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— Tuphi, já avistou duas garotinhas na rua central? São irmãs — Ayasaka questionou, observando Beatrice à frente.
— Duas garotinhas? Hum… Pode ser mais específica, mestre? — Tuphi refletiu, tocando o queixo.
— Deixa eu ver… uma delas tem um laço branco na ponta da cauda. A outra tem cabelo rosa — Ayasaka tentou descrever, gesticulando.
— Ah! Você está falando das TeTe? — Tuphi teve uma ideia e levantou a mão.
— Te… Te? Ah, entendi. Seus nomes eram Tevina e Terina, acho. Tevina disse… ser a cavaleira mais nova da linha de frente — Ayasaka pensou um pouco, sem mencionar o episódio com Kazewokiru e as irmãs.
— Hahaha! Elas mesmas. Onde as encontrou? — Tuphi perguntou.
— Enquanto caminhava pela rua principal, elas me abordaram e perguntaram se eu era a “barda do dragão.”
— Essa foi boa. São duas crianças carismáticas e bastante promissoras como cavaleiras — Beatrice opinou, demonstrando interesse.
— Concordo — Tuphi concordou com a mulher de cabelos loiros. Um garoto de cabelos brancos, Sannire, as observava à distância, apoiado na parede da central de operações.
— Não que eu tenha motivos para me intrometer, mas vocês deveriam ter chegado aqui um pouco mais cedo, não? — Sannire comentou ao se aproximar.
— Parece que o problema está escancarado na expressão de vocês. — Meezu riu.
Tuphi e Beatrice encararam Ayasaka, e Sannire já compreendia a situação.

— Entendi, entendi. Vamos entrar logo vai, vou fingir que perdoei o vacilo de todas vocês na festa do pijama. Eu tive que comer o pão sozinho cara! Pão que o coisa ruim amassou, tá?!
Sannire aos risos, guiou as garotas para dentro da instalação.
— Sabe, eu queria falar com você, cavaleira. Infelizmente, não consegui encontrá-la depois que saiu para dar uma volta com o dragão, nem depois da festa, né?! — Sannire comentou enquanto conduzia as três até uma pequena sala no fundo do salão principal.
— Eu e Fos demoramos um pouco, perdão. Mas sobre o que queria falar? — Ayasaka questionou ao entrar na sala com Tuphi e Beatrice.
— Sobre seu ferimento. Você já deve ter notado que não é um ferimento comum, não é mesmo?

