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Os 60 soldados de Vasbrusk cercaram o acampamento dos bandidos lentamente, matando qualquer sentinela que poderia alertar os criminosos. Para que tudo funcionasse, o elemento surpresa era essencial.

Os 60 soldados se dividiram em 3 grupos, formados por 20 soldados cada um, e começaram a avançar lentamente em direção ao acampamento bárbaro. Embora não parecesse a coisa mais lógica a fazer, já que eles estavam em grande desvantagem numérica, ainda havia uma razão clara para isso.

Os bandidos não eram organizados e tinham um treinamento no mínimo questionável. Usar a estratégia de dividir e conquistar tinha vantagem exatamente por causa disso, pois eles seriam úteis como ondas humanas se estivessem juntos, mas separados, eram alvos fáceis.

O primeiro grupo de soldados avançou lentamente em direção à região central do acampamento. Aquela era a área com mais cabanas e onde a maioria dos bandidos estava. Enquanto isso os outros dois grupos avançavam pelos cantos do acampamento, esperando pelo momento correto para avançar.

Quanto a Erik, como o único especialista entre aqueles que avançaram em direção ao acampamento, ele tinha uma missão um pouco especial: entrar diretamente na cabana central e matar o líder bárbaro, impedindo-o de assumir o controle de suas tropas.

Não demorou muito para os bandidos perceberem o primeiro grupo se aproximando. As armaduras prateadas chamaram sua atenção assim que chegaram a pouco mais de 50 metros do acampamento, em uma região mais aberta onde o mar de árvores poderia escondê-los.

“Ataque inimigo!” Um bandido gritou, alertando todo o acampamento.

Em poucos segundos, mais de 80 criminosos começaram a correr em direção ao grupo, gritando violentamente e seus olhos cheios de ganância pelas armaduras que os soldados equipavam. Em suas mentes pouco inteligentes, apenas uma frase dominava: ‘Que tipo de idiota atacava um acampamento tão grande quanto o deles com apenas 20 homens?’

Os 20 soldados do primeiro grupo pararam imediatamente sua marcha. No momento em que foram notados, eles rapidamente formaram uma falange de duas fileiras, colocando seus escudos à frente e se preparando para enfrentar o inimigo. Eles não precisavam derrotá-los, apenas segurá-los.

O impacto inicial entre os bandidos e os soldados de Vasbrusk foi brutal. A falange nem mesmo tremeu, seus escudos se mantendo firmes enquanto os bandidos tentavam desesperadamente romper.

Alguns, um pouco mais inteligentes, tentaram contornar a falange, aproveitando seu número superior para cercar seus oponentes. No entanto, isso se provou pouco proveitoso, pois sem uma figura de liderança, eles mais pareciam idiotas correndo loucamente para a parte de trás da falange inimiga, apenas para serem abatidos imediatamente pelos soldados da segunda fileira que protegiam a retaguarda.

Entre gritos desesperados de dor e ódio, com espadas e machados batendo contra escudos, os bandidos que lutavam contra o primeiro grupo não perceberam que, em outras partes do acampamento, dezenas de gritos e o barulho de aço colidindo começavam a soar, sendo rapidamente abafados pelo barulho da batalha principal.

Só foi depois de alguns minutos tentando desesperadamente romper a falange inimiga que um guerreiro, que estava na retaguarda dos bandidos, percebeu que tinha algo de estranho acontecendo.

“Onde está o reforço? Por que ninguém veio ainda?” O guerreiro perguntou a outro bandido, que parecia ser um pouco mais forte que ele.

“Sei lá, caralho! E o líder também não deu as caras ainda. Vamos perder muita gente se eles não chegarem para ajudar logo!”

“Merda!” O guerreiro bufou, antes de começar a se afastar do campo de batalha principal, saindo do amontoado de bandidos e chegando a uma região mais calma, onde ele poderia ouvir melhor.

Ele nem precisou imbuir seus ouvidos com Aether, pois no momento em que se afastou de onde estava lutando, ele percebeu o que estava acontecendo.

Arregalando os olhos, ele começou a correr de volta em direção à batalha, enquanto gritava: “É a porra de uma armadilha! Vamos ser cercados, a gente tem que cair fora agora!”

