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O sol, agora brilhando no céu em todo o seu esplendor, pintava o ambiente com tons dourados e cálidos. As sombras dançavam ao ritmo suave dos cavalos, criando uma coreografia efêmera que acompanhava a trupe em sua jornada. Ayasaka sentia o calor do sol acariciar sua pele, contrastando com a frescura do vento que ainda brincava entre os cabelos de Tuphi.
— Ah! Que sensação boa! Nunca andei de cavalo antes… — Ayasaka sorria, seus olhos refletindo o brilho do dia, enquanto apreciava a paisagem que se desenrolava diante dela.
— Sério, mestre? Fico feliz que sua primeira vez tenha sido comigo — Tuphi respondeu, seu olhar amigável expressando uma conexão especial com Ayasaka. Alguma magia parecia envolver o ambiente, suavizando o som do vento e proporcionando um diálogo confortável durante a cavalgada.
Sannire, aproximando-se com seu cavalo, entrou na conversa, seus cabelos ao vento acrescentando uma sensação de movimento à cena.
— Vejo que você é um espírito livre e tanto, em Cavaleira? Hahaha! — Sannire ria, capturando a alegria do momento.
— Espírito livre… — Ayasaka murmurou, recordando sua vida anterior em Tóquio. — Era difícil ser livre na região em que eu morava.
— Entendo, entendo. Espero que a Liberdade de Gale banhe seu espírito e lhe torne leve — Sannire disse com um leve sorriso, como se compartilhasse não apenas palavras, mas também desejos de liberdade e redenção.
Enquanto os cavalos continuavam a galopar pela trilha, os risos e conversas criavam uma harmonia alegre, rompendo o silêncio da natureza.
— Qual será nossa primeira parada? — Ayasaka perguntou.
— Um albergue não muito distante daqui. Devemos chegar para o jantar. Nossa primeira noite será lá. — Beatrice entrou na conversa, montando um cavalo ao lado de Sannire, com os cabelos presos.
— Vai Tuphi, acelera aí, deixa essa caduca pra trás, tá delirando falando sozinha — Ayasaka deu um tapinha nas costas de Tuphi.
— C-Como assim mestre?! — Tuphi disse levemente eufórica. Ayasaka deu uma pequena risada à reação da garota.
— É funny — Ayasaka sorriu na direção da garota lobo, seus olhos absorviam a beleza da paisagem ao redor.
Naquela região escassamente arborizada, lagoas cristalinas circundavam o vasto campo, proporcionando uma visão de tirar o fôlego. O ar puro, inicialmente tão intenso que dificultava a respiração, logo se tornou uma bênção revigorante.
— Nem onde eu morava era assim — Ayasaka relembrou, pensando na relativamente arborizada Tóquio.
— Bem-vinda a Ataraxia, Mestre — Tuphi comentou, captando os pensamentos de Ayasaka, enquanto o som abafado dos galopes ao fundo tornava a experiência mais rica.
— Quer ouvir uma música, Cavaleira? — Sannire perguntou.
— Música? Você toca? — Ayasaka expressou surpresa diante da habilidade musical de Sannire.
Sannire soltou uma gargalhada profunda, respondendo à dúvida de Ayasaka com um sorriso.
— Você me menospreza, Cavaleira — Sannire olhou para ela com um brilho nos olhos. — Também fui abençoado com dons musicais. Não tão divinos quanto os seus, mas, para os Xodiks, a música é sagrada.
— Deixa eu ver! — Ayasaka comentou, curiosa.
— Seu pedido é uma ordem — Sannire acenou com um sorriso, tirando um instrumento pequeno de seu bolso, que estava discretamente guardado sob sua capa, no quadril.
— O que é isso? — Ayasaka perguntou.
— Isso é uma Ocarina — Sannire respondeu com uma voz doce. — Com sua licença, peço permissão para apresentar a música da Floresta Perdida. — Sannire fez uma pequena reverência, olhando para Ayasaka. Sua postura montada revelava grande maestria no manejo do cavalo.
“Música da Floresta Perdida…” Ayasaka acenou com a cabeça, concedendo permissão para Sannire continuar.
