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1
— Entendi… Esses machucados apareceram do nada? Estranho, de fato — Beatrice observou, enquanto levantava o manto de Ayasaka pelas mãos de Tuphi na sala principal do primeiro andar da casa.
— S-sim — Ayasaka afirmou, com medo de contar sobre a experiência que teve antes de acordar e algo acontecer. — Pode abaixar o meu manto… Tuphi?
— Ah, sim, perdão mestre
— Consegue se levantar? — perguntou Beatrice, tocando seu queixo delicadamente.
— Não, a Tuphi que me trouxe para cá nas costas… — Ayasaka respondeu, abaixando a cabeça.
— Não sei afirmar ao certo, porém acredito que tenha relação com os acontecimentos de dias atrás… É apenas um palpite…. — Beatrice foi interrompida por batidas na porta da frente da casa.
— Vou ver quem é — disse Tuphi acenando para Beatrice, que continuou conversando com Ayasaka.
Tuphi foi surpreendida com um garoto ajoelhado de cabeça baixa em uma posição de reverência na entrada da casa ao abrir a porta para ver quem poderia ser.
— Sannire?!
— Saudações, princesa, minhas sinceras desculpas pelo incômodo fora da central de operações. Eu estou com um mau pressentimento devido a ações repentinas estranhas vindas de Fos. Resolvi vir checar por mim mesmo o estado da Cavaleira — disse o garoto de cabelos brancos, mantendo o olhar no chão, sem contato visual com Tuphi.
— O que Fos fez? — Perguntou Tuphi surpresa.
— Ele aparentemente está fraco. Não deixa ninguém chegar perto dele. Só o vejo sair para voos noturnos, e ao redor da sua casa — Sannire respondeu com um olhar sério em direção a Tuphi.
Tuphi, surpresa com o relato de Sannire, levantou as sobrancelhas e prosseguiu.
— Entendi, entre — disse Tuphi enquanto se virava e entrava na casa, na intenção de que Sannire a seguisse.
— Mestre, Sannire veio te ver.
Ayasaka estava conversando com Beatrice distraída quando olhou na direção de Tuphi e viu Sannire atrás dela, vindo em sua direção.
— Sannire?… — Ayasaka perguntou surpresa.
O garoto fez uma leve reverência na direção de Ayasaka.
— Bom dia, Cavaleira. Eu vim checar como você está. Já se passou um tempo desde o acontecimento. Está tudo bem? — Sannire disse, agachando na frente da poltrona em que Ayasaka estava sentada, fazendo-a corar por estar muito próxima.
— Eu… estou bem… — respondeu a garota, olhando para o lado, desviando o olhar do garoto de orelhas longas e caídas que a encarava intrigado.
— Sério mesmo? — disse Beatrice se intrometendo no diálogo dos dois. — Sério que você está bem? O machucado desapareceu magicamente? Fico feliz.
— Machucado? Você está machucada? — perguntou Sannire, confuso com a intromissão repentina de Beatrice, que estava de braços cruzados no canto da sala.
— Não é nada — Ayasaka disse com convicção para o garoto que a olhava com olhos estreitos.
— Com licença Mio — Sannire levantou o braço esquerdo de Ayasaka, onde conseguiu ver a escoriação perto de suas costelas por entre a manga larga de seu manto azul.
— Me solta! O que você está fazen… — Ayasaka foi interrompida pelo garoto que estava com um olhar sério.
— Você precisa vir comigo
— Ela não consegue andar — respondeu Tuphi a Sannire enquanto suspirava.
Ayasaka estava com uma cara irritada olhando para o lado.
— Não consegue… andar? — Sannire indagou. — Entendi. Parece pior do que eu esperava… Eu te levo no colo, vamos até Fos.
— Eu e Beatrice vamos também — disse Tuphi em resposta a Sannire.
— Eu não tenho opção né? — Ayasaka respondeu todos em um tom irônico após se sentir excluída de decisão.
— Só quero ajudar vocês dois, Cavaleira. Meu conhecimento sobre Cavaleiros de Dragões, mesmo não sendo tão amplo, poderá ser útil em sua trajetória, eu acredito — Sannire virou-se de costas para Ayasaka e agachou, ficando em uma altura rente à poltrona. — Consegue subir?