Infelizmente, já era tarde demais. Outros 40 soldados romperam pelas laterais do acampamento, avançando em uma carga rápida e cruel contra os bandidos.

Nesse momento, os 20 soldados que até então apenas se defendiam passivamente e tentavam não morrer viram que era a hora de atacar. Segurando firmemente suas espadas, eles mudaram sua formação. Os soldados da retaguarda abandonaram seus postos rapidamente, passaram pelo lado da vanguarda e também avançaram contra os criminosos.

Não muito longe dali, Asterios e seu pai observavam a batalha. O garotinho já tinha perdido todo o nervosismo do rosto e agora sorria com confiança, enquanto olhava de vez em quando para seu pai, buscando sua aprovação.

Argus, percebendo isso, apenas sorriu antes de perguntar: “Asterios, por que acha que aqueles soldados lutam?”

Ouvindo as palavras de seu pai, Asterios travou por alguns segundos antes de responder: “Porque eles são leais ao senhor?”

“Quase isso, mas não.” Argus respondeu de forma direta e não falou mais nada, apenas observou Asterios silenciosamente, esperando uma nova resposta.

“Hm… Justiça?” Asterios falou novamente, com um pouco menos de confiança em seu olhar.

“Também não.” Argus respondeu com um suspiro pesado, e logo continuou a explicar: “Justiça, honra, lealdade, patriotismo. Esses podem ser vistos como os quatro principais pilares que mantêm qualquer exército de pé.”

“Mas você disse que…” Asterios tentou questionar, mas foi interrompido pela voz severa de Argus.

“Espere e ouça.” Logo após falar isso, Argus prosseguiu com seu discurso. “Lealdade, honra, justiça, patriotismo, amor à pátria. Todos esses têm uma única coisa em comum: são ideais abstratos, intangíveis, e todo o seu valor é, para dizer o mínimo, moral.”

“Hm… então o que faz eles lutarem?” Asterios perguntou, tendo sua atenção totalmente tomada pelo discurso de seu pai.

“Sangue.” Argus respondeu de forma simples e direta, mas percebendo que seu filho não entendeu o que ele queria dizer com isso, ele continuou a falar.

“Quantos soldados você acha que estariam realmente dispostos a morrer por ideias tão abstratas? Quantos deles se jogariam numa batalha perdida sem a ameaça de perderem suas cabeças pela deserção?

Mesmo nos mais poderosos impérios, essas ideias abstratas são apenas um combustível para a moral.”

Argus fez uma breve pausa para dar tempo a Asterios de absorver tudo o que ele falava e logo continuou.

“A verdade é que o sangue é a melhor forma de garantir a lealdade de um exército. Seja um líder, mas antes de líder, seja um soldado, um guerreiro. Lute por seus homens e eles lutarão por você, sangre por eles e eles sangrarão por você, morra por eles e eles morrerão por você. Apenas ofereça sua própria lealdade a seus homens, e se não forem formados por cobras traiçoeiras, eles oferecerão a lealdade deles a você.”

Argus se agachou para ficar na altura dos olhos de Asterios e continuou a falar: “Ouça bem, meu filho, um bom exército não é aquele cujo líder tem total confiança em seus soldados. Um bom exército é aquele em que os soldados têm total confiança em seu líder.”

“Cada um daqueles soldados que estão lutando lá embaixo é um veterano da guerra civil, que lutou bravamente pelo império. Eles poderiam ir para qualquer ducado e conseguir posições de muito mais prestígio com bastante facilidade, e mesmo assim, não fizeram isso.

A razão é simples. Em tempos de guerra, eu sangrei por eles, e agora, eles sangram por mim.”

Asterios não disse uma única palavra e apenas ouviu tudo o que seu pai tinha a dizer sem questionar. Seu olhar brilhava levemente, à medida que ele finalmente percebia o que as palavras de seu pai realmente significavam.

Argus apenas sorriu enquanto encarava o rosto de seu filho, que parecia ter passado por algum tipo de revelação.

Após alguns minutos, Argus finalmente falou: “Vamos, a batalha já está acabando. Agora é hora de você mostrar a eles que também pode sangrar por eles, assim como eu fiz.”

Ouvindo as palavras de seu pai, Asterios acenou com a cabeça, e logo pai e filho começaram a caminhar em direção ao campo de batalha.

Olá, eu sou o LazyCat!

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