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1

A visão diante de Ayasaka era um verdadeiro pesadelo. Gritos desesperados ecoavam, preenchendo o ar com uma cacofonia de medo e agonia, enquanto o vilarejo ardia em chamas, uma representação do próprio inferno na Terra. O crepúsculo tingia o céu de tons alaranjados, que se misturavam com o vermelho intenso das chamas, criando uma paisagem apocalíptica. Para a jovem colegial, era como se um véu entre o mundo dos sonhos e a realidade tivesse sido erguido, mergulhando-a em uma realidade aterradora.

As casas, outrora prósperas e habitadas, agora tremeluziam e se contorciam sob o calor intenso das chamas. As paredes de madeira rangiam enquanto eram consumidas pelas labaredas vorazes, e os telhados desabavam com estardalhaço, criando uma cacofonia sinistra que ecoava na mente de Ayasaka. A semelhança com a recém conhecida Kratkar, sua antiga casa e o epicentro de seu novo recomeço anterior, era inegável, atormentando Ayasaka de uma maneira indescritível.

A cada passo que ela dava, o cheiro de fumaça e carne queimada impregnava suas narinas. Os gritos de agonia não eram apenas humanos, mas um coro de vozes distorcidas, uma mistura macabra de humano e demônio. Essas vozes ecoavam, como uma sinfonia distorcida, acrescentando camadas de horror ao seu pesadelo.

As construções em chamas não eram meras vítimas do fogo; pareciam ganhar vida. Suas estruturas retorciam-se e ondulavam sob o calor extremo, como se protestassem contra seu destino ardente. Pedaços de madeira carbonizada caiam ao redor de Ayasaka, um lembrete constante de que a ruína era iminente.

Enquanto tentava resgatar as supostas vítimas, Ayasaka percebeu que essas criaturas distorcidas eram de certa forma, responsáveis pelo caos. Elas emergiam dos escombros como espectros deformados, com corpos mutilados e olhos vazios que fitavam Ayasaka com uma fome insaciável de destruição. Algumas delas eram quase irreconhecíveis como seres humanos, tão distorcidos e carbonizados que haviam se transformado em abominações grotescas.

O pesadelo diante dela era muito mais sinistro do que um simples incêndio criminoso. Ela viu uma dessas criaturas, uma figura humanoide com pele desgarrada, arrancar um membro de outra e lançar fogo das bocas, criando uma chuva de chamas que dançava e se retorcia no ar como serpentes ardentes. Essa visão arrepiou a espinha de Ayasaka, fazendo-a compreender que estava presa em um cenário que desafiava todas as leis da realidade.

Enquanto tentava ajudar algumas almas indefesas, Ayasaka sentiu seu estômago se revirar. Os gritos das vítimas eram abafados pelo som dos ossos se quebrando e o cheiro de carne queimada impregnava suas roupas. Cada grito e súplica ressoavam em sua mente como uma tortura constante, aumentando o peso insuportável que a pressionava.

Ayasaka avistou uma figura sinistra no centro do vilarejo envolto em chamas emanava, era uma presença gélida e dominadora. Seu manto marrom, similar ao de Ayasaka, porém, feito do que pareciam trapos velhos, dava-lhe uma aura sombria, e a venda que cobria seus olhos adicionava um toque misterioso à sua presença. A chamas que dançavam ao redor de sua cabeça formavam anéis funestos, como se fossem uma coroa fúnebre e imponente.

Seu olhar vago não expressava emoção alguma, como se estivesse desconectado dos horrores que sua presença causava. Controlando as criaturas deformadas que vagavam pelo vilarejo e comandando o fogo devorador, ele permanecia imperturbável, cada movimento calculado como se A figura parecia ser o epicentro de toda a carnificina, um maestro da destruição que regia a sinfonia caótica ao seu redor. Em contraste com o pavor e desespero que reinavam no vilarejo, ele permanecia inabalável, uma força que transcendia a mera natureza humana. Ayasaka sentiu um calafrio percorrer sua espinha ao encarar aquele ser enigmático, como se estivesse diante de algo além da compreensão humana.

— Ayasak… — Uma voz do interior do vilarejo ecoou em um som desesperador. Era Meezu, ajoelhada na frente da figura que a segurava pelos cabelos.