— Acho que sim… — Ayasaka com certa dificuldade conseguiu subir nas costas do garoto, que não pareceu se incomodar com seu peso.
— Consegue se segurar?
— Não com muita firmeza…
— Licença, Cavaleira — Sannire colocou suas mãos para trás, segurando a parte de baixo da coxa de Ayasaka, fazendo uma espécie de banco, como se fosse uma criança. Ayasaka soltou um pequeno grito, que fez Tuphi dar uma leve gargalhada com a cena.
— Cachorro idiota. Não é para rir.
— Perdão mestre — Tuphi completou em um tom debochado.
Ayasaka olhando para os lados da sala notou que Kazewokiru havia ficado ao lado de sua cama no quarto de Tuphi desde cedo.
— Não posso sair sem ele. Tuphi, consegue ir pegar Kazewokiru para mim?
— Claro — Tuphi acenou com a cabeça, se retirando para o quarto dela, onde o violão estava.
Tuphi começou a encarar o violão após abrir a porta do quarto como se estivesse pensando em alguma coisa.
— O que é você afinal? — Tuphi disse com uma voz baixa enquanto caminhava na direção do instrumento que permaneceu apagado.
A garota lobo agarrou o violão com certo receio pelo braço do instrumento.
— Você é nosso amigo ou não…? enfim
Tuphi, com Kazewokiru, se dirigiu para onde Ayasaka estava.
— Aqui, mestre — disse Tuphi enquanto colocava o instrumento delicadamente nas costas de Ayasaka.
— Obrigada, Tuphi… — Ayasaka sentiu um arrepio no instante em que o instrumento repousou sobre suas costas.
— Você está bem, Cavaleira? — disse Sannire após notar um leve suspiro na respiração de Ayasaka.
— Estou bem… faz um tempo que não fico perto do Kaze, só isso — Ayasaka respondeu com uma voz baixa.
— Então vamos. Fos está em um campo não muito longe do vilarejo, não devemos demorar muito para chegar lá.

2
Sannire andava pela larga rua principal do vilarejo movimentado enquanto carregava Ayasaka nas costas, que permaneceu em silêncio o tempo todo.
— Você vai ficar bem, cavaleira — Sannire disse enquanto olhava levemente para trás.
Ayasaka estava observando a rua movimentada cheia de comerciantes enquanto atraía alguns olhares devido estar sendo carregada pelo espadachim responsável pelo esquadrão de elite da linha de frente, um garoto que já chamava atenção por si só devido aos seus cabelos brancos e olhos vermelho rubi.
— Muitos olhares — Ayasaka fechou os olhos enquanto comentava sua reclamação.
Sannire deu uma boa gargalhada que fez Tuphi e Beatrice olhar para os dois.
— Fique tranquila! Eles só estão preocupados com você, aqui todos somos uma imensa família, Mio! — disse Sannire com o apoio de Tuphi e Beatrice, que concordavam.
— Não tenha vergonha de não estar bem. Isso é a prova de que você está lutando por nós e a nossa liberdade, Mestre — Tuphi adicionou ao comentário de Sannire.
— Sim, sim! Você já está fazendo muito por nós, só tende a melhorar depois que eu te ensinar algumas técnicas, igual fiz com a Meezu! he… he — disse Sannire com um sorriso no rosto enquanto olhava para a frente — Já fazem algumas centenas de anos que não vejo um cavaleiro de dragão… Você tem um grande potencial. Ainda mais sendo a descendente dos Celestes.
— Quer comer alguma coisa, Ayasaka? — Beatrice perguntou enquanto parava em uma banca que vendia algumas comidas bastante coloridas.
Sannire parou e virou-se para Beatrice, para que Ayasaka ficasse de frente para ela.

— Tem… rango? — Ayasaka perguntou timidamente.
— Haha! Parece que alguém gosta de rango, eu também — Sannire respondeu surpreso com a preferência da garota.
— Também é porque não experimentei muitas comidas daqui. — Ayasaka completou.
— Não seja por isso! Recomendação minha, coma esse. — Sannire pegou da barraca uma espécie de doce de feijão.
Ayasaka olhou para o comerciante, com uma expressão surpresa diante da atitude ousada de Sannire, porém o mesmo pareceu não ter ligado muito para o que o garoto fez.
— Init Tibt — o comerciante disse para Sannire com a mão sobre o peito e abaixando levemente a cabeça, em agradecimento.
Sannire respondeu o estranho cumprimento da mesma forma, mas a sua mão brilhou em um vermelho fraco à medida em que ele a elevou ao peito.
— Eu queria entender isso, que droga. Nunca entendo nada quando vocês fazem isso… — Ayasaka comentou sem entender nada do que estava acontecendo.
— O que? — Sannire perguntou desentendido enquanto dava a comida na mão de Ayasaka.
— Por que sua mão brilhou? — Ayasaka completou.
— Ah! Isso é o sistema antigo de Raxy. Se meu Raxy vibrar em sintonia com o do nobre senhor em minha frente, temos um negócio, resumidamente — Sannire disse apontando para o vendedor que acenou com a cabeça. — Se o seu Raxy contiver impurezas, ele será incapaz de vibrar com Raxy de pessoas ao seu redor, isso basicamente é a maneira mais simples de perceber pessoas más intencionadas em um negócio, é um dos fatores da Liberdade.
— Fator… da liberdade… — Ayasaka comentava enquanto abocanhava o doce. — Isso é muito bom, ahh…
— Não disse? Agora recupera um pouco de forças! — Sannire comentou enquanto todos continuavam o caminho até a borda do vilarejo.
Após chegarem na barreira de tom purpura Beatrice abriu um portal na mesma conjurando um feitiço em voz baixa, onde todos passaram para o lado de fora do vilarejo.
À medida que caminhavam diante do vasto campo intocado fora do vilarejo, Sannire olhava para os lados, como se estivesse procurando algo.
— Cadê ele?…
Sannire comentou impaciente.
— Já sei — O garoto colocou Ayasaka delicadamente em cima das gramas levemente azuis. — Toque o Kazewokiru.
— Quê?! — Tuphi comentou em uma certa fúria. — Ela não está em condições disso, Haato!
— Confia pô. — Sannire fez pouco caso do comentário de Tuphi, enquanto sentado de pernas cruzadas na frente da garota, estendendo o seu sobretudo escuro para o lado.
— Está tudo bem, Tuphi, Kazewokiru é um dos meus companheiros de aventura, assim como o Fos — Ayasaka respondeu à objeção da garota com um fraco sorriso enquanto arrumava sua postura para tocar, colocando Kazewokiru em seu colo com certas dificuldades devido à dor que sentia ao mexer seu braço.
Ayasaka suspirou.
— Vamos lá, Kaze. — Ayasaka completou enquanto olhava o instrumento em seu colo, que cintilava uma fraca cor azul ciano.
“O que iremos tocar?”
“Que seja.”
Ayasaka decidiu improvisar e deu a sua primeira dedilhada no violão com um semitonado fechado, algo que ela estava acostumada e com saudades de fazer em Kazewokiru, que respondeu à altura com um som estrondoso e mórbido, fazendo toda a planície vasta ser preenchida por uma única nota volumosa e ao mesmo tempo seca aos ouvidos, parecendo um shimasen japonês da época imperial.
Toda a grama em volta de Ayasaka começou a tremular à medida em que a garota dedilhava as cordas de Kazewokiru em uma estranha sintonia, parecendo até como se o vento estivesse feliz com aquele estranho som do violão mágico.
A visão de Ayasaka estava começando a escurecer.
— Entendi…
A garota começou a desferir uma sequência violenta de acordes encaixados por semitons à medida que percebia que os sons estavam ficando distantes de seus ouvidos, assim como as cores estavam se afastando de sua visão.
— Só se vive uma vez, né?
O plano de Ayasaka era criar a melhor canção que conseguisse antes de desmaiar, resultando em uma melodia exótica não comum para um violão.
No entanto, o plano não seguiu como esperado. À medida que a garota perdia a consciência e começava a cair para o lado, ventos fortes cobriram todos que estavam ao redor de Ayasaka. As gramas, desorientadas com a corrente repentina de ar, não sabiam para que lado tremulavam, resultando em um movimento descoordenado devido aos ventos fortes provenientes dos céus.
— Ele chegou — disse Sannire ao segurar delicadamente os ombros de Ayasaka, impedindo que ela caísse para o lado.
Um dragão de asas largas, com escamas de um azul esverdeado brilhante diante do Sol da tarde, pousava majestosamente em frente a eles, batendo suas asas em movimentos pesados para se manter no ar.
Todos ficaram em silêncio enquanto o imponente dragão, com seu olhar afiado, observava cada um que estava presente.
3
— Acorde, cavaleira — Sannire colocou sobre a testa de Ayasaka sua mão que brilhava fracamente em vermelho.
— Fos?… — Ayasaka lentamente abriu os olhos, tendo a visão ofuscada pelo sol alaranjado de Ataraxia. O dragão encarava a garota que estava deitada na grama de uma distância intimidadora, ao lado de Sannire que a segurava, mas ela não pareceu se importar.
“Onde você esteve, Mio?”
— É assim que me recebe então? — Ayasaka comentou enquanto ainda recobrava a consciência após o dragão bufar perto do rosto dela; era um ar relativamente morno.
“Peça para que eles se afastem.”
Ayasaka, após o comentário do dragão, olhou para todos ao seu redor, pensando em algo para dizer.
— Eu estou bem, obrigado, pessoal. Mas… Será que poderiam nos deixar a sós? — Ayasaka disse com um sorriso ameno enquanto se arrumava para se sentar na grama com certa dificuldade.
— Claro, cavaleira, minha função era trazer você aqui apenas. O resto é com você — Sannire disse, levando seu punho fechado ao peito em uma espécie de cumprimento.
À medida que todos se distanciavam em direção ao vilarejo, sobrou apenas os dois: Fos, que estava de pé, e Ayasaka, que estava sentada na grama com Kazewokiru em seu colo.
Ayasaka observou a lateral do dragão, coberta por uma crosta azul escrota.
— Você está machucado — Ayasaka perguntou com um olhar triste.
“Você também.”
— Como você sabe disso?
“Porque estamos ligados. Se você se machuca, eu me machuco. Se você sente dor, eu sinto dor. Se você sofre, eu sofro. Nós somos um, Mio.”
Sem resposta, Ayasaka começou a encarar o chão por um tempo para assimilar a informação.
— Senti sua falta — Suspirou a garota enquanto se jogava de costas na grama macia.
“O seu corpo também, não?”
— Que saco! — Ayasaka suspirou, olhando para Kazewokiru, que estava em sua barriga apagado. — A única coisa que eu consigo fazer certo tem consequências. Que vida.
“Não necessariamente. Nós somos um. Se você estiver separada de mim, você está com seu potencial na metade. Kazewokiru exige muito por causa de seu poder.”
Fos se deitou pesadamente sobre a grama após bufar novamente.
— E o que eu faço para ficar disposta de novo?
“Teoricamente, você só precisaria ficar próxima a mim por um tempo, até que seu raxy se recupere.”
— Ei… — Ayasaka levantou a cabeça na direção do dragão.
O dragão estreitou os olhos em sinal para a garota prosseguir.
— Você consegue voar ainda, né?
“Devidamente.”
— Vamos voar, meu dragão! — Ayasaka levantou a mão na direção do céu, conseguindo enxergar apenas algumas nuvens entre seus dedos.
Completou a garota enquanto tentava levantar-se da grama:
— Só não sei se consigo andar direito…
“Estamos perto. Provavelmente, seu raxy esteja um pouco mais forte.”
Ayasaka, com certas dificuldades, levantou-se com as mãos apoiadas em seus joelhos.
— Vai… você consegue, Ayasaka! — comentou a garota enquanto dava seu primeiro passo, com um pouco de esforço e dores perto do machucado.
“Admiro o seu esforço, me orgulho que seja a minha cavaleira.” Fos disse enquanto chegava perto da garota, ajudando-a a se apoiar em seu pescoço para conseguir subir em suas costas.
— Não precisa me mimar, assim nunca vou ser uma cavaleira decente, sou tipo uma cópia barata — Ayasaka reclamou enquanto subia com dificuldade em Fos, que estava agachado quase rente ao chão.
“Tenho um lugar para te mostrar.” Fos abriu suas largas asas em um movimento lento em direção ao céu. Ayasaka, que ainda estava se posicionando em suas costas, quase deu um leve grito ao ver o dragão se preparando para voar.
— É uma sensação que vai ser difícil acostumar! — Ayasaka gritou enquanto Fos pegava altura, com suas asas cortando os ventos ao seu redor.
Ayasaka observava o solo à medida em que tudo se tornava menor, parecendo pequenas miniaturas.
“Surreal.” Pensou a garota.
“Você se acostuma.”
“Espera aí, você consegue ler meus pensamentos?”
“Se você estiver aberta a isso, sim. Depende da sintonia. Inclusive, prefiro que você se comunique assim comigo quando tem outras pessoas ao redor.”
“Você parece ter uma birra com pessoas.”
“Não é isso, só não se deve confiar muito em qualquer pessoa. Vivemos em uma terra deserdada pelas Divindades.”
Ayasaka permaneceu em silêncio com o comentário do dragão, começando a observar ao seu redor.
4
O céu emanava um azul celeste à medida que se aproximavam das nuvens e dos animais exóticos que as habitavam.
— Céu azul… que gostoso! — Ayasaka respirou fundo o ar morno de uma tarde ensolarada em Ataraxia. — Parece que esse é o verdadeiro sinônimo de Liberdade.
“Este é o Conceito da Liberdade de Gale. Que a sua liberdade seja equivalente à imensidão dos céus azuis de Ataraxia. Para ele, nenhuma liberdade se comparava à qual um Cavaleiro de Dragão é privilegiado. É uma liberdade acima até das próprias Divindades.”
— Você já falou com ele? — Ayasaka perguntou enquanto olhava para cima, na direção de algumas criaturas que flutuavam em bandos no céu.
“Sim, antes da Era da Trapaça.”

— Ele está vivo, né?
“Possivelmente. Não acredito que as Divindades tenham sido completamente extintas, de qualquer forma, precisaríamos de cada uma delas, pelo menos de seus Destinos para enfrentar o Vazio Corruptor”
— Cara, que complicado! — Ayasaka exclamou enquanto colocava uma das mãos na cabeça?
Ela perguntou enquanto olhava a ferida na lateral do dragão:
— Está tudo bem aí?
“Eu que te pergunto. Onde você estava? Esse ferimento apareceu repentinamente, porque você se machucou”
— Ah… Eu meio que tive um sonho. — Ayasaka abaixou o tom da sua voz enquanto olhava fixamente para o ferimento do dragão.

— Eu… eu fui… morta. Um dragão me matou, enquanto Kratkar pegava fogo atrás de mim… Era… era bem maior que você… Ele também tinha um Cavaleiro, que arrancou minha perna sem mexer um dedo… pareceu tão real, a dor… a agonia… os gritos… as mor…tes…
Ayasaka se interrompeu com suas próprias lágrimas, que começaram a escorrer pelo seu delicado rosto.
— Foi horrível! Aquilo não… aquilo não foi um sonho! Tinha um homem vendado… Acho que era um Cavaleiro de Dragão! Como nós…!… eu não estou entendendo mais nada, Fos… eu não sei se vou conseguir…! — a garota começou a chorar em um tom melancólico enquanto segurava forte as escamas macias do pescoço do dragão, que eram incrivelmente resistentes.
“Definitivamente não foi um sonho, Mio.” Fos disse com um certo pesar em sua fala, preocupado com o relato da garota, que continuou a chorar apoiada em sua plumagem, enquanto eles sobrevoavam em silêncio, o céu azul cristalino de Ataraxia.
Ayasaka desceu das costas de Fos com certa dificuldade depois de horas de um voo reflexivo.
— Parece que cada hora que passa dói mais… — disse Ayasaka enquanto colocava a mão na barriga.
“Esse ferimento… não foi feito nesse plano, ao menos não nessa realidade.”
— E como podemos curar? Não tem nenhum curandeiro nesse mundo não?… Ao menos era o esperado de um RPG… – Ayasaka indagou em voz baixa.
“Talvez alguém da linha de frente consiga analisar, um Xodik seria o certo.”
— Xo… Xodik? Acho que já ouvi falar.
“Aquele rapaz de orelhas alongadas que estava com você, ele é um Xodik. Eles têm bastante conhecimento sobre cura, e cavaleiros de dragões.”
— O Sannire?… Entendi. Vou falar com ele.
“Nos vemos em breve.”
Fos abriu suas asas e começou a pegar altura, dando-se por encerrado o diálogo entre os dois depois de um longo tempo sem conversa.

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Olá, eu sou o Flugelu!

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