian soou surpresa e confusa, quase tão chocada quanto eu. Ao lado dele, Thoran também se virou, seu olhar igualmente surpreso.


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