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Um intenso aroma de fauna invadiu as narinas de Ayasaka, como se estivesse no coração de uma vasta floresta. Pássaros entoavam suas canções por todos os cantos, preenchendo sua audição de maneira completa. Seus pés descalços repousavam sobre um solo úmido e quebradiço, surpreendendo-a com todas essas sensações que a envolviam repentinamente.
Aos poucos, a garota abriu os olhos, sua visão inicialmente ofuscada por suaves raios solares que se infiltravam entre o topo das densas árvores de coloração exótica ao seu redor.
— Uma… floresta? Só o que me faltava. — Ayasaka reclamou, começando a caminhar e observar os arredores.
A floresta mística diante de seus olhos, embora impressionante à primeira vista, revelava-se também um lugar assustador. Todas as árvores se assemelhavam, criando a ilusão de um caminho infinito. A única referência eram inúmeras estacas de madeira cravadas no chão próximo às árvores, formando uma espécie de trilha.
— Não tenho um bom pressentimento sobre isso. Realmente não tenho — Ayasaka disse ao começar a se agachar para desviar de alguns galhos em seu caminho.
— É muito bonita…, mas, vazia ao mesmo tempo? — A garota indagou observando a floresta mística que ficava cada vez mais silenciosa conforme se distanciava do ponto inicial.
Um calafrio repentino percorreu a espinha de Ayasaka, fazendo com que ela se assustasse e imediatamente se virasse, como se houvesse sentido uma presença estranha atrás dela. Diante dela, uma névoa sorrateira cobria toda a fauna da floresta em uma velocidade desesperadora. Ayasaka, sem reação, começou a correr sem rumo, adentrando o coração da selva na tentativa de fugir da estranha névoa. A névoa ignorou todo e qualquer esforço da garota de fugir do abraço frio e alcançou os calcanhares de Ayasaka, transmitindo a sensação de um chão molhado, enquanto a garota percebia que seus esforços foram em vão.
A névoa escalava cada vez mais o corpo de Ayasaka, impossibilitando a garota de ter noção básica sobre seus arredores e confundindo seus sentidos.
— Não estou enxergando nada… que droga — Ayasaka relutantemente tentava enxergar pelo menos um palmo à sua frente, cuja visão estava tampada por uma densa névoa branca.
A floresta viva e exorbitante de instantes atrás havia desaparecido, sendo substituída por um cenário amedrontador, mas ao mesmo tempo místico, onde pairava uma densa névoa e um silêncio ensurdecedor. Pontos de luzes alaranjados brilhavam diante da névoa densa, espalhados na fumaça, como se partes da floresta em que Ayasaka se encontrava se acendessem, fornecendo à garota uma espécie de ponto de referência.
— O que é… isso? Essas luzes… — Ayasaka começou a andar pela neblina até o ponto de luz mais próximo, que reluzia uma fraca luz em sua direção, fazendo com que a garota conseguisse se guiar até ele.
Ao chegar perto da luz alaranjada, Ayasaka notou que as estacas que ela tinha visto perto das árvores momentos atrás estavam com o topo delas emanando uma fraca luz alaranjada, que de longe parecia uma tocha acesa, mas ao se aproximar, percebeu que era algum tipo de encantamento.
– Ótimo, mais alguma coisa viajada desse mundo, ninguém tem pena da Ayasaka, né? – Ayasaka comentou enquanto tateava à estaca de madeira à sua frente.
– Vamos ver… – Ayasaka encarou duas luzes que cintilavam fracamente um pouco distante de onde ela estava. – Será que é para lá que eu tenho que ir?
A garota começou a caminhar até a luz, que diante da sua visão aparentava estar mais próxima a passos largos, estendendo os braços à sua frente na intenção de que eles fossem a primeira parte de seu corpo a colidir com qualquer objeto em seu caminho, já que a sua visão era quase nula diante daquela densa névoa.
— Vamos… falta só um pouco — Ayasaka disse enquanto frisava os olhos tentando enxergar melhor o seu caminho.
Conforme a garota caminhava até a luz, a névoa ao seu redor começou a se agitar, formando uma espécie de redemoinho que a envolvia em seu centro. Os ventos fortes gerados pelo redemoinho fizeram com que o cabelo de Ayasaka cobrisse por completo o seu rosto, atrapalhando ainda mais a garota a se situar. Ayasaka tentava repetidamente tirar o cabelo do rosto e segurar o seu manto vermelho, que esvoaçava diante das correntes fortes de ar que o redemoinho fornecia.
“Qual a sua verdadeira vontade?” A própria voz de Ayasaka ecoou suavemente em seu ouvido esquerdo, lançando uma indagação feroz.
A jovem encontrou-se no centro de um redemoinho de névoa, encarando duas figuras distintas. Um rapaz, mais alto que Ayasaka, ostentando cabelos verdes, e um adulto de terno e óculos, ambos com mãos estendidas em sua direção.
Os murmúrios da névoa sussurravam questões não formuladas, enquanto Ayasaka tentava decifrar o significado por trás daquelas palavras. Sua própria voz, carregada de incerteza, ecoava na escuridão que a cercava.
“Qual a sua verdadeira vontade?” A pergunta pairava no ar, desafiando Ayasaka a confrontar seus próprios anseios e desejos. As figuras à sua frente aguardavam, expectantes, como guardiões de segredos entrelaçados no tecido do destino.

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Olá, eu sou o Flugelu!

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