— Meezu! — Ayasaka gritou em disparada na direção da garota e da figura. Ela imediatamente sentiu um ardor em seu joelho e a falta de apoio de sua perna esquerda, fazendo com que caísse no chão a alguns metros de distância da figura vendada, que parecia nem se importar em direcionar sua cabeça na direção de Ayasaka.

Em questão de momentos, Ayasaka se encontrava deitada sobre sua própria poça de sangue, olhando com olhos trêmulos e desacreditados para sua perna esquerda, que havia sido dilacerada e arrancada de sua base sem que ela ao menos percebesse. Isso demonstrou a diferença de poder entre ela e a figura vendada, imediatamente.

— Onde quer que você vá, o caos seguirá. Lembre-se, a culpa sempre recairá sobre seus ombros.

Ayasaka agonizava diante da figura que contemplava o vazio. Chamas dançavam ao seu redor, como se obedecessem a uma vontade, em meio a uma estranha naturalidade.

— Assim como a luz intensa amplifica a visão, a intensidade da chama expande sua influência destrutiva. Eu nasci para ser o fogo em meio à sua luz, Mio Ayasaka.

A figura voltou-se na direção de Ayasaka com uma voz gélida, seu reflexo macabro refletindo nos olhos arregalados da jovem. Meezu encarou Ayasaka momentos antes de ser silenciada pelo som de uma lâmina.

Ayasaka testemunhou a lâmina reluzindo a luz das chamas dançando em sua superfície quando a figura vendada desferiu um golpe preciso com brutalidade. Estirada no chão, ensanguentada, a cena recente repetia-se incessantemente à sua volta. A figura vendada multiplicava-se, e em cada um desses “clones”, emergia uma das pessoas que Ayasaka havia conhecido em sua jornada até então.

— Assassina… — proferiu a garota de cabelos cinzas e orelhas de lobo.

— Lixo…! — exclamou a loira do vestido rodado.

— Por quê?!… — questionou o Xodik.

— A culpa é sua. — afirmou uma garota misteriosa, de longos cabelos rosas.

O número de pessoas aumentava, enquanto as vozes ofensivas e rancorosas se tornavam ininteligíveis. O único som audível para a mente de Ayasaka era a cacofonia das casas de madeira estalando diante das chamas infernais… e o som da lâmina iluminada pela luz daquelas chamas malditas

A mente de Ayasaka estava à beira do colapso.

“Isso não é real… Isso não é real… Isso não é real…” repetia para si mesma em um mantra desesperado, mas a realidade distorcida ao seu redor não parecia se importar com suas tentativas de negação.

Uma corrente de ar atingiu o corpo da garota violentamente pelas costas, espalhando todo o fogo que engolia as casas do vilarejo. A sensação era tão real, tão vívida, que Ayasaka começou a questionar sua própria sanidade. O fogo não a queimou, mas a consumia por dentro, corroendo sua mente com o terror.

Mortes, pessoas sendo assassinadas diante de suas famílias, conhecidos sendo infinitamente assassinados sem pudor. Tudo isso acontecia diante dos olhos de uma colegial de dezesseis anos. Ayasaka não conseguia ter uma reação repentina em resposta à corrente de ar que a atingia devido ao trauma psicológico repentino. Era como se sua mente estivesse em um estado de negação, recusando-se a aceitar o horror que a cercava.

O dragão, gigantesco e negro, bateu suas asas estreitas na direção de Ayasaka novamente. Cada movimento das asas dele era acompanhado por um estrondo ensurdecedor, e cada golpe de suas asas fazia com que o vento cortasse a atmosfera como lâminas afiadas. Ayasaka sentia-se como se uma lâmina quente rasgasse seu corpo a cada passagem das asas do dragão, devido ao calor escaldante do vilarejo em chamas atrás dela.

Não aguentando mais ficar de sentada devido à dor que o vento pressurizado causava em seu corpo ensanguentado, Ayasaka, sem reação, bateu a nuca no chão de pedra rústica. O solo áspero parecia ferir consideravelmente sua cabeça enquanto ela caía.