Ao ver o sinal da garota, Sannire levou a pequena ocarina aos lábios e fechou os olhos.

— Isso é a canção da Floresta Perdida. Salve a todos os guerreiros que se perderam diante das densas chamas — Sannire prosseguiu assoprando o instrumento misterioso que segurava com as duas mãos, criando um som doce que estranhamente não era cortado pelo vento.
Ayasaka nunca havia visto aquele instrumento antes, mas o som que produzia era envolvente e aconchegante. A visão de Sannire, de olhos fechados, tocando a ocarina enquanto cavalgavam a uma velocidade considerável, era verdadeiramente encantadora.
— Salve a todas as armas que se encontram em solo sagrado — Sannire alterou sua pegada sobre o instrumento, produzindo uma nota mais aguda, com um vibrato subsequente, transmitindo uma melancolia delicada.
Ayasaka sentiu arrepios diante da plenitude da nota emitida pela pequena ocarina. O som parecia crescer em robustez a cada instante. Sannire, com os cabelos brancos oscilando ao vento, permanecia de olhos fechados, envolto na magia da melodia, enquanto todos observavam com admiração.
— Solo sagrado — Sannire abriu os olhos por um momento ao recitar a frase, seu olhar perdido em algum lugar distante.
— Abençoe todos os guerreiros que pisarem em solo de seu descanso, Yult, Ruby! Saudações, irmãos — Sannire tornou a fechar os olhos, produzindo uma sequência de notas doces em seu instrumento de sopro.
As notas evocavam uma atmosfera tropical, como se estivessem no meio de uma floresta chuvosa. Ayasaka estava impressionada com a profundidade da imersão proporcionada pela música.
“Ué?” Ayasaka pensou ao perceber que a ocarina nas mãos de Sannire brilhava com uma luz vermelha, ofuscada pela forte iluminação do sol, que dificultava a visão.
— E um salve em especial à última Cavaleira de Dragão, Mio Ayasaka, a garota da profecia. Viajante de terras desconhecidas. Acompanhada do quinto dragão, descendente das nuvens mais altas de Ataraxia. Fos! — Sannire levou uma mão ao peito e olhou para Ayasaka. Em seu olhar, depositou uma confiança profunda. Ayasaka corou diante de tal olhar sentimental.
— Que sua jornada seja guiada pelos ventos da coragem e que a chama da esperança nunca se apague em seu coração — continuou Sannire, com uma voz que parecia ecoar através da paisagem, como se cada palavra ressoasse nas árvores antigas e nas montanhas distantes. A ocarina em suas mãos não era apenas um instrumento; era uma extensão da própria natureza, ressoando em sintonia com o pulsar da vida ao seu redor.
A revelação de Sannire sobre Ayasaka como a última Cavaleira de Dragão a deixou sem palavras. Ela sentiu o peso da responsabilidade misturado com a honra, e seus olhos encontraram os olhares respeitosos e admirados dos companheiros ao seu redor. Naquele instante, ela não era apenas uma viajante; ela estava conectada a algo maior, algo que transcendia as fronteiras do comum e se entrelaçava com o tecido do destino.
O vento da manhã soprava suavemente, acariciando as folhas das árvores que balançavam em uma dança suave. Era como se a própria natureza estivesse dançando ao som da melodia que Sannire continuava a tecer. As notas da ocarina pairavam no ar, criando uma trilha sonora celestial para a jornada que se desenrolava diante deles. Ayasaka sentiu-se envolvida por uma sensação de pertencimento, como se estivesse testemunhando a abertura de um capítulo sagrado na história daquele novo mundo.
— Que a harmonia dos elementos guie seus passos, Mio Ayasaka, e que os dragões celestiais protejam seu caminho, Descendente das nuvens mais altas! — proclamou Sannire, elevando a ocarina para o céu. Nesse momento, uma brisa suave se intensificou, como se a própria natureza respondesse à invocação, como se os espíritos ancestrais sussurrassem sua aprovação.
Os outros membros do grupo pareciam igualmente tocados pela serenata mágica de Sannire. Cada um deles sentia a importância do momento, conscientes de que estavam testemunhando o início de uma lenda, a lenda da Garota da Profecia, que ecoaria através dos séculos nas inúmeras canções de bardos que estariam por vir.