— Tuphi e Beatrice já me explicaram… Inclusive, Fos pediu para que eu viesse aqui falar sobre isso com você.
— Fos?… Entendi, o dragão é esperto mesmo. — Sannire comentou, tocando o queixo. — Enfim, resumão do amigão, eu provavelmente não consigo te curar, e muito menos ninguém daqui vai conseguir — Sannire completou, sentando-se atrás de uma mesa. Encarou as três, que demoraram um momento para processar a informação.
— Espera aí, como assim você não consegue?! — Tuphi exclamou, encarando Sannire, que estava com a mão atrás da cabeça e um sorriso desajeitado.
— Calma, chocolate branco — Sannire respondeu com um sorriso provocativo.
O semblante de Sannire mudou quase que instantaneamente enquanto ele inclinava para frente na mesa.
— Foi por isso que chamei vocês aqui.
— Como assim negão? — Perguntou Ayasaka, confusa.
— Fos te disse que eu conseguiria te curar? — Sannire perguntou, encarando Ayasaka com seriedade.
— Bom, ele disse que os Xodiks saberiam o que fazer
Ayasaka olhou em volta, procurando alguém.
— Eu não sei não. — Meezu olhou para o lado
Ayasaka suspirou enquanto encarava a garota Xodik que assobiava para disfarçar.
— Como não conheço ninguém além de você e da Meezu, então achei que você conseguiria né. — Ayasaka completou.
— Ele não está errado. Temos um vasto conhecimento sobre ferimentos mágicos. Seu ferimento, pelo pouco que vi, parece ser uma espécie de selo. Não só isso, é um selo antigo, da época dos Quatro Antigos. Infelizmente, nenhuma magia de cura atual ajudaria neste caso. Porém… — Sannire olhou levemente para baixo.
— Porém? Fala homem! Oxi que enrolação — Ayasaka indagou.
— Tá apressada hein? — Sannire encarou Ayasaka revirando os olhos
— Fala! — Três vozes exclamaram em sincronia, incluindo Meezu, Sannire olhou para ela com uma expressão incrédula.
— Até tu?… Porém, eu conheço alguém que pode ajudar. Mas é uma solução distante. — Sannire olhou nos olhos de Ayasaka com um olhar sério.
Sannire tirou um mapa enrolado de uma gaveta e o estendeu sobre a mesa.
— Precisaríamos fazer uma viagem de alguns dias.
— Você deve estar brincando. — Beatrice comentou de braços cruzados ao olhar para o ponto indicado no mapa por Sannire.
— Tô não. Precisamos entrar na Floresta Perdida. A única pessoa que conheço com esse nível de conhecimento antigo reside lá. — Sannire encarou as garotas, tentando ler suas reações.
— Marcha no que é. — Ayasaka quebrou o silêncio dando de ombros. — Não deve ser tão ruim assim.
Tuphi olhou para Ayasaka boquiaberta, tentando formar uma frase.
— Marcha… no que é? — Beatrice repetiu a frase de Ayasaka, confusa.
— Ah, é uma gíria do meu mundo, tipo, bora!
— M-mestre, é uma floresta amaldiçoada. — A garota lobo olhou para Ayasaka com as orelhas um pouco caídas.
— De coisa ruim já basta eu. E pelo nome, não parece tão ruim assim. E se eu conseguir qualquer conhecimento a mais sobre o Fos e tudo que está acontecendo, não vejo pontos negativos. — Ayasaka comentou.
— É assim que eu gosto, minha amiga! Mesmo que nenhuma de vocês aceite acompanhar a Mio, eu irei. — Sannire disse com um sorriso.
Sannire levou seu punho fechado ao peito.
— Minhas sinceras desculpas por não poder ajudar com este empecilho. Farei o possível para executarmos essa tarefa com êxito. Se não, não poderei honrar meu nome.
— A magia dentro daquela floresta é incrivelmente forte né? Diz a lenda que foi o solo onde Yult morreu e amaldiçoou em sua última batalha — Tuphi comentou, levando a mão ao queixo.
— Verdade… — Ayasaka balançou a cabeça em concordância
Alguns segundos de silêncio se passaram, até que ela voltasse a sua linha de pensamento.
— Quem é Yult? — Ayasaka perguntou olhando para Tuphi com um sorriso sem graça.
— Como você pode concordar com algo sem saber o que é?! — Beatrice exclamou ao dar um pequeno cascudo na cabeça de Ayasaka
— Ô sua velha mocoronga!
— Gente, paz! Que isso?! — Meezu exclamou com as mãos para cima.
— Yult, cavaleiro de dragão dos Xodiks. Acho que eu tenho propriedade para falar, já que fui seu pupilo.
Sannire estreitou os olhos enquanto apoiava a cabeça no braço, que pousava diante da grossa mesa de madeira. Suas longas orelhas recaídas brilhavam diante da pobre iluminação da sala.
— E como alguém consegue viver no meio dessa floresta? — Ayasaka perguntou, desentendida.
— Simples, sendo descendente de sangue de Yult. — Beatrice respondeu à pergunta de Ayasaka, que parecia confusa sobre toda a situação.
— Ele morreu então? — Ayasaka questionou.
— Não temos essa informação, Cavaleira. — Sannire respondeu, levantando-se.
— De qualquer forma, estamos resolvidos, senhoritas? — Sannire olhou sério para as quatro garotas que o observavam.

— Precisamos de alguém para liderar a linha de frente se formos sair. — Beatrice comentou.
— Eu já cuidei disso, né Meezu? Aliás, já cuidei de todo o necessário, montarias, suprimentos e armas. — Sannire disse com um olhar sério.
— Cuidamos né?
— É, cuidamos vai — Sannire coçou a cabeça com uma risada sem jeito.
Ele olhou para Ayasaka novamente com uma expressão séria.
— Porém, sinceramente, não garanto que consigamos alguma coisa dessa expedição. Não garanto nem que tenha alguém lá realmente, ou que consigamos entrar. O nome Floresta Perdida não é à toa. Pessoas que ousam adentrar os limites da perdição, geralmente, nunca mais são vistas.

Ayasaka sentou-se numa poltrona no canto da sala, sendo observada por Sannire e as outras.
— O Fos precisa disso, ele também está machucado, e parece bem pior do que eu. Sendo sincera, não me importo com as consequências. Pelo menos não comigo. Não posso obrigar ninguém a me acompanhar, até porque seria egoísmo da minha parte…
Ayasaka suspirou e olhou para baixo, pensativa.
— Eu irei. — Ayasaka respondeu ao olhar penetrante de Sannire.
— Sempre imprudente, não é mesmo? Gosto do seu jeito, Cavaleira. Então está decidido não é mesmo senhoritas?
Sannire olhou a sua volta, em busca de aprovação de Tuphi e Beatrice, que concordavam sutilmente.
— Partiremos ao amanhecer. Seria melhor que vocês passassem a noite aqui nas estadias da central de operações. Cavaleira, temos camas confortáveis, fique tranquila. — Sannire concluiu, fazendo uma elegante reverência ao levantar-se de sua cadeira.
— Sinceramente, aproveita essa noite muito bem, pois acho que você irá sentir saudades dessa calmaria daqui em diante, Ayasaka. — Beatrice comentou
Ayasaka olhou para Beatrice, em silêncio sem uma expressão brincalhona, como seu usual, entendendo a seriedade do momento.
— Vocês já fizeram alguma refeição hoje? — Sannire perguntou às garotas presentes.
— Eu e Beatrice tomamos café da manhã. Porém, a senhorita Mestre, eu acredito que não. — Tuphi encarou Ayasaka com o canto dos olhos, mostrando a língua.
— Hahah! Esplêndido. O almoço será por conta da casa, bora! É assim que você fala não é Cavaleira? — Sannire disse ao dirigir-se à porta da sala em que estavam abrindo-a e gesticulando com a mão para as garotas saírem primeiro.
No refeitório do segundo andar do prédio, Ayasaka se deparava com frutas e comidas de todos os tamanhos e cores, e aparentemente, algumas carnes exóticas também.
— Eu nem imaginava que aqui teria um refeitório. — Ayasaka disse enquanto se sentava no canto de uma grande mesa comunitária, acompanhada de Sannire e as garotas, que riram da surpresa de Ayasaka.
— Você subestima os rebeldes, Cavaleira! — Sannire disse enquanto pegava uma coxa de ave assada. — Coma, não faça pouco caso. — Sannire completou com uma farta risada.
— Finalmente um pouco de carne, achei que iria morrer com um cachorro vegano. — Ayasaka olhou de canto para Tuphi, que estava comendo alguns vegetais.
— Ve… ganho? — Tuphi questionou, inclinando a cabeça.
— Assumiu que é um cachorro! — Ayasaka com um tom de voz alto bateu na mesa junto de gargalhadas inesperadas. Mesmo que seu tom de voz fosse alto, ele se dissipava no meio das vozes entrelaçadas no grande salão.
— Eu não sou um cachorro!
— Tecnicamente ela está certa, não?
— Isso foi racista Meezu!
— Desculpa……
— Meezu nunca errou!
— Mio Ayasaka, a Garota do Racismo?!
Ayasaka observou a grande mesa, onde dezenas de pessoas se sentavam ao mesmo tempo, todas conversando alegremente com brincadeiras e gargalhadas.
— Parece uma grande família. — Ayasaka deu um leve sorriso.
— Porque é o que nós somos. Somos uma grande família — Beatrice comentou sorrindo para Ayasaka, que ficou um pouco sem jeito.
— Isso mesmo. Temos todos os tipos de pessoas aqui, refugiados, órfãos, rebeldes de alma. A linha de frente sempre foi um lugar acolhedor para todos, muitos consideram aqui um lugar sagrado — Sannire respondeu olhando a multidão com um genuíno sorriso.
— Tem racistas também……
— Tuphi!
— Tuphi!
Um barulho oco ecoou da cabeça de Tuphi que foi recebida com um golpe de uma colher de madeira.
— Por quê?!?
— Lugar sagrado é?… — Ayasaka comentou enquanto começava a se deliciar em seu prato com diversas misturas diferentes de alimentos.
Com interações, conversas e brincadeiras, o fim do dia se aproximava na central de operações.

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Olá, eu sou o Flugelu!

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