A poucos metros de distância, o dragão, imponente e sombrio, se manteve suspenso no ar, batendo suas asas violentamente, acima da figura vendada que parecia não se importar com a presença de Ayasaka a sua frente, muito menos com a corrente de vento violenta que a atingia.

Ela mal conseguia pensar, sua mente turvada pela dor insuportável e pela brutalidade do que presenciava.

 “Eu… não aguento mais… essa dor… não é algo de um sonho…” Ayasaka pensou enquanto agonizava no chão estirada, vendo seu corpo ser rasgado por incessantes correntes violentas de ar. A dor que a consumia era insuportável, como se seu corpo estivesse sendo dilacerado e sua mente mergulhada em um abismo de sofrimento.

O chão ao seu redor tingiu-se por completo de vermelho carmesim, que escorria da boca e perna dilacerada de Ayasaka. Cada respiração era uma tortura, e suas visões se tornavam turvas, desfocadas pela agonia extrema. Ela se sentia como um brinquedo quebrado nas mãos de forças além de sua compreensão, um joguete em um cenário de pesadelo.

Gradualmente, o mundo desvanecia suas cores vibrantes. O crepúsculo, que antes pintava o céu com tons alaranjados, mergulhava em um vermelho mais profundo, e a luz dourada do sol desaparecia. Tudo parecia se distanciar, como se a própria realidade estivesse desmoronando ao redor de Ayasaka. A cada batida das asas do dragão, um vórtice sombrio se abria, absorvendo luz e esperança. A figura vendada, cercada por vórtices de fogo que destacavam sua coroa de chamas, mantinha-se de braços cruzados no solo, enquanto o dragão pairava imponente nos céus.

A única coisa que Ayasaka conseguia assimilar momentos antes de perder a consciência foi a visão do enorme dragão negro com detalhes vermelhos. Suas escamas reluziam à luz das chamas, e suas asas se estendiam imponentes, como asas de um anjo caído. Mas este não era um anjo; era uma criatura de pesadelo que emanava uma aura de terror. As sombras que o envolviam se estendiam, engolindo tudo ao seu redor.

“Então… Isso é a morte? É acolhedor, que estranho…” foram os últimos pensamentos de Ayasaka enquanto sua consciência desaparecia nas trevas, e sua existência era completamente varrida daquele mundo.

O cenário infernal que a rodeava, as criaturas distorcidas e o dragão aterrorizante junto de seu aparente cavaleiro fundiam-se em um borrão de pesadelo enquanto Ayasaka desaparecia daquilo que tinha se tornado sua realidade. Seu corpo inerte jazia no chão de pedra rústica, como uma testemunha silenciosa do horror que ela enfrentara.

Por quanto tempo Ayasaka permaneceu nesse estado entre a vida e a morte, ela não tinha como saber. O espaço e o tempo perderam seu significado em meio à escuridão que a cercava. Ela estava em um estado de existência onírica, flutuando entre o limiar da realidade e a negação de seus próprios pesadelos.

2

Quando finalmente começou a recobrar a consciência, Ayasaka sentiu-se envolta em uma sensação de paz e vazio. Ela não estava mais no vilarejo em chamas. Em vez disso, encontrava-se em um lugar etéreo, onde não havia traços do horror que a atormentara momentos antes.

Ela estava deitada sobre um solo suave, como se fossem gramas macias, e o céu acima dela era um azul sereno. Os sons do caos e do sofrimento haviam desaparecido, substituídos pelo murmúrio suave do vento e pelo canto distante de pássaros invisíveis. Ayasaka tentou se sentar, sua mente ainda tonta pela experiência anterior. Ela olhou ao redor, tentando compreender o lugar em que se encontrava.

As palavras mal conseguiam expressar a beleza serena e a paz que emanavam desse novo lugar. Não havia rastro de fumaça, fogo ou dor, apenas a sensação reconfortante de calma. Ayasaka tocou a grama sob suas mãos e sentiu uma textura suave e fresca, como se fosse a primeira vez que estava experimentando a verdadeira sensação de toque.

Enquanto se erguia, notou que suas roupas estavam impecáveis, sem qualquer indício do desgaste e sujeira que tinha sofrido durante sua experiência no vilarejo em chamas, junto de seus machucados, que pareciam que nunca tiveram sido infligidos. Tudo parecia surreal, como se ela tivesse sido transportada para um reino de contos de fadas ou um paraíso inexplorado.