Ayasaka sorriu, sentindo uma mistura de gratidão e determinação. Ela sabia que a jornada à frente seria desafiadora, mas a bênção de Sannire e a magia da ocarina lhe proporcionavam um impulso de confiança, como se a própria essência da terra estivesse alicerçando seus passos.
— Obrigada, Sannire. Suas palavras e sua música significam mais do que posso expressar — disse Ayasaka, sua voz tingida de emoção e reverência.
Sannire assentiu, como se entendesse a profundidade das palavras não ditas. Ele continuou a tocar a ocarina, e o grupo seguiu adiante, levando consigo a energia renovada que permeava o ar ao redor deles. A Floresta Perdida estendia-se diante deles, cheia de mistérios e desafios, mas Ayasaka sentiu-se pronta para enfrentar o desconhecido, fortalecida pela música e pelas palavras que ecoavam em seu coração, marcando o início de sua lenda pessoal.
— Cavaleira. Me perdoe se meu canto não atingiu seu coração, mas foi de alma. Celebramos a sua chegada nessas terras sem esperança. Que sua história seja tocada por nobres bardos por anos a frente à nossa existência. — Sannire, ao concluir suas palavras, realizou uma leve reverência, um gesto carregado de respeito, antes de cuidadosamente guardar o instrumento em sua cintura e ajustar seu arreio. Ayasaka, ainda atônita diante da experiência musical, estava sem palavras, embora profundamente impressionada.
— Isso foi como um ritual para invocar proteção para você. É bem importante na cultura Xodik — Tuphi comentou em um tom baixo para Ayasaka, como se compartilhassem um segredo sussurrado entre folhas.
— Sério?… — Ayasaka respondeu a Tuphi com uma voz pensativa. — Foi lindo.
Enquanto as palavras ecoavam, Ayasaka mergulhava em seus próprios pensamentos. “Descendente das nuvens mais altas”, ecoava em sua mente enquanto observava as gramas distorcidas voando rapidamente ao lado do grupo. Era um momento de reflexão, uma pausa em sua jornada para contemplar o significado por trás das palavras de Sannire.
— Estamos chegando? — Ayasaka ignorou temporariamente os pensamentos mais profundos e se transformou em uma criança impaciente de seis anos viajando com os pais.
— Ainda não — respondeu Tuphi.
Ayasaka fez um pequeno bico enquanto observava a paisagem em movimento. Algumas horas haviam se passado desde que deixaram Kratkar, e já era quase meio-dia. O estômago de Ayasaka protestava audivelmente.
— Está com fome, mestre? — Tuphi notou o som do estômago de Ayasaka, fazendo-a corar de leve.
— S-sim… — Ayasaka respondeu timidamente.
— Certo, eu também — Tuphi respondeu a Ayasaka, alcançando-lhe com um olhar amigável por cima do ombro.
Tuphi com a mão para cima na frente da cavalaria, continuou:
— Gente, vamos parar para comer — Ela anunciou ao grupo, enquanto procurava um lugar adequado para a pausa. — Ali, embaixo daquela árvore, parece bom.
— Bora comer! — Sannire e Beatrice responderam em sincronia, ajustando seus cavalos para seguir em direção à sombra acolhedora da árvore escolhida por Tuphi.
O cenário tranquilo e a promessa de uma refeição merecida proporcionavam um breve alívio na jornada, permitindo que o grupo compartilhasse não apenas a comida, mas também histórias e risos sob a copa da árvore, enquanto o sol continuava a desenhar padrões dourados no céu de Ataraxia.
Sannire prosseguiu desferindo os últimos assopros em sua ocarina, que novamente brilhava com uma luz vermelha fraca, em um tom de despedida.
— Cavaleira. Me perdoe se meu canto não atingiu seu coração, mas foi de alma. Celebramos a sua chegada nessas terras sem esperança. Que sua história seja tocada por nobres bardos por anos a frente à nossa existência. — Sannire levou sua mão ao peito em uma leve reverência antes de guardar o instrumento em sua cintura e se acomodar em seu arreio.

Olá, eu sou o Flugelu!

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