Andando vagarosamente por esse lugar misterioso, Ayasaka percebeu que estava sozinha. Não havia sinais de vida humana ou criaturas perturbadoras que haviam aterrorizado sua visão anteriormente. À medida que explorava, notou uma floresta distante com árvores altas e exuberantes, seus galhos se estendendo em direção ao céu como uma catedral natural. Era um convite silencioso para uma aventura que ela ansiava desesperadamente.

No entanto, uma sensação de solidão e isolamento começou a pesar sobre Ayasaka. Ela desejava a presença de alguém, qualquer um, para compartilhar a estranheza desse lugar e talvez oferecer algumas respostas para suas perguntas inquietantes. Seu coração ansiava por companhia, e uma sensação de inquietação cresceu dentro dela.

À medida que continuava a caminhar, os sons da natureza envolviam-na em uma sinfonia de vida tranquila. As aves cantavam melodias suaves, o vento sussurrava segredos nas folhas das árvores e riachos borbulhantes dançavam em meio às pedras. Era como se a própria natureza estivesse sussurrando segredos milenares em seus ouvidos, embalando-a com a promessa de um mundo mais tranquilo.

Ayasaka passou horas explorando esse mundo pacífico, mas com o tempo, uma sensação de nostalgia a invadiu. Lembrou-se do vilarejo em chamas, das vidas perdidas e do terror que havia enfrentado. O que acontecera com aquele lugar? E o que havia acontecido com ela? Uma sensação de culpa e tristeza a consumiu. Ela não podia simplesmente esquecer o que tinha vivido.

Sentando-se à beira de um riacho, Ayasaka mergulhou as mãos na água cristalina, observando a superfície ondulante. Lágrimas escorriam por seu rosto, como gotas de chuva refletidas no riacho. Ela sentia a dor daqueles momentos de terror e violência como se tivessem acontecido hoje, mesmo que seu entorno atual estivesse tão distante daquele pesadelo.

Foi então que Ayasaka percebeu uma mudança sutil no ambiente. O céu azul sereno começou a se encher de nuvens escuras e pesadas, obscurecendo o sol gentil que a havia aquecido. O murmúrio do vento mudou de tom, tornando-se mais inquietante, como se a própria natureza estivesse chorando junto com ela.

A jovem se levantou e olhou em volta, perplexa. Não havia visto nenhuma mudança climática anteriormente nesse mundo tranquilo. E, à medida que as nuvens escuras se multiplicavam e engoliam o céu, o ambiente em si parecia se contrair e se transformar. As árvores, uma vez majestosas, pareciam se encurvar e se contorcer, seus troncos retorcidos tomando formas sinistras.

O riacho que fluía com água cristalina agora parecia um fluxo sombrio e imprevisível, suas águas rosnando e espumando. O vento, antes gentil, agora uivava como um lamento, carregando consigo uma sensação de inquietação e desespero. A paz e a tranquilidade que haviam acolhido Ayasaka agora eram substituídas por um ambiente sombrio e hostil.

Com o coração apertado, Ayasaka percebeu que este lugar também estava sujeito a mudanças e instabilidade. Era como se o próprio ambiente refletisse sua agonia interior, ecoando a turbulência de suas emoções.

Ela sentiu um impulso urgente de se afastar dessa transformação perturbadora, de voltar a um local mais sereno, mas não sabia para onde ir. As árvores retorcidas pareciam se fechar sobre ela, os riachos negros pareciam rastejar em sua direção, e o vento uivante parecia sussurrar palavras ininteligíveis em seus ouvidos.

Em meio a essa agonia crescente, Ayasaka percebeu algo que a fez congelar de terror. A figura do vilarejo surgiu diante dela, emergindo das árvores retorcidas. Vestindo seu manto marrom e uma venda sobre os olhos, a figura não tinha emoção em seu olhar, apenas uma aura de escuridão e desconhecido.

— Você é uma intrusa neste mundo — a figura murmurou com uma voz que parecia ecoar de todas as direções.

Ayasaka estava sem palavras, incapaz de articular uma resposta. Ela sentia que estava em perigo, mas não sabia como escapar desse pesadelo em que se encontrava.

A figura vendada deu um passo em sua direção, e Ayasaka recuou instintivamente. O ambiente ao redor deles parecia tremer e se contorcer, como se a própria realidade estivesse desmoronando.

— Você não deveria estar aqui — a figura murmurou novamente, sua voz ecoando em desespero e escuridão.

Ayasaka finalmente encontrou sua voz.

— Eu… Eu não sei como cheguei aqui. Só quero voltar para casa…

A figura vendada parecia considerar suas palavras por um momento, e então murmurou:

— Há uma maneira de retornar para o seu mundo de origem.

O coração de Ayasaka acelerou com as palavras da figura enigmática. Ela estava disposta a enfrentar qualquer desafio, qualquer obstáculo, desde que pudesse escapar daquele pesadelo crescente e da vista daquela figura apocalíptica.

— Como…?

— Me siga.

A figura concordou e começou a se mover, afastando-se das árvores retorcidas em direção à floresta sombria. Ayasaka a seguiu, pisando com cautela em meio às raízes retorcidas e ao terreno irregular.

Conforme avançavam, o ambiente ao seu redor parecia se transformar ainda mais. As árvores pareciam ganhar faces distorcidas e assustadoras, seus galhos se estendendo em direção a Ayasaka como garras ávidas. Os riachos negros agora eram repletos de sombras sinistras que pareciam se contorcer em formas ameaçadoras.

O vento uivava mais alto do que nunca, como se fosse uma sinfonia de lamentos ecoando através da floresta. Era quase como se a própria floresta estivesse viva, e negasse a presença daquela figura que desrespeitava todas e quaisquer leis de equilíbrio natural.

A figura vendada conduziu Ayasaka por um caminho sinuoso através da floresta, e ela não conseguia evitar pensar nos horrores que a aguardavam. Ela tinha uma sensação cada vez mais forte de que este mundo misterioso estava conectado a seus próprios medos e traumas, como se estivesse refletindo sua própria escuridão interior.

Depois de um tempo, eles chegaram a um claro na floresta. No centro do claro, havia um poço antigo e misterioso. A figura vendada parou e se virou para Ayasaka.

— Este é o poço da escuridão. A única maneira de retornar ao seu mundo é mergulhar nele. Dentro deste poço, encontrará a manifestação de seus piores medos e traumas.

Ayasaka engoliu em seco, nervosa com o que a aguardava. Ela não sabia o que encontraria lá embaixo. Parecia que algo inibia todas as suas memórias recentes. Não conseguia se lembrar de Ataraxia, Tuphi, Beatrice, ou qualquer coisa semelhante a essa nova dimensão. Tudo que pairava em sua mente era a certeza de que aquele momento era um pesadelo sem fim. Seus pensamentos clamavam por um ato de misericórdia de sua alma, imploravam para que Ayasaka colocasse um fim naquilo tudo.

— Eu… quero voltar… — Ayasaka disse, olhando para trás. — Sinto que algo precisa de mim naquela direção.

Ao encarar o rosto da figura, viu alguém jovem, mais alto que ela, sem expressões e sem olhar em sua direção.

Aquela feição era familiar, ao ponto de fazer seus olhos lacrimejarem, mesmo sem compreender o motivo. Era como se algo impedisse sua mente de assimilar todas as feições da figura enigmática à sua frente.

A figura vendada virou as costas para Ayasaka, fazendo com que o tecido de sua venda tremulasse na direção oposta.

— Volte. Mas suas escolhas trarão mortes. O título de Garota da Profecia é mais sombrio do que o meu. Na medida em que a luz brilha intensamente, sua sombra também se projeta em equivalência, revelando a dualidade de sua luminosidade e devastação. — A figura disse. — Eu anseio pelo momento de nos encontrarmos pessoalmente, Garota da Profecia.

Sem respostas, Ayasaka viu a figura desaparecer entre as árvores retorcidas em silêncio, até que sua voz ecoou diante da escuridão.

— Espere! Quem… é você?!

Ayasaka tentou alcançar a figura com as mãos, mas a cada passo à frente, mais aquela visão daquele mundo se tornava fraca e distante, como se afunilasse em uma visão de um túnel distante.

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Olá, eu sou o Flugelu